Do que trata o tópico
Este tópico trata da cinemática. A cinemática é a parte da Física que descreve o movimento. Ela responde a perguntas como: onde o corpo está, com que rapidez ele anda e quanto tempo ele leva. A cinemática não pergunta por que o corpo se move. Essa pergunta é da dinâmica, que é outro tópico. O tópico tem quatro partes: o movimento em linha reta (com os gráficos), o movimento em duas direções (a travessia de rio e o lançamento de projétil), o movimento em círculo e as questões mistas, como velocidade média e encontro de dois veículos. A banca cobra o tópico com contas curtas, leitura de gráfico e afirmações para julgar.
Conteúdo
Cinemática escalar: movimento uniforme, movimento variado, movimento vertical e gráficos
Pense em um carro numa estrada reta. A estrada tem placas com a quilometragem. A placa onde o carro está é a posição dele. Se o carro sai da placa 10 e chega à placa 70, ele andou 60. Essa diferença se chama deslocamento. O deslocamento é a posição final menos a posição inicial.
A velocidade diz quanto a posição muda a cada unidade de tempo. Um carro que anda 60 metros em 4 segundos anda 15 metros a cada segundo. A velocidade dele é de 15 metros por segundo. No Sistema Internacional, a posição fica em metros (m), o tempo em segundos (s) e a velocidade em metros por segundo (m/s).
Muitas questões dão a velocidade em quilômetros por hora (km/h). Um quilômetro tem 1.000 metros. Uma hora tem 3.600 segundos. Por isso, para passar de km/h para m/s, você divide por 3,6. Para voltar de m/s para km/h, você multiplica por 3,6. Assim, 72 km/h viram m/s.
O movimento uniforme (MU) é o movimento com velocidade constante. O carro anda sempre a mesma distância em cada segundo. A posição muda sempre do mesmo tanto:
Nessa fórmula, é a posição no instante , é a posição no começo (no instante zero), é a velocidade e é o tempo que passou. Se a velocidade é negativa, o corpo anda no sentido em que a quilometragem diminui.
O movimento uniformemente variado (MUV) é o movimento em que a velocidade muda sempre do mesmo tanto a cada segundo. Pense em um carro parado que acelera. No primeiro segundo, ele chega a 2 m/s. No segundo seguinte, a 4 m/s. Depois, a 6 m/s. A velocidade sobe 2 m/s a cada segundo. Esse número é a aceleração. A aceleração é quanto a velocidade muda a cada segundo. A unidade dela é metros por segundo ao quadrado (m/s²). Quando o carro freia, a velocidade diminui, e a aceleração é negativa.
No MUV, três fórmulas resolvem quase tudo:
Nessas fórmulas, é a velocidade no instante , é a velocidade no começo, é a aceleração, e são as posições e é o deslocamento (). A terceira fórmula se chama equação de Torricelli. Ela não tem o tempo. Use Torricelli quando a questão não dá nem pede o tempo.
O movimento vertical é um MUV. Uma pedra solta do alto cai cada vez mais rápido. Uma bola jogada para cima sobe cada vez mais devagar, para e volta. Nos dois casos, a aceleração é a da gravidade. A banca costuma usar m/s². Na subida, a velocidade diminui 10 m/s a cada segundo. No ponto mais alto, a velocidade é zero. A descida leva o mesmo tempo que a subida, se não há resistência do ar. A altura máxima de uma bola lançada para cima com velocidade sai de Torricelli com :
Nessa fórmula, é a altura máxima, é a velocidade do lançamento e é a aceleração da gravidade. O tempo de subida é .
Os diagramas horários são os gráficos do movimento. A banca usa dois. No gráfico da posição pelo tempo, a inclinação da linha dá a velocidade. No gráfico da velocidade pelo tempo, a inclinação dá a aceleração, e a área entre a linha e o eixo do tempo dá o deslocamento. Esse é o ponto que mais derruba o aluno. Muitas vezes a questão traz os valores do gráfico em forma de tabela. Para achar o deslocamento, monte uma tabela auxiliar com uma linha por trecho do gráfico:
| Trecho | Duração (s) | Forma da área | Área (m) |
|---|---|---|---|
| 1 | ... | triângulo ou retângulo ou trapézio | ... |
| 2 | ... | ... | ... |
| Total | ... | soma das áreas |
A área do triângulo é a base vezes a altura, dividido por 2. A área do retângulo é a base vezes a altura. No gráfico da velocidade, a base é o tempo e a altura é a velocidade.
- Reconheça o tipo: velocidade constante é MU; velocidade que muda do mesmo tanto a cada segundo é MUV; corpo que sobe ou cai é movimento vertical; gráfico ou tabela de valores pede a leitura do diagrama.
- Anote os dados com as letras: , , , , , . Escreva zero para o corpo que parte do repouso ou que para.
- Converta tudo para metros, segundos e m/s. Divida km/h por 3,6.
- Escolha a fórmula que tem os dados e a incógnita. Sem tempo no enunciado, use Torricelli. No gráfico da velocidade, use a área para o deslocamento e a inclinação para a aceleração.
- Faça a conta, uma operação por vez.
- Confira a unidade e o sinal. Leia de novo o que a questão pede: posição, deslocamento, velocidade, tempo ou aceleração.
Um carro parte do repouso com aceleração de 2 m/s². Calcule a velocidade e o deslocamento do carro depois de 5 segundos.
- Passo 1 do roteiro: a velocidade muda do mesmo tanto a cada segundo. O movimento é MUV.
- Passo 2 do roteiro: , m/s² e s.
- Passo 3 do roteiro: os dados já estão em metros e segundos.
- Passo 4 do roteiro: para a velocidade, use . Para o deslocamento, use .
- Passo 5 do roteiro: m/s. Depois, . Então m.
- Passo 6 do roteiro: a velocidade está em m/s e o deslocamento em metros.
Resultado: a velocidade é de 10 m/s e o deslocamento é de 25 m.
Um motorista anda a 72 km/h e vê um obstáculo. Ele freia, e o carro para depois de andar 40 m. A desaceleração é constante. Calcule a aceleração do carro e o tempo da frenagem.
- Passo 1 do roteiro: a velocidade diminui do mesmo tanto a cada segundo. O movimento é MUV.
- Passo 2 do roteiro: km/h, (o carro para) e m. O tempo não aparece.
- Passo 3 do roteiro: m/s.
- Passo 4 do roteiro: sem tempo, use Torricelli: .
- Passo 5 do roteiro: . Então . Daí e m/s². Para o tempo, use : . Então e s.
- Passo 6 do roteiro: a aceleração é negativa porque o carro freia. O sinal está certo.
Resultado: a aceleração é de -5 m/s² (desaceleração de 5 m/s²) e a frenagem dura 4 s.
Um sensor registra a posição de um carrinho que anda em linha reta com velocidade constante. A tabela mostra os registros. Calcule a velocidade do carrinho e a posição dele no instante 10 s.
| Instante (s) | Posição (m) |
|---|---|
| 0 | 10 |
| 2 | 40 |
| 4 | 70 |
- Passo 1 do roteiro: a velocidade é constante. O movimento é MU.
- Passo 2 do roteiro: m. Entre 0 s e 4 s, a posição vai de 10 m a 70 m.
- Passo 3 do roteiro: os dados já estão em metros e segundos.
- Passo 4 do roteiro: a velocidade é o deslocamento dividido pelo tempo. Depois, use .
- Passo 5 do roteiro: m. m/s. No instante 10 s: e m.
- Passo 6 do roteiro: entre 0 s e 2 s, o carrinho anda m, e m/s. A velocidade confere.
Resultado: a velocidade é de 15 m/s e a posição no instante 10 s é 160 m.
Uma equipe de trânsito de um município analisa o trajeto de um ônibus entre dois pontos de parada, em linha reta. O gráfico da velocidade pelo tempo é formado por segmentos de reta que ligam os pontos da tabela abaixo. O ônibus sai parado, acelera, anda com velocidade constante e freia até parar. Qual é o deslocamento do ônibus entre os dois pontos?
| Instante (s) | Velocidade (m/s) |
|---|---|
| 0 | 0 |
| 4 | 12 |
| 10 | 12 |
| 14 | 0 |
- A) 3 m
- B) 72 m
- C) 120 m
- D) 168 m
- E) 8,6 m
- Passo 1 do roteiro: a questão traz o gráfico da velocidade pelo tempo e pede o deslocamento. O deslocamento é a área sob a linha.
- Passo 2 do roteiro: o gráfico tem três trechos. Monte a tabela auxiliar com a duração, a forma e a área de cada trecho.
- Passo 3 do roteiro: os dados já estão em m/s e segundos.
- Passo 4 do roteiro: o trecho 1 (de 0 s a 4 s) é um triângulo. O trecho 2 (de 4 s a 10 s) é um retângulo. O trecho 3 (de 10 s a 14 s) é um triângulo.
- Passo 5 do roteiro: trecho 1: e m. Trecho 2: s, e m. Trecho 3: s, e m.
| Trecho | Duração (s) | Forma da área | Área (m) |
|---|---|---|---|
| 1 | 4 | triângulo | 24 |
| 2 | 6 | retângulo | 72 |
| 3 | 4 | triângulo | 24 |
| Total | 14 | 120 |
- Passo 6 do roteiro: o total é m. A unidade é metro, como pede a questão.
Resultado: alternativa C.
A alternativa D (168 m) é a armadilha mais tentadora: ela soma , e e esquece de dividir os triângulos por 2. A alternativa A (3 m) usa a inclinação do primeiro trecho, , que dá a aceleração, e não o deslocamento.
Em um treinamento do Corpo de Bombeiros, um sinalizador é lançado verticalmente para cima com velocidade de 20 m/s. Despreze a resistência do ar e use m/s². Julgue a afirmação: o sinalizador atinge a altura máxima de 40 m e volta ao ponto de lançamento 4 s depois de ser lançado.
- Passo 1 do roteiro: o corpo sobe e volta. O movimento é vertical.
- Passo 2 do roteiro: m/s, m/s² e, no ponto mais alto, .
- Passo 3 do roteiro: os dados já estão em m/s e m/s².
- Passo 4 do roteiro: para a altura, use . Para o tempo de subida, use .
- Passo 5 do roteiro: e . Então m. O tempo de subida é s. A descida leva os mesmos 2 s. O tempo total é s.
- Passo 6 do roteiro: o tempo de 4 s confere. A altura de 40 m não confere. Quem erra divide 400 por 10 e esquece o 2 da fórmula.
Resultado: errado. O tempo de 4 s está certo, mas a altura máxima é de 20 m, e não de 40 m.
O erro comum neste assunto é ler o gráfico da velocidade como se fosse o gráfico da posição. No gráfico da velocidade, a área dá o deslocamento e a inclinação dá a aceleração. Outro erro comum é usar km/h numa conta com metros e segundos. Converta antes de qualquer conta. No movimento vertical, lembre que a velocidade no ponto mais alto é zero, mas a aceleração continua igual a .
Cinemática vetorial: composição de movimentos e lançamento não vertical
Até aqui, o corpo andava numa linha só. Agora ele anda em duas direções ao mesmo tempo. Pense em um barco que atravessa um rio. O barco rema para a outra margem. Ao mesmo tempo, a água arrasta o barco rio abaixo. O barco faz dois movimentos ao mesmo tempo, e o caminho real é a soma dos dois.
Para somar movimentos em direções diferentes, a Física usa o vetor. O vetor é uma seta. A seta tem um tamanho (o módulo), uma direção (a linha em que ela está) e um sentido (para onde ela aponta). A velocidade é um vetor: 4 m/s para o norte é diferente de 4 m/s para o leste.
Quando duas velocidades são perpendiculares (formam um ângulo de 90°), a velocidade resultante é a hipotenusa de um triângulo retângulo. Use o teorema de Pitágoras:
Nessa fórmula, é a velocidade resultante, e e são as duas velocidades perpendiculares. Com 3 m/s e 4 m/s, a resultante é 5 m/s.
No barco, a velocidade do barco em relação à água se chama velocidade relativa. A velocidade da água se chama velocidade de arrastamento. A soma das duas é a velocidade do barco em relação à margem. A regra mais cobrada é esta: o tempo para atravessar o rio depende só da velocidade perpendicular à margem. A correnteza não ajuda nem atrapalha a travessia. Ela só empurra o barco rio abaixo.
O lançamento não vertical usa a mesma ideia. Pense em uma bola chutada para cima e para a frente. A bola faz dois movimentos ao mesmo tempo. Na horizontal, nada freia a bola (sem resistência do ar). Por isso, na horizontal o movimento é MU, com velocidade constante. Na vertical, a gravidade puxa a bola para baixo. Por isso, na vertical o movimento é MUV, igual ao lançamento vertical do assunto anterior.
Para separar os dois movimentos, você decompõe a velocidade inicial. Decompor é achar a parte horizontal e a parte vertical da seta:
Nessas fórmulas, é a velocidade do lançamento, é o ângulo com o chão, é a parte horizontal e é a parte vertical. A banca costuma dar o seno e o cosseno. Para 37°, o seno vale 0,6 e o cosseno vale 0,8.
Com as duas partes, o resto sai das fórmulas que você já conhece. O tempo de subida é . O tempo total no ar é o dobro do tempo de subida, se a bola volta à mesma altura. A altura máxima é . O alcance é a distância horizontal:
Nessa fórmula, é o alcance, é a velocidade horizontal e é o tempo no ar. No lançamento horizontal (a bola sai de uma mesa ou cai de um avião), a velocidade vertical no começo é zero. A queda segue , em que é a altura da queda. Com , fica .
- Reconheça o tipo: dois movimentos ao mesmo tempo (barco e correnteza, avião e vento) pedem composição; corpo lançado para a frente pede lançamento não vertical.
- Desenhe as velocidades como setas e ache as partes perpendiculares. No lançamento, calcule e .
- Trate cada direção em separado. Na travessia, o tempo vem só da velocidade perpendicular à margem. No lançamento, o tempo vem só do movimento vertical.
- Use o tempo achado para calcular a distância na outra direção.
- Se a questão pede a resultante, use Pitágoras com as partes perpendiculares.
- Confira: no ponto mais alto do lançamento, só a velocidade vertical é zero; a horizontal continua igual a .
Um barco rema a 4 m/s, apontado direto para a outra margem. A correnteza do rio tem 3 m/s. Calcule a velocidade do barco em relação à margem.
- Passo 1 do roteiro: o barco e a correnteza fazem dois movimentos ao mesmo tempo. É composição de movimentos.
- Passo 2 do roteiro: a velocidade do barco (4 m/s) é perpendicular à correnteza (3 m/s).
- Passo 3 do roteiro: a questão pede só a resultante. Não é preciso tempo.
- Passo 4 do roteiro: não há distância a calcular.
- Passo 5 do roteiro: e . Então e m/s.
- Passo 6 do roteiro: a resultante é maior que cada parte, como deve ser.
Resultado: a velocidade em relação à margem é de 5 m/s.
Um rio tem 120 m de largura. Um barco rema a 4 m/s, apontado direto para a outra margem. A correnteza tem 3 m/s. Calcule o tempo da travessia e quanto o barco desce rio abaixo.
- Passo 1 do roteiro: barco e correnteza ao mesmo tempo. É composição de movimentos.
- Passo 2 do roteiro: a velocidade perpendicular à margem é 4 m/s. A velocidade ao longo do rio é 3 m/s.
- Passo 3 do roteiro: o tempo vem só da velocidade perpendicular: s.
- Passo 4 do roteiro: rio abaixo, a correnteza leva o barco por m.
- Passo 5 do roteiro: a questão não pede a resultante. Se pedisse, ela seria 5 m/s, e o caminho seria m.
- Passo 6 do roteiro: a correnteza não mudou o tempo da travessia. Ela só desviou o barco.
Resultado: a travessia dura 30 s e o barco desce 90 m rio abaixo.
Uma pedra é lançada horizontalmente do alto de um prédio de 45 m de altura, com velocidade de 10 m/s. Use m/s² e despreze a resistência do ar. Calcule o tempo de queda e a distância horizontal entre o pé do prédio e o ponto onde a pedra cai.
- Passo 1 do roteiro: a pedra sai para a frente. É lançamento não vertical (lançamento horizontal).
- Passo 2 do roteiro: m/s. A velocidade vertical no começo é zero.
- Passo 3 do roteiro: o tempo vem da vertical: . Então e s.
- Passo 4 do roteiro: na horizontal, a pedra anda m.
- Passo 5 do roteiro: a questão não pede a resultante.
- Passo 6 do roteiro: o tempo está em segundos e a distância em metros.
Resultado: a queda dura 3 s e a pedra cai a 30 m do pé do prédio.
Em um teste de equipamento de uma força de segurança, um projétil é lançado do chão com velocidade de 50 m/s, num ângulo de 37° com a horizontal. Use m/s², sen 37° = 0,6 e cos 37° = 0,8. Despreze a resistência do ar. Julgue a afirmação: no ponto mais alto da trajetória, a velocidade do projétil é nula.
- Passo 1 do roteiro: o projétil sai para cima e para a frente. É lançamento não vertical.
- Passo 2 do roteiro: m/s e m/s.
- Passo 3 do roteiro: na vertical, o tempo de subida é s. A altura máxima é m.
- Passo 4 do roteiro: na horizontal, a velocidade fica em 40 m/s o tempo todo. O tempo total é s, e o alcance é m.
- Passo 5 do roteiro: no ponto mais alto, a parte vertical é zero e a parte horizontal é 40 m/s. A resultante é m/s.
- Passo 6 do roteiro: a velocidade no ponto mais alto não é nula. Só a parte vertical é nula.
Resultado: errado. No ponto mais alto, a velocidade é de 40 m/s, na horizontal. Só a parte vertical da velocidade é zero.
Um drone da Defesa Civil voa na horizontal a 20 m/s, a 80 m de altura. Ele precisa soltar um kit de primeiros socorros sobre uma família ilhada. Use m/s² e despreze a resistência do ar. A que distância horizontal do alvo o drone deve soltar o kit?
- A) 4 m
- B) 80 m
- C) 160 m
- D) 320 m
- E) 1.600 m
- Passo 1 do roteiro: o kit sai com a velocidade do drone, na horizontal. É lançamento horizontal.
- Passo 2 do roteiro: m/s. A velocidade vertical no começo é zero.
- Passo 3 do roteiro: o tempo vem da vertical: . Então e s.
- Passo 4 do roteiro: na horizontal, o kit anda m.
- Passo 5 do roteiro: a questão pede só a distância horizontal.
- Passo 6 do roteiro: 80 m está em metros e é coerente com 4 s de queda.
Resultado: alternativa B.
A alternativa D (320 m) é a armadilha mais tentadora: ela usa , que é , e esquece de tirar a raiz. A alternativa C usa s, uma conta que trata a queda como MU.
O erro comum neste assunto é achar que a correnteza muda o tempo da travessia. Ela não muda: o tempo vem só da velocidade perpendicular à margem. No lançamento, o erro comum é dizer que a velocidade é zero no ponto mais alto. Só a parte vertical é zero. Outro erro é esquecer a raiz quadrada no tempo de queda.
Cinemática angular: movimento circular uniforme e movimento circular variado
Pense na roda de uma bicicleta. Um ponto pintado na borda da roda dá voltas. Se a roda dá 2 voltas a cada segundo, cada volta leva meio segundo. O tempo de uma volta se chama período (). O número de voltas por segundo se chama frequência (). Os dois são o inverso um do outro:
Nessa fórmula, é a frequência, em hertz (Hz), que quer dizer voltas por segundo, e é o período, em segundos. Muitas questões dão a frequência em rotações por minuto (rpm). Um minuto tem 60 segundos. Por isso, para passar de rpm para Hz, você divide por 60.
O movimento circular uniforme (MCU) é o movimento em círculo com o mesmo número de voltas a cada segundo. Nele, o ângulo que o ponto gira muda sempre do mesmo tanto. Esse ângulo é medido em radianos (rad). Uma volta inteira tem radianos. A banca muitas vezes manda usar . A velocidade angular () diz quantos radianos o ponto gira a cada segundo:
Nessa fórmula, é a velocidade angular, em rad/s, é o período e é a frequência.
O ponto da borda também anda um caminho em metros. Essa é a velocidade linear (). Um ponto longe do centro anda mais que um ponto perto do centro, no mesmo tempo. Por isso, a velocidade linear depende do raio:
Nessa fórmula, é a velocidade linear, em m/s, é a velocidade angular, em rad/s, e é o raio, em metros. A velocidade linear aponta sempre na direção da tangente, isto é, faz um ângulo reto com o raio.
No MCU, a velocidade linear tem sempre o mesmo tamanho, mas muda de direção o tempo todo. Por isso, existe uma aceleração que aponta para o centro. Ela se chama aceleração centrípeta:
Nessa fórmula, é a aceleração centrípeta, em m/s², é a velocidade linear, é a velocidade angular e é o raio.
Duas polias ligadas por uma correia têm a mesma velocidade linear na borda, porque a correia não escorrega. Então . O mesmo vale com a frequência: . A polia menor gira mais rápido. Duas polias presas no mesmo eixo têm a mesma velocidade angular.
O movimento circular uniformemente variado (MCUV) é o movimento em círculo em que a velocidade angular muda do mesmo tanto a cada segundo. É o MUV em versão de círculo. A aceleração angular () é quanto a velocidade angular muda a cada segundo, em rad/s². As fórmulas copiam as do MUV:
Nessas fórmulas, é a velocidade angular no começo, é a aceleração angular, é o tempo e é o ângulo girado, em radianos. Para achar o número de voltas, divida por .
- Reconheça o tipo: corpo que gira, roda, polia, satélite ou disco pede cinemática angular. Velocidade de giro constante é MCU; velocidade de giro que aumenta ou diminui do mesmo tanto é MCUV.
- Anote os dados e converta: rpm para Hz (divida por 60), centímetro para metro (divida por 100).
- Ache a frequência ou o período. Depois, calcule .
- Use para a velocidade linear e para a aceleração centrípeta. Em polias com correia, iguale as velocidades lineares; no mesmo eixo, iguale as velocidades angulares.
- No MCUV, use as fórmulas do MUV com , e . Divida o ângulo por para achar as voltas.
- Confira a unidade: rad/s é velocidade angular; m/s é velocidade linear. A questão pede uma das duas.
Uma roda gira a 120 rpm e tem raio de 0,5 m. Use . Calcule a frequência, o período, a velocidade angular e a velocidade linear de um ponto da borda.
- Passo 1 do roteiro: a roda gira com velocidade constante. É MCU.
- Passo 2 do roteiro: Hz. O raio já está em metros.
- Passo 3 do roteiro: s. Então rad/s.
- Passo 4 do roteiro: m/s.
- Passo 5 do roteiro: o movimento não é MCUV. Este passo não se aplica.
- Passo 6 do roteiro: 12 está em rad/s e 6 está em m/s.
Resultado: frequência de 2 Hz, período de 0,5 s, velocidade angular de 12 rad/s e velocidade linear de 6 m/s.
Um motor gira uma polia de raio 10 cm a 600 rpm. Uma correia liga essa polia a outra polia, de raio 30 cm. A correia não escorrega. Calcule a frequência da segunda polia, em rpm.
- Passo 1 do roteiro: duas polias com correia. É cinemática angular com transmissão.
- Passo 2 do roteiro: rpm, cm e cm. A questão pede em rpm, e os dois raios estão em centímetros. Não é preciso converter.
- Passo 3 do roteiro: a frequência da primeira polia já está dada.
- Passo 4 do roteiro: com correia, as velocidades lineares são iguais: .
- Passo 5 do roteiro: . Então e rpm.
- Passo 6 do roteiro: a polia maior gira mais devagar. 200 rpm é menor que 600 rpm, como esperado.
Resultado: a segunda polia gira a 200 rpm.
O laboratório de um hospital público usa uma centrífuga para separar amostras de sangue. O rotor gira a 1.800 rpm, e a amostra fica a 10 cm do eixo. Use . Julgue a afirmação: a velocidade linear da amostra é de 180 m/s.
- Passo 1 do roteiro: o rotor gira com velocidade constante. É MCU.
- Passo 2 do roteiro: Hz. O raio é m.
- Passo 3 do roteiro: rad/s.
- Passo 4 do roteiro: m/s. A aceleração centrípeta é m/s².
- Passo 5 do roteiro: o movimento não é MCUV.
- Passo 6 do roteiro: 180 é a velocidade angular, em rad/s. A velocidade linear é 18 m/s.
Resultado: errado. O número 180 é a velocidade angular, em rad/s. A velocidade linear da amostra é de 18 m/s.
O disco de uma máquina de uma fábrica parte do repouso. Ele gira com aceleração angular constante de 3 rad/s². Use . Quantas voltas o disco completa nos primeiros 4 segundos?
- A) 2
- B) 4
- C) 8
- D) 12
- E) 24
- Passo 1 do roteiro: a velocidade de giro aumenta do mesmo tanto a cada segundo. É MCUV.
- Passo 2 do roteiro: , rad/s² e s.
- Passo 3 do roteiro: a velocidade angular no fim é rad/s. Esse valor não é o que a questão pede.
- Passo 4 do roteiro: a questão não pede velocidade linear.
- Passo 5 do roteiro: . Então rad. Uma volta tem rad. As voltas são .
- Passo 6 do roteiro: a resposta é um número de voltas, sem unidade de ângulo.
Resultado: alternativa B.
A alternativa E (24) é a armadilha mais tentadora: ela dá o ângulo em radianos como se fosse o número de voltas. A alternativa C (8) esquece de dividir por 2.
O erro comum neste assunto é confundir velocidade angular com velocidade linear. A angular está em rad/s; a linear está em m/s e depende do raio. Outro erro é esquecer de passar rpm para Hz ou centímetro para metro. Nas polias com correia, quem iguala as velocidades angulares erra: com correia, as velocidades lineares são iguais.
Outras questões de cinemática: velocidade média, encontro e ultrapassagem
Este assunto reúne as questões mistas que a banca cobra fora das partes anteriores. Elas usam as ideias do MU, mas com uma armadilha de leitura.
A primeira ideia é a diferença entre distância percorrida e deslocamento. Pense em uma pessoa que anda 30 km para o leste e volta 10 km. Ela percorreu km. Mas ela terminou a 20 km do ponto de partida. A distância percorrida é tudo o que a pessoa andou. O deslocamento é só a diferença entre o ponto final e o ponto inicial. Quando o corpo inverte o sentido, os dois números são diferentes.
A segunda ideia é a velocidade média. A velocidade média é a distância total dividida pelo tempo total:
Nessa fórmula, é a velocidade média, é o deslocamento total e é o tempo total, com as paradas incluídas. A velocidade média não é a média das velocidades. Um carro que faz metade do caminho a 60 km/h e metade a 40 km/h passa mais tempo no trecho lento. Por isso, a velocidade média fica abaixo de 50 km/h.
A terceira ideia é o encontro. Dois veículos se encontram quando estão na mesma posição no mesmo instante. Escreva a função da posição de cada um, , e iguale as duas. O veículo que anda no sentido contrário tem velocidade negativa.
A quarta ideia é a travessia de um trem por uma ponte ou túnel. O trem só termina a travessia quando o último vagão sai da ponte. Por isso, a distância que o trem anda é o comprimento da ponte mais o comprimento do trem.
- Reconheça o tipo: viagem em trechos pede velocidade média; dois veículos na mesma via pedem encontro; trem e ponte pedem ultrapassagem; ida e volta pede distância ou deslocamento.
- Anote as distâncias e os tempos de cada trecho, com as paradas.
- Converta tudo para a mesma unidade (km e h, ou m e s).
- Na velocidade média, some as distâncias e some os tempos antes de dividir. No encontro, iguale as posições. Na ponte, some o comprimento do trem.
- Faça a conta, uma operação por vez.
- Confira se a resposta é a velocidade média (total dividido por total), e não a média das velocidades.
Um carro A está na posição 0 m e anda a 20 m/s. Um carro B está na posição 300 m e anda a 10 m/s no sentido contrário, em direção a A. Calcule o instante e a posição do encontro.
- Passo 1 do roteiro: dois veículos na mesma via. É encontro.
- Passo 2 do roteiro: A tem e . B tem e , porque anda no sentido contrário.
- Passo 3 do roteiro: tudo está em metros e segundos.
- Passo 4 do roteiro: e . Iguale as duas: .
- Passo 5 do roteiro: . Então e s. A posição é m.
- Passo 6 do roteiro: para B, m. As duas posições conferem.
Resultado: o encontro ocorre no instante 10 s, na posição 200 m.
Um trem de 200 m de comprimento anda a 72 km/h, com velocidade constante. Ele atravessa uma ponte de 400 m. Calcule o tempo da travessia completa.
- Passo 1 do roteiro: trem e ponte. É ultrapassagem.
- Passo 2 do roteiro: o trem tem 200 m, a ponte tem 400 m e a velocidade é 72 km/h.
- Passo 3 do roteiro: m/s.
- Passo 4 do roteiro: a distância é m, porque o último vagão também precisa sair da ponte.
- Passo 5 do roteiro: s.
- Passo 6 do roteiro: quem usa só a ponte acha s. Esse tempo não inclui a saída do último vagão.
Resultado: a travessia completa dura 30 s.
Um fiscal de uma agência reguladora viaja de carro entre duas cidades. Ele faz a primeira metade do percurso a 60 km/h e a segunda metade a 40 km/h. Julgue a afirmação: a velocidade média do fiscal na viagem é de 50 km/h.
- Passo 1 do roteiro: viagem em trechos. É velocidade média.
- Passo 2 do roteiro: a questão não dá a distância. Escolha um valor fácil, como 120 km. Cada metade tem km.
- Passo 3 do roteiro: tudo está em km e h.
- Passo 4 do roteiro: tempo da primeira metade: h. Tempo da segunda metade: h. Tempo total: h.
- Passo 5 do roteiro: km/h.
- Passo 6 do roteiro: 50 km/h é a média das velocidades, e não a velocidade média. O carro passa mais tempo no trecho lento.
Resultado: errado. A velocidade média é de 48 km/h. O valor de 50 km/h é a média das duas velocidades, que não leva em conta o tempo de cada trecho.
Uma viatura da polícia rodoviária faz uma ronda em três trechos de uma rodovia. No trecho 2, a viatura fica parada num posto de fiscalização. A tabela mostra a distância e o tempo de cada trecho. Qual é a velocidade média da viatura na ronda inteira?
| Trecho | Distância (km) | Tempo (h) |
|---|---|---|
| 1 | 30 | 0,5 |
| 2 | 0 | 0,25 |
| 3 | 45 | 0,75 |
- A) 40 km/h
- B) 50 km/h
- C) 60 km/h
- D) 75 km/h
- E) 120 km/h
- Passo 1 do roteiro: viagem em trechos, com uma parada. É velocidade média.
- Passo 2 do roteiro: monte a tabela auxiliar com a velocidade de cada trecho e a linha de total. A velocidade de cada trecho mostra a armadilha; o total dá a resposta.
| Trecho | Distância (km) | Tempo (h) | Velocidade do trecho (km/h) |
|---|---|---|---|
| 1 | 30 | 0,5 | 60 |
| 2 | 0 | 0,25 | 0 |
| 3 | 45 | 0,75 | 60 |
| Total | 75 | 1,5 |
- Passo 3 do roteiro: tudo está em km e h.
- Passo 4 do roteiro: some as distâncias e os tempos. Distância total: km. Tempo total: h. A parada entra no tempo.
- Passo 5 do roteiro: km/h.
- Passo 6 do roteiro: a resposta é o total dividido pelo total.
Resultado: alternativa B.
A alternativa C (60 km/h) é a armadilha mais tentadora: ela tira a parada do tempo e faz . A alternativa A (40 km/h) faz a média das três velocidades da tabela auxiliar, .
O erro comum neste assunto é fazer a média das velocidades no lugar da velocidade média. Some as distâncias, some os tempos e só então divida. Outro erro é tirar a parada do tempo total. Na ponte, o erro é esquecer o comprimento do trem. Na ida e volta, leia se a questão pede a distância percorrida ou o deslocamento.
- Cinemática
- Movimento em linha reta
- MU: velocidade constante
- MUV: aceleração constante
- Movimento vertical: aceleração da gravidade
- Gráfico da velocidade: área e inclinação
- Movimento em duas direções
- Travessia de rio: tempo pela velocidade perpendicular
- Lançamento: horizontal em MU, vertical em MUV
- Movimento em círculo
- MCU: período, frequência, velocidade angular e linear
- Polias: correia iguala a velocidade linear
- MCUV: fórmulas do MUV com ângulo
- Questões mistas
- Velocidade média: total dividido por total
- Encontro: iguale as posições
- Trem e ponte: some os comprimentos
- Movimento em linha reta
Quadros e comparações
| Situação | Fórmula ou regra | Quando usar |
|---|---|---|
| Velocidade constante | MU, encontro, trem e ponte | |
| Aceleração constante, com tempo | e | MUV e movimento vertical |
| Aceleração constante, sem tempo | frenagem, altura máxima | |
| Duas velocidades perpendiculares | barco e correnteza | |
| Lançamento | e | projétil, bola chutada |
| Giro com velocidade constante | e | roda, polia, centrífuga |
| Giro com aceleração constante | disco que acelera ou freia |
| Gráfico | A inclinação dá | A área dá |
|---|---|---|
| Posição pelo tempo | a velocidade | nada que a banca cobre |
| Velocidade pelo tempo | a aceleração | o deslocamento |
| Aceleração pelo tempo | nada que a banca cobre | a variação da velocidade |
| Ponto | Movimento em linha reta | Movimento em círculo |
|---|---|---|
| O que muda | a posição, em metros | o ângulo, em radianos |
| Velocidade | , em m/s | , em rad/s |
| Aceleração | , em m/s² | , em rad/s² |
| Ligação entre os dois |
Para decorar
- Conversão de velocidade: km/h para m/s, divida por 3,6; m/s para km/h, multiplique por 3,6.
- MU: .
- MUV: ; ; Torricelli .
- Lançamento vertical: altura máxima ; tempo de subida ; m/s².
- Queda a partir do repouso, com g = 10: .
- Gráfico da velocidade: área dá o deslocamento; inclinação dá a aceleração.
- Lançamento: ; ; alcance .
- Valores de 37°: seno 0,6; cosseno 0,8.
- Círculo: ; ; ; ; rpm para Hz, divida por 60.
- Polias: com correia, ; no mesmo eixo, a mesma .
- Velocidade média: distância total dividida pelo tempo total, com as paradas.
- Metade do caminho a 60 km/h e metade a 40 km/h: velocidade média de 48 km/h.
Pegadinhas
| # | Errado | Certo |
|---|---|---|
| 1 | No gráfico da velocidade pelo tempo, a inclinação dá o deslocamento. | A inclinação dá a aceleração. A área sob a linha dá o deslocamento. |
| 2 | No ponto mais alto de um lançamento oblíquo, a velocidade é zero. | Só a parte vertical é zero. A parte horizontal continua igual a . |
| 3 | A correnteza aumenta o tempo da travessia do rio. | O tempo depende só da velocidade perpendicular à margem. A correnteza só desvia o barco. |
| 4 | Metade do caminho a 60 km/h e metade a 40 km/h dá velocidade média de 50 km/h. | A velocidade média é de 48 km/h, porque o carro passa mais tempo no trecho lento. |
| 5 | Duas polias ligadas por correia têm a mesma velocidade angular. | Com correia, as velocidades lineares são iguais. A polia menor gira mais rápido. |
| 6 | 180 rad/s de velocidade angular são 180 m/s de velocidade linear. | A velocidade linear é . Com raio de 0,1 m, são 18 m/s. |
| 7 | O trem atravessa a ponte quando anda o comprimento da ponte. | O trem anda o comprimento da ponte mais o comprimento dele. |
| 8 | A distância percorrida é sempre igual ao deslocamento. | Quando o corpo inverte o sentido, a distância percorrida é maior que o deslocamento. |
Fontes e data
Este guia não usa norma. As fórmulas são da cinemática básica da Física. Todas as contas dos exemplos foram conferidas em 13/10/2026.