O que mais cai
| Parte do tópico | Importância | O que a banca cobra |
|---|---|---|
| Definição e classificação dos arquivos | Alta | Conceito legal de arquivo, as três idades e as classificações do arquivo |
| Definição e classificação dos documentos | Alta | Suporte, forma, formato, gênero, espécie e tipo do documento |
| Órgãos de documentação e instituições arquivísticas | Média | Diferença entre arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação |
| Princípios e teorias da Arquivologia | Alta | Proveniência, ordem original, organicidade, unicidade e ciclo vital |
| História da Arquivologia | Baixa | Revolução Francesa, respeito aos fundos e manual dos holandeses |
| Funções arquivísticas (noções gerais) | Média | Gestão de documentos, protocolo, transferência e recolhimento |
| Análise tipológica (tipologia documental) | Média | Diferença entre espécie e tipo e o roteiro da análise |
| Ciências auxiliares (Diplomática e Paleografia) | Baixa | Objeto de cada ciência e a diferença para a tipologia |
Do que trata o tópico
Este tópico apresenta a base da Arquivologia, isto é, a disciplina que estuda os arquivos, a forma de organizar os documentos e o modo de guardar e dar acesso a eles. O tópico mostra o que é arquivo e o que é documento, como cada um se classifica, que princípios orientam o trabalho do arquivista e quais funções esse trabalho tem. Ele também separa o arquivo da biblioteca e do museu, conta a história da disciplina e apresenta a Diplomática, a Paleografia e a tipologia documental. A Lei nº 8.159/1991 dá o conceito legal de arquivo e de gestão de documentos.
Base de referência
- Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991, arts. 1º a 4º: dever do Poder Público, conceito de arquivo, conceito de gestão de documentos e direito à informação.
- O restante do tópico é teoria arquivística consolidada, com os autores citados em cada parte.
Conteúdo
Definição e classificação dos arquivos
Uma prefeitura pequena produz, todos os dias, ofícios, contratos, folhas de pagamento e processos de compra. Ela também recebe requerimentos de moradores e ofícios de outros órgãos. Esses papéis não são juntados por acaso: cada um nasce porque a prefeitura exerce uma atividade, e eles ficam guardados porque provam o que a prefeitura fez. Esse conjunto de documentos produzidos e recebidos no exercício das atividades é o arquivo da prefeitura.
A Lei nº 8.159/1991 traz o conceito legal, que a prova copia com frequência:
Art. 2º - Consideram-se arquivos, para os fins desta Lei, os conjuntos de documentos produzidos e recebidos por órgãos públicos, instituições de caráter público e entidades privadas, em decorrência do exercício de atividades específicas, bem como por pessoa física, qualquer que seja o suporte da informação ou a natureza dos documentos.
O artigo tem quatro ideias. Primeiro, arquivo é um conjunto, e não um documento solto. Segundo, entram os documentos produzidos e também os recebidos, por isso o ofício que chega de outro órgão faz parte do arquivo de quem recebe. Terceiro, o documento nasce em decorrência de uma atividade, e esse vínculo com a atividade é o que separa o arquivo de uma coleção.
A quarta ideia está no fim do artigo: o suporte e a natureza do documento não importam. Um vídeo de uma audiência, uma planilha eletrônica e uma fotografia são documentos de arquivo, desde que tenham nascido da atividade da entidade. A lei também alcança a pessoa física, de modo que o conjunto de cartas, recibos e contratos de uma pessoa é um arquivo pessoal.
A palavra arquivo tem outros sentidos além do conjunto de documentos. Ela designa a instituição que guarda os documentos (o Arquivo Nacional), o prédio onde eles ficam, a unidade administrativa encarregada deles (o setor de arquivo de um ministério) e o móvel de aço com gavetas. Na prova, o sentido central é o do conjunto de documentos, e os demais aparecem como distratores.
O art. 1º da mesma lei diz para que o arquivo serve ao Estado:
Art. 1º - É dever do Poder Público a gestão documental e a proteção especial a documentos de arquivos, como instrumento de apoio à administração, à cultura, ao desenvolvimento científico e como elementos de prova e informação.
O artigo trata de um dever, e não de uma faculdade: o Poder Público não escolhe se faz a gestão documental. A lista de finalidades tem três campos de apoio (administração, cultura e desenvolvimento científico) e, ao lado deles, a função de prova e informação. Uma alternativa que troque "dever" por "faculdade" ou retire a cultura da lista está errada.
A teoria arquivística classifica os arquivos por quatro critérios. A classificação mais usada no Brasil é a de Marilena Leite Paes. Os critérios são a entidade mantenedora, os estágios de evolução, a extensão da atuação e a natureza dos documentos.
Pela entidade mantenedora, isto é, pela entidade que produz e mantém o arquivo, ele é público ou privado. O arquivo público pertence a órgão ou entidade pública e se divide em federal, estadual, distrital e municipal. O arquivo privado pertence a pessoa física ou a entidade privada e se divide em pessoal (ou familiar), comercial e institucional (de igreja, de sindicato, de associação). A classificação segue quem produziu o documento, e não o assunto: um contrato de uma empresa privada com a prefeitura fica no arquivo da prefeitura como público e no arquivo da empresa como privado.
Pelos estágios de evolução, o arquivo passa por três idades. O arquivo corrente guarda documentos em curso ou consultados com frequência, e por isso fica perto de quem os produziu. O arquivo intermediário guarda documentos de uso eventual, que não precisam mais ficar no setor, mas ainda aguardam o fim de um prazo para serem eliminados ou recolhidos. O arquivo permanente guarda, de forma definitiva, os documentos que têm valor histórico, probatório ou informativo.
O arquivo intermediário é a idade que mais confunde. Ele não guarda documento histórico: ele guarda documento que perdeu o uso frequente, mas ainda tem valor para a administração por razão legal, fiscal ou de prova. O intermediário existe por economia, porque libera espaço caro no setor e concentra a guarda num depósito mais barato. Quando o prazo termina, o documento segue para eliminação ou para o permanente.
- Fase correnteuso frequente pelo setor que produziu
- Fase intermediáriauso eventual, aguarda o fim do prazo
- Fase permanenteguarda definitiva pelo valor histórico
Pela extensão da atuação, o arquivo é setorial ou geral. O arquivo setorial fica dentro de um setor e guarda os documentos correntes daquele setor. O arquivo geral (ou central) concentra os documentos de vários setores ou da instituição inteira. Os dois critérios não se confundem: o arquivo setorial costuma ser corrente, mas o arquivo central também pode guardar documentos correntes.
Pela natureza dos documentos, o arquivo é especial ou especializado. O arquivo especial guarda documentos em suportes diferentes do papel comum, como fotografias, discos, fitas, mapas e microfilmes, que pedem cuidado próprio de guarda e conservação. O arquivo especializado guarda documentos de uma área técnica, como o arquivo médico de um hospital ou o arquivo de engenharia de uma obra, e por isso também é chamado de arquivo técnico. A troca entre os dois nomes é a armadilha clássica: especial olha o suporte, especializado olha o assunto técnico.
Exemplo resolvido: um hospital estadual tem uma sala, na diretoria de enfermagem, com os prontuários dos pacientes internados no mês, consultados todos os dias. Classifique esse arquivo pelos quatro critérios.
- Entidade mantenedora: o hospital é estadual, por isso o arquivo é público estadual.
- Estágio de evolução: os prontuários são de uso diário, por isso o arquivo é corrente.
- Extensão da atuação: a sala fica na diretoria de enfermagem e serve a ela, por isso o arquivo é setorial.
- Natureza dos documentos: prontuário é documento de uma área técnica (a medicina), por isso o arquivo é especializado.
Na prática, a servidora Ana assume o arquivo de uma secretaria municipal e acha caixas de processos de compra de dez anos atrás, que ninguém consulta mais, mas que ainda aguardam o fim do prazo de guarda. Ela não deve guardá-los no setor nem tratá-los como históricos: o lugar deles é o arquivo intermediário. Se a tabela de temporalidade mandar guardar alguns deles para sempre, esses seguem depois para o permanente.
O erro comum de quem começa é ligar a idade ao tempo de vida do documento, como se todo documento antigo fosse permanente. A idade depende do uso e do valor: um documento recente pode ir direto para o permanente, e um documento antigo pode ser eliminado sem nunca ter valor histórico.
Julgue o item. Segundo a Lei nº 8.159/1991, só são arquivos os conjuntos de documentos produzidos por órgãos públicos e entidades privadas, de modo que os documentos acumulados por pessoa física, em suporte eletrônico, ficam fora do conceito legal.
Comentário:
Art. 2º - Consideram-se arquivos, para os fins desta Lei, os conjuntos de documentos produzidos e recebidos por órgãos públicos, instituições de caráter público e entidades privadas, em decorrência do exercício de atividades específicas, bem como por pessoa física, qualquer que seja o suporte da informação ou a natureza dos documentos.
O item erra duas vezes. Ele diz que os documentos acumulados por pessoa física, em suporte eletrônico, ficam fora do conceito legal, mas a lei inclui a pessoa física e aceita qualquer suporte. Ele também omite os documentos recebidos, que o artigo inclui ao lado dos produzidos.
Resultado: errado.
Uma autarquia federal mantém, num depósito fora da sede, caixas de notas de empenho de exercícios encerrados. Os documentos são consultados raramente e aguardam o fim do prazo de guarda, depois do qual a tabela de temporalidade manda eliminá-los. Esses documentos estão no arquivo
- A) corrente, porque ainda têm valor administrativo para a autarquia.
- B) permanente, porque pertencem a uma entidade pública federal.
- C) intermediário, porque são de uso eventual e aguardam o prazo de guarda antes da destinação.
- D) especial, porque estão num depósito separado da sede.
- E) setorial, porque são guardados fora do setor que os produziu.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o arquivo corrente guarda documentos de uso frequente, perto de quem os produziu.
A alternativa erra em corrente, porque ainda têm valor administrativo para a autarquia: o valor administrativo também existe no intermediário, e o que define a idade corrente é o uso frequente.
B) Errada.
Regra: o arquivo permanente guarda documentos de valor histórico, probatório ou informativo, de forma definitiva.
A alternativa erra em permanente, porque pertencem a uma entidade pública federal: ser público define a entidade mantenedora, e não a idade. Os documentos ainda serão eliminados, por isso não são permanentes.
C) Certa.
Regra: o arquivo intermediário guarda documentos de uso eventual que aguardam o fim do prazo para eliminação ou recolhimento.
As notas de empenho são raramente consultadas e esperam o prazo para a eliminação, que é o retrato do intermediário.
D) Errada.
Regra: o arquivo especial guarda documentos em suportes diferentes do papel comum, como fotografias, fitas e mapas.
A alternativa erra em especial, porque estão num depósito separado da sede: o local do depósito não muda a natureza do documento, e nota de empenho é documento textual em papel.
E) Errada.
Regra: o arquivo setorial fica dentro do setor e guarda os documentos correntes daquele setor.
A alternativa erra em setorial, porque são guardados fora do setor que os produziu: o arquivo que fica fora do setor é o contrário do setorial.
Resultado: alternativa C.
Como a banca cobra: a prova copia o art. 2º com uma palavra trocada (só produzidos, só órgãos públicos, só papel) e descreve um caso para o aluno dizer a idade do arquivo ou trocar especial por especializado.
Definição e classificação dos documentos
Um documento é toda informação registrada num suporte. A informação sozinha, como uma conversa que ninguém gravou, não é documento; o papel em branco também não é. O documento nasce quando a informação se fixa num material, seja papel, filme, fita, disco ou arquivo digital.
O documento de arquivo é o documento produzido ou recebido por uma pessoa ou entidade no exercício de suas atividades, que serve de prova ou de informação dessas atividades. O livro comprado por uma biblioteca é documento, mas não é documento de arquivo, porque não nasceu de uma atividade de quem o guarda. A mesma folha impressa pode ser documento de arquivo num lugar e item de coleção em outro: o que decide é a relação com a atividade de quem a produziu ou recebeu.
A teoria descreve o documento por seis elementos, e a prova pede que o aluno separe cada um. Os elementos são suporte, forma, formato, gênero, espécie e tipo. Cada um responde a uma pergunta diferente sobre o mesmo documento.
O suporte é o material sobre o qual a informação está registrada: papel, filme, fita magnética, disco óptico, pendrive. A pergunta do suporte é "em que material está?". A fotografia impressa tem suporte papel, e a mesma fotografia num pendrive tem suporte digital.
A forma é o estágio de preparação e de transmissão do documento: rascunho (ou minuta), original e cópia. A pergunta da forma é "em que estágio está?". A minuta é o texto ainda em preparação, o original é a primeira versão completa e válida, e a cópia reproduz o original. A cópia pode ser simples ou autenticada, e a autenticada tem fé pública por ter sido conferida por quem tem competência para isso.
O formato é a configuração física do suporte, de acordo com a natureza e o modo como o documento foi confeccionado. São formatos o livro, o caderno, a folha, a ficha, o cartaz, o mapa, a planta, a microficha e o rolo de filme. A pergunta do formato é "que configuração física tem?".
O gênero é a configuração que o documento assume de acordo com o sistema de signos usado para comunicar a informação. Os gêneros são textual (texto escrito), cartográfico (mapas e plantas), iconográfico (imagens fixas, como fotografias e desenhos), filmográfico (imagens em movimento), sonoro (gravações de som), micrográfico (microfilme e microficha) e informático ou digital (documentos gerados por computador). A pergunta do gênero é "como a informação é comunicada?".
A espécie é a configuração do documento de acordo com a disposição e a natureza das informações que ele contém. São espécies a ata, o ofício, o requerimento, a certidão, a declaração, o contrato, o memorando e o atestado. A pergunta da espécie é "qual é o modelo de redação?".
O tipo é a espécie somada à atividade que gerou o documento. A espécie certidão vira os tipos certidão de nascimento, certidão de casamento e certidão negativa de débitos. A espécie ata vira ata de reunião de condomínio e ata de sessão de licitação. A pergunta do tipo é "qual espécie, para qual atividade?".
A distinção entre espécie e tipo é a que mais cai. A espécie é o molde formal e se repete em qualquer órgão; o tipo amarra esse molde a uma atividade. Se a alternativa traz só o nome do molde (requerimento), é espécie; se traz o molde e a atividade (requerimento de férias), é tipo.
| Elemento | Pergunta | Exemplo |
|---|---|---|
| Suporte | Em que material está? | Papel, filme, disco |
| Forma | Em que estágio está? | Minuta, original, cópia |
| Formato | Que configuração física tem? | Livro, ficha, mapa |
| Gênero | Como a informação é comunicada? | Textual, iconográfico, sonoro |
| Espécie | Qual é o modelo de redação? | Ata, ofício, certidão |
| Tipo | Qual espécie, para qual atividade? | Ata de reunião de condomínio |
O documento também se classifica pela natureza do assunto. O documento ostensivo é aquele cuja divulgação não prejudica a administração, e por isso tem acesso livre. O documento sigiloso é aquele que, pela natureza do assunto, tem acesso restrito. A Lei nº 8.159/1991 garante o direito de acesso, com ressalva expressa ao sigilo:
Art. 4º - Todos têm direito a receber dos órgãos públicos informações de seu interesse particular ou de interesse coletivo ou geral, contidas em documentos de arquivos, que serão prestadas no prazo da lei, sob pena de responsabilidade, ressalvadas aquelas cujos sigilo seja imprescindível à segurança da sociedade e do Estado, bem como à inviolabilidade da intimidade, da vida privada, da honra e da imagem das pessoas.
O artigo faz da regra o acesso e do sigilo a exceção. A informação pode ser de interesse particular ou de interesse coletivo ou geral, e o órgão que não presta a informação no prazo da lei responde por isso. As ressalvas são de dois grupos: a segurança da sociedade e do Estado, e a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas. Os graus de sigilo e os prazos de restrição estão em outra lei, que é matéria de outro tópico.
Por fim, o documento se classifica pelo valor. O norte-americano Theodore Schellenberg separou dois valores. O valor primário é o valor que o documento tem para a própria entidade que o produziu, para fins administrativos, legais ou fiscais, e dura enquanto o documento cumpre a finalidade para a qual nasceu. O valor secundário é o valor que o documento tem para outras pessoas e para a pesquisa, e se divide em valor probatório (prova a existência, a organização e o funcionamento da entidade) e valor informativo (traz informação sobre pessoas, lugares e fatos).
Na teoria de Schellenberg, o valor primário se liga às idades corrente e intermediária, e o valor secundário justifica a guarda no permanente. Um documento pode ter os dois valores ao mesmo tempo. A troca de "probatório" por "primário" é armadilha comum: o probatório é espécie do valor secundário.
Exemplo resolvido: descreva o documento "certidão de tempo de serviço de um servidor, primeira via assinada, numa folha de papel A4, com texto digitado".
- Suporte: papel.
- Forma: original (é a primeira via assinada, completa e válida).
- Formato: folha.
- Gênero: textual (a informação está escrita).
- Espécie: certidão.
- Tipo: certidão de tempo de serviço (espécie certidão para a atividade de contar o tempo de serviço).
Na prática, o técnico Bruno recebe uma caixa com fotografias impressas de obras de uma secretaria e precisa preencher o campo "gênero" no sistema. Ele marca iconográfico, porque a fotografia comunica por imagem fixa, ainda que o suporte seja papel. Se marcar textual por causa do papel, ele confunde gênero com suporte.
O erro comum é chamar de tipo o que é espécie, ou de gênero o que é suporte. Outro erro é pensar que todo documento antigo tem valor secundário: o valor depende do que o documento informa ou prova, e não da idade dele.
Julgue o item. O "requerimento de licença para capacitação" é um tipo documental, porque reúne a espécie requerimento e a atividade de concessão da licença; já o "requerimento", sozinho, é uma espécie documental.
Comentário:
Regra: a espécie é o modelo de redação do documento, e o tipo é a espécie somada à atividade que o gerou.
O item aplica a regra de forma correta. O nome que traz só o molde é a espécie, e o nome que acrescenta a atividade é o tipo.
Resultado: certo.
Um arquivo municipal guarda a planta original de uma escola, desenhada em papel vegetal e dobrada numa pasta. Quanto ao gênero e ao formato, esse documento é, respectivamente,
- A) cartográfico e planta.
- B) iconográfico e folha.
- C) textual e original.
- D) cartográfico e papel vegetal.
- E) especial e mapa.
Comentário:
A) Certa.
Regra: o gênero cartográfico reúne mapas e plantas, e a planta é um formato, isto é, uma configuração física do suporte.
A planta comunica por representação gráfica do espaço, que é o gênero cartográfico, e o formato do documento é a planta.
B) Errada.
Regra: o gênero iconográfico reúne imagens fixas, como fotografias e desenhos de arte, e não as representações técnicas do espaço.
A alternativa erra em iconográfico e folha: a planta é do gênero cartográfico, e o formato é planta.
C) Errada.
Regra: original é uma forma do documento (estágio de preparação), e não um formato.
A alternativa erra em textual e original: o documento não comunica por texto, e original responde à forma, não ao formato.
D) Errada.
Regra: o papel vegetal é o material, ou seja, o suporte do documento.
A alternativa erra em papel vegetal: o enunciado pede o formato, e papel vegetal é suporte.
E) Errada.
Regra: especial é uma classificação do arquivo pela natureza dos documentos, e não um gênero documental.
A alternativa erra em especial e mapa: especial não é gênero, e o documento descrito é uma planta, e não um mapa.
Resultado: alternativa A.
Sobre o valor dos documentos, segundo a teoria de Schellenberg, assinale a alternativa correta.
- A) O valor probatório é uma espécie de valor primário, porque prova os atos da administração.
- B) O valor primário é o valor do documento para a pesquisa histórica, e o secundário é o valor para a administração.
- C) O documento que tem valor primário não pode ter, ao mesmo tempo, valor secundário.
- D) O valor informativo justifica a guarda no arquivo corrente.
- E) O valor secundário se divide em probatório e informativo e justifica a guarda permanente.
Comentário:
A) Errada.
Teoria: para Schellenberg, o valor secundário se divide em probatório e informativo.
A alternativa erra em O valor probatório é uma espécie de valor primário: o probatório pertence ao valor secundário.
B) Errada.
Teoria: o valor primário é o valor para a entidade que produziu o documento, e o secundário é o valor para outros usuários e para a pesquisa.
A alternativa erra em O valor primário é o valor do documento para a pesquisa histórica, e o secundário é o valor para a administração: ela inverte os dois valores.
C) Errada.
Teoria: o documento pode ter valor primário e valor secundário ao mesmo tempo.
A alternativa erra em não pode ter, ao mesmo tempo, valor secundário: os dois valores convivem, como na ata de criação de um órgão ainda em uso.
D) Errada.
Teoria: o valor informativo é espécie do valor secundário, ligado à guarda permanente.
A alternativa erra em justifica a guarda no arquivo corrente: o corrente se liga ao valor primário e ao uso frequente.
E) Certa.
Teoria: o valor secundário se divide em probatório e informativo e é o critério para a guarda permanente.
A alternativa resume a divisão de Schellenberg sem erro.
Resultado: alternativa E.
Como a banca cobra: a prova descreve um documento e pede um dos seis elementos, quase sempre trocando espécie por tipo ou gênero por suporte, e cobra a divisão do valor secundário em probatório e informativo.
Órgãos de documentação e instituições arquivísticas
Arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação guardam documentos, e por isso o iniciante tende a vê-los como a mesma coisa. Eles se separam pela origem do acervo, pela finalidade, pelo tipo de documento e pela forma de organização. Essa diferença é a razão de a Arquivologia ser uma disciplina própria, com princípios que a Biblioteconomia e a Museologia não usam.
O arquivo reúne documentos que nasceram da atividade de quem os guarda, por produção ou recebimento natural. Os documentos entram no arquivo sem escolha prévia, como consequência do trabalho da entidade, e formam conjuntos orgânicos chamados fundos. A finalidade primeira do arquivo é funcional, isto é, servir à administração que produziu os documentos; com o tempo, ele passa a servir também à cultura e à pesquisa. Os documentos de arquivo costumam ser exemplares únicos ou de poucas vias.
A biblioteca reúne documentos que não nasceram da atividade dela, como livros, revistas e jornais, adquiridos por compra, doação ou permuta. Os documentos são, em geral, impressos em muitos exemplares iguais, e a biblioteca os escolhe e os organiza em coleções, por assunto. A finalidade da biblioteca é cultural, educativa, técnica ou científica, e o público é amplo.
O museu reúne objetos, em geral tridimensionais e únicos, como peças de arte, utensílios, roupas e fósseis, adquiridos por compra, doação, permuta ou coleta. O museu forma coleções e tem finalidade cultural e educativa, com exposição ao público. Um documento em papel pode estar num museu, mas ele entra ali como objeto escolhido, e não como parte de um fundo.
O centro de documentação reúne, por compra, doação ou cópia, documentos de origens diversas sobre um tema, além de referências a documentos que estão em outros lugares. A finalidade dele é informar sobre um campo de conhecimento, e por isso ele mistura características do arquivo, da biblioteca e do museu. Um centro de documentação sobre a história do movimento sindical pode ter cópias de atas, livros, cartazes e fotografias, todos reunidos pelo tema.
| Instituição | Como o acervo entra | Conjunto | Finalidade |
|---|---|---|---|
| Arquivo | Produção ou recebimento na atividade | Fundo | Funcional, depois cultural |
| Biblioteca | Compra, doação ou permuta | Coleção | Cultural, educativa e científica |
| Museu | Compra, doação, permuta ou coleta | Coleção | Cultural e educativa |
| Centro de documentação | Compra, doação ou cópia | Coleção por tema | Informar sobre um campo |
A diferença entre fundo e coleção decide boa parte das questões. O fundo é o conjunto de documentos de uma mesma origem, acumulados de forma natural por uma entidade ou pessoa. A coleção é um conjunto reunido de forma artificial, por escolha de alguém, em torno de um tema, de um autor ou de uma característica. O arquivo, em regra, tem fundos; a biblioteca e o museu têm coleções.
As instituições arquivísticas são as entidades cuja missão é recolher, preservar e dar acesso aos documentos de arquivo de valor permanente. No Brasil, o Arquivo Nacional é a instituição arquivística federal, e estados, Distrito Federal e municípios mantêm os próprios arquivos públicos. O Conselho Nacional de Arquivos (Conarq) é o órgão colegiado que define a política nacional de arquivos e edita normas técnicas para a área. Uma instituição arquivística não é um museu de papéis: ela guarda fundos recolhidos de órgãos produtores, respeitando a origem de cada um.
Exemplo resolvido: diga em que instituição cada acervo se encaixa.
- Um sindicato guarda as atas das próprias assembleias, os contratos de aluguel da sede e os ofícios que recebeu. São documentos produzidos e recebidos na atividade do sindicato: arquivo.
- Uma universidade compra livros de Direito e os empresta aos alunos. São impressos adquiridos por compra e organizados por assunto: biblioteca.
- Uma fundação reúne, por doação, máquinas de escrever antigas e as expõe ao público. São objetos tridimensionais reunidos por escolha: museu.
- Uma ONG reúne cópias de leis, reportagens, teses e fotografias sobre o meio ambiente para atender pesquisadores. São documentos de origens diversas reunidos pelo tema: centro de documentação.
Na prática, um colecionador doa a um arquivo estadual cartas de várias pessoas, compradas em leilões ao longo da vida. O arquivo pode receber o material, mas o trata como coleção, porque as cartas não nasceram da atividade de uma mesma entidade. Se o mesmo arquivo recebesse as cartas escritas e recebidas por um governador ao longo do mandato, elas formariam um fundo.
O erro comum é achar que o tipo de documento define a instituição, como se todo livro fosse de biblioteca e todo papel avulso fosse de arquivo. O que define é a origem: um livro de registro de ponto produzido por uma secretaria é documento de arquivo, mesmo tendo formato de livro.
Quanto às diferenças entre arquivo, biblioteca, museu e centro de documentação, assinale a alternativa correta.
- A) A biblioteca forma fundos, porque reúne documentos de uma mesma área do conhecimento.
- B) O arquivo recebe os documentos por produção ou recebimento natural, ligados à atividade da entidade, e não por escolha prévia.
- C) O museu reúne documentos impressos em muitos exemplares, adquiridos por compra ou permuta.
- D) O centro de documentação guarda apenas documentos originais, produzidos pela própria entidade.
- E) O arquivo tem finalidade apenas cultural desde a produção do documento.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o fundo é o conjunto de documentos de uma mesma origem, e a biblioteca forma coleções por assunto.
A alternativa erra em A biblioteca forma fundos: reunir por área do conhecimento é a marca da coleção.
B) Certa.
Regra: o arquivo reúne documentos produzidos ou recebidos na atividade da entidade, sem escolha prévia.
A alternativa descreve a entrada natural dos documentos de arquivo.
C) Errada.
Regra: o museu reúne objetos, em geral tridimensionais e únicos; o impresso em muitos exemplares é próprio da biblioteca.
A alternativa erra em documentos impressos em muitos exemplares: ela descreve a biblioteca.
D) Errada.
Regra: o centro de documentação reúne, por compra, doação ou cópia, documentos de origens diversas sobre um tema.
A alternativa erra em apenas documentos originais, produzidos pela própria entidade: o centro de documentação aceita cópias e documentos de várias origens.
E) Errada.
Regra: a finalidade primeira do arquivo é funcional, e a finalidade cultural vem depois.
A alternativa erra em apenas cultural desde a produção do documento: o documento nasce para servir à administração.
Resultado: alternativa B.
Julgue o item. Um conjunto de fotografias de diversas origens, reunido por um pesquisador em torno do tema "ferrovias", e depois doado a uma instituição arquivística, passa a constituir um fundo, porque foi recolhido por um arquivo público.
Comentário:
Regra: fundo é o conjunto de documentos de uma mesma origem, acumulados de forma natural; coleção é o conjunto reunido de forma artificial, em torno de um tema.
O item erra ao dizer que o conjunto passa a constituir um fundo, porque foi recolhido por um arquivo público. A entrada num arquivo não muda a natureza do conjunto: fotografias de várias origens reunidas pelo tema formam uma coleção.
Resultado: errado.
Como a banca cobra: a prova troca as características das quatro instituições (forma de entrada, conjunto e finalidade) e pergunta se um conjunto descrito é fundo ou coleção.
Princípios e teorias da Arquivologia
Imagine que um arquivo receba os documentos de três secretarias extintas e o arquivista decida juntar todos os contratos num só lugar, por assunto. A busca por "contratos" fica fácil, mas ninguém mais sabe qual secretaria assinou qual contrato, nem em que sequência de trabalho cada um nasceu. Os princípios da Arquivologia existem para impedir essa perda: eles protegem o vínculo entre o documento, quem o produziu e a atividade que o gerou.
O princípio da proveniência, também chamado de respeito aos fundos, manda manter juntos os documentos de uma mesma entidade produtora, sem misturá-los com os de outra. Os documentos da Secretaria de Saúde ficam no fundo da Secretaria de Saúde, e os da Secretaria de Educação no fundo da Secretaria de Educação. O princípio olha para fora do fundo: ele separa um fundo do outro.
O princípio da ordem original (ou respeito à ordem original) manda manter, dentro do fundo, a ordem que o produtor deu aos documentos. Se o setor organizava os processos por número de entrada, o arquivo não deve reorganizá-los por assunto. Esse princípio olha para dentro do fundo, e por isso alguns autores o tratam como o segundo grau do respeito aos fundos. A troca entre proveniência e ordem original é a preferida da prova: proveniência separa os fundos, ordem original preserva a sequência interna.
O princípio da organicidade diz que os documentos de arquivo refletem a estrutura, as funções e as atividades da entidade, e por isso mantêm relações entre si. Um empenho, uma nota fiscal e uma ordem de pagamento da mesma compra formam uma cadeia: cada um só faz sentido completo ao lado dos outros. O vínculo entre os documentos é o que dá ao arquivo o caráter de conjunto.
O princípio da unicidade diz que o documento de arquivo é único no contexto em que foi produzido, mesmo que existam cópias. Duas vias do mesmo ofício, uma no arquivo do remetente e outra no do destinatário, são documentos únicos em cada fundo, porque cada uma cumpre uma função diferente. A unicidade não quer dizer exemplar único no mundo: quer dizer lugar único no conjunto.
O princípio da indivisibilidade (ou integridade arquivística) diz que o fundo deve ser preservado sem dispersão, mutilação, eliminação indevida ou acréscimo de documentos de outra origem. O princípio da cumulatividade diz que o arquivo se forma pela acumulação natural e progressiva dos documentos, à medida que a atividade acontece. O princípio da territorialidade diz que os documentos devem ficar no território onde foram produzidos, e é invocado quando um território passa a pertencer a outro Estado. O princípio da reversibilidade diz que todo procedimento técnico de conservação ou de restauração deve poder ser desfeito, sem dano ao documento.
O contrário dos princípios arquivísticos é o princípio da pertinência temática, que organiza os documentos por assunto, sem considerar a origem. A pertinência é própria das bibliotecas e dos centros de documentação. No arquivo, ela é rejeitada porque destrói o vínculo do documento com o produtor.
| Princípio | O que manda | Palavra-chave |
|---|---|---|
| Proveniência | Não misturar fundos de produtores diferentes | Origem |
| Ordem original | Manter a ordem dada pelo produtor | Sequência interna |
| Organicidade | Reconhecer os vínculos entre os documentos | Relação |
| Unicidade | Cada documento é único no seu contexto | Lugar único |
| Indivisibilidade | Não dispersar nem mutilar o fundo | Integridade |
| Cumulatividade | O arquivo se forma pela acumulação natural | Acumulação |
A canadense Luciana Duranti, com base no inglês Hilary Jenkinson, descreveu as características do documento de arquivo: imparcialidade, autenticidade, naturalidade, inter-relacionamento e unicidade. Jenkinson é o autor da imparcialidade e da autenticidade, e Duranti acrescentou as outras três. A imparcialidade diz que o documento registra os fatos sem intenção de enganar a posteridade, porque nasce para cumprir uma atividade e não para contar uma história. A autenticidade diz que o documento é o que afirma ser, criado e mantido por quem tinha competência e guardado sob custódia confiável.
A naturalidade diz que os documentos se acumulam de forma natural, no curso das atividades, e o inter-relacionamento diz que eles se ligam uns aos outros, o que é a organicidade com outro nome. A unicidade diz que cada documento tem um lugar único no conjunto a que pertence.
As teorias tratam do caminho do documento ao longo do tempo. A teoria das três idades, também chamada de ciclo vital dos documentos, divide a vida do documento em corrente, intermediária e permanente, conforme o uso e o valor. A teoria se firmou nos Estados Unidos e na Europa depois da Segunda Guerra Mundial, quando o volume de papel das administrações cresceu muito, e Schellenberg é o autor ligado a ela pela teoria dos valores.
A teoria do records continuum (ou continuum documental), formulada na Austrália, questiona a separação rígida entre as idades. Para ela, a gestão do documento é contínua desde a criação, e o mesmo documento pode cumprir, ao mesmo tempo, funções administrativas e de memória. A Arquivologia integrada, desenvolvida no Canadá, em especial em Quebec, une a gestão dos documentos correntes e intermediários ao tratamento dos permanentes num só processo, com os mesmos profissionais e os mesmos instrumentos.
Exemplo resolvido: diga qual princípio cada situação respeita ou viola.
- O arquivista separa em caixas diferentes os documentos de duas autarquias que funcionavam no mesmo prédio. Ele respeita a proveniência, porque não mistura os fundos.
- O arquivista desfaz a ordem cronológica dos processos de um setor e os reorganiza por assunto. Ele viola a ordem original, e o critério que adotou é o da pertinência temática.
- Um diretor retira do fundo as fotografias mais bonitas e as doa a um museu. Ele viola a indivisibilidade, porque dispersa o fundo.
- O restaurador usa uma cola que pode ser removida sem dano ao papel. Ele respeita a reversibilidade.
Na prática, a arquivista Clara recebe os documentos de uma fundação extinta, que vêm misturados às caixas do órgão que a absorveu. Pelo respeito aos fundos, ela separa os documentos da fundação num fundo próprio. Pela ordem original, ela mantém a sequência em que a fundação os arquivava, mesmo que outra ordem pareça mais prática.
O erro comum é tratar a proveniência e a ordem original como o mesmo princípio. Outro erro é ler a unicidade como "documento sem cópia": duas vias iguais podem ser únicas, cada uma no seu fundo.
Julgue o item. O princípio da proveniência determina que, dentro de cada fundo, os documentos sejam mantidos na mesma sequência em que o produtor os organizou.
Comentário:
Regra: a proveniência manda não misturar os fundos de produtores diferentes; a manutenção da sequência interna é a ordem original.
O item erra ao dizer que a proveniência determina que dentro de cada fundo, os documentos sejam mantidos na mesma sequência em que o produtor os organizou. Essa é a definição do princípio da ordem original.
Resultado: errado.
Julgue o item. Duas vias de um mesmo ofício, uma guardada no arquivo do órgão que o expediu e outra no arquivo do órgão que o recebeu, não ofendem o princípio da unicidade, porque cada via ocupa um lugar único no contexto do seu fundo.
Comentário:
Regra: pela unicidade, o documento de arquivo é único no contexto em que foi produzido ou recebido, ainda que existam cópias iguais em outros fundos.
O item descreve a unicidade de forma correta. Cada via cumpre função diferente no fundo em que está.
Resultado: certo.
Um arquivo público recebe documentos de uma secretaria extinta. O arquivista decide reorganizar todos os processos por assunto, juntando-os aos processos de mesmo tema de outras secretarias, para facilitar a pesquisa. Essa conduta
- A) respeita a organicidade, porque agrupa documentos que tratam do mesmo assunto.
- B) respeita a cumulatividade, porque soma documentos de várias origens.
- C) aplica o princípio da territorialidade, porque os documentos ficam no mesmo arquivo.
- D) viola o respeito aos fundos e a ordem original, e adota a pertinência temática.
- E) é obrigatória pela teoria das três idades, porque os documentos chegaram à fase permanente.
Comentário:
A) Errada.
Regra: a organicidade reconhece os vínculos que os documentos têm com as atividades do produtor, e não a semelhança de assunto.
A alternativa erra em respeita a organicidade, porque agrupa documentos que tratam do mesmo assunto: juntar por assunto quebra os vínculos orgânicos.
B) Errada.
Regra: a cumulatividade diz que o arquivo se forma pela acumulação natural, no curso das atividades de um produtor.
A alternativa erra em respeita a cumulatividade, porque soma documentos de várias origens: a soma artificial de origens diversas não é acumulação natural.
C) Errada.
Regra: a territorialidade diz que os documentos ficam no território onde foram produzidos.
A alternativa erra em aplica o princípio da territorialidade: o caso não trata de território, e sim da mistura de fundos.
D) Certa.
Regra: a proveniência proíbe misturar fundos, a ordem original protege a sequência do produtor, e a organização por assunto é a pertinência temática.
A conduta mistura fundos, desfaz a ordem do produtor e organiza por tema.
E) Errada.
Regra: a teoria das três idades trata das fases do documento e não autoriza misturar fundos em nenhuma delas.
A alternativa erra em é obrigatória pela teoria das três idades: a fase permanente também segue a proveniência.
Resultado: alternativa D.
Associe a teoria à ideia central. A teoria que une, num só processo e com os mesmos profissionais, a gestão dos documentos correntes e intermediários e o tratamento dos permanentes é a
- A) Arquivologia integrada, desenvolvida no Canadá.
- B) teoria das três idades, que separa a vida do documento em fases estanques.
- C) pertinência temática, que organiza os documentos por assunto.
- D) Diplomática, que estuda a estrutura formal do documento.
- E) teoria dos valores, que separa o valor primário do secundário.
Comentário:
A) Certa.
Teoria: a Arquivologia integrada, do Canadá, une a gestão dos documentos correntes e intermediários ao tratamento dos permanentes.
A alternativa nomeia a teoria descrita no enunciado.
B) Errada.
Teoria: a teoria das três idades divide a vida do documento em corrente, intermediária e permanente.
A alternativa erra em teoria das três idades, que separa a vida do documento em fases estanques: ela separa as fases, e o enunciado pede a teoria que as une.
C) Errada.
Regra: a pertinência temática organiza por assunto e é rejeitada no arquivo.
A alternativa erra em pertinência temática: ela não é teoria de integração das fases.
D) Errada.
Teoria: a Diplomática estuda a estrutura formal e a autenticidade do documento.
A alternativa erra em Diplomática: ela é ciência auxiliar e não trata das fases do documento.
E) Errada.
Teoria: a teoria dos valores, de Schellenberg, trata do valor primário e do secundário para a avaliação.
A alternativa erra em teoria dos valores: ela orienta a avaliação, e não a união das fases.
Resultado: alternativa A.
Como a banca cobra: a prova descreve um princípio e pede o nome, quase sempre trocando proveniência por ordem original, e cobra a diferença entre o ciclo vital, o continuum e a Arquivologia integrada.
História da Arquivologia
Os arquivos existem desde que as sociedades passaram a registrar atos de governo e de comércio. Na Antiguidade, palácios e templos da Mesopotâmia e do Egito guardavam tabuletas de argila e papiros com contratos, impostos e leis. Na Idade Média, a Igreja e os senhores guardavam documentos para provar direitos e propriedades, e o arquivo era um tesouro de títulos, fechado ao público.
A Revolução Francesa mudou esse quadro. A França criou os Arquivos Nacionais em 1790, reuniu neles documentos do governo e afirmou o acesso do cidadão aos documentos públicos. Essa mudança deu ao arquivo uma função pública e fez dele, além de instrumento de governo, um meio de prova para o cidadão e uma fonte para a história.
Em 1841, a França adotou o respeito aos fundos, formulado por Natalis de Wailly, que mandava agrupar os documentos pela entidade que os produziu. Em 1898, os arquivistas holandeses Muller, Feith e Fruin publicaram um manual que consolidou o respeito aos fundos e a ordem original, e esse manual é visto como o marco da Arquivologia como disciplina. No século XX, Hilary Jenkinson, na Inglaterra, defendeu a guarda imparcial dos documentos, e Theodore Schellenberg, nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria dos valores e a avaliação, em resposta ao crescimento do volume de documentos.
No Brasil, o Arquivo Público do Império foi criado em 1838 e deu origem ao atual Arquivo Nacional. A Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991, dispõe sobre a política nacional de arquivos públicos e privados, e o art. 1º dela fixa o dever do Poder Público com a gestão documental.
- 1790França cria os Arquivos Nacionais
- 1838Brasil cria o Arquivo Público do Império
- 1841França adota o respeito aos fundos
- 1898Manual dos arquivistas holandeses
- 1991Brasil edita a Lei nº 8.159
O erro comum é atribuir aos holandeses a criação do respeito aos fundos. O respeito aos fundos é francês, de 1841; o manual holandês de 1898 consolidou o princípio e acrescentou a ordem original.
Julgue o item. O manual publicado em 1898 pelos arquivistas holandeses Muller, Feith e Fruin consolidou o respeito aos fundos e a ordem original e é considerado um marco da Arquivologia como disciplina, embora o respeito aos fundos tenha sido formulado antes, na França.
Comentário:
Teoria: o respeito aos fundos foi formulado na França em 1841, e o manual holandês de 1898 o consolidou ao lado da ordem original.
O item ordena os fatos de forma correta. A formulação é francesa, e a consolidação é holandesa.
Resultado: certo.
Assinale a alternativa que liga corretamente o marco ao país ou ao autor.
- A) Em 1790, a Inglaterra criou os Arquivos Nacionais, que abriram os documentos públicos ao cidadão.
- B) Em 1841, os holandeses Muller, Feith e Fruin formularam o respeito aos fundos.
- C) Em 1898, Natalis de Wailly publicou na França o manual que consolidou a ordem original.
- D) Hilary Jenkinson, na Inglaterra, defendeu a guarda imparcial dos documentos, e Theodore Schellenberg, nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria dos valores.
- E) Theodore Schellenberg, na Inglaterra, defendeu a guarda imparcial dos documentos, e Hilary Jenkinson, nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria dos valores.
Comentário:
A) Errada.
Teoria: os Arquivos Nacionais foram criados na França, em 1790, depois da Revolução Francesa.
A alternativa erra em a Inglaterra criou os Arquivos Nacionais: o país é a França.
B) Errada.
Teoria: o respeito aos fundos foi formulado na França, em 1841, por Natalis de Wailly.
A alternativa erra em os holandeses Muller, Feith e Fruin formularam o respeito aos fundos: os holandeses consolidaram o princípio em 1898, e a formulação é francesa.
C) Errada.
Teoria: o manual de 1898 é dos arquivistas holandeses Muller, Feith e Fruin.
A alternativa erra em Natalis de Wailly publicou na França o manual: Natalis de Wailly é o autor do respeito aos fundos, de 1841, e o manual de 1898 é holandês.
D) Certa.
Teoria: Jenkinson, inglês, defendeu a guarda imparcial; Schellenberg, norte-americano, desenvolveu a teoria dos valores e a avaliação.
A alternativa liga cada autor ao país e à ideia certa.
E) Errada.
Teoria: a guarda imparcial é de Jenkinson, na Inglaterra, e a teoria dos valores é de Schellenberg, nos Estados Unidos.
A alternativa erra em Theodore Schellenberg, na Inglaterra, defendeu a guarda imparcial dos documentos, e Hilary Jenkinson, nos Estados Unidos, desenvolveu a teoria dos valores: ela troca os dois autores.
Resultado: alternativa D.
Como a banca cobra: a prova pergunta a origem francesa do respeito aos fundos, o papel do manual holandês e a mudança trazida pela Revolução Francesa.
Funções arquivísticas (noções gerais)
Um órgão que só empilha papéis tem depósito, e não arquivo. Para que o documento seja achado, provado e guardado pelo tempo certo, alguém precisa decidir como ele nasce, onde fica, quanto tempo dura e quem pode consultá-lo. Esse conjunto de tarefas é o que a teoria chama de funções arquivísticas.
Os canadenses Jean-Yves Rousseau e Carol Couture organizaram o trabalho do arquivista em sete funções. São elas a produção (ou criação), a avaliação, a aquisição (entrada dos documentos no arquivo), a conservação, a classificação, a descrição e a difusão (que inclui o acesso). Essas funções valem para todas as idades do documento, e a Arquivologia integrada parte delas para unir o trabalho com documentos correntes e permanentes.
A produção cuida de criar só os documentos necessários, com formulários e modelos padronizados. A avaliação analisa o valor dos documentos e define os prazos de guarda e a destinação de cada um. A aquisição trata da entrada de documentos no arquivo, por transferência, recolhimento ou doação. A conservação protege o suporte contra os danos de luz, umidade, pragas e manuseio.
A classificação organiza os documentos de acordo com as funções e as atividades do produtor, por meio do plano de classificação. A descrição produz informações sobre os documentos para que eles sejam achados, e o resultado dela são os instrumentos de pesquisa (guia, inventário, catálogo, repertório e índice). A difusão leva o acervo ao público, por consulta, exposição, publicação e serviços educativos.
A Lei nº 8.159/1991 define a gestão de documentos, que reúne as funções aplicadas às fases corrente e intermediária:
Art. 3º - Considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente.
O artigo fixa o alcance da gestão: ela atua nas fases corrente e intermediária, e não na permanente. A lista de operações tem cinco itens: produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento. O objetivo final é a eliminação ou o recolhimento para guarda permanente, de modo que a gestão termina quando o documento é eliminado ou recolhido. Uma alternativa que diga que a gestão abrange a fase permanente, ou que tire a avaliação da lista, contraria o texto da lei.
A teoria divide a gestão de documentos em três fases. A produção trata da criação dos documentos. A utilização trata do uso e da tramitação, e abrange o protocolo, a expedição, a organização e o arquivamento nas fases corrente e intermediária. A destinação decide o que fazer com cada documento, a partir da avaliação: eliminar, transferir ou recolher.
Três palavras da destinação caem sempre. A transferência é a passagem do documento do arquivo corrente para o intermediário. O recolhimento é a entrada do documento no arquivo permanente. A eliminação é a destruição do documento sem valor que justifique a guarda, depois de cumprido o prazo e autorizada pela instituição competente.
O instrumento que diz o prazo e o destino de cada documento é a tabela de temporalidade, que nasce da avaliação. Ela lista os tipos de documento e diz quanto tempo cada um fica no corrente, quanto tempo fica no intermediário e qual é a destinação final (eliminação ou guarda permanente). Ao lado dela fica o plano de classificação, que diz onde cada documento se encaixa nas funções do órgão.
Na fase corrente, o protocolo controla a entrada, o registro e a circulação dos documentos. A sequência típica começa no recebimento, passa pelo registro (os dados do documento entram num sistema e ele ganha um número), pela autuação (quando o documento vira processo, com capa e folhas numeradas), pela distribuição ao setor responsável e pela tramitação entre os setores. O ciclo termina na expedição da resposta ou no arquivamento.
- Recebimento do documento
- Registro no sistema de protocolo
- O documento precisa formar processo?SimAutuação, com capa e folhas numeradasNãoSegue como documento avulso
- Distribuição ao setor responsável
- Tramitação entre os setores
- Expedição da resposta ou arquivamento
Duas funções têm nomes próximos e se separam pela idade. A classificação organiza os documentos correntes e intermediários pelo plano de classificação, ainda na gestão. O arranjo organiza os documentos permanentes em fundos, seções e séries, respeitando a proveniência e a ordem original. Em resumo: classificação é na gestão, arranjo é no permanente.
Exemplo resolvido: um órgão usa a tabela de temporalidade hipotética abaixo. Diga onde está cada documento e qual é o destino dele.
| Documento | Fase corrente | Fase intermediária | Destinação |
|---|---|---|---|
| Boletim de frequência | 2 anos | 5 anos | Eliminação |
| Ato de criação do órgão | Enquanto vigora | Não se aplica | Guarda permanente |
| Nota de empenho | 3 anos | 5 anos | Eliminação |
- Um boletim de frequência de 3 anos atrás já cumpriu os 2 anos da fase corrente e está no intermediário, onde fica até completar mais 5 anos.
- Ao fim dos 7 anos (2 mais 5), o boletim é eliminado, com a autorização da instituição competente.
- O ato de criação fica no corrente enquanto vigora e, depois, é recolhido ao permanente, sem passar pelo intermediário.
- Uma nota de empenho de 1 ano está no corrente; ela será transferida ao intermediário quando completar 3 anos e eliminada quando completar 8 anos (3 mais 5).
Na prática, o chefe de setor Diego quer liberar espaço e manda as caixas de boletins de frequência de 4 anos para o depósito central do órgão. Essa operação é uma transferência, porque leva documentos do corrente ao intermediário. Se ele mandasse as atas de criação do órgão ao arquivo público do estado, a operação seria um recolhimento.
O erro comum é trocar transferência por recolhimento. Transferir é ir ao intermediário; recolher é ir ao permanente.
Sobre as funções arquivísticas e a gestão de documentos, assinale a alternativa correta.
- A) A gestão de documentos, segundo a Lei nº 8.159/1991, abrange as fases corrente, intermediária e permanente.
- B) O recolhimento é a passagem dos documentos do arquivo corrente para o intermediário.
- C) O arranjo é a organização dos documentos correntes pelo plano de classificação.
- D) A tabela de temporalidade é um instrumento de pesquisa produzido pela descrição.
- E) A avaliação define os prazos de guarda e a destinação, e o resultado dela se registra na tabela de temporalidade.
Comentário:
A) Errada.
Art. 3º - Considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente.
A alternativa erra em abrange as fases corrente, intermediária e permanente: a lei limita a gestão às fases corrente e intermediária.
B) Errada.
Regra: o recolhimento é a entrada do documento no arquivo permanente; a passagem do corrente ao intermediário é a transferência.
A alternativa erra em O recolhimento é a passagem dos documentos do arquivo corrente para o intermediário: ela descreve a transferência.
C) Errada.
Regra: o arranjo organiza os documentos permanentes; a classificação organiza os correntes e intermediários.
A alternativa erra em O arranjo é a organização dos documentos correntes: ela descreve a classificação.
D) Errada.
Regra: a tabela de temporalidade nasce da avaliação; os instrumentos de pesquisa nascem da descrição.
A alternativa erra em é um instrumento de pesquisa produzido pela descrição: a tabela é instrumento de destinação.
E) Certa.
Regra: a avaliação analisa o valor dos documentos e define prazos de guarda e destinação, registrados na tabela de temporalidade.
A alternativa liga a avaliação ao instrumento certo.
Resultado: alternativa E.
Julgue o item. Na rotina de protocolo, a autuação ocorre com todo documento recebido, e é ela que dá ao documento o número de registro no sistema, antes do recebimento.
Comentário:
Regra: o registro dá ao documento o número no sistema, depois do recebimento; a autuação ocorre só quando o documento forma um processo.
O item erra ao dizer que a autuação ocorre com todo documento recebido e que ela dá o número de registro. A sequência começa no recebimento, segue no registro e só depois, se for o caso, chega à autuação.
Resultado: errado.
Como a banca cobra: a prova copia o art. 3º e troca as fases, inverte transferência e recolhimento e mistura classificação com arranjo.
Análise tipológica (tipologia documental)
Um pesquisador acha numa caixa um papel com o título "Requerimento". Ele sabe a espécie, mas não sabe ainda para que o documento serviu, quem o produziu nem a que conjunto pertence. A análise tipológica existe para responder a essas perguntas: ela parte do tipo documental e chega à atividade, à função e ao produtor do documento.
O tipo documental é a espécie documental somada à atividade que a gerou, como já se viu nos elementos do documento. A tipologia documental é o estudo dos tipos dentro dos conjuntos orgânicos, isto é, dentro das séries e dos fundos. A brasileira Heloísa Bellotto, autora de referência no tema, separa a tipologia da Diplomática pelo ponto de partida e pelo alcance.
A análise diplomática parte da espécie e examina o documento isolado: a estrutura formal, as partes do texto e a autenticidade. A análise tipológica parte do tipo e examina o documento no contexto: a atividade que o gerou, a função a que serve, a entidade que o produziu e a série a que pertence. A Diplomática olha para dentro do documento; a tipologia olha para o conjunto em que ele está.
A análise tipológica segue um roteiro.
- Identificar a espécie documental (o modelo de redação).
- Identificar o tipo documental (a espécie e a atividade).
- Identificar a atividade que gerou o documento.
- Identificar a função da entidade a que essa atividade serve.
- Identificar a entidade produtora.
- Identificar a série documental, isto é, o conjunto de documentos do mesmo tipo produzidos pela mesma atividade.
A série documental é o resultado prático da análise. Ela reúne os documentos de mesmo tipo e mesma atividade, e é a unidade que a tabela de temporalidade e o arranjo usam. Quando o arquivista identifica a série, ele sabe o prazo de guarda, a destinação e o lugar do documento no fundo.
Exemplo resolvido: faça a análise tipológica de um "requerimento de férias" achado no setor de pessoal de uma secretaria estadual.
- Espécie: requerimento.
- Tipo: requerimento de férias.
- Atividade: concessão de férias aos servidores.
- Função: gestão de pessoas.
- Entidade produtora: a secretaria estadual, por meio do setor de pessoal.
- Série: requerimentos de férias da secretaria.
Na prática, a arquivista Elisa organiza uma massa de documentos acumulados sem tratamento num porão. Ela não começa lendo cada papel para saber se ele é autêntico, que é trabalho da Diplomática. Ela identifica os tipos, liga cada tipo à atividade e ao setor que o produziu e forma as séries, e só então consegue aplicar a tabela de temporalidade.
O erro comum é usar análise tipológica e análise diplomática como sinônimos. Outro erro é pensar que a tipologia estuda o documento isolado: ela estuda o documento dentro do conjunto.
Quanto à análise tipológica e à análise diplomática, assinale a alternativa correta.
- A) A análise tipológica parte da espécie e examina o documento isolado para verificar a autenticidade.
- B) A análise diplomática parte do tipo e examina o documento dentro da série e do fundo.
- C) A análise tipológica parte do tipo documental e liga o documento à atividade, à função e à entidade produtora.
- D) A série documental reúne documentos de tipos diferentes que tratam do mesmo assunto.
- E) Tipo documental e espécie documental são sinônimos na análise tipológica.
Comentário:
A) Errada.
Regra: a análise que parte da espécie e examina o documento isolado é a diplomática.
A alternativa erra em parte da espécie e examina o documento isolado para verificar a autenticidade: ela descreve a análise diplomática.
B) Errada.
Regra: a análise que parte do tipo e examina o documento no conjunto é a tipológica.
A alternativa erra em A análise diplomática parte do tipo e examina o documento dentro da série e do fundo: ela inverte as duas análises.
C) Certa.
Regra: a análise tipológica parte do tipo e chega à atividade, à função, à entidade produtora e à série.
A alternativa descreve o roteiro da análise tipológica.
D) Errada.
Regra: a série reúne documentos do mesmo tipo, produzidos pela mesma atividade.
A alternativa erra em documentos de tipos diferentes que tratam do mesmo assunto: o critério da série é o tipo e a atividade, e não o assunto.
E) Errada.
Regra: o tipo é a espécie somada à atividade que a gerou.
A alternativa erra em são sinônimos: a espécie é o molde, e o tipo acrescenta a atividade.
Resultado: alternativa C.
Como a banca cobra: a prova pede a diferença entre a análise tipológica e a diplomática e o conceito de tipo e de série documental.
Ciências auxiliares (Diplomática e Paleografia)
A Arquivologia usa outras ciências para ler, datar e autenticar documentos, em especial os antigos. As duas que mais aparecem são a Diplomática e a Paleografia. Elas nasceram para resolver um problema prático: separar o documento verdadeiro do falso e ler escritas que ninguém mais usa.
A Diplomática estuda a estrutura formal dos documentos para verificar a autenticidade deles. O beneditino francês Jean Mabillon, no século XVII, sistematizou o método, ao comparar documentos para provar quais eram verdadeiros. Para a Diplomática, o documento tem três partes: o protocolo inicial (invocação, titulação, endereço e saudação), o texto (preâmbulo, notificação, exposição, dispositivo, sanção e corroboração) e o protocolo final, também chamado de escatocolo (subscrição, datação e precação). A datação tem a data tópica, que diz o lugar, e a data cronológica, que diz o dia, o mês e o ano.
A Paleografia estuda as escritas antigas, para ler e interpretar os documentos manuscritos. Ela examina a forma das letras, as abreviaturas, os sinais e a evolução da escrita ao longo do tempo. A Paleografia diz o que o documento está escrevendo; a Diplomática diz se ele é autêntico e como está estruturado.
Exemplo resolvido: um ato antigo tem o texto abaixo, de cima para baixo.
Em nome de Deus. Dom Pedro, Imperador do Brasil, a todos que esta carta virem, saúde. Faço saber que concedo ao requerente a mercê pedida. E para que conste, mandei passar a presente carta. Dada no Rio de Janeiro, aos 10 de março de 1850. Imperador.
As partes do ato se separam assim:
- Protocolo inicial: "Em nome de Deus" é a invocação; "Dom Pedro, Imperador do Brasil" é a titulação; "a todos que esta carta virem" é o endereço; "saúde" é a saudação.
- Texto: "Faço saber" é a notificação; "concedo ao requerente a mercê pedida" é o dispositivo, a parte que contém a decisão; "E para que conste, mandei passar a presente carta" é a corroboração.
- Protocolo final, ou escatocolo: "Dada no Rio de Janeiro" é a data tópica, porque diz o lugar; "aos 10 de março de 1850" é a data cronológica, porque diz o dia, o mês e o ano; "Imperador" é a subscrição.
- Resultado: a datação fica no escatocolo, e não no protocolo inicial, e o núcleo do ato está no dispositivo.
Na prática, um arquivo estadual recebe uma carta antiga que diz ter sido assinada em Salvador. O arquivista usa a Paleografia para ler a letra e as abreviaturas, e usa a Diplomática para conferir se as partes e a fórmula da datação seguem o modelo da época. Se o selo de cera está presente, a Sigilografia examina o selo; se a carta traz um brasão, a Heráldica identifica a família ou a instituição dona do brasão.
Outras ciências também auxiliam a Arquivologia. A Sigilografia estuda os selos, que autenticavam o documento antes da assinatura moderna. A Cronologia estuda as formas de datar e converte datas de calendários antigos para o calendário atual. A Heráldica estuda os brasões e identifica a família ou a instituição que os usa.
O erro comum é trocar o objeto das duas ciências: a Diplomática cuida da forma e da autenticidade, a Paleografia cuida da leitura da escrita. A tipologia, que parte do tipo e olha o conjunto, é outra coisa, embora derive da Diplomática.
Julgue o item. A Diplomática estuda a estrutura formal dos documentos, que divide em protocolo inicial, texto e protocolo final, com o objetivo de verificar a autenticidade deles.
Comentário:
Teoria: a Diplomática estuda a estrutura formal do documento, em protocolo inicial, texto e protocolo final, para verificar a autenticidade.
O item descreve a Diplomática de forma correta.
Resultado: certo.
Julgue o item. A Paleografia é a ciência que verifica a autenticidade dos documentos pela análise da estrutura formal, ao passo que a Diplomática se dedica à leitura das escritas antigas.
Comentário:
Teoria: a Paleografia estuda as escritas antigas e a leitura delas; a Diplomática estuda a estrutura formal e a autenticidade.
O item erra ao dizer que A Paleografia é a ciência que verifica a autenticidade dos documentos pela análise da estrutura formal e inverte o objeto das duas ciências.
Resultado: errado.
Sobre o objeto das ciências auxiliares da Arquivologia, assinale a alternativa correta.
- A) A Heráldica estuda os selos usados para autenticar os documentos.
- B) A Sigilografia estuda os selos, e a Heráldica estuda os brasões.
- C) A Paleografia verifica a autenticidade pela estrutura formal do documento.
- D) A data tópica, que indica o lugar, fica no protocolo inicial do documento diplomático.
- E) A Cronologia estuda a leitura das escritas antigas e das abreviaturas.
Comentário:
A) Errada.
Teoria: a Heráldica estuda os brasões; os selos são objeto da Sigilografia.
A alternativa erra em A Heráldica estuda os selos: o estudo dos selos é a Sigilografia.
B) Certa.
Teoria: a Sigilografia estuda os selos, e a Heráldica estuda os brasões.
A alternativa dá o objeto certo das duas ciências.
C) Errada.
Teoria: a autenticidade pela estrutura formal é objeto da Diplomática; a Paleografia estuda a leitura das escritas antigas.
A alternativa erra em A Paleografia verifica a autenticidade pela estrutura formal do documento: ela descreve a Diplomática.
D) Errada.
Teoria: a datação, com a data tópica e a data cronológica, fica no protocolo final, o escatocolo.
A alternativa erra em fica no protocolo inicial: a data tópica fica no escatocolo.
E) Errada.
Teoria: a Cronologia estuda as formas de datar; a leitura das escritas antigas é objeto da Paleografia.
A alternativa erra em A Cronologia estuda a leitura das escritas antigas e das abreviaturas: essa é a Paleografia.
Resultado: alternativa B.
Como a banca cobra: a prova pergunta o objeto da Diplomática e da Paleografia e, às vezes, troca um pelo outro.
- Conceitos fundamentais de Arquivologia
- Arquivo
- Produzidos e recebidos
- Qualquer suporte
- Público e privado
- Corrente, intermediário, permanente
- Setorial e geral
- Especial e especializado
- Documento
- Suporte, forma, formato
- Gênero
- Espécie e tipo
- Ostensivo e sigiloso
- Valor primário e secundário
- Instituições
- Arquivo forma fundos
- Biblioteca e museu formam coleções
- Centro de documentação
- Princípios e teorias
- Proveniência
- Ordem original
- Organicidade e unicidade
- Indivisibilidade
- Ciclo vital e continuum
- Arquivologia integrada
- Funções
- Sete funções arquivísticas
- Gestão de documentos
- Protocolo
- Transferência e recolhimento
- Tipologia e ciências auxiliares
- Espécie, tipo e série
- Diplomática
- Paleografia
- Arquivo
Quadros e comparações
A tabela abaixo compara as três idades do arquivo pelo uso, pelo valor e pelo destino.
| Idade | Uso | Valor | O que acontece depois |
|---|---|---|---|
| Corrente | Frequente, perto do produtor | Primário | Transferência, recolhimento ou eliminação |
| Intermediária | Eventual, aguarda prazo | Primário | Eliminação ou recolhimento |
| Permanente | Pesquisa e prova | Secundário | Guarda definitiva |
A tabela abaixo compara as classificações do arquivo pelo critério de cada uma.
| Critério | Classes | Pergunta que o critério responde |
|---|---|---|
| Entidade mantenedora | Público e privado | Quem produz e mantém? |
| Estágio de evolução | Corrente, intermediário e permanente | Em que idade está? |
| Extensão da atuação | Setorial e geral | Serve a um setor ou a vários? |
| Natureza dos documentos | Especial e especializado | Suporte diferente ou área técnica? |
A tabela abaixo separa os pares de conceitos que a prova mais troca.
| Par | Primeiro conceito | Segundo conceito |
|---|---|---|
| Proveniência e ordem original | Não misturar fundos | Manter a ordem interna do fundo |
| Fundo e coleção | Origem única, acumulação natural | Reunião artificial por tema |
| Espécie e tipo | Modelo de redação | Espécie mais atividade |
| Gênero e suporte | Sistema de signos | Material do registro |
| Transferência e recolhimento | Do corrente ao intermediário | Para o permanente |
| Classificação e arranjo | Documentos correntes e intermediários | Documentos permanentes |
| Especial e especializado | Suporte diferente do papel comum | Área técnica |
A tabela abaixo compara as ciências que estudam o documento.
| Ciência | Ponto de partida | Objeto |
|---|---|---|
| Diplomática | Espécie | Estrutura formal e autenticidade |
| Tipologia documental | Tipo | Documento no conjunto, ligado à atividade |
| Paleografia | Escrita | Leitura das escritas antigas |
A tabela abaixo liga cada autor à ideia que a prova cobra.
| Autor | Ideia | Palavra-chave |
|---|---|---|
| Natalis de Wailly | Respeito aos fundos | Proveniência |
| Muller, Feith e Fruin | Manual holandês | Ordem original |
| Hilary Jenkinson | Qualidades do documento | Imparcialidade, autenticidade |
| Luciana Duranti | Características do documento de arquivo | Naturalidade, inter-relacionamento |
| Theodore Schellenberg | Valores e avaliação | Primário e secundário |
| Rousseau e Couture | Sete funções arquivísticas | Arquivologia integrada |
| Heloísa Bellotto | Tipologia e Diplomática | Tipo e espécie |
| Jean Mabillon | Método diplomático | Autenticidade |
Para decorar
- Arquivo (art. 2º): conjuntos de documentos produzidos e recebidos, em decorrência de atividades específicas, por órgãos públicos, instituições de caráter público, entidades privadas e pessoa física, em qualquer suporte.
- Gestão de documentos (art. 3º): produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando à eliminação ou ao recolhimento.
- Dever do Poder Público (art. 1º): gestão documental e proteção especial a documentos de arquivos.
- Acesso (art. 4º): regra é o direito de receber informações; ressalva para o sigilo imprescindível à segurança da sociedade e do Estado e à intimidade, vida privada, honra e imagem.
- 3 idades: corrente, intermediária e permanente.
- 6 elementos do documento: suporte, forma, formato, gênero, espécie e tipo.
- Tipo: espécie mais atividade.
- Valor secundário: probatório e informativo.
- 7 funções arquivísticas: produção, avaliação, aquisição, conservação, classificação, descrição e difusão.
- Transferência: corrente para intermediário. Recolhimento: para o permanente.
- 1841: respeito aos fundos, na França. 1898: manual dos holandeses.
- 3 partes do documento diplomático: protocolo inicial, texto e protocolo final.
Pegadinhas
| # | Errado | Certo | Fonte |
|---|---|---|---|
| 1 | Arquivo reúne só os documentos produzidos pela entidade. | Arquivo reúne documentos produzidos e recebidos. | [1], art. 2º |
| 2 | Documentos de pessoa física não formam arquivo. | A lei inclui a pessoa física, qualquer que seja o suporte. | [1], art. 2º |
| 3 | A gestão de documentos abrange a fase permanente. | A gestão atua em fase corrente e intermediária. | [1], art. 3º |
| 4 | A gestão documental é faculdade do Poder Público. | É dever do Poder Público. | [1], art. 1º |
| 5 | Proveniência manda manter a ordem interna do produtor. | Isso é a ordem original. Proveniência separa os fundos. | Teoria arquivística |
| 6 | Recolhimento leva o documento ao intermediário. | Isso é transferência. Recolhimento leva ao permanente. | Teoria arquivística |
| 7 | Arquivo especial guarda documentos de área técnica. | Esse é o especializado. O especial olha o suporte. | Teoria arquivística |
| 8 | Requerimento de férias é espécie documental. | É tipo. A espécie é só requerimento. | Teoria arquivística |
| 9 | O valor probatório é espécie do valor primário. | O probatório é espécie do valor secundário. | Teoria arquivística |
| 10 | Biblioteca e museu formam fundos. | Biblioteca e museu formam coleções. | Teoria arquivística |
| 11 | O respeito aos fundos nasceu no manual holandês. | Nasceu na França, em 1841. | Teoria arquivística |
Fontes e data
- [1] Lei nº 8.159, de 8 de janeiro de 1991 (Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados), arts. 1º a 4º.
Texto conferido com a lei em 14/10/2026.