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Pedagogia

Fundamentos da Aprendizagem e Pedagogias Tradicional, Tecnicista e Escola Nova

O que mais cai

Parte do tópico Importância O que a banca cobra
Fundamentos Gerais da Aprendizagem Alta Empirismo, inatismo e interacionismo; Piaget, Vygotsky, Wallon e Ausubel; ZDP e equilibração
Pedagogia Tradicional Alta Papel do professor e do aluno; método expositivo; passos de Herbart; crítica de Saviani e de Freire
Pedagogia Tecnicista ou Comportamentalista (Behaviorismo) Alta Skinner e o reforço; objetivos operacionais; instrução programada; neutralidade e eficiência
Pedagogia Renovada Progressivista ou Escola Nova Alta Dewey e o aprender fazendo; centro no aluno; Manifesto de 1932; deslocamentos apontados por Saviani

Do que trata o tópico

Este tópico ensina as bases da aprendizagem (o que é aprender e como as principais teorias explicam esse processo) e três tendências pedagógicas que marcam a história da escola: a tradicional, a tecnicista e a Escola Nova. Para cada tendência, o guia mostra o papel da escola, os conteúdos, os métodos, a relação entre professor e aluno, a ideia de aprendizagem e as críticas que ela recebe. A banca costuma comparar as tendências entre si e cobrar o autor de cada ideia.

Conteúdo

Fundamentos Gerais da Aprendizagem

Uma professora do primeiro ano observa duas crianças. Uma delas lê sozinha frases simples, e a outra só lê quando a professora aponta as sílabas. A pergunta de fundo é a mesma em toda a pedagogia: como a criança passa de não saber para saber, e qual é o papel do ensino nessa passagem.

A aprendizagem é a mudança relativamente duradoura no comportamento, no conhecimento ou na forma de pensar, que resulta da experiência e da interação com o meio. Ela se distingue da maturação, que é a mudança que depende do crescimento biológico do organismo, como andar ou controlar a bexiga. Ela se distingue também do desenvolvimento, que é o processo mais amplo de transformação das capacidades da pessoa ao longo da vida.

As três grandes concepções. As teorias da aprendizagem se agrupam em três concepções sobre a origem do conhecimento. A pergunta que separa as três é simples: o conhecimento vem de fora (do meio), de dentro (do sujeito) ou da interação entre os dois.

  1. Empirismo (ou ambientalismo): o conhecimento vem da experiência e do meio. A mente da criança é comparada a uma folha em branco, e o ensino molda o aluno de fora para dentro. O behaviorismo é a teoria da aprendizagem que segue essa concepção.
  2. Inatismo (ou apriorismo): as capacidades já nascem com a pessoa e se manifestam com a maturação. O ensino apenas desperta ou acompanha o que já existe, e a diferença de desempenho é atribuída ao "dom" ou à aptidão.
  3. Interacionismo: o conhecimento é construído na interação entre o sujeito e o meio. O sujeito age sobre o objeto e se transforma com essa ação. Piaget, Vygotsky e Wallon são interacionistas, cada um com uma ênfase.

O erro comum é tomar o interacionismo como uma simples soma do empirismo com o inatismo. O interacionismo critica os dois pelo mesmo motivo: cada um olha só para um dos polos, o meio ou o sujeito.

Piaget e a epistemologia genética. Jean Piaget estudou como o conhecimento se forma na criança, e a teoria dele é chamada de construtivismo. Para Piaget, o sujeito constrói estruturas mentais (os esquemas) ao agir sobre o mundo. O desenvolvimento cognitivo segue estágios, e a aprendizagem depende do estágio em que a criança está.

O motor do desenvolvimento é a equilibração, que funciona em três momentos:

  1. Assimilação: a criança encaixa a experiência nova num esquema que ela já tem. Entra a experiência, sai o mesmo esquema, agora aplicado a mais um caso.
  2. Desequilíbrio: a experiência não cabe no esquema, e surge um conflito cognitivo.
  3. Acomodação: a criança modifica o esquema ou cria um esquema novo para dar conta da experiência. Entra o conflito, sai um esquema transformado.

O resultado é um novo equilíbrio, mais amplo que o anterior. Piaget chama esse processo de equilibração majorante, porque cada novo equilíbrio é superior ao anterior.

Os estágios de Piaget aparecem em quase toda prova. A ordem é sempre a mesma, e as idades são aproximadas, porque variam de criança para criança.

  1. Sensório-motor (do nascimento a cerca de 2 anos): a inteligência é prática, ligada aos sentidos e aos movimentos. A criança conquista a permanência do objeto, isto é, entende que o objeto continua a existir quando sai do campo de visão.
  2. Pré-operatório (de cerca de 2 a 7 anos): surge a função simbólica (linguagem, desenho, jogo de faz de conta). O pensamento é egocêntrico (a criança não se coloca no ponto de vista do outro) e a criança ainda não tem a noção de conservação.
  3. Operatório concreto (de cerca de 7 a 11 ou 12 anos): a criança faz operações mentais reversíveis, classifica, ordena e conserva quantidades, mas sempre apoiada em objetos concretos.
  4. Operatório formal (a partir de cerca de 11 ou 12 anos): o adolescente raciocina sobre hipóteses e abstrações, sem precisar do objeto concreto.

Para Piaget, o desenvolvimento vem antes da aprendizagem: a criança só aprende o que o estágio dela permite. Essa ideia é o ponto que a banca mais usa para separar Piaget de Vygotsky.

Vygotsky e a teoria histórico-cultural. Lev Vygotsky deu ênfase ao meio social e à cultura, e a teoria dele é chamada de sociointeracionismo ou teoria histórico-cultural. Para Vygotsky, as funções psicológicas superiores (atenção voluntária, memória lógica, pensamento abstrato) têm origem social: aparecem primeiro entre as pessoas e depois dentro da pessoa. Essa passagem do plano social para o plano individual se chama internalização.

A relação do sujeito com o mundo é mediada. Os instrumentos medeiam a ação sobre os objetos (a enxada, o lápis), e os signos medeiam a ação sobre o próprio pensamento (a palavra, o número, o mapa). A linguagem é o signo principal.

O conceito mais cobrado de Vygotsky é a zona de desenvolvimento proximal (ZDP). Ela é a distância entre dois níveis:

  • Nível de desenvolvimento real: o que a criança faz sozinha. Ele mostra as funções que já amadureceram.
  • Nível de desenvolvimento potencial: o que a criança faz com a ajuda de um adulto ou de um colega mais experiente.

Para Vygotsky, o bom ensino atua na ZDP, isto é, sobre as funções que estão em processo de amadurecimento, e assim a aprendizagem puxa o desenvolvimento. O que hoje a criança faz com ajuda, amanhã ela faz sozinha.

Wallon e a afetividade. Henri Wallon também é interacionista e estudou a pessoa de forma integrada, com três dimensões ligadas: a afetividade, o ato motor e a inteligência (o conhecimento). Para Wallon, a emoção é a primeira forma de a criança se comunicar com o meio, e a afetividade tem peso igual ao da inteligência no desenvolvimento. O erro comum é atribuir a Wallon a ZDP ou a equilibração, que são de Vygotsky e de Piaget.

Ausubel e a aprendizagem significativa. David Ausubel separou dois tipos de aprendizagem. Na aprendizagem significativa, a informação nova se liga de forma não arbitrária a um conceito relevante que o aluno já tem, chamado subsunçor. Na aprendizagem mecânica, a informação é guardada de forma arbitrária, sem ligação com o que o aluno já sabe, como na decoreba.

Para Ausubel, o fator que mais influencia a aprendizagem é o que o aluno já sabe. Quando o aluno não tem o subsunçor, o professor usa um organizador prévio, que é um material introdutório que cria a ponte entre o que o aluno sabe e o que ele vai aprender. A aprendizagem significativa exige duas condições: um material potencialmente significativo e a disposição do aluno para relacionar o novo ao que já sabe.

Exemplo resolvido: a professora quer saber qual teoria explica cada situação da sala.

  1. Situação: a criança chama de "gato" todo animal de quatro patas que vê no quintal. Passo: a criança aplica um esquema que já tem a casos novos. Resultado: assimilação (Piaget).
  2. Situação: a criança vê um cachorro, ouve que ele não é gato e passa a separar os dois animais. Passo: o esquema muda para dar conta do caso novo. Resultado: acomodação (Piaget).
  3. Situação: a criança monta o quebra-cabeça só quando a colega dá pistas. Passo: a tarefa está entre o que ela faz sozinha e o que faz com ajuda. Resultado: ZDP (Vygotsky).
  4. Situação: o professor abre a aula de frações com a divisão de uma pizza, que todos conhecem. Passo: o conhecimento prévio serve de âncora para o conceito novo. Resultado: subsunçor ou organizador prévio (Ausubel).

Na prática, uma escola municipal que adota a ZDP como critério organiza a sala com duplas de alunos em níveis próximos e propõe tarefas que o aluno ainda não faz sozinho, mas faz com ajuda.

A diferença entre os dois interacionistas mais cobrados cabe numa frase: para Piaget, o desenvolvimento vem antes da aprendizagem; para Vygotsky, a aprendizagem bem organizada vem antes e puxa o desenvolvimento. Piaget dá mais peso à ação individual do sujeito sobre o objeto, e Vygotsky dá mais peso à mediação social e à linguagem.

O erro comum é dizer que Piaget ignora o meio social ou que Vygotsky ignora a biologia. Os dois são interacionistas: a diferença está na ênfase, não na exclusão de um dos polos.

Para Vygotsky, a zona de desenvolvimento proximal é a distância entre o que a criança faz sozinha e o que ela faz com ajuda de alguém mais experiente, e o bom ensino atua sobre as funções já amadurecidas, que estão no nível de desenvolvimento real.

Comentário:

Teoria: para Vygotsky, o bom ensino se adianta ao desenvolvimento e atua na zona de desenvolvimento proximal, sobre as funções que ainda estão em processo de amadurecimento.

A afirmação acerta a definição da ZDP, mas erra em o bom ensino atua sobre as funções já amadurecidas, que estão no nível de desenvolvimento real: as funções já amadurecidas são as que a criança domina sozinha, e o ensino que fica nelas não promove desenvolvimento novo.

Resultado: errado.

Uma criança de 3 anos chama de "au-au" todos os animais de quatro patas que encontra. Num passeio ao sítio, ela aponta para uma vaca e diz "au-au", e o pai explica que aquele animal é uma vaca, que é maior, tem chifres e dá leite. Dias depois, a criança passa a separar cachorros de vacas. À luz da teoria de Piaget, o que ocorreu quando a criança passou a separar os dois animais foi

  1. A) assimilação, porque a criança encaixou a vaca no esquema que ela já tinha para cachorros.
  2. B) internalização, porque a fala do pai passou do plano social para o plano individual.
  3. C) acomodação, porque a criança modificou o esquema anterior para dar conta da experiência nova.
  4. D) maturação, porque a separação dos animais depende apenas do crescimento biológico da criança.
  5. E) aprendizagem mecânica, porque a informação nova não se ligou a nenhum conhecimento anterior.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: para Piaget, na assimilação a criança aplica um esquema que já tem a uma experiência nova, sem mudar o esquema.

A alternativa erra em a criança encaixou a vaca no esquema que ela já tinha para cachorros: isso ocorreu quando ela chamou a vaca de "au-au". Quando passou a separar os animais, o esquema mudou.

B) Errada.

Teoria: internalização é um conceito de Vygotsky, e não de Piaget, para a passagem de uma função do plano social para o plano individual.

A alternativa erra em internalização: o enunciado pede a leitura de Piaget, e o conceito de Piaget para a mudança do esquema é a acomodação.

C) Certa.

Teoria: para Piaget, a acomodação é a modificação de um esquema, ou a criação de um esquema novo, quando a experiência não cabe no esquema anterior.

A experiência com a vaca gerou um desequilíbrio, e a criança criou uma categoria nova. Essa mudança do esquema é a acomodação.

D) Errada.

Regra: a maturação depende do crescimento biológico, e a aprendizagem resulta da experiência e da interação com o meio.

A alternativa erra em depende apenas do crescimento biológico da criança: a separação resultou da experiência no sítio e da explicação do pai.

E) Errada.

Teoria: para Ausubel, na aprendizagem mecânica a informação é guardada sem ligação com o que o aluno já sabe.

A alternativa erra em a informação nova não se ligou a nenhum conhecimento anterior: a criança partiu do esquema que já tinha (animal de quatro patas) e o transformou. Além disso, o enunciado pede a leitura de Piaget.

Resultado: alternativa C.

Na aprendizagem significativa descrita por Ausubel, a informação nova se ancora em conceitos relevantes que já existem na estrutura cognitiva do aluno, os subsunçores; por isso, o mesmo conteúdo pode ser aprendido de modo significativo por um aluno e de modo mecânico por outro.

Comentário:

Teoria: para Ausubel, a aprendizagem é significativa quando a informação nova se liga de forma não arbitrária a um subsunçor; sem esse conceito prévio, ou sem a disposição do aluno para fazer a ligação, o mesmo conteúdo é guardado de forma mecânica.

A afirmação está correta nas duas partes. O tipo de aprendizagem depende da relação entre o material e o que cada aluno já sabe, e não só do conteúdo.

Resultado: certo.

Como a banca cobra: a banca troca os conceitos entre os autores (ZDP atribuída a Piaget, equilibração atribuída a Vygotsky) e descreve uma cena de sala de aula para o candidato dizer qual processo ocorreu. Também cobra a ordem e as características dos estágios de Piaget.

Pedagogia Tradicional

Uma escola do começo do século XX recebe filhos de famílias que nunca estudaram. A sociedade quer que esses alunos aprendam a ler, a escrever, a contar e a conhecer a cultura acumulada pela humanidade. A solução da pedagogia tradicional é organizar a escola em torno do professor, que domina esse saber e o transmite de forma ordenada aos alunos.

A pedagogia tradicional é a tendência centrada no professor e no conteúdo. Na classificação das tendências pedagógicas mais usada nas provas, de José Carlos Libâneo, ela é a primeira das tendências liberais. O nome "liberal" aqui não tem sentido de avançado: ele indica a pedagogia ligada à sociedade de classes, que prepara o indivíduo para papéis sociais segundo as aptidões dele.

Papel da escola. A escola prepara o aluno intelectual e moralmente para assumir a posição dele na sociedade. O caminho é o mesmo para todos, e quem tem dificuldade deve se esforçar ou procurar o ensino profissionalizante. A escola trata a cultura como um saber universal, sem relação com a realidade social do aluno.

Conteúdos. Os conteúdos são os conhecimentos e os valores sociais acumulados pelas gerações adultas e repassados ao aluno como verdades. A seleção é enciclopédica: muitos conteúdos, organizados pela lógica da disciplina, e não pelo interesse ou pela experiência do aluno.

Métodos. O método é a exposição verbal da matéria pelo professor, seguida de exercícios de repetição e de memorização. O aluno ouve, copia, repete e devolve na prova o que recebeu.

Os passos da aula tradicional seguem os passos formais atribuídos a Johann Friedrich Herbart, na forma como os manuais de didática os apresentam:

  1. Preparação: o professor recorda a matéria anterior. Entra o que o aluno já viu, sai a mente preparada para o novo.
  2. Apresentação: o professor expõe o conteúdo novo.
  3. Associação (ou comparação): o professor liga o novo ao que o aluno já conhece.
  4. Generalização: o aluno chega à definição, à regra ou ao conceito geral.
  5. Aplicação: o aluno resolve exercícios com a regra aprendida.
  1. Preparação: recordação da matéria anterior
  2. Apresentação do conteúdo novo
  3. Associação do novo com o conhecido
  4. Generalização: definição ou regra
  5. Aplicação em exercícios
Passos formais de Herbart

Relação entre professor e aluno. O professor é a autoridade, e o aluno é receptivo. A disciplina é imposta, o silêncio é condição do ensino e a comunicação vai num sentido só, do professor para o aluno. A relação é vertical.

Concepção de aprendizagem. A aprendizagem é receptiva e mecânica: o aluno acumula informações por repetição e memorização. A ideia de fundo é que a mente da criança é como a de um adulto em miniatura, e que basta transmitir o conteúdo para que ele seja aprendido. A avaliação mede a quantidade de informação que o aluno reproduz, com provas, arguição oral e trabalhos de casa.

As críticas. Paulo Freire chamou esse modelo de educação bancária: o professor "deposita" o conhecimento no aluno, que apenas recebe, guarda e arquiva. Para Freire, essa educação não forma consciência crítica e serve à manutenção da sociedade como ela está. Freire propôs no lugar a educação problematizadora, baseada no diálogo.

Dermeval Saviani classifica a pedagogia tradicional entre as teorias não críticas, que não levam em conta os condicionantes sociais da educação. Para Saviani, a escola tradicional nasceu para vencer a ignorância: o marginalizado, nessa leitura, é o ignorante, e a escola é o meio de redimir a ignorância pela transmissão do saber. Saviani também reconhece um mérito da escola tradicional, que é o compromisso com a transmissão dos conteúdos, e a pedagogia histórico-crítica dele recupera esse compromisso em outra base.

Exemplo resolvido: um candidato precisa classificar quatro práticas de uma escola como tradicionais ou não.

  1. Prática: a professora dita o resumo do capítulo e os alunos copiam em silêncio. Passo: exposição e cópia, com comunicação num sentido só. Resultado: tradicional.
  2. Prática: os alunos escolhem um problema do bairro e pesquisam em grupo. Passo: o conteúdo nasce do interesse e da experiência do aluno. Resultado: não tradicional (Escola Nova).
  3. Prática: a prova pede a lista das capitais na ordem do livro. Passo: a avaliação mede a reprodução literal. Resultado: tradicional.
  4. Prática: a aula segue módulos com objetivos medidos e reforço a cada acerto. Passo: o centro é a técnica de ensino. Resultado: não tradicional (tecnicista).

Na prática, um colégio que organiza a aula de História pela recordação da aula anterior, a exposição do professor, a comparação com fatos já estudados, a regra geral e o questionário final segue os passos formais da pedagogia tradicional.

A diferença para a Escola Nova está no centro do processo. Na pedagogia tradicional, o centro é o professor e o conteúdo, e o aluno recebe; na Escola Nova, o centro é o aluno, o interesse e a atividade. A diferença para a tecnicista está no elemento principal: na tradicional, o professor é a autoridade; na tecnicista, o elemento principal é a técnica, e o professor é um executor do planejamento.

O erro comum é associar a pedagogia tradicional ao behaviorismo de Skinner porque as duas usam repetição. A pedagogia tradicional antecede o behaviorismo e não se baseia em reforço planejado de respostas: a repetição nela serve à memorização do conteúdo exposto.

Uma professora de Ciências começa a aula com perguntas sobre a matéria da semana anterior, expõe o conteúdo novo, compara o tema com o que a turma já estudou, apresenta a definição geral e encerra com uma lista de exercícios. Os alunos ficam em silêncio durante a exposição e a avaliação cobra a reprodução das definições. Essa prática corresponde à pedagogia

  1. A) tradicional, que segue passos formais de preparação, apresentação, associação, generalização e aplicação, com o professor como autoridade e o aluno receptivo.
  2. B) tecnicista, que organiza a aula em objetivos operacionais medidos e usa o reforço imediato de cada resposta certa como base do método.
  3. C) renovada progressivista, que parte de um problema real escolhido pelos alunos e trata o professor como orientador da pesquisa.
  4. D) renovada não diretiva, que coloca o professor como facilitador e dá prioridade às relações interpessoais e ao crescimento pessoal do aluno.
  5. E) libertadora, que parte de temas geradores da realidade do aluno e organiza o ensino pelo diálogo entre educador e educando.

Comentário:

A) Certa.

Teoria: na pedagogia tradicional, a aula segue os passos formais atribuídos a Herbart, o professor transmite o conteúdo e o aluno recebe e reproduz.

A recordação inicial, a exposição, a comparação, a definição e os exercícios são, na ordem, os cinco passos formais. O silêncio e a avaliação por reprodução confirmam a tendência.

B) Errada.

Teoria: a pedagogia tecnicista organiza o ensino por objetivos operacionais e por reforço das respostas, com base no behaviorismo.

A alternativa erra em usa o reforço imediato de cada resposta certa como base do método: a aula descrita não tem objetivos medidos nem reforço planejado. A base é a exposição do professor.

C) Errada.

Teoria: na Escola Nova, o ponto de partida é o interesse e a experiência do aluno.

A alternativa erra em parte de um problema real escolhido pelos alunos: o tema da aula foi definido e exposto pela professora.

D) Errada.

Teoria: na tendência renovada não diretiva, associada a Carl Rogers, o professor é facilitador e o foco está no desenvolvimento pessoal do aluno.

A alternativa erra em coloca o professor como facilitador: na aula descrita, a professora expõe e conduz tudo, numa relação vertical.

E) Errada.

Teoria: na pedagogia libertadora, de Paulo Freire, o ensino parte de temas geradores e se faz pelo diálogo.

A alternativa erra em parte de temas geradores da realidade do aluno: a aula parte da matéria do programa, e a comunicação vai num sentido só.

Resultado: alternativa A.

Na pedagogia tradicional, os conteúdos são selecionados a partir dos interesses e da experiência dos alunos, e o professor atua como orientador das atividades, mas a avaliação continua baseada na memorização.

Comentário:

Teoria: na pedagogia tradicional, os conteúdos são os conhecimentos e os valores acumulados pela sociedade, organizados pela lógica da disciplina e transmitidos pelo professor, que é a autoridade da sala.

A afirmação acerta a avaliação por memorização, mas erra em os conteúdos são selecionados a partir dos interesses e da experiência dos alunos, e o professor atua como orientador das atividades: essa descrição é da Escola Nova. Na tendência tradicional, o conteúdo é definido de fora e o professor é o centro do processo.

Resultado: errado.

Como a banca cobra: a banca descreve uma aula e pede a tendência, ou mistura numa só alternativa uma característica da tradicional com uma da Escola Nova. Também cobra a leitura de Saviani (marginalidade como ignorância) e a educação bancária de Freire como crítica da tradicional.

Pedagogia Tecnicista ou Comportamentalista (Behaviorismo)

Um sistema de ensino quer formar muitas pessoas em pouco tempo, com o mesmo resultado em todas as escolas, para atender à demanda das empresas por mão de obra. A resposta da pedagogia tecnicista é aplicar à escola a lógica da fábrica: planejar cada etapa, definir objetivos medidos, usar materiais padronizados e controlar o resultado. No Brasil, essa tendência ganhou força no fim dos anos 1960 e nos anos 1970, durante o regime militar, ligada a acordos de cooperação com os Estados Unidos e à ideia de educação para o desenvolvimento econômico.

A pedagogia tecnicista é a tendência centrada na técnica e na organização racional dos meios. Na classificação de Libâneo, ela é uma tendência liberal. A base psicológica dela é o behaviorismo (ou comportamentalismo), e a base organizacional é a racionalização do trabalho, inspirada no modelo de Taylor para a fábrica.

O behaviorismo. O behaviorismo estuda o comportamento observável e deixa de lado os processos mentais internos, que não se podem medir. Para essa teoria, aprender é mudar o comportamento, e a mudança é produzida pelo ambiente. O behaviorismo é a teoria da aprendizagem ligada ao empirismo.

O behaviorismo tem duas formas de condicionamento:

  1. Condicionamento clássico (ou respondente), estudado por Ivan Pavlov e aplicado ao ser humano por John Watson. Um estímulo neutro (o som de uma sineta) passa a provocar uma resposta reflexa (a salivação do cão) depois de ser associado várias vezes a um estímulo que já provoca essa resposta (o alimento). A resposta é involuntária.
  2. Condicionamento operante, estudado por Burrhus Frederic Skinner. O comportamento é voluntário e é controlado pelas consequências: o comportamento seguido de consequência agradável tende a se repetir, e o comportamento seguido de consequência desagradável tende a diminuir.

Skinner é o autor mais cobrado do behaviorismo, e os termos dele aparecem quase sempre em pegadinhas. O reforço é toda consequência que aumenta a frequência do comportamento, e a punição é toda consequência que diminui a frequência. "Positivo" quer dizer que algo é acrescentado, e "negativo" quer dizer que algo é retirado.

Procedimento O que acontece depois da resposta Efeito no comportamento
Reforço positivo Acrescenta um estímulo agradável Aumenta
Reforço negativo Retira um estímulo desagradável Aumenta
Punição positiva Acrescenta um estímulo desagradável Diminui
Punição negativa Retira um estímulo agradável Diminui
Extinção Deixa de reforçar a resposta Diminui até sumir

A modelagem é o ensino de um comportamento complexo por aproximações sucessivas: o professor reforça cada passo que se aproxima do comportamento final. Skinner aplicou essas ideias à escola com a instrução programada e as máquinas de ensinar.

Como funciona a instrução programada, passo a passo. O conteúdo é dividido em pequenas unidades, e o aluno só avança quando acerta a unidade anterior.

  1. O planejador define o objetivo operacional, isto é, o comportamento observável que o aluno deve mostrar no fim.
  2. O conteúdo é dividido em passos pequenos, em ordem crescente de dificuldade.
  3. O aluno responde a cada passo, no ritmo dele.
  4. O aluno recebe o resultado da resposta na hora (o reforço imediato).
  5. Se acerta, avança; se erra, revê o passo.
  6. No fim, a avaliação mede se o comportamento final foi atingido.
  1. Objetivo operacional definido
  2. Conteúdo dividido em passos pequenos
  3. O aluno responde ao passo
  4. A resposta está certa?
    SimReforço e avanço ao passo seguinte
    NãoRevisão do mesmo passo
  5. Avaliação do comportamento final
Instrução programada

Papel da escola. A escola é uma organizadora do processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis ao sistema produtivo. O objetivo é formar indivíduos competentes para o mercado de trabalho. A escola se apresenta como neutra, isto é, como uma técnica sem posição política.

Conteúdos. Os conteúdos são as informações, os princípios científicos e as leis organizados em sequência lógica e psicológica por especialistas. O material vem pronto em manuais, livros didáticos, módulos de ensino e recursos audiovisuais. O aluno não discute o conteúdo: ele executa a sequência.

Métodos. O método é a aplicação de procedimentos e técnicas para controlar as condições do ambiente e garantir o comportamento esperado. O planejamento é minucioso, com objetivos instrucionais formulados em verbos observáveis ("identificar", "listar", "resolver"), e não em verbos vagos ("compreender", "apreciar"). A tecnologia educacional e a instrução programada são os recursos típicos.

Relação entre professor e aluno. O professor é o administrador das condições de transmissão da matéria, um técnico que executa o planejamento feito por especialistas. O aluno é o executor das tarefas. Os dois ocupam posição secundária: o elemento principal é a organização racional dos meios.

Divisão do trabalho na escola. A tendência tecnicista separou quem planeja de quem executa. Surgiram os especialistas da educação (supervisor, orientador, administrador escolar), que planejam e controlam, e o professor ficou com a execução. Essa divisão reproduz na escola a separação entre concepção e execução da fábrica taylorista.

A crítica de Saviani. Saviani também classifica a tecnicista entre as teorias não críticas. Na leitura dele, o marginalizado para a pedagogia tecnicista é o incompetente, isto é, o ineficiente e improdutivo, e a escola deve formar indivíduos eficientes. Saviani aponta que, ao tentar planejar tudo, a tecnicista aumentou o caos no campo educativo, com a fragmentação do trabalho pedagógico e a perda de qualidade do ensino.

Exemplo resolvido: um professor aplica o condicionamento operante e precisa nomear o procedimento usado em cada caso.

  1. Caso: o aluno entrega a tarefa no prazo e ganha um elogio público. Passo: algo agradável é acrescentado, e o comportamento tende a aumentar. Resultado: reforço positivo.
  2. Caso: o aluno termina os exercícios e fica dispensado do dever de casa, que ele detesta. Passo: algo desagradável é retirado, e o comportamento tende a aumentar. Resultado: reforço negativo.
  3. Caso: o aluno conversa durante a explicação e perde o recreio. Passo: algo agradável é retirado, e o comportamento tende a diminuir. Resultado: punição negativa.
  4. Caso: o aluno faz piadas para chamar atenção e o professor passa a ignorar as piadas. Passo: o reforço (a atenção) deixa de vir. Resultado: extinção.

Na prática, uma secretaria de educação que distribui apostilas padronizadas, define objetivos operacionais para cada aula, mede o resultado por testes objetivos e deixa ao professor só a aplicação do material segue a lógica tecnicista.

A diferença para a pedagogia tradicional está no elemento central: a tradicional gira em torno do professor como autoridade; a tecnicista gira em torno da técnica, e o professor vira executor. A diferença para a Escola Nova está na atividade do aluno: na Escola Nova, o aluno é ativo e escolhe; na tecnicista, o aluno é ativo só no sentido de responder aos passos que outros planejaram.

O erro mais comum é confundir o reforço negativo com a punição. O reforço negativo aumenta o comportamento porque retira algo desagradável; a punição diminui o comportamento.

No condicionamento operante de Skinner, o reforço negativo é a apresentação de um estímulo desagradável logo após a resposta, com o objetivo de diminuir a frequência dessa resposta.

Comentário:

Teoria: para Skinner, todo reforço aumenta a frequência do comportamento; o reforço negativo aumenta o comportamento porque retira um estímulo desagradável.

A afirmação erra em é a apresentação de um estímulo desagradável logo após a resposta, com o objetivo de diminuir a frequência dessa resposta: essa é a descrição da punição positiva. O reforço negativo retira o estímulo desagradável e aumenta a resposta.

Resultado: errado.

Sobre a pedagogia tecnicista, assinale a alternativa correta.

  1. A) O professor é a figura central do processo e transmite o conteúdo como autoridade, enquanto o aluno ouve e memoriza.
  2. B) Os conteúdos são definidos a partir dos interesses dos alunos, que aprendem resolvendo problemas da própria experiência.
  3. C) A escola assume uma posição política explícita e prepara o aluno para transformar as relações de produção.
  4. D) O professor administra as condições de ensino planejadas por especialistas, e a escola forma indivíduos eficientes para o sistema produtivo.
  5. E) Para Saviani, o marginalizado na pedagogia tecnicista é o rejeitado, e a escola deve integrá-lo pela aceitação das diferenças.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: na pedagogia tecnicista, o elemento principal é a organização racional dos meios, e professor e aluno ocupam posição secundária.

A alternativa erra em O professor é a figura central do processo e transmite o conteúdo como autoridade: essa é a descrição da pedagogia tradicional.

B) Errada.

Teoria: na tecnicista, os conteúdos são organizados por especialistas em sequência lógica e vêm prontos em manuais e módulos.

A alternativa erra em Os conteúdos são definidos a partir dos interesses dos alunos: a definição pelo interesse do aluno é da Escola Nova.

C) Errada.

Teoria: a pedagogia tecnicista se apresenta como neutra e prepara o aluno para se integrar ao sistema produtivo.

A alternativa erra em assume uma posição política explícita e prepara o aluno para transformar as relações de produção: a tecnicista se diz neutra e busca integrar o aluno ao modelo de produção, sem transformá-lo.

D) Certa.

Teoria: na tecnicista, o professor é um técnico que administra as condições de transmissão, e o objetivo é formar indivíduos competentes e eficientes para o mercado de trabalho.

A alternativa junta duas características centrais da tendência: o professor executor do planejamento e a escola voltada à eficiência produtiva.

E) Errada.

Teoria: para Saviani, o marginalizado é o ignorante na tradicional, o rejeitado na Escola Nova e o incompetente na tecnicista.

A alternativa erra em o marginalizado na pedagogia tecnicista é o rejeitado: o rejeitado é o marginalizado da Escola Nova. Na tecnicista, é o incompetente.

Resultado: alternativa D.

Na pedagogia tecnicista, professor e aluno ocupam posição secundária no processo educativo, porque o elemento principal passa a ser a organização racional dos meios, com planejamento feito por especialistas e o professor como executor.

Comentário:

Teoria: na tecnicista, a técnica e a organização racional do processo ocupam o centro, e professor e aluno executam o que foi planejado por especialistas.

A afirmação descreve com correção o lugar do professor e do aluno nessa tendência. É esse deslocamento que separa a tecnicista da tradicional, na qual o professor é o centro.

Resultado: certo.

Como a banca cobra: a banca troca os sinais do reforço e da punição de Skinner e descreve uma política de ensino padronizado para o candidato reconhecer a tecnicista. Também cobra a neutralidade aparente, a divisão entre quem planeja e quem executa e a leitura de Saviani (marginalidade como incompetência).

Pedagogia Renovada Progressivista ou Escola Nova

Uma escola percebe que os alunos decoram o conteúdo para a prova e esquecem tudo na semana seguinte. A proposta do movimento da Escola Nova é inverter a lógica: partir do interesse da criança, fazer o aluno agir, pesquisar e resolver problemas, e aprender pela experiência. O movimento surgiu no fim do século XIX e no começo do século XX, na Europa e nos Estados Unidos, como reação à pedagogia tradicional.

A pedagogia renovada é a tendência centrada no aluno. Libâneo divide a pedagogia renovada em duas versões, ambas liberais. A renovada progressivista, ligada a John Dewey, Maria Montessori, Ovide Decroly e, em certos aspectos, a Piaget, valoriza a atividade e a experiência. A renovada não diretiva, ligada a Carl Rogers, dá prioridade às relações interpessoais e ao crescimento pessoal do aluno.

Dewey e o aprender fazendo. John Dewey é o autor central da Escola Nova na versão progressivista. Para Dewey, a educação é a reconstrução contínua da experiência, a escola não é preparação para a vida, mas a própria vida, e o aluno aprende fazendo. Dewey ligou a escola à democracia: a escola deve ser uma pequena comunidade democrática, na qual o aluno aprende a cooperar e a resolver problemas comuns.

O método de Dewey segue as etapas da resolução de problemas, na forma como os manuais de didática as apresentam:

  1. O aluno vive uma situação de experiência que desperta o interesse dele.
  2. Da situação nasce um problema real e desafiador.
  3. O aluno reúne informações e dados para estudar o problema.
  4. O aluno formula hipóteses, isto é, soluções provisórias.
  5. O aluno testa as hipóteses na prática e verifica qual funciona.

Outros autores. A banca cobra a contribuição própria de cada autor da Escola Nova, e a tabela abaixo reúne as associações mais comuns.

Autor Ideia central Palavra-chave
John Dewey Educação como reconstrução da experiência Aprender fazendo
William Kilpatrick Ensino organizado em projetos Método de projetos
Maria Montessori Ambiente preparado e material sensorial Autoeducação
Ovide Decroly Ensino pelas necessidades da criança Centros de interesse e método global
Édouard Claparède A educação parte da necessidade e do interesse Educação funcional
Adolphe Ferrière Difusão internacional do movimento Escola ativa

Papel da escola. A escola adequa as necessidades individuais ao meio social. Ela deve reproduzir em seu interior a vida em sociedade, com experiências que respondam ao interesse do aluno. O foco passa do ensino para a aprendizagem.

Conteúdos. Os conteúdos são definidos pelas experiências que o aluno vive diante de desafios cognitivos e de situações problemáticas. Valoriza-se mais o processo de aquisição do saber que o saber em si. Daí vem a expressão aprender a aprender.

Métodos. O método é ativo: experiências, pesquisa, trabalho em grupo, descoberta, estudo do meio e resolução de problemas. O aluno aprende pela ação, e não pela exposição do professor.

Relação entre professor e aluno. O professor é um orientador ou facilitador, que cria situações e auxilia o aluno. O aluno é ativo, e a disciplina nasce da tomada de consciência dos limites da vida em grupo, e não da imposição. O clima da sala é harmonioso e democrático.

Concepção de aprendizagem. A aprendizagem é uma atividade de descoberta, uma autoaprendizagem, e o ambiente é apenas o meio estimulador. Aprender se torna uma atividade de descoberta motivada pelo interesse: o aluno aprende o que tem sentido para ele.

A Escola Nova no Brasil. O marco brasileiro é o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, assinado por educadores como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho. O Manifesto defendeu uma escola pública, laica, gratuita e obrigatória, com a coeducação (meninos e meninas na mesma escola) e um sistema nacional de educação. Anísio Teixeira foi o principal divulgador das ideias de Dewey no país.

  1. 1896Dewey abre a escola laboratório em Chicago
  2. 1907Montessori abre a Casa das Crianças em Roma
  3. 1932Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova no Brasil
Marcos da Escola Nova

A leitura de Saviani. Saviani classifica a Escola Nova também entre as teorias não críticas. Para ele, o marginalizado na Escola Nova é o rejeitado, e a escola deve integrá-lo pela aceitação das diferenças individuais. Saviani descreve a Escola Nova como uma série de deslocamentos em relação à tradicional:

  • do intelecto para o sentimento;
  • do aspecto lógico para o psicológico;
  • dos conteúdos cognitivos para os métodos ou processos pedagógicos;
  • do professor para o aluno;
  • do esforço para o interesse;
  • da disciplina para a espontaneidade;
  • do diretivismo para o não diretivismo;
  • da quantidade para a qualidade;
  • de uma pedagogia de inspiração filosófica, centrada na lógica, para uma pedagogia de inspiração experimental, baseada sobretudo na biologia e na psicologia.

A crítica principal de Saviani é que a Escola Nova exigiu escolas caras, bem equipadas e com poucos alunos por turma, e por isso ficou restrita a escolas experimentais das elites. Nas escolas públicas, a difusão das ideias novas afrouxou a transmissão dos conteúdos e rebaixou o nível do ensino destinado às camadas populares, e ao mesmo tempo aprimorou o ensino das elites.

Exemplo resolvido: um candidato precisa dizer de qual autor da Escola Nova é cada prática.

  1. Prática: a turma decide construir uma horta e organiza o estudo de Ciências, Matemática e Português em volta do projeto. Passo: o ensino gira em torno de um projeto com propósito. Resultado: método de projetos (Kilpatrick, a partir de Dewey).
  2. Prática: a sala tem móveis do tamanho da criança e materiais sensoriais, e a criança escolhe com qual trabalhar. Passo: ambiente preparado e autoeducação. Resultado: Montessori.
  3. Prática: o ensino da leitura parte da frase inteira, e não das letras, e os temas giram em torno das necessidades da criança (alimentar-se, proteger-se, agir). Passo: método global e centros de interesse. Resultado: Decroly.
  4. Prática: a turma encontra um problema na experiência, levanta dados, formula hipóteses e testa. Passo: etapas da resolução de problemas. Resultado: Dewey.

Na prática, uma escola que troca a aula expositiva por projetos escolhidos pelos alunos, organiza a sala em grupos, trata o professor como orientador e avalia o processo de pesquisa adota a Escola Nova na versão progressivista. Se a mesma escola passa a priorizar as conversas sobre sentimentos e a autoestima do aluno, com o professor só como facilitador das relações, ela se aproxima da versão não diretiva de Rogers.

A diferença entre a renovada progressivista e a renovada não diretiva está no foco. A progressivista dá prioridade à experiência, à pesquisa e à resolução de problemas; a não diretiva dá prioridade ao desenvolvimento pessoal, à autorrealização e às relações interpessoais. As duas são centradas no aluno.

O erro comum é chamar a Escola Nova de pedagogia crítica ou progressista no sentido de Libâneo. Apesar do nome "progressivista", a Escola Nova é uma tendência liberal, e as tendências progressistas de Libâneo são a libertadora, a libertária e a crítico-social dos conteúdos.

Ao analisar a Escola Nova, Saviani aponta um conjunto de deslocamentos em relação à pedagogia tradicional. Assinale a alternativa que apresenta deslocamentos coerentes com essa análise.

  1. A) Do aluno para o professor, do interesse para o esforço e da espontaneidade para a disciplina.
  2. B) Do intelecto para o sentimento, do lógico para o psicológico e dos conteúdos para os métodos.
  3. C) Da qualidade para a quantidade, do psicológico para o lógico e dos métodos para os conteúdos.
  4. D) Do sentimento para o intelecto, da inspiração experimental para a filosófica e do não diretivismo para o diretivismo.
  5. E) Do professor para o aluno, da qualidade para a quantidade e do interesse para o esforço.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: para Saviani, a Escola Nova desloca o eixo do professor para o aluno, do esforço para o interesse e da disciplina para a espontaneidade.

A alternativa erra em Do aluno para o professor, do interesse para o esforço e da espontaneidade para a disciplina: os três pares estão invertidos. A direção é do professor para o aluno, do esforço para o interesse e da disciplina para a espontaneidade.

B) Certa.

Teoria: para Saviani, a Escola Nova desloca o eixo do intelecto para o sentimento, do aspecto lógico para o psicológico e dos conteúdos cognitivos para os métodos.

Os três pares estão na direção correta, da pedagogia tradicional para a Escola Nova.

C) Errada.

Teoria: para Saviani, a Escola Nova desloca o eixo da quantidade para a qualidade, do lógico para o psicológico e dos conteúdos para os métodos.

A alternativa erra em Da qualidade para a quantidade, do psicológico para o lógico e dos métodos para os conteúdos: os três pares estão invertidos.

D) Errada.

Teoria: para Saviani, a Escola Nova vai do intelecto para o sentimento, da inspiração filosófica para a experimental e do diretivismo para o não diretivismo.

A alternativa erra em Do sentimento para o intelecto, da inspiração experimental para a filosófica e do não diretivismo para o diretivismo: os três pares descrevem o caminho contrário, de volta à tradicional.

E) Errada.

Teoria: para Saviani, a Escola Nova desloca o eixo do professor para o aluno, da quantidade para a qualidade e do esforço para o interesse.

O primeiro par está certo, mas a alternativa erra em da qualidade para a quantidade e do interesse para o esforço: os dois últimos pares estão invertidos. A direção é da quantidade para a qualidade e do esforço para o interesse.

Resultado: alternativa B.

O Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, defendeu a escola pública, laica, gratuita e obrigatória, com a coeducação dos sexos, e foi o principal marco da Escola Nova no Brasil.

Comentário:

Teoria: o Manifesto de 1932, assinado por educadores como Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo e Lourenço Filho, defendeu a escola pública, laica, gratuita e obrigatória, com coeducação, inspirada nas ideias da Escola Nova.

A afirmação traz as bandeiras centrais do Manifesto e a posição dele como marco brasileiro do movimento.

Resultado: certo.

Associe a prática ao autor da Escola Nova e assinale a alternativa correta.

  1. A) A organização do ensino em centros de interesse e o método global de leitura são contribuições de Montessori.
  2. B) O ambiente preparado com materiais sensoriais e a autoeducação da criança são contribuições de Kilpatrick.
  3. C) A educação funcional, que parte da necessidade e do interesse da criança, é contribuição de Decroly.
  4. D) O método de projetos, em que o ensino gira em torno de um propósito definido pela turma, é contribuição de Montessori.
  5. E) A educação como reconstrução contínua da experiência e a escola como a própria vida são ideias de Dewey.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: os centros de interesse e o método global são de Decroly; Montessori é a autora do ambiente preparado e do material sensorial.

A alternativa erra em são contribuições de Montessori: o autor dos centros de interesse e do método global é Decroly.

B) Errada.

Teoria: o ambiente preparado e a autoeducação são de Montessori; Kilpatrick é o autor do método de projetos.

A alternativa erra em são contribuições de Kilpatrick: a autora é Montessori.

C) Errada.

Teoria: a educação funcional é de Claparède, para quem a educação parte da necessidade e do interesse da criança.

A alternativa erra em é contribuição de Decroly: o autor da educação funcional é Claparède.

D) Errada.

Teoria: o método de projetos é de Kilpatrick, que desenvolveu as ideias de Dewey.

A alternativa erra em é contribuição de Montessori: o autor do método de projetos é Kilpatrick.

E) Certa.

Teoria: para Dewey, a educação é a reconstrução contínua da experiência, e a escola não prepara para a vida, porque ela é a própria vida.

As duas ideias são o centro da obra de Dewey e da versão progressivista da Escola Nova.

Resultado: alternativa E.

Como a banca cobra: a banca cobra os deslocamentos de Saviani com pares invertidos e troca os autores da Escola Nova entre si. Também cobra o Manifesto de 1932, a diferença entre a versão progressivista e a não diretiva e o caráter liberal da tendência.

  • Aprendizagem e tendências pedagógicas
    • Fundamentos da aprendizagem
      • Aprendizagem, maturação e desenvolvimento
      • Empirismo, inatismo e interacionismo
      • Piaget
        • Assimilação e acomodação
        • Equilibração
        • Quatro estágios
      • Vygotsky
        • Mediação por signos
        • Zona de desenvolvimento proximal
      • Wallon e a afetividade
      • Ausubel e os subsunçores
    • Pedagogia tradicional
      • Centro no professor
      • Conteúdo enciclopédico
      • Passos formais de Herbart
      • Educação bancária em Freire
      • Marginalidade como ignorância
    • Pedagogia tecnicista
      • Behaviorismo de Skinner
      • Reforço e punição
      • Instrução programada
      • Objetivos operacionais
      • Marginalidade como incompetência
    • Escola Nova
      • Centro no aluno
      • Dewey e o aprender fazendo
      • Montessori, Decroly e Kilpatrick
      • Manifesto dos Pioneiros
      • Marginalidade como rejeição

Quadros e comparações

A tabela abaixo compara as três tendências pelos mesmos critérios.

Critério Tradicional Tecnicista Escola Nova
Centro do processo Professor e conteúdo Técnica e organização dos meios Aluno e interesse
Papel do professor Autoridade que transmite Técnico que executa o planejamento Orientador e facilitador
Papel do aluno Receptivo Executor das tarefas Ativo e pesquisador
Método Exposição e repetição Instrução programada e objetivos Experiência e resolução de problemas
Aprendizagem Memorização Mudança de comportamento por reforço Descoberta pela experiência
Marginalizado para Saviani Ignorante Incompetente Rejeitado

A tabela abaixo compara os autores das teorias da aprendizagem.

Autor Concepção Conceito-chave Relação entre aprendizagem e desenvolvimento
Skinner Empirista (behaviorismo) Reforço e condicionamento operante A aprendizagem é a própria mudança de comportamento
Piaget Interacionista (construtivismo) Equilibração, assimilação e acomodação O desenvolvimento vem antes
Vygotsky Interacionista (sociointeracionismo) ZDP e mediação A aprendizagem puxa o desenvolvimento
Wallon Interacionista Afetividade, ato motor e inteligência A emoção é a base do desenvolvimento inicial
Ausubel Cognitivista Subsunçor e organizador prévio Aprende-se a partir do que já se sabe

A tabela abaixo separa as duas versões da pedagogia renovada.

Critério Renovada progressivista Renovada não diretiva
Autor de referência Dewey Carl Rogers
Foco Experiência e resolução de problemas Desenvolvimento pessoal e relações
Papel do professor Orientador da pesquisa Facilitador das relações
Classificação em Libâneo Liberal Liberal

Para decorar

  • Aprendizagem: mudança relativamente duradoura que resulta da experiência; maturação depende do crescimento biológico.
  • Empirismo, inatismo, interacionismo: o conhecimento vem do meio, do sujeito ou da interação dos dois.
  • Piaget: assimilação (encaixa no esquema), acomodação (muda o esquema), equilibração; o desenvolvimento vem antes da aprendizagem.
  • Estágios de Piaget: sensório-motor (0 a cerca de 2 anos), pré-operatório (cerca de 2 a 7), operatório concreto (cerca de 7 a 11 ou 12), operatório formal (a partir de cerca de 11 ou 12).
  • Vygotsky: ZDP é a distância entre o desenvolvimento real (faz sozinho) e o potencial (faz com ajuda); a aprendizagem puxa o desenvolvimento.
  • Ausubel: subsunçor é o conceito prévio que ancora o novo; organizador prévio cria a ponte.
  • Passos de Herbart: preparação, apresentação, associação, generalização, aplicação.
  • Skinner: reforço aumenta o comportamento, punição diminui; positivo acrescenta, negativo retira.
  • Saviani: tradicional (ignorante), Escola Nova (rejeitado), tecnicista (incompetente); as três são teorias não críticas.
  • 1932: Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova (escola pública, laica, gratuita e obrigatória, com coeducação).

Pegadinhas

# Errado Certo
1 Para Piaget, a aprendizagem bem organizada vem antes e puxa o desenvolvimento. Essa ideia é de Vygotsky. Para Piaget, o desenvolvimento vem antes da aprendizagem.
2 Na assimilação, a criança modifica o esquema para dar conta da experiência nova. Na assimilação, a criança encaixa a experiência num esquema que já tem. Modificar o esquema é acomodação.
3 O nível de desenvolvimento real é o que a criança faz com a ajuda de um adulto. O nível real é o que a criança faz sozinha. Com ajuda, é o nível potencial.
4 O reforço negativo diminui o comportamento porque aplica algo desagradável. O reforço negativo aumenta o comportamento porque retira algo desagradável.
5 Na pedagogia tecnicista, o professor é a autoridade central do processo. Na tecnicista, o centro é a técnica, e o professor é executor do planejamento.
6 A Escola Nova é uma tendência progressista na classificação de Libâneo. A Escola Nova é uma tendência liberal, nas versões progressivista e não diretiva.
7 Para Saviani, o marginalizado na Escola Nova é o ignorante. Na Escola Nova, é o rejeitado. O ignorante é o da pedagogia tradicional.
8 Os centros de interesse e o método global são de Montessori. Os centros de interesse e o método global são de Decroly.
9 A educação bancária, criticada por Freire, é a pedagogia tecnicista. A educação bancária é a crítica de Freire ao modelo tradicional de transmissão.
10 O pensamento egocêntrico e a falta de conservação marcam o estágio operatório concreto. Os dois marcam o estágio pré-operatório.

Fontes e data

  • [1] Conhecimento consolidado de livros didáticos de didática e de psicologia da educação (tendências pedagógicas liberais, behaviorismo, Piaget, Vygotsky, Wallon, Ausubel e Escola Nova).

Texto conferido em 15/10/2026.

Conferido em 15/10/2026.

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