O que mais cai
| Parte do tópico | Importância | O que a banca cobra |
|---|---|---|
| Noções introdutórias de gestão de projetos | Alta | Conceito de projeto; temporário e único; projeto e operação; projeto, programa e portfólio |
| Ciclo de vida de projetos | Alta | Fases e revisão de fase; curvas de custo, risco e influência; preditivo, iterativo, incremental e adaptativo |
| Estrutura organizacional na gestão de projetos | Alta | Funcional, matricial fraca, balanceada e forte, projetizada; autoridade do gerente; quem controla o orçamento |
| O papel do gerente de projetos | Média | Diferença para o gerente funcional; esfera de influência; competências; liderança e gestão |
| PMO: escritório de projetos | Alta | Tipos de suporte, de controle e diretivo; grau de controle; funções do PMO |
Do que trata o tópico
Este tópico apresenta a base da gestão de projetos segundo o Guia PMBOK, o guia de boas práticas publicado pelo Project Management Institute (PMI). Ele cobre o conceito de projeto e a diferença para operação, programa e portfólio, as fases do ciclo de vida, os tipos de estrutura organizacional e o poder que cada uma dá ao gerente, o papel do gerente de projetos e o escritório de projetos (PMO). Todos os outros tópicos da disciplina, como escopo, cronograma, custos e riscos, partem destes conceitos.
Base de referência
- Guia PMBOK (A Guide to the Project Management Body of Knowledge), 6ª edição, Project Management Institute: guia organizado em grupos de processos e áreas de conhecimento. É a edição de onde vem a maior parte das classificações deste tópico.
- Guia PMBOK, 7ª edição, Project Management Institute: guia organizado em princípios e domínios de desempenho.
- O PMI já publicou uma edição mais nova do Guia PMBOK, que volta a trazer processos ao lado de princípios e domínios. Os editais ainda cobram mais a 6ª e a 7ª edição.
O Guia PMBOK é uma publicação paga. Este material explica o conteúdo com palavras próprias e não transcreve trechos do guia.
Conteúdo
Noções introdutórias de gestão de projetos
Uma prefeitura decide construir uma creche num bairro novo. A obra tem data para começar, data para terminar e um resultado que não existia antes. Depois da inauguração, a prefeitura passa a matricular crianças, servir refeições e pagar professores todos os meses, sem data de fim. As duas atividades são diferentes: a obra é um projeto, e o funcionamento diário da creche é uma operação.
O Guia PMBOK define o projeto como um esforço temporário empreendido para criar um produto, um serviço ou um resultado único. A definição tem duas características que a banca cobra sempre: o projeto é temporário e o resultado é único. Uma terceira característica, a elaboração progressiva, aparece em quase todo material de concurso.
Temporário quer dizer que o projeto tem início e fim definidos. Temporário não quer dizer curto: um projeto pode durar anos, como a construção de uma hidrelétrica. O resultado do projeto também pode ser duradouro, porque a creche fica de pé por décadas, mas o esforço de construí-la acaba.
Único quer dizer que o resultado não é igual a nada feito antes, mesmo quando o projeto tem partes repetidas. Duas creches com a mesma planta são projetos diferentes, porque o terreno, a equipe, o prazo e os fornecedores mudam. Elementos repetitivos dentro de um projeto não tiram a unicidade do resultado.
A elaboração progressiva é o detalhamento do projeto aos poucos, à medida que a equipe obtém mais informações. No começo, a equipe conhece só o objetivo geral, e o plano ganha detalhe conforme o trabalho avança. A elaboração progressiva não é o mesmo que mudar o escopo sem controle: o que muda é o nível de detalhe, não o objetivo combinado.
Projeto e operação. A operação, ou trabalho operacional, é contínua e repetitiva e mantém a organização funcionando. O projeto termina quando atinge os objetivos, e a operação continua enquanto houver demanda. Os dois se encontram em momentos certos: na entrega do produto do projeto à operação, ao fim do ciclo de vida do produto e quando a operação melhora processos por meio de um projeto.
O projeto também pode terminar sem atingir os objetivos. Ele termina quando os objetivos são atingidos, quando fica claro que não serão ou não podem ser atingidos, quando o financiamento acaba, quando a necessidade deixa de existir, quando faltam recursos humanos ou físicos, ou quando o projeto é encerrado por motivo legal ou por conveniência. Por isso a afirmação "todo projeto termina com o objetivo atingido" está errada.
Projeto, programa e portfólio. O programa é um grupo de projetos relacionados, programas subsidiários e atividades de programa gerenciados de modo coordenado. O motivo de coordenar é obter benefícios que não se obtêm quando cada projeto é gerenciado sozinho. Um programa de alfabetização de um estado, por exemplo, reúne projetos de formação de professores, de material didático e de reforma de salas.
O portfólio é o conjunto de projetos, programas, portfólios subsidiários e operações gerenciados como grupo para alcançar objetivos estratégicos. Os componentes do portfólio não precisam ser interdependentes nem diretamente relacionados. O que une o portfólio é a estratégia e a escolha de onde a organização investe, não a ligação entre os trabalhos.
O gerenciamento de projetos é a aplicação de conhecimentos, habilidades, ferramentas e técnicas às atividades do projeto para cumprir os requisitos. O gerenciamento de programas busca os benefícios da coordenação, e o gerenciamento de portfólios busca o alinhamento com a estratégia e a escolha das prioridades. A pergunta de cada nível muda: o projeto pergunta "como fazer certo", o programa pergunta "como obter o benefício conjunto" e o portfólio pergunta "o que fazer".
Restrições do projeto. O gerente equilibra restrições que competem entre si, como escopo, cronograma, custo, qualidade, recursos e risco. A versão antiga dessa ideia é a restrição tripla: escopo, tempo e custo. Se uma restrição muda, ao menos uma outra sente o efeito, porque aumentar o escopo sem mexer no prazo costuma exigir mais custo.
Como o PMBOK se organiza. A 6ª edição organiza o trabalho em cinco grupos de processos: iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento. Ela também usa dez áreas de conhecimento: integração, escopo, cronograma, custos, qualidade, recursos, comunicações, riscos, aquisições e partes interessadas. A 7ª edição trocou essa organização por doze princípios e oito domínios de desempenho, mas a ideia de projeto, programa e portfólio continua a mesma.
Os doze princípios da 7ª edição tratam de administração responsável, equipe, partes interessadas, valor, pensamento sistêmico, liderança, adaptação ao contexto (tailoring), qualidade, complexidade, risco, adaptabilidade e resiliência, e mudança. Os oito domínios de desempenho são partes interessadas, equipe, abordagem de desenvolvimento e ciclo de vida, planejamento, trabalho do projeto, entrega, medição e incerteza. A 7ª edição dá ênfase à entrega de valor, e não só ao cumprimento de prazo e custo.
Exemplo resolvido: um tribunal tem cinco atividades em andamento. A tarefa é classificar cada uma como projeto, operação, programa ou portfólio.
- Implantar o processo eletrônico numa vara até dezembro: tem início, fim e resultado único, por isso é projeto.
- Protocolar as petições que chegam todos os dias: é contínua e repetitiva, por isso é operação.
- Reunir a implantação do processo eletrônico em todas as varas, o treinamento dos servidores e a digitalização do acervo, coordenados para reduzir o tempo dos processos: são projetos relacionados geridos juntos para um benefício comum, por isso é programa.
- Reunir todos os projetos, programas e operações do tribunal, escolhidos e priorizados pelo plano estratégico: é portfólio.
- Construir o segundo fórum com a mesma planta do primeiro: o resultado continua único, porque o terreno, o prazo e a equipe mudam, por isso é projeto.
Na prática, uma secretaria de saúde recebe verba para informatizar postos e para comprar ambulâncias. Os dois trabalhos não dependem um do outro, mas os dois atendem ao plano estratégico da secretaria. Eles ficam no mesmo portfólio, e não no mesmo programa, porque não há benefício que surja só da coordenação entre eles.
A troca mais comum da banca é entre programa e portfólio. No programa, os componentes são relacionados e geridos juntos para obter benefícios. No portfólio, os componentes podem não ter relação nenhuma entre si e estão juntos pela estratégia.
O erro comum é achar que temporário significa curto ou que o produto do projeto também é temporário. Outro erro frequente é dizer que o portfólio só reúne projetos e programas: ele também pode reunir operações.
Um projeto é um esforço temporário, e por isso o produto, o serviço ou o resultado que ele cria também é temporário, deixando de existir quando o projeto é encerrado.
Comentário:
Regra: temporário se refere ao esforço do projeto, que tem início e fim; o resultado criado pode durar muito tempo depois do encerramento.
A afirmação erra em o produto, o serviço ou o resultado que ele cria também é temporário, deixando de existir quando o projeto é encerrado: o projeto de construir um prédio acaba, mas o prédio continua de pé por décadas.
Resultado: errado.
Uma agência reguladora acompanha, num mesmo painel, a reforma da sede, um conjunto de projetos coordenados para digitalizar a fiscalização e o atendimento telefônico ao público, todos escolhidos e priorizados conforme o plano estratégico do órgão. Sobre esse conjunto, assinale a alternativa correta.
- A) O conjunto é um programa, porque todos os componentes estão subordinados ao mesmo plano estratégico.
- B) O atendimento telefônico não pode fazer parte do conjunto, porque só projetos e programas entram num portfólio.
- C) O conjunto é um portfólio, e os projetos de digitalização coordenados entre si formam um programa dentro dele.
- D) A reforma da sede só pode entrar no conjunto se for interdependente dos projetos de digitalização.
- E) O conjunto é um projeto, porque tem um painel único de acompanhamento e um mesmo gestor.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o programa reúne componentes relacionados e geridos de forma coordenada para obter benefícios conjuntos; o alinhamento estratégico de componentes sem relação entre si é a marca do portfólio.
A alternativa erra em O conjunto é um programa: a reforma da sede e o atendimento telefônico não têm relação com a digitalização, e o que os une é a estratégia.
B) Errada.
Regra: o portfólio pode reunir projetos, programas, portfólios subsidiários e operações.
A alternativa erra em só projetos e programas entram num portfólio: a operação contínua de atendimento também pode fazer parte do portfólio.
C) Certa.
Regra: o portfólio agrupa componentes pela estratégia, e um programa pode ser componente do portfólio.
Os projetos de digitalização coordenados formam um programa, e esse programa, a reforma e o atendimento compõem o portfólio do órgão.
D) Errada.
Regra: os componentes do portfólio não precisam ser interdependentes nem diretamente relacionados.
A alternativa erra em só pode entrar no conjunto se for interdependente dos projetos de digitalização: a interdependência é traço do programa, não do portfólio.
E) Errada.
Regra: o projeto é um esforço temporário para criar um resultado único; o painel de acompanhamento não transforma vários trabalhos num projeto.
A alternativa erra em O conjunto é um projeto: o conjunto tem uma operação contínua, que não tem fim definido, e vários projetos com resultados diferentes.
Resultado: alternativa C.
Como a banca cobra: a banca troca "temporário" por "de curta duração", diz que o resultado do projeto também é temporário e mistura as definições de programa e de portfólio, em especial a exigência de relação entre os componentes.
Ciclo de vida de projetos
Uma equipe que constrói um sistema para uma autarquia não faz tudo de uma vez. Primeiro ela entende a necessidade, depois planeja, depois constrói e testa, e por fim entrega e encerra. Essa sequência é o ciclo de vida do projeto: a série de fases pelas quais o projeto passa, do início ao término.
O ciclo de vida dá a estrutura básica para gerenciar o projeto, qualquer que seja o trabalho. As fases podem ser sequenciais, iterativas ou sobrepostas, e os nomes, a quantidade e a duração das fases dependem da organização, do setor e da tecnologia. Por isso não existe um ciclo de vida único e obrigatório para todo projeto.
Fases genéricas. Mesmo com nomes diferentes, quase todo projeto passa por quatro momentos: o início do projeto, a organização e preparação, a execução do trabalho e o encerramento. Essa estrutura genérica é usada para comparar projetos de áreas diferentes.
Fase e revisão de fase. A fase do projeto é um conjunto de atividades relacionadas de forma lógica que termina com a conclusão de uma ou mais entregas. Ao fim da fase ocorre a revisão de fase, também chamada de portão de fase (phase gate), ponto de decisão, ponto de controle ou ponto de cancelamento (kill point). Na revisão, o desempenho e o andamento são comparados com os documentos do projeto, e a decisão pode ser seguir para a próxima fase, seguir com mudanças, encerrar o projeto, repetir a fase ou permanecer na fase.
Relação entre fases. Na relação sequencial, uma fase só começa quando a anterior termina, o que reduz a incerteza, mas aumenta o prazo. Na relação sobreposta, a fase seguinte começa antes do fim da anterior, o que encurta o prazo, mas aumenta o risco de retrabalho. Iniciar fases em paralelo para ganhar tempo é a técnica de compressão chamada paralelismo (fast tracking).
Grupos de processos não são fases. Os cinco grupos de processos da 6ª edição (iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, e encerramento) não são as fases do ciclo de vida. Os grupos de processos podem se repetir dentro de cada fase: uma fase de projeto básico tem a sua própria iniciação, o seu planejamento e o seu encerramento. A banca troca os dois conceitos com frequência.
Comportamento ao longo do ciclo. O PMBOK descreve três tendências que valem para a maioria dos projetos. A primeira é o custo e o número de pessoas: são baixos no início, atingem o pico durante a execução do trabalho e caem rápido no encerramento. A segunda é o risco e a incerteza: são maiores no início e diminuem à medida que as decisões são tomadas e as entregas são aceitas.
A terceira tendência é a capacidade das partes interessadas de influenciar o produto final sem impacto grande no custo e no prazo. Essa capacidade é maior no início e diminui ao longo do projeto. Em sentido oposto, o custo de fazer mudanças e de corrigir erros cresce à medida que o projeto se aproxima do fim.
Exemplo resolvido: uma equipe recebe, em momentos diferentes, o mesmo pedido de mudança no layout de um sistema. A tarefa é dizer em que momento a mudança custa menos e por quê.
- Na fase de levantamento de requisitos, a mudança altera só um documento, e o custo é o menor.
- Na fase de construção, a mudança exige refazer telas já programadas, e o custo sobe.
- Na fase de testes, a mudança exige refazer as telas, repetir os testes e revisar o manual, e o custo sobe mais.
- Depois da entrega, a mudança exige tudo isso e ainda um novo treinamento dos usuários, e o custo é o maior.
- Conclusão: a mudança custa menos no começo, porque a influência das partes interessadas é máxima e o custo de mudança é mínimo nesse momento.
Ciclo de vida do projeto e ciclo de vida do produto. O ciclo de vida do produto vai da concepção do produto até a retirada do mercado ou o descarte. Ele é mais longo e pode conter vários projetos, como o projeto de lançamento, os projetos de melhoria e o projeto de desativação. O ciclo de vida do projeto termina com a entrega, e o produto continua a sua vida na operação.
Tipos de ciclo de vida de desenvolvimento. Dentro do ciclo de vida do projeto, uma ou mais fases desenvolvem o produto, e o jeito de desenvolver define o tipo de ciclo. A 6ª edição descreve uma faixa que vai do preditivo ao adaptativo, com o iterativo e o incremental no meio, e o híbrido como combinação.
- Preditivo (ou em cascata): o escopo, o prazo e o custo são definidos nas fases iniciais. Mudanças no escopo são gerenciadas com cuidado. Serve bem quando os requisitos são claros e estáveis, como numa obra com projeto aprovado.
- Iterativo: o escopo do projeto costuma ser definido no início, mas as estimativas de prazo e de custo são revistas conforme a equipe entende melhor o produto. O produto é desenvolvido em ciclos repetidos que o refinam.
- Incremental: o produto é entregue em partes que somam funcionalidade a cada entrega. A entrega final só é considerada completa depois da última parte.
- Adaptativo (ágil ou orientado a mudanças): o escopo detalhado de cada iteração é definido e aprovado antes do início da iteração. As iterações são curtas e o cliente avalia o resultado com frequência.
- Híbrido: combina o preditivo e o adaptativo. As partes bem conhecidas seguem o preditivo e as partes incertas seguem o adaptativo.
A diferença entre iterativo e incremental confunde muitos alunos. O iterativo volta várias vezes ao mesmo produto para melhorá-lo, como uma tela que passa por várias versões até ficar boa. O incremental acrescenta pedaços novos, como um sistema que primeiro entrega o cadastro, depois a consulta e depois os relatórios.
A 7ª edição trata o tema no domínio de desempenho da abordagem de desenvolvimento e ciclo de vida. Ela usa três abordagens de desenvolvimento: preditiva, híbrida e adaptativa. As abordagens iterativa e incremental aparecem como formas de trabalho dentro dessa faixa.
O fluxo a seguir resume as fases genéricas com a revisão de fase entre elas.
- Início do projeto
- Organização e preparação
- A revisão de fase aprova a continuação?SimExecução do trabalhoNãoEncerra o projeto ou repete a fase
- Encerramento do projeto
Na prática, um órgão contrata a construção de um aplicativo de agendamento. Os requisitos ainda mudam conforme os cidadãos testam as telas, e a direção quer ver algo funcionando em poucas semanas. A teoria indica um ciclo adaptativo, com iterações curtas e o escopo de cada iteração aprovado antes de ela começar.
O erro comum é dizer que o risco e a influência das partes interessadas crescem ao longo do projeto. Os dois são maiores no início. O que cresce é o custo das mudanças.
Ao longo do ciclo de vida do projeto, a capacidade das partes interessadas de influenciar as características finais do produto sem afetar de forma significativa o custo é maior no início do projeto e diminui à medida que o projeto avança, enquanto o custo de mudanças e de correção de erros aumenta.
Comentário:
Regra: a influência das partes interessadas é máxima no começo e cai ao longo do ciclo; o custo de mudar ou corrigir cresce conforme o projeto se aproxima do fim.
A afirmação descreve as duas curvas na direção certa. As duas tendências são opostas: quanto mais tarde a mudança, menor a influência e maior o custo.
Resultado: certo.
Uma equipe desenvolve um sistema de protocolo. O escopo completo foi definido no início do projeto, mas as estimativas de prazo e de custo são revistas a cada ciclo, à medida que a equipe entende melhor o produto, e o mesmo módulo passa por várias versões até ser aprovado. O tipo de ciclo de vida de desenvolvimento descrito é o
- A) iterativo.
- B) preditivo, porque o escopo foi definido no início do projeto.
- C) adaptativo, porque o escopo detalhado de cada ciclo é aprovado antes de o ciclo começar.
- D) incremental, porque cada ciclo acrescenta uma funcionalidade nova ao produto.
- E) sequencial, porque cada fase só começa depois da revisão da fase anterior.
Comentário:
A) Certa.
Regra: no ciclo iterativo, o escopo costuma ser definido no início e as estimativas de prazo e custo são revistas a cada ciclo, que refina o mesmo produto.
O caso tem os dois sinais do iterativo: escopo definido cedo e estimativas revistas. O mesmo módulo passa por várias versões, o que mostra o refinamento.
B) Errada.
Regra: no preditivo, escopo, prazo e custo são definidos nas fases iniciais, e as estimativas não são revistas a cada ciclo.
A alternativa erra em preditivo, porque o escopo foi definido no início do projeto: o escopo definido cedo também existe no iterativo, e a revisão das estimativas afasta o preditivo.
C) Errada.
Regra: no adaptativo, o escopo detalhado de cada iteração é definido e aprovado antes de cada iteração, e não todo no início.
A alternativa erra em adaptativo, porque o escopo detalhado de cada ciclo é aprovado antes de o ciclo começar: o caso diz que o escopo completo foi definido no início.
D) Errada.
Regra: o incremental entrega partes novas que somam funcionalidade; o iterativo volta ao mesmo produto para refiná-lo.
A alternativa erra em incremental, porque cada ciclo acrescenta uma funcionalidade nova ao produto: no caso, o mesmo módulo é refeito, e nada novo é acrescentado.
E) Errada.
Regra: sequencial descreve a relação entre fases do projeto, e não um tipo de ciclo de vida de desenvolvimento.
A alternativa erra em sequencial: a relação entre fases não é o que distingue os tipos de ciclo de desenvolvimento.
Resultado: alternativa A.
Como a banca cobra: a banca inverte a direção das curvas de custo, risco e influência, confunde fases com grupos de processos e troca as definições de iterativo, incremental e adaptativo.
Estrutura organizacional na gestão de projetos
O mesmo projeto pode correr de forma muito diferente em duas organizações. Numa, o gerente de projetos pede cada pessoa emprestada ao chefe do departamento e não decide sobre o orçamento. Na outra, ele tem equipe própria, em tempo integral, e controla o dinheiro. A estrutura organizacional explica essa diferença: ela define como a autoridade, os recursos e a comunicação se distribuem na organização.
A estrutura é um fator ambiental da empresa, isto é, uma condição que o gerente de projetos não controla e que influencia o projeto. O PMBOK compara as estruturas por alguns critérios: a autoridade do gerente de projetos, a disponibilidade de recursos para o projeto, quem gerencia o orçamento, o papel do gerente de projetos e a equipe administrativa do projeto. A banca cobra a faixa que vai da funcional à projetizada, com as três matriciais no meio.
Estrutura funcional. A organização se divide em departamentos por especialidade, como engenharia, finanças e jurídico, e cada empregado tem um único chefe. O projeto acontece dentro de um departamento ou passa de um para outro, e o gerente de projetos tem pouca ou nenhuma autoridade. Quem controla o orçamento é o gerente funcional, e o papel de gerente de projetos é de tempo parcial, muitas vezes exercido como coordenação.
A estrutura funcional tem vantagens claras: a especialização técnica, a carreira definida dentro do departamento e um chefe único para cada pessoa. As desvantagens aparecem nos projetos: a comunicação entre departamentos é lenta, as decisões sobem pela hierarquia, e o projeto disputa atenção com o trabalho de rotina do departamento.
Estrutura projetizada (orientada a projetos). A organização se divide pelos projetos, e a equipe fica junta, muitas vezes no mesmo local. O gerente de projetos tem autoridade alta, quase total, controla o orçamento e trabalha em tempo integral, com equipe administrativa própria também em tempo integral. A disponibilidade de recursos para o projeto é alta.
A projetizada dá foco, comunicação rápida e lealdade ao projeto. As desvantagens são a duplicação de recursos, porque cada projeto tem os seus especialistas, a perda de troca técnica entre especialistas da mesma área e a insegurança da equipe ao fim do projeto, quando as pessoas não têm um departamento para onde voltar.
Estrutura matricial. A matricial combina as duas anteriores: a pessoa continua no departamento funcional e é cedida ao projeto, e por isso responde a dois chefes, o gerente funcional e o gerente de projetos. A matriz se divide em fraca, balanceada e forte, conforme o poder do gerente de projetos. Quanto mais forte a matriz, mais a estrutura se aproxima da projetizada.
- Matricial fraca: fica mais perto da funcional. O gerente de projetos tem autoridade baixa, trabalha em tempo parcial e atua como coordenador ou facilitador. O gerente funcional controla o orçamento.
- Matricial balanceada: o gerente de projetos tem autoridade de baixa a moderada. Na 6ª edição, ele trabalha em tempo parcial, e a equipe administrativa também é de tempo parcial. O orçamento é gerenciado de forma mista, pelo gerente funcional e pelo gerente de projetos.
- Matricial forte: fica mais perto da projetizada. O gerente de projetos tem autoridade de moderada a alta, trabalha em tempo integral e controla o orçamento, com equipe administrativa em tempo integral.
A 5ª edição do PMBOK punha o gerente da matricial balanceada em tempo integral, e as bancas usam as duas versões. Por isso, o critério seguro para separar a balanceada da forte é o orçamento (misto na balanceada, do gerente de projetos na forte) e a autoridade (baixa a moderada na balanceada, moderada a alta na forte).
Facilitador e coordenador. Na funcional e na matricial fraca, o papel do gerente de projetos aparece com dois nomes. O facilitador (expediter) apoia o projeto, acompanha as tarefas e repassa informação, mas não toma decisões. O coordenador tem algum poder de decisão e responde a um gerente de nível mais alto.
A matricial usa melhor os recursos, porque um especialista pode atender a vários projetos, e a pessoa mantém a casa no departamento ao fim do projeto. A desvantagem principal é o duplo comando, que gera conflito de prioridade e exige negociação constante entre o gerente funcional e o gerente de projetos. A comunicação também fica mais complexa.
Outras estruturas na 6ª edição. A 6ª edição acrescenta outros tipos à comparação. A orgânica ou simples é flexível, com pessoas trabalhando lado a lado, e o gerente de projetos tem pouca autoridade. A multidivisional se divide por produto, região ou tipo de cliente, a virtual é uma rede de pessoas e unidades ligadas a distância, e a híbrida mistura tipos. A estrutura de PMO também aparece na lista, com autoridade alta a quase total para o gerente de projetos.
Exemplo resolvido: um órgão tem as características abaixo. A tarefa é identificar a estrutura.
- A analista de sistemas fica lotada na diretoria de tecnologia e é cedida ao projeto do novo portal. Isso indica matriz, porque a pessoa tem dois chefes.
- A gerente do projeto trabalha em tempo integral no projeto. Isso afasta a matricial fraca e, pela 6ª edição, também a balanceada, em que o papel é de tempo parcial.
- A gerente do projeto controla o orçamento e tem equipe administrativa própria em tempo integral. Isso afasta a balanceada, em que o orçamento é misto.
- As pessoas voltam à diretoria de origem quando o projeto acaba. Isso afasta a projetizada, em que não há departamento de origem.
- Conclusão: a estrutura é matricial forte.
Na prática, uma secretaria de obras organizada em departamentos de engenharia, compras e jurídico recebe um projeto de pavimentação. O engenheiro que coordena o projeto não pode exigir prazos do departamento de compras e não aprova despesas, porque o orçamento fica com os chefes de departamento. O cenário descreve a estrutura funcional, e o caminho para acelerar o projeto é negociar com os gerentes funcionais.
O erro comum é inverter a matricial fraca e a forte, ou dizer que na forte o gerente funcional ainda controla o orçamento. Outro erro é dizer que a projetizada não tem desvantagens: a equipe sem departamento de origem ao fim do projeto é a desvantagem mais cobrada.
Na estrutura matricial fraca, o gerente de projetos tem autoridade de moderada a alta, trabalha em tempo integral e controla o orçamento do projeto, enquanto o gerente funcional apenas cede os recursos.
Comentário:
Regra: na matricial fraca, o gerente de projetos tem autoridade baixa, trabalha em tempo parcial e o gerente funcional controla o orçamento; autoridade de moderada a alta e controle do orçamento são traços da matricial forte.
A afirmação erra em o gerente de projetos tem autoridade de moderada a alta, trabalha em tempo integral e controla o orçamento do projeto: na matricial fraca o gerente de projetos atua como coordenador ou facilitador, e quem manda mais é o gerente funcional.
Resultado: errado.
Uma empresa de engenharia organiza as equipes por obra. Cada equipe fica no canteiro, sob o comando do gerente da obra, que aprova as despesas e escolhe os fornecedores. Os engenheiros de estruturas de uma obra não trocam experiências com os de outra obra, e muitos ficam sem função quando a obra termina. Sobre essa organização, assinale a alternativa correta.
- A) É uma estrutura funcional, porque cada engenheiro responde a um único chefe.
- B) É uma estrutura matricial balanceada, porque o orçamento é dividido entre o gerente da obra e o chefe de engenharia.
- C) É uma estrutura matricial forte, porque o gerente da obra controla o orçamento e a equipe volta ao departamento de origem.
- D) É uma estrutura projetizada, e a falta de troca técnica entre especialistas e a insegurança ao fim da obra são desvantagens dela.
- E) É uma estrutura orgânica ou simples, porque a equipe trabalha lado a lado no canteiro.
Comentário:
A) Errada.
Regra: na funcional, a organização se divide por especialidade, o chefe único é o gerente funcional e o gerente de projetos tem pouca ou nenhuma autoridade.
A alternativa erra em É uma estrutura funcional: o chefe único no caso é o gerente da obra, com autoridade alta, e não um chefe de departamento.
B) Errada.
Regra: na balanceada, o orçamento é misto; no caso, só o gerente da obra aprova despesas.
A alternativa erra em o orçamento é dividido entre o gerente da obra e o chefe de engenharia: o caso não traz chefe de engenharia nem divisão do orçamento.
C) Errada.
Regra: na matricial forte, a pessoa continua ligada a um departamento funcional e volta a ele ao fim do projeto.
A alternativa erra em a equipe volta ao departamento de origem: no caso, os engenheiros ficam sem função ao fim da obra, o que mostra que não há departamento de origem.
D) Certa.
Regra: na projetizada, a organização se divide por projeto, o gerente tem autoridade alta e controla o orçamento; as desvantagens incluem a duplicação de especialistas, a perda de troca técnica e a falta de lugar para a equipe ao fim do projeto.
Todos os traços do caso apontam a projetizada: equipe por obra, gerente com poder sobre despesas e fornecedores, especialistas isolados e insegurança no encerramento.
E) Errada.
Regra: na orgânica ou simples, a estrutura é flexível e o gerente de projetos tem pouca autoridade.
A alternativa erra em É uma estrutura orgânica ou simples: o gerente da obra tem autoridade alta, o que não combina com a orgânica.
Resultado: alternativa D.
Como a banca cobra: a banca troca o nível de autoridade e o controle do orçamento entre as matrizes fraca, balanceada e forte, e pede a vantagem ou a desvantagem de cada estrutura num caso concreto.
O papel do gerente de projetos
Um projeto reúne pessoas de áreas diferentes, com chefes diferentes e interesses que nem sempre combinam. Alguém precisa juntar esse trabalho num resultado só, falar com o patrocinador, com os usuários e com os fornecedores, e decidir o que fazer quando o prazo aperta. Essa pessoa é o gerente de projetos: a pessoa designada pela organização executora para liderar a equipe responsável por alcançar os objetivos do projeto.
Diferença para outros gerentes. O gerente funcional supervisiona uma unidade funcional ou de negócio, como o departamento de compras, e cuida do trabalho contínuo dessa unidade. O gerente de operações cuida de que as operações do negócio sejam eficientes. O gerente de projetos cuida de um esforço temporário e responde pelo alcance dos objetivos do projeto.
O gerente de projetos também não é o patrocinador. O patrocinador é a pessoa ou o grupo que fornece os recursos e o apoio ao projeto e que ajuda a remover obstáculos. Em muitos casos, é o patrocinador que autoriza o projeto e dá ao gerente a autoridade para usar os recursos.
Esfera de influência. O PMBOK descreve o alcance da atuação do gerente em vários níveis. No projeto, ele lidera a equipe, conversa com o patrocinador e com as demais partes interessadas e equilibra as restrições. Na organização, ele interage com outros gerentes de projetos, com o PMO e com a alta direção, e defende o projeto na disputa por recursos.
No setor, o gerente acompanha as tendências da área, como novas tecnologias e mudanças de mercado. Na disciplina profissional, ele transfere conhecimento, participa de comunidades e se capacita. Nas disciplinas transversais, ele ajuda a levar a outras áreas da organização práticas como a gestão de mudanças e a melhoria contínua.
Competências. A 6ª edição usa o Triângulo de Talentos do PMI, que reúne três grupos de competências. O primeiro é o gerenciamento técnico de projetos, isto é, o domínio de escopo, cronograma, custos, riscos e outras áreas. O segundo é a liderança, com a capacidade de orientar, motivar e dirigir uma equipe.
O terceiro grupo é o gerenciamento estratégico e de negócios, que é entender a organização, o setor e o motivo do projeto, para alinhar o trabalho aos objetivos da empresa. O PMI defende que o domínio técnico sozinho não basta: o gerente precisa das três competências. A banca troca esse terceiro grupo por "gerenciamento operacional" ou por "conhecimento técnico do produto". Desde 2022, o PMI usa outros nomes para os três grupos: Formas de Trabalhar (Ways of Working), Habilidades de Poder (Power Skills) e Visão de Negócios (Business Acumen).
Liderança e gestão. A gestão dirige as pessoas de um ponto a outro usando um conjunto conhecido de comportamentos e a autoridade do cargo. A liderança guia as pessoas por meio do diálogo, da influência e do exemplo. A gestão foca em controle e em fazer certo as coisas, e a liderança foca em inspirar confiança e em fazer as coisas certas.
O gerente usa as duas, conforme a situação. O PMBOK cita estilos de liderança como o laissez-faire (que dá autonomia à equipe), o transacional (que recompensa por resultado e corrige o desvio), o líder servidor (que serve a equipe antes de liderar), o transformacional (que inspira a inovação), o carismático e o interacional (que mistura o transacional, o transformacional e o carismático).
Integração. O gerente de projetos é o responsável pela integração do projeto. Ele integra no nível de processo, ao combinar os processos de gerenciamento; no nível cognitivo, ao aplicar a experiência e o conhecimento às situações do projeto; e no nível de contexto, ao considerar o ambiente da organização e as novas tecnologias. Na 7ª edição, a ênfase passa à liderança: a liderança pode ser compartilhada pela equipe, e o gerente atua como líder servidor em projetos adaptativos.
Exemplo resolvido: o gerente de projetos de uma universidade federal enfrenta quatro situações. A tarefa é dizer em que nível da esfera de influência cada uma está.
- Ele resolve um conflito entre dois analistas da equipe: nível do projeto.
- Ele negocia com outro gerente de projetos o uso do mesmo laboratório: nível da organização.
- Ele estuda uma nova tecnologia de ensino a distância que muda o mercado de cursos: nível do setor.
- Ele apresenta as lições aprendidas num encontro de gerentes de projetos: nível da disciplina profissional.
Na prática, um gerente de projetos de uma matricial fraca precisa de um técnico que está ocupado com a rotina do departamento. Ele não tem autoridade para exigir o técnico, e por isso usa a liderança e a negociação com o gerente funcional, mostrando o benefício do projeto para o departamento. A situação mostra por que a competência de liderança pesa mais quando a autoridade formal é baixa.
O erro comum é dizer que o gerente de projetos é quem financia o projeto ou que ele precisa ser o maior especialista técnico do produto. Quem financia e apoia é o patrocinador, e o gerente precisa dominar o gerenciamento, a liderança e o negócio, não ser o melhor técnico da equipe.
Segundo o PMBOK, o gerente de projetos difere do gerente funcional porque o gerente funcional supervisiona uma unidade funcional ou de negócio, enquanto o gerente de projetos é designado pela organização executora para liderar a equipe responsável por alcançar os objetivos do projeto.
Comentário:
Regra: o gerente funcional supervisiona uma unidade funcional ou de negócio; o gerente de projetos é designado pela organização executora para liderar a equipe que alcança os objetivos do projeto.
A afirmação descreve os dois papéis de forma correta. O gerente funcional cuida da rotina da unidade, e o gerente de projetos cuida de um esforço temporário.
Resultado: certo.
O Triângulo de Talentos do PMI, apresentado na 6ª edição do Guia PMBOK, reúne as competências que o gerente de projetos precisa ter. Assinale a alternativa que traz os três grupos de competências desse triângulo.
- A) Gerenciamento técnico de projetos, liderança e gerenciamento operacional.
- B) Conhecimento técnico do produto, liderança e negociação.
- C) Gerenciamento técnico de projetos, comunicação e gerenciamento de portfólios.
- D) Liderança, gerenciamento operacional e conhecimento técnico do produto.
- E) Gerenciamento técnico de projetos, liderança e gerenciamento estratégico e de negócios.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o Triângulo de Talentos reúne gerenciamento técnico de projetos, liderança e gerenciamento estratégico e de negócios.
A alternativa erra em gerenciamento operacional: o terceiro grupo é o gerenciamento estratégico e de negócios.
B) Errada.
Regra: o grupo técnico do triângulo é o gerenciamento técnico de projetos, e não o conhecimento técnico do produto.
A alternativa erra em Conhecimento técnico do produto e em negociação: negociação faz parte da liderança, e o terceiro grupo é o gerenciamento estratégico e de negócios.
C) Errada.
Regra: comunicação faz parte da competência de liderança, e o gerenciamento de portfólios não é um grupo do triângulo.
A alternativa erra em comunicação e gerenciamento de portfólios: os dois grupos certos são liderança e gerenciamento estratégico e de negócios.
D) Errada.
Regra: o triângulo não tem gerenciamento operacional nem conhecimento técnico do produto.
A alternativa erra em gerenciamento operacional e conhecimento técnico do produto: os grupos certos são gerenciamento técnico de projetos e gerenciamento estratégico e de negócios.
E) Certa.
Regra: o Triângulo de Talentos reúne gerenciamento técnico de projetos, liderança e gerenciamento estratégico e de negócios.
A alternativa traz os três grupos certos. O PMI defende que o gerente precisa dos três, e não só do domínio técnico.
Resultado: alternativa E.
Como a banca cobra: a banca troca o gerente de projetos pelo gerente funcional ou pelo patrocinador e troca os grupos do Triângulo de Talentos por competências parecidas, como gerenciamento operacional.
PMO: escritório de projetos
Uma secretaria de governo tem vinte projetos ao mesmo tempo. Cada gerente usa um modelo de cronograma, um formato de relatório e um jeito próprio de registrar os riscos, e a direção não consegue comparar o andamento dos projetos. O escritório de projetos (PMO, de Project Management Office) resolve esse problema: ele é uma estrutura organizacional que padroniza os processos de governança dos projetos e facilita o compartilhamento de recursos, metodologias, ferramentas e técnicas.
O PMO não é obrigatório, e cada organização decide o tamanho e o poder do seu escritório. O PMBOK classifica o PMO em três tipos, pelo grau de controle e de influência que ele exerce sobre os projetos. A banca cobra a ordem dos tipos e o que cada um faz.
- PMO de suporte: tem papel consultivo. Ele fornece modelos, boas práticas, treinamento, acesso a informações e lições aprendidas de outros projetos. Funciona como repositório de projetos, e o grau de controle é baixo.
- PMO de controle: dá suporte e exige conformidade. A conformidade pode ser a adoção de uma metodologia, o uso de modelos e formulários, e a sujeição à governança. O grau de controle é moderado.
- PMO diretivo: assume o controle dos projetos e os gerencia diretamente. Os gerentes de projetos são designados pelo PMO e se reportam a ele. O grau de controle é alto.
Funções do PMO. O PMBOK lista funções que o PMO pode exercer. Ele gerencia os recursos compartilhados entre os projetos, identifica e desenvolve a metodologia, as boas práticas e os padrões, e oferece treinamento, mentoria e orientação aos gerentes. Ele também monitora a conformidade com os padrões por meio de auditorias, desenvolve políticas, procedimentos e modelos, e coordena a comunicação entre os projetos.
PMO e gerente de projetos. O gerente de projetos foca nos objetivos do seu projeto, controla os recursos atribuídos a ele e gerencia as restrições de escopo, prazo, custo e qualidade daquele projeto. O PMO olha o conjunto: gerencia as grandes mudanças de escopo do programa, otimiza o uso de recursos compartilhados entre todos os projetos, gerencia metodologias e padrões e cuida dos riscos e das oportunidades do conjunto. O PMO não substitui o gerente de projetos, salvo no tipo diretivo, em que os gerentes se reportam ao escritório.
Exemplo resolvido: três órgãos têm escritórios de projetos diferentes. A tarefa é classificar cada um.
- No órgão A, o escritório publica modelos de plano e de relatório na intranet e organiza cursos, mas cada gerente decide se usa os modelos: PMO de suporte, porque é consultivo e não exige conformidade.
- No órgão B, o escritório exige que todo projeto use a metodologia oficial e faz auditorias para conferir: PMO de controle, porque exige conformidade e confere.
- No órgão C, os gerentes de projetos são nomeados pelo escritório, respondem ao chefe do escritório e o escritório gerencia diretamente os projetos: PMO diretivo, porque assume o controle dos projetos.
Na prática, uma prefeitura cria um PMO para acompanhar as obras e percebe que os gerentes ignoram os modelos de relatório. Se a prefeitura quer que os relatórios sigam um padrão, ela precisa dar ao escritório o poder de exigir e conferir, o que transforma o PMO de suporte num PMO de controle. Se ela quer que o escritório comande as obras, o tipo certo é o diretivo.
O erro comum é trocar a ordem do grau de controle ou dizer que o PMO de controle gerencia os projetos diretamente. O PMO de controle exige conformidade, e só o diretivo gerencia os projetos e tem os gerentes reportando a ele.
No PMO de suporte, o escritório de projetos exerce papel consultivo, fornecendo modelos, boas práticas, treinamento e lições aprendidas, e o grau de controle que ele exerce sobre os projetos é baixo.
Comentário:
Regra: o PMO de suporte é consultivo, funciona como repositório de modelos, boas práticas, treinamento e lições aprendidas, e o seu grau de controle é baixo.
A afirmação descreve o PMO de suporte de forma correta. Ele oferece apoio, mas não obriga o gerente a usar o que oferece.
Resultado: certo.
Um ministério cria um escritório de projetos que fornece modelos e treinamento, exige que todos os projetos sigam a metodologia oficial e realiza auditorias para conferir o uso dos formulários. Os gerentes de projetos, porém, continuam subordinados às suas diretorias e conduzem os próprios projetos. Esse escritório é um PMO
- A) de suporte, porque fornece modelos e treinamento aos gerentes de projetos.
- B) de controle, porque oferece apoio e exige conformidade com a metodologia, sem gerenciar os projetos diretamente.
- C) diretivo, porque realiza auditorias para conferir o uso dos formulários.
- D) diretivo, porque exige que todos os projetos sigam a metodologia oficial.
- E) de suporte, porque os gerentes de projetos continuam subordinados às suas diretorias.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o PMO de suporte fornece modelos e treinamento, mas não exige conformidade.
A alternativa erra em de suporte: o escritório do caso exige a metodologia e audita, o que vai além do papel consultivo.
B) Certa.
Regra: o PMO de controle dá suporte e exige conformidade, com metodologia, modelos, formulários e governança, e o seu grau de controle é moderado.
O caso traz o apoio (modelos e treinamento), a exigência (metodologia oficial) e a conferência (auditorias). Os gerentes continuam a conduzir os projetos, o que afasta o diretivo.
C) Errada.
Regra: a auditoria de conformidade é função do PMO de controle; o PMO diretivo é o que assume o controle e gerencia diretamente os projetos.
A alternativa erra em diretivo, porque realiza auditorias para conferir o uso dos formulários: auditar não é gerenciar o projeto.
D) Errada.
Regra: exigir a metodologia é traço do PMO de controle; no diretivo, os gerentes de projetos se reportam ao PMO.
A alternativa erra em diretivo, porque exige que todos os projetos sigam a metodologia oficial: os gerentes do caso respondem às diretorias, e não ao escritório.
E) Errada.
Regra: a subordinação dos gerentes às diretorias afasta o PMO diretivo, mas não define o PMO de suporte; o que separa suporte e controle é a exigência de conformidade.
A alternativa erra em de suporte, porque os gerentes de projetos continuam subordinados às suas diretorias: o escritório exige conformidade e audita, por isso é de controle.
Resultado: alternativa B.
Como a banca cobra: a banca descreve um escritório num caso e pede o tipo, trocando a exigência de conformidade (controle) pela gestão direta dos projetos (diretivo) e invertendo a ordem do grau de controle.
- Fundamentos de gestão de projetos
- Noções introdutórias
- Projeto temporário e único
- Elaboração progressiva
- Projeto e operação
- Programa e portfólio
- Restrições concorrentes
- Ciclo de vida
- Fases genéricas
- Revisão de fase
- Fases sequenciais e sobrepostas
- Curvas de custo, risco e influência
- Preditivo e adaptativo
- Iterativo e incremental
- Estrutura organizacional
- Funcional
- Matricial fraca, balanceada e forte
- Projetizada
- Facilitador e coordenador
- Gerente de projetos
- Gerente funcional e patrocinador
- Esfera de influência
- Triângulo de Talentos
- Liderança e gestão
- PMO
- De suporte
- De controle
- Diretivo
- Noções introdutórias
Quadros e comparações
A tabela compara projeto, programa, portfólio e operação.
| Conceito | O que é | O que une os componentes | Tem fim definido |
|---|---|---|---|
| Projeto | Esforço temporário para um resultado único | Não se aplica | Sim |
| Programa | Projetos e atividades relacionados geridos de modo coordenado | Benefício que só a coordenação gera | Sim, quando os benefícios são entregues |
| Portfólio | Projetos, programas e operações geridos como grupo | Objetivos estratégicos | Não necessariamente |
| Operação | Trabalho contínuo e repetitivo | Não se aplica | Não |
A tabela compara as estruturas organizacionais pelos critérios do PMBOK.
| Estrutura | Autoridade do gerente de projetos | Quem controla o orçamento | Papel do gerente de projetos |
|---|---|---|---|
| Funcional | Pouca ou nenhuma | Gerente funcional | Tempo parcial, coordenação |
| Matricial fraca | Baixa | Gerente funcional | Tempo parcial, coordenador ou facilitador |
| Matricial balanceada | Baixa a moderada | Misto | Tempo parcial na 6ª edição |
| Matricial forte | Moderada a alta | Gerente de projetos | Tempo integral |
| Projetizada | Alta a quase total | Gerente de projetos | Tempo integral |
A tabela compara os tipos de ciclo de vida de desenvolvimento.
| Tipo | Escopo | Prazo e custo | Como entrega |
|---|---|---|---|
| Preditivo | Definido no início | Definidos no início | Uma entrega ao fim |
| Iterativo | Em geral definido no início | Revistos a cada ciclo | Refina o mesmo produto |
| Incremental | Pode ser definido no início | Planejados por incremento | Soma partes novas |
| Adaptativo | Detalhado antes de cada iteração | Ajustados a cada iteração | Entregas frequentes |
A tabela compara os tipos de PMO.
| Tipo de PMO | O que faz | Grau de controle |
|---|---|---|
| De suporte | Modelos, boas práticas, treinamento, lições aprendidas | Baixo |
| De controle | Apoia e exige conformidade com metodologia e governança | Moderado |
| Diretivo | Gerencia diretamente os projetos; gerentes se reportam a ele | Alto |
Para decorar
- Projeto: esforço temporário para criar um produto, um serviço ou um resultado único.
- Temporário: início e fim definidos; não quer dizer curto, e o resultado pode durar.
- Programa: componentes relacionados geridos de modo coordenado para benefícios conjuntos.
- Portfólio: projetos, programas e operações agrupados pela estratégia; não precisam ser relacionados.
- Grupos de processos (6ª edição): iniciação, planejamento, execução, monitoramento e controle, encerramento.
- Revisão de fase: portão de fase, ponto de decisão ou ponto de cancelamento ao fim de cada fase.
- Curvas: risco e influência caem; custo de mudança sobe; custo e pessoal têm pico na execução.
- Iterativo: refina o mesmo produto; incremental: soma partes novas.
- Matricial fraca: manda o gerente funcional; matricial forte: manda o gerente de projetos.
- Triângulo de Talentos: gerenciamento técnico de projetos, liderança, gerenciamento estratégico e de negócios.
- PMO: de suporte (controle baixo), de controle (moderado), diretivo (alto).
Pegadinhas
| # | Errado | Certo |
|---|---|---|
| 1 | Projeto temporário é projeto de curta duração. | Temporário quer dizer com início e fim definidos. O projeto pode durar anos. |
| 2 | Os componentes do portfólio precisam ser interdependentes. | Os componentes do portfólio podem não ter relação entre si. Eles se unem pela estratégia. |
| 3 | O portfólio reúne só projetos e programas. | O portfólio também pode reunir operações e portfólios subsidiários. |
| 4 | O risco e a incerteza crescem ao longo do projeto. | O risco e a incerteza são maiores no início e diminuem ao longo do projeto. |
| 5 | Os grupos de processos são as fases do ciclo de vida. | Os grupos de processos podem se repetir dentro de cada fase. |
| 6 | No ciclo incremental, a equipe refaz o mesmo produto para melhorá-lo. | Quem refina o mesmo produto é o iterativo. O incremental soma partes novas. |
| 7 | Na matricial fraca, o gerente de projetos controla o orçamento. | Na matricial fraca, o gerente funcional controla o orçamento. |
| 8 | Na matricial forte, o gerente de projetos trabalha em tempo parcial. | Na matricial forte, o gerente de projetos trabalha em tempo integral. |
| 9 | A projetizada tem como vantagem a equipe com departamento de origem. | A falta de departamento de origem ao fim do projeto é desvantagem da projetizada. |
| 10 | O patrocinador é quem lidera a equipe do projeto. | O gerente de projetos lidera a equipe. O patrocinador fornece recursos e apoio. |
| 11 | O PMO de controle gerencia diretamente os projetos. | O PMO de controle exige conformidade. Quem gerencia diretamente é o diretivo. |
| 12 | O PMO de suporte tem grau de controle alto. | O PMO de suporte é consultivo e tem grau de controle baixo. |
Fontes e data
- [1] Guia PMBOK, 6ª edição, Project Management Institute (conceito de projeto, programa e portfólio, ciclo de vida, estruturas organizacionais, papel do gerente de projetos e tipos de PMO), explicado com palavras próprias.
- [2] Guia PMBOK, 7ª edição, Project Management Institute (princípios, domínios de desempenho e abordagens de desenvolvimento), explicado com palavras próprias.
Texto conferido em 14/10/2026.