O que mais cai
| Parte do tópico | Importância | O que a banca cobra |
|---|---|---|
| Noções de gestão de estoques | Média | Funções do estoque, tipos de estoque, conflito entre áreas e custos |
| Previsão para estoques | Alta | Média móvel, média ponderada, suavização exponencial e mínimos quadrados |
| Avaliação de estoques e custos | Alta | PEPS, UEPS e custo médio com preço subindo, custos de manter e de pedir |
| Sistemas de reposição e níveis de estoque | Alta | Ponto de pedido, estoque de segurança, máximo, médio e revisão periódica |
| Planejamento e controle de estoques | Média | Curva ABC, classificação XYZ, giro, cobertura e nível de serviço |
| Inventário (materiais) | Média | Inventário geral e rotativo, acurácia, ajustes e contagem cega |
| Lote econômico de compras (LEC) | Alta | Fórmula, efeito de cada variável e custo total mínimo |
| Planejamento das necessidades de materiais (MRP) | Média | Demanda dependente, estrutura do produto, necessidade bruta e líquida |
Do que trata o tópico
Este tópico ensina a decidir quanto material uma organização guarda, quando ela compra de novo e quanto ela compra de cada vez. Ele cobre a previsão do consumo, o valor que se dá ao estoque, os níveis de estoque e os sistemas de reposição, a curva ABC, o inventário, o lote econômico de compras e o MRP. É a parte da disciplina de Administração de Recursos Materiais que mais traz cálculo, e por isso cada parte tem exemplo resolvido com os passos.
Base de referência
- CPC 16 (R1), Estoques: pronunciamento técnico contábil que trata da medida do valor dos estoques e dos métodos de custo aceitos.
Conteúdo
Noções de gestão de estoques
Imagine um hospital público que compra luvas descartáveis. Se ele compra pouco, falta luva no meio do plantão e o atendimento para. Se ele compra muito, o dinheiro fica parado no almoxarifado, as caixas ocupam espaço e parte delas vence antes do uso.
A gestão de estoques existe para resolver esse dilema. O estoque é a quantidade de material guardada para uso futuro, seja para produzir, para vender ou para manter a organização funcionando. A gestão de estoques planeja e controla esse material para atender ao consumo com o menor custo total possível.
A função principal do estoque é ser um regulador entre dois ritmos diferentes: o ritmo de chegada do material e o ritmo de consumo. O fornecedor entrega em lotes, de tempos em tempos, e o consumo acontece todo dia. Sem o estoque, a organização teria de comprar cada unidade no momento exato do uso, o que quase nunca é possível.
Por isso o estoque também protege a organização contra incertezas. A demanda pode subir sem aviso, o fornecedor pode atrasar e o preço pode mudar. O estoque absorve essas variações, mas cada unidade guardada tem um custo, e o gestor procura o ponto de equilíbrio.
Os estoques se classificam pela etapa em que o material está:
- Matérias-primas: materiais que entram na fabricação e se transformam no produto, como o aço de uma fábrica de móveis.
- Produtos em processo (ou em elaboração): materiais que já começaram a ser transformados e ainda não terminaram.
- Produtos acabados: produtos prontos, à espera da venda ou da entrega.
- Materiais auxiliares e de manutenção: itens que apoiam a operação sem entrar no produto, como lubrificantes, peças de reposição e material de escritório.
A ordem dessa lista segue o caminho do material dentro da empresa: entra como matéria-prima, passa a produto em processo e sai como produto acabado. No setor público, quase todo o estoque é de material de consumo e de manutenção, porque o órgão não fabrica produto para vender.
Outra divisão útil separa a demanda independente da demanda dependente. A demanda independente vem do mercado e não depende de outro item, como a quantidade de bicicletas que os clientes compram. A demanda dependente é calculada a partir de outro item, como a quantidade de rodas, que é sempre o dobro da quantidade de bicicletas montadas.
Essa diferença decide a ferramenta. A demanda independente pede previsão e modelos de reposição, como o ponto de pedido. A demanda dependente pede cálculo pela estrutura do produto, que é o trabalho do MRP.
Cada área da organização olha o estoque de um jeito, e esse conflito entre áreas aparece com frequência em prova. A área de compras gosta de lotes grandes, porque consegue desconto e faz menos pedidos. A produção e a área de vendas preferem estoque alto, para nunca parar a linha nem perder venda. A área financeira prefere estoque baixo, porque estoque é capital parado que poderia render em outro lugar.
O gestor de estoques não atende a uma área só. Ele busca o equilíbrio entre o custo de manter o estoque e o risco de faltar material. Esse equilíbrio se mede por dois resultados: o nível de serviço, que é a parte da demanda atendida no prazo, e o custo total do estoque.
Na prática, a prefeitura de uma cidade inventada, Vila Serena, guarda material escolar para 40 escolas. A secretaria de finanças pede que o almoxarifado reduza o estoque para liberar verba. A secretaria de educação pede estoque alto para nunca faltar caderno. O gestor de estoques resolve o conflito com previsão de consumo e com níveis definidos de estoque, e não pela opinião de uma das secretarias.
Duas filosofias opostas também aparecem neste ponto. Na lógica de empurrar a produção, a organização produz e compra pela previsão e guarda o resultado em estoque. Na lógica de puxar, cujo exemplo é o just in time com o cartão kanban, a organização só produz ou compra quando o consumo real pede, e o estoque tende a zero.
O just in time não elimina o estoque por mágica. Ele exige fornecedor confiável, entregas pequenas e frequentes e processo estável. Sem essas condições, estoque zero vira falta de material.
O erro comum é tratar estoque alto como sinal de boa gestão. Estoque alto esconde problemas, prende dinheiro e aumenta perdas por validade e por obsolescência, que é a perda de utilidade do material porque surgiu um modelo novo.
Como o estoque protege a organização contra a falta de material, a gestão eficiente de estoques busca manter o maior volume possível de cada item, porque o custo de manter o material é sempre menor que o custo da falta, e a área financeira tende a apoiar essa política.
Comentário:
Regra: a gestão de estoques busca o equilíbrio entre o custo de manter o estoque e o risco de falta; a área financeira prefere estoque baixo, porque estoque é capital parado.
A afirmação erra em busca manter o maior volume possível de cada item: o objetivo é atender à demanda com o menor custo total, e não guardar o máximo. Ela erra também em a área financeira tende a apoiar essa política: a área financeira é a que mais pressiona para reduzir o estoque. O custo da falta pode ser maior ou menor que o custo de manter, conforme o item.
Resultado: errado.
Como a banca cobra: a banca pede as funções do estoque, a diferença entre demanda dependente e independente e qual área quer estoque alto ou baixo. Ela troca a posição da área financeira com a da produção.
Previsão para estoques
Todo modelo de estoque começa com uma pergunta: quanto material a organização vai consumir no próximo período? Se a previsão erra para cima, sobra material. Se erra para baixo, falta. Por isso a previsão é a base de todos os outros cálculos deste tópico.
A previsão de demanda é a estimativa do consumo futuro de um item. Ela usa dados do passado, informação do mercado e a opinião de quem conhece o assunto. Nenhuma previsão é exata, e o gestor mede o erro para melhorar o método.
As técnicas de previsão se dividem em dois grupos:
- Técnicas qualitativas: usam opinião e julgamento, como a opinião de especialistas, a pesquisa de mercado e o método Delphi, em que um grupo de especialistas responde de forma anônima em rodadas até chegar a um consenso. Servem quando não há histórico, como no lançamento de um produto.
- Técnicas quantitativas: usam números do passado, chamados de série histórica. Servem quando há histórico confiável de consumo.
Antes de escolher o método, o gestor observa o comportamento da série histórica. A demanda pode ser constante (permanece em torno de uma média), ter tendência (sobe ou desce ao longo do tempo), ter sazonalidade (repete um padrão em certas épocas, como a venda de material escolar em janeiro) ou ter variação aleatória, que nenhum método prevê.
Os modelos de evolução do consumo mais cobrados são o horizontal, o de tendência e o sazonal. No modelo horizontal o consumo oscila em torno de um valor fixo. No de tendência o consumo cresce ou cai de forma contínua. No sazonal o consumo tem picos que se repetem em períodos definidos.
Média aritmética (método do último período e média simples). O método mais simples repete o último consumo como previsão do próximo período. A média aritmética de todos os períodos já é mais estável, mas dá o mesmo peso a um dado de muitos anos atrás e a um dado do mês passado. Por isso ela reage mal a mudanças.
Média móvel simples. A média móvel usa só os últimos n períodos. A cada novo período, o mais antigo sai do cálculo e o mais recente entra, e por isso a média "se move". A fórmula é:
Nela, P é a previsão do próximo período, a são os consumos dos n últimos períodos e n é o número de períodos usados. Quanto maior o n, mais estável e mais lenta é a previsão. Quanto menor o n, mais ela reage a mudanças, e mais ela sofre com variações aleatórias.
Média móvel ponderada. A média ponderada dá pesos diferentes a cada período, e em geral o período mais recente recebe o maior peso. A soma dos pesos é 1 (ou 100%). Ela reage mais rápido que a média móvel simples, porque o dado novo pesa mais.
Suavização exponencial (média com ponderação exponencial). Este método corrige a previsão anterior com uma parte do erro que ela cometeu:
Nela, é a previsão do próximo período, é a previsão feita para o período que acabou, é o consumo real desse período e (alfa) é a constante de suavização, entre 0 e 1. Com alfa perto de 1, a previsão segue o consumo real recente. Com alfa perto de 0, ela quase não muda e fica estável.
A vantagem da suavização exponencial é guardar pouco dado: ela só precisa da última previsão, do último consumo real e do alfa. Todos os dados do passado entram de forma indireta, com pesos que diminuem quanto mais antigo é o dado.
Mínimos quadrados (regressão linear). Quando a série tem tendência, as médias ficam sempre atrasadas. O método dos mínimos quadrados traça a reta que passa mais perto de todos os pontos da série e projeta essa reta para o futuro:
Nela, Y é o consumo previsto, X é o número do período, a é o ponto em que a reta corta o eixo vertical e b é a inclinação da reta, isto é, quanto o consumo cresce por período. As fórmulas de a e b são:
Nelas, é a média dos períodos e é a média dos consumos.
Exemplo resolvido: um almoxarifado registrou o consumo de resmas de papel nos últimos meses: janeiro 100, fevereiro 120, março 110, abril 130, maio 140 e junho 150. O gestor quer a previsão de julho por três métodos.
- Média móvel simples de 3 meses: resmas.
- Média móvel ponderada com pesos 0,5 para junho, 0,3 para maio e 0,2 para abril: resmas.
- Suavização exponencial, com previsão de junho igual a 145, consumo real de junho igual a 150 e alfa igual a 0,2: resmas.
A média ponderada deu mais que a média simples porque o consumo está subindo e junho pesa mais. A suavização exponencial subiu pouco porque o alfa é baixo.
Exemplo resolvido: o consumo de um item em quatro trimestres foi 100, 140, 160 e 200 unidades. O gestor usa os mínimos quadrados para prever o quinto trimestre.
- Média dos períodos: .
- Média dos consumos: .
- Desvios de X: -1,5; -0,5; 0,5; 1,5. Desvios de Y: -50; -10; 10; 50.
- Soma dos produtos dos desvios: .
- Soma dos quadrados dos desvios de X: .
- Inclinação: .
- Intercepto: .
- Previsão do quinto trimestre: unidades.
Na prática, a secretaria de saúde de um município inventado prevê o consumo de seringas pela média móvel de 3 meses. Durante uma campanha de vacinação, o consumo sobe todo mês e a média fica sempre abaixo do real, e falta seringa. A teoria manda trocar de método numa série com tendência: os mínimos quadrados ou uma suavização exponencial com alfa mais alto acompanham a subida.
A banca troca com frequência a média móvel simples e a ponderada. Na simples todos os períodos têm o mesmo peso; na ponderada os pesos são diferentes. A tabela abaixo compara os métodos quantitativos.
| Método | Peso dos dados | Uso indicado |
|---|---|---|
| Média aritmética | Todos os períodos com o mesmo peso | Consumo estável, sem tendência |
| Média móvel simples | Só os n últimos, com o mesmo peso | Consumo estável com pequenas variações |
| Média móvel ponderada | Só os n últimos, com pesos diferentes | Consumo que muda aos poucos |
| Suavização exponencial | Todos, com peso que cai com a idade | Muitos itens e pouco dado guardado |
| Mínimos quadrados | Reta ajustada a todos os pontos | Consumo com tendência |
O erro comum é pensar que um alfa alto deixa a previsão mais estável. É o contrário: alfa alto faz a previsão seguir de perto o último consumo real, e alfa baixo deixa a previsão estável.
Um almoxarifado usa a suavização exponencial para prever o consumo mensal de toner. A previsão para março foi de 200 unidades, e o consumo real de março foi de 240 unidades. Com constante de suavização igual a 0,3, a previsão para abril é de
- A) 188 unidades.
- B) 228 unidades.
- C) 212 unidades, e um alfa de 0,1 daria uma previsão de 204 unidades.
- D) 240 unidades, porque o método repete o último consumo real.
- E) 220 unidades, porque o método faz a média entre a previsão e o consumo real.
Comentário:
A) Errada.
Conta: 200 + 0,3 × (240 - 200) = 200 + 12 = 212.
A alternativa erra em 188 unidades: 188 sai de subtrair a correção, como se o consumo real tivesse ficado abaixo da previsão. O consumo real ficou acima, e a previsão sobe para 212.
B) Errada.
Conta: 200 + 0,3 × (240 - 200) = 212.
A alternativa erra em 228 unidades: 228 seria o resultado com alfa de 0,7, que é o complemento de 0,3.
C) Certa.
Conta: com alfa de 0,3, 200 + 0,3 × 40 = 212; com alfa de 0,1, 200 + 0,1 × 40 = 204.
As duas contas estão certas. O alfa menor corrige menos o erro e deixa a previsão mais perto da previsão anterior.
D) Errada.
Regra: a suavização exponencial corrige a previsão anterior com uma fração alfa do erro; ela só repete o consumo real quando alfa é igual a 1.
A alternativa erra em 240 unidades, porque o método repete o último consumo real: com alfa de 0,3, a previsão é 212.
E) Errada.
Regra: a média simples entre previsão e consumo real equivale a alfa igual a 0,5.
A alternativa erra em 220 unidades, porque o método faz a média entre a previsão e o consumo real: o alfa da questão é 0,3, e não 0,5.
Resultado: alternativa C.
Numa série histórica de consumo com tendência de crescimento contínuo, a média móvel simples tende a produzir previsões abaixo do consumo real, e o método dos mínimos quadrados é mais adequado, porque projeta a reta que melhor se ajusta aos pontos da série.
Comentário:
Regra: as médias usam valores do passado e, numa série que cresce, ficam sempre atrasadas em relação ao consumo real; a regressão pelos mínimos quadrados projeta a tendência.
A afirmação junta as duas ideias de forma correta. A média móvel simples olha para trás e por isso subestima uma série que cresce. Os mínimos quadrados traçam a reta da tendência e a estendem para o período seguinte.
Resultado: certo.
Como a banca cobra: a banca dá uma série curta e pede a previsão por média móvel, média ponderada ou suavização exponencial. Ela também pergunta o efeito de um alfa alto ou baixo e qual método serve para série com tendência.
Avaliação de estoques e custos
O almoxarifado de uma empresa comprou o mesmo item três vezes no ano, cada vez por um preço diferente. Quando sai uma unidade para a produção, qual preço ela leva: o da primeira compra, o da última ou uma média? A resposta muda o valor do estoque que fica no balanço e o custo que vai para o resultado.
A avaliação de estoques é o cálculo do valor monetário do material guardado e do material que saiu. Ela serve para o balanço da organização, para o cálculo do custo dos produtos e para o controle financeiro do almoxarifado. Os quatro métodos mais cobrados são o PEPS, o UEPS, o custo médio e o custo de reposição.
PEPS (primeiro a entrar, primeiro a sair), em inglês FIFO. As saídas levam o preço dos lotes mais antigos. O estoque que fica é avaliado pelos preços mais recentes. Com preços em alta, o PEPS dá o estoque final de maior valor e o menor custo das saídas.
UEPS (último a entrar, primeiro a sair), em inglês LIFO. As saídas levam o preço dos lotes mais recentes. O estoque que fica é avaliado pelos preços mais antigos. Com preços em alta, o UEPS dá o estoque final de menor valor e o maior custo das saídas.
Custo médio (média ponderada móvel). A cada entrada, o gestor recalcula o custo unitário: divide o valor total em estoque pela quantidade total. As saídas levam esse custo médio. Com preços em alta, o resultado fica entre o do PEPS e o do UEPS.
Custo de reposição. O estoque é avaliado pelo preço que a organização pagaria hoje para comprar o mesmo item. É um critério gerencial, útil para decidir preço de venda, mas não segue o custo histórico da compra.
O método de avaliação não muda o movimento físico do material. Um almoxarifado pode entregar fisicamente as caixas mais antigas primeiro e, mesmo assim, avaliar pelo custo médio. A banca usa essa confusão.
Quanto à regra contábil, o CPC 16 (R1) aceita o PEPS e o custo médio ponderado e não aceita o UEPS [1]. O UEPS continua cobrado em prova porque mostra o efeito oposto ao do PEPS.
Exemplo resolvido: um almoxarifado tem 100 unidades a R$ 10,00. Depois compra 100 unidades a R$ 12,00 e mais 100 unidades a R$ 14,00. Em seguida, saem 150 unidades. O gestor calcula o custo da saída e o estoque final pelos três métodos.
- Total disponível: 300 unidades. Valor total: R$ 3.600,00.
- PEPS: a saída leva as 100 unidades a R$ 10,00 e 50 unidades a R$ 12,00, isto é, R$ 1.000,00 + R$ 600,00 = R$ 1.600,00. O estoque final tem 50 unidades a R$ 12,00 e 100 a R$ 14,00, isto é, R$ 600,00 + R$ 1.400,00 = R$ 2.000,00.
- UEPS: a saída leva as 100 unidades a R$ 14,00 e 50 unidades a R$ 12,00, isto é, R$ 1.400,00 + R$ 600,00 = R$ 2.000,00. O estoque final tem 100 unidades a R$ 10,00 e 50 a R$ 12,00, isto é, R$ 1.000,00 + R$ 600,00 = R$ 1.600,00.
- Custo médio: R$ 3.600,00 ÷ 300 = R$ 12,00 por unidade. A saída vale R$ 1.800,00, e o estoque final vale R$ 1.800,00.
- Conferência: em todos os métodos, a saída mais o estoque final dá R$ 3.600,00.
O resultado mostra a regra: com preço subindo, o PEPS dá o maior estoque final (R$ 2.000,00), o UEPS dá o menor (R$ 1.600,00) e o custo médio fica no meio (R$ 1.800,00). Com preço caindo, a ordem se inverte.
O efeito chega ao lucro. Custo das saídas menor quer dizer lucro maior. Por isso, com preço em alta, o PEPS mostra o maior lucro e o UEPS mostra o menor.
A gestão de estoques também calcula os custos do estoque, que são diferentes do valor do material:
- Custo de aquisição (ou de pedido): o que a organização gasta para fazer cada pedido, como o trabalho de compras, o processo de contratação, o frete fixo e o recebimento. Ele cresce com o número de pedidos no ano.
- Custo de armazenagem (ou de manter): o que a organização gasta para guardar o material, como o capital parado, o espaço, o seguro, as perdas, a obsolescência e o pessoal do almoxarifado. Ele cresce com a quantidade média em estoque.
- Custo de falta: o que a organização perde quando o material falta, como a venda perdida, a linha parada, a multa e a compra de emergência mais cara.
O custo de armazenagem anual costuma ser calculado assim:
Nela, CA é o custo anual de armazenagem, Q é o tamanho do lote, é o estoque médio quando o consumo é constante, P é o preço unitário e i é a taxa anual de armazenagem, em porcentagem do valor do material.
Exemplo resolvido: um item tem lote de 1.000 unidades, preço de R$ 8,00 e taxa de armazenagem de 25% ao ano.
- Estoque médio: unidades.
- Valor do estoque médio: R$ 4.000,00.
- Custo anual de armazenagem: R$ 1.000,00.
Na prática, um órgão inventado, o Instituto Estadual de Pesquisa, compra reagentes de laboratório cujo preço sobe a cada compra. Se o órgão avalia pelo PEPS, o estoque do balanço fica mais perto do preço atual. Se usa o custo médio, o valor fica entre o preço antigo e o novo, e a saída para cada laboratório tem um custo mais estável.
O erro comum é dizer que o PEPS dá o maior custo das saídas com preços em alta. Com preço subindo, o PEPS manda para as saídas o preço mais antigo, que é o mais baixo.
Uma empresa tinha em estoque 200 unidades a R$ 5,00. Ela comprou 200 unidades a R$ 7,00 e depois vendeu 300 unidades. Sobre a avaliação dessa movimentação, é correto afirmar que
- A) pelo PEPS, o custo das unidades vendidas é de R$ 1.900,00.
- B) pelo UEPS, o estoque final é de R$ 700,00.
- C) pelo custo médio, o estoque final é de R$ 500,00.
- D) o PEPS e o UEPS dão o mesmo estoque final, porque o total comprado é o mesmo.
- E) pelo PEPS, o estoque final é de R$ 700,00, e pelo UEPS, de R$ 500,00.
Comentário:
A) Errada.
Conta: pelo PEPS, saem 200 × 5 + 100 × 7 = 1.000 + 700 = R$ 1.700,00.
A alternativa erra em o custo das unidades vendidas é de R$ 1.900,00: o custo pelo PEPS é R$ 1.700,00. O valor de R$ 1.900,00 é o do UEPS (200 × 7 + 100 × 5).
B) Errada.
Conta: pelo UEPS, ficam as 100 unidades mais antigas, 100 × 5 = R$ 500,00.
A alternativa erra em o estoque final é de R$ 700,00: pelo UEPS o estoque final é R$ 500,00.
C) Errada.
Conta: custo médio = (1.000 + 1.400) ÷ 400 = R$ 6,00; estoque final = 100 × 6 = R$ 600,00.
A alternativa erra em o estoque final é de R$ 500,00: pelo custo médio o estoque final é R$ 600,00.
D) Errada.
Regra: com preços diferentes entre os lotes, o PEPS e o UEPS dão estoques finais diferentes.
A alternativa erra em o PEPS e o UEPS dão o mesmo estoque final: o PEPS dá R$ 700,00 e o UEPS dá R$ 500,00. O total comprado igual não iguala o valor do que fica.
E) Certa.
Conta: pelo PEPS, ficam 100 unidades a R$ 7,00 = R$ 700,00; pelo UEPS, ficam 100 unidades a R$ 5,00 = R$ 500,00.
Com preço em alta, o PEPS deixa no estoque o lote mais caro e o UEPS deixa o lote mais barato.
Resultado: alternativa E.
Em período de queda contínua dos preços de compra, o método PEPS resulta em estoque final de maior valor que o UEPS, porque o estoque final fica avaliado pelos preços mais recentes.
Comentário:
Regra: no PEPS o estoque final fica com os preços mais recentes; com preço em queda, os preços mais recentes são os mais baixos.
A afirmação erra em resulta em estoque final de maior valor que o UEPS: com preços caindo, o PEPS deixa no estoque os lotes mais recentes e mais baratos, e por isso dá o estoque final de menor valor. A parte final da frase está certa, e é justamente ela que leva ao resultado oposto ao afirmado.
Resultado: errado.
Como a banca cobra: a banca dá uma ficha de estoque com duas ou três compras e pede o custo das saídas ou o estoque final por um método. Ela também troca o efeito do PEPS e do UEPS quando o preço sobe ou cai.
Sistemas de reposição e níveis de estoque
Um almoxarifado não pode esperar o estoque zerar para comprar, porque o fornecedor leva dias para entregar. A pergunta é: com quantas unidades ainda na prateleira o gestor precisa fazer o pedido? E quanto ele deve pedir? Os sistemas de reposição respondem a essas duas perguntas.
Primeiro, os conceitos que todos os sistemas usam:
- Consumo médio (D ou C): a quantidade consumida por unidade de tempo, como 20 unidades por dia.
- Tempo de reposição (TR), também chamado de prazo de entrega ou lead time: o tempo entre a decisão de pedir e a chegada do material, pronto para uso. Ele soma o tempo de emitir o pedido, o tempo de o fornecedor preparar o material e o tempo de transporte e recebimento.
- Estoque de segurança (ES), também chamado de estoque mínimo: a quantidade guardada para cobrir atraso do fornecedor ou consumo acima da média. Ele só é usado em situação fora do normal.
- Ponto de pedido (PP), também chamado de ponto de reposição: o nível de estoque que, quando atingido, manda fazer um novo pedido.
- Lote de compra (Q ou LC): a quantidade pedida em cada compra.
- Estoque máximo (Emáx): a maior quantidade que o item deve ter, logo depois que o lote chega.
- Ruptura: o estoque chega a zero e a demanda não é atendida.
As fórmulas básicas, com consumo constante, são:
Nelas, PP é o ponto de pedido, D é o consumo médio por unidade de tempo, TR é o tempo de reposição na mesma unidade de tempo, ES é o estoque de segurança, Q é o lote de compra, é o estoque máximo e é o estoque médio.
A lógica do ponto de pedido é simples. Durante o tempo de reposição, a organização continua consumindo. O ponto de pedido guarda o que será consumido nesse tempo (D × TR) e mais o estoque de segurança. Se tudo correr como previsto, o lote chega quando o estoque bate no estoque de segurança, e não em zero.
O estoque de segurança pode ser calculado de vários jeitos. O mais simples multiplica o consumo pelo atraso máximo esperado do fornecedor. Os métodos estatísticos usam o desvio padrão da demanda e um fator ligado ao nível de serviço desejado: quanto maior o nível de serviço, maior o estoque de segurança, e o custo de manter cresce muito para níveis próximos de 100%.
Exemplo resolvido: um almoxarifado consome 20 unidades por dia de um item. O fornecedor leva 10 dias para entregar e pode atrasar até 3 dias. O lote de compra é de 500 unidades.
- Estoque de segurança pelo atraso máximo: unidades.
- Ponto de pedido: unidades.
- Estoque máximo: unidades.
- Estoque médio: unidades.
Quando o estoque cai a 260 unidades, o gestor faz o pedido de 500. Nos 10 dias seguintes, saem 200 unidades, e o estoque chega a 60 no dia da entrega. Com a entrega, o estoque sobe para 560.
Os sistemas de reposição mais cobrados são:
Sistema de revisão contínua (ponto de pedido, ou lote fixo). O gestor acompanha o estoque a cada movimento. Quando o estoque atinge o ponto de pedido, ele pede sempre a mesma quantidade, em geral o lote econômico. O lote é fixo e o intervalo entre os pedidos varia com o consumo.
Sistema de revisão periódica (reposição periódica, ou intervalo fixo). O gestor confere o estoque em datas fixas, como todo dia 1º do mês. Em cada revisão, ele pede a quantidade que leva o estoque de volta ao máximo. O intervalo é fixo e o lote varia. A quantidade a pedir é:
Nela, Q é a quantidade a pedir, é o estoque máximo, é o estoque físico no dia da revisão e é o que já foi pedido e ainda não chegou.
Como o estoque só é olhado nas datas de revisão, o sistema periódico precisa de estoque de segurança maior: ele cobre o tempo de reposição e também o intervalo até a próxima revisão.
Sistema dos máximos e mínimos. Na doutrina mais cobrada (Marco Aurélio Dias), este sistema é o mesmo que o sistema de quantidades fixas. O pedido sai quando o estoque chega ao ponto de pedido, e o lote de compra é sempre o mesmo. Por isso os níveis também são fixos: o estoque máximo é o estoque mínimo mais o lote (), e só a data do pedido varia com o consumo. Alguns autores descrevem uma variante em que o gestor pede a quantidade que leva o estoque até o máximo, e aí o lote varia; na prova, trate máximos e mínimos como lote fixo, salvo se o enunciado disser outra coisa.
Sistema das duas gavetas (duas caixas). O material fica em duas caixas. O consumo sai da primeira caixa. Quando ela esvazia, o almoxarife faz o pedido e passa a consumir da segunda caixa, que tem a quantidade do ponto de pedido. É um sistema visual de ponto de pedido, barato e indicado para itens de pouco valor.
O fluxo abaixo resume a decisão do sistema de revisão contínua.
- Registra a saída do material
- O estoque chegou ao ponto de pedido?SimEmite o pedido do lote fixoNãoContinua o consumo
- Recebe o lote no fim do tempo de reposição
Exemplo resolvido: um órgão usa revisão periódica para cartuchos, com estoque máximo de 560 unidades. No dia da revisão, há 180 unidades na prateleira e 100 unidades já pedidas, ainda não entregues.
- Estoque disponível e em trânsito: unidades.
- Quantidade a pedir: unidades.
Na prática, a Câmara Municipal de uma cidade inventada sofre falta de papel toda vez que o fornecedor atrasa. O almoxarifado pedia quando o estoque chegava ao consumo do prazo de entrega, sem estoque de segurança. A teoria manda somar ao ponto de pedido um estoque de segurança que cubra o atraso esperado.
A banca troca o ponto de pedido com o estoque de segurança. O estoque de segurança é a reserva que não deve ser usada no dia a dia. O ponto de pedido é o gatilho da compra e contém o estoque de segurança mais o consumo durante o tempo de reposição.
| Sistema | O que é fixo | O que varia |
|---|---|---|
| Revisão contínua | Quantidade pedida | Intervalo entre pedidos |
| Revisão periódica | Intervalo entre revisões | Quantidade pedida |
| Máximos e mínimos | Lote e níveis mínimo e máximo | Data do pedido |
| Duas gavetas | Quantidade da segunda caixa | Data do pedido |
O erro comum é usar o estoque máximo no lugar do ponto de pedido na fórmula, ou esquecer o estoque em trânsito na revisão periódica. Sem o estoque em trânsito, o gestor pede de novo o que já está a caminho.
Um item tem consumo médio de 15 unidades por dia, tempo de reposição de 8 dias e estoque de segurança de 30 unidades. O lote de compra é de 300 unidades. Com base nesses dados, é correto afirmar que
- A) o ponto de pedido é de 150 unidades e o estoque máximo é de 330 unidades.
- B) o ponto de pedido é de 120 unidades, porque o estoque de segurança não entra no cálculo.
- C) o estoque médio é de 150 unidades.
- D) o estoque máximo é de 300 unidades, porque o estoque de segurança é consumido antes da chegada do lote.
- E) o ponto de pedido é igual ao estoque de segurança, de 30 unidades.
Comentário:
A) Certa.
Conta: PP = 15 × 8 + 30 = 120 + 30 = 150; estoque máximo = 30 + 300 = 330.
As duas contas estão certas. O ponto de pedido soma o consumo no tempo de reposição e o estoque de segurança.
B) Errada.
Regra: o ponto de pedido é o consumo no tempo de reposição mais o estoque de segurança.
A alternativa erra em porque o estoque de segurança não entra no cálculo: o estoque de segurança entra, e o ponto de pedido é 150.
C) Errada.
Conta: estoque médio = 30 + 300 ÷ 2 = 30 + 150 = 180.
A alternativa erra em o estoque médio é de 150 unidades: 150 é a metade do lote, sem o estoque de segurança.
D) Errada.
Regra: no consumo previsto, o lote chega quando o estoque bate no estoque de segurança, e o estoque máximo é o estoque de segurança mais o lote.
A alternativa erra em o estoque máximo é de 300 unidades, porque o estoque de segurança é consumido antes da chegada do lote: o estoque máximo é 330, e o estoque de segurança só é usado em situação fora do normal.
E) Errada.
Regra: o ponto de pedido contém o estoque de segurança e o consumo do tempo de reposição.
A alternativa erra em o ponto de pedido é igual ao estoque de segurança, de 30 unidades: se o pedido saísse com 30 unidades, o estoque acabaria antes da entrega.
Resultado: alternativa A.
No sistema de revisão periódica, a quantidade pedida varia a cada revisão, e o estoque de segurança tende a ser maior que no sistema de revisão contínua, porque precisa cobrir o tempo de reposição e também o intervalo entre as revisões.
Comentário:
Regra: na revisão periódica o intervalo é fixo e o lote varia; como o estoque só é conferido nas datas de revisão, a proteção precisa cobrir o intervalo mais o tempo de reposição.
A afirmação está certa nas duas partes. O lote da revisão periódica é a diferença entre o estoque máximo e o estoque disponível mais o em trânsito, e por isso muda a cada revisão. O estoque de segurança cobre um período maior de incerteza.
Resultado: certo.
Como a banca cobra: a banca pede o ponto de pedido, o estoque máximo ou o estoque médio a partir de dados de consumo e prazo. Ela troca o que é fixo e o que varia nos sistemas de revisão contínua e periódica.
Planejamento e controle de estoques
Um almoxarifado com 3.000 itens não consegue dar a mesma atenção a todos. Uma caneta e um equipamento caro não pedem o mesmo controle. O planejamento e controle de estoques usa classificações e indicadores para decidir onde o gestor põe o esforço e para medir se o estoque está bem dimensionado.
Curva ABC. A curva ABC classifica os itens pelo valor do consumo, isto é, pela quantidade consumida multiplicada pelo preço unitário. Ela se baseia no princípio de Pareto: poucos itens respondem pela maior parte do valor. As faixas são uma convenção e variam entre os autores, mas a ideia é estável:
- Classe A: poucos itens (em torno de 10% a 20%) que respondem pela maior parte do valor (em torno de 70% a 80%). Recebem controle rigoroso, previsão cuidadosa e estoque baixo.
- Classe B: itens intermediários em quantidade e em valor. Recebem controle moderado.
- Classe C: muitos itens (em torno de metade ou mais) que respondem por pequena parte do valor. Recebem controle simples, como o sistema das duas gavetas e compras maiores e menos frequentes.
Os passos para montar a curva são:
- Calcular o valor do consumo de cada item (quantidade vezes preço).
- Ordenar os itens do maior para o menor valor.
- Calcular a porcentagem de cada item no valor total e a porcentagem acumulada.
- Definir os cortes das classes A, B e C pela porcentagem acumulada.
Exemplo resolvido: um almoxarifado tem 8 itens com valor de consumo anual de R$ 50.000,00, R$ 25.000,00, R$ 8.000,00, R$ 6.000,00, R$ 4.000,00, R$ 3.000,00, R$ 2.500,00 e R$ 1.500,00, já em ordem decrescente.
- Valor total: R$ 100.000,00.
- Porcentagem acumulada: 50%, 75%, 83%, 89%, 93%, 96%, 98,5% e 100%.
- Classe A: os 2 primeiros itens, que são 25% dos itens e 75% do valor.
- Classe B: o 3º, o 4º e o 5º itens, que são 37,5% dos itens e 18% do valor (de 75% para 93%).
- Classe C: os 3 últimos itens, que são 37,5% dos itens e 7% do valor.
| Classe | Itens | Valor acumulado |
|---|---|---|
| A | 2 de 8 | 75% |
| B | 3 de 8 | 93% |
| C | 3 de 8 | 100% |
O erro mais cobrado na curva ABC é classificar pelo preço unitário ou pela quantidade consumida. A classificação é pelo valor do consumo, que junta as duas coisas. Um item barato consumido em grande volume pode ser classe A.
Classificação XYZ (por criticidade). A curva ABC mede valor, e não importância para a operação. A classificação XYZ mede o efeito da falta do item.
Classe Z é o item vital, cuja falta para a operação e que não tem substituto, e classe Y é o item de importância média, que tem substituto. Classe X é o item de baixa criticidade, cuja falta não para a operação. Um item pode ser classe C pelo valor e classe Z pela criticidade, como um fusível barato que para uma máquina.
Indicadores do controle de estoques. Os principais são:
Nas fórmulas, o giro (ou rotatividade) é quantas vezes o estoque se renova no período, e a cobertura (ou antigiro) é por quanto tempo o estoque atende ao consumo sem nova compra. O consumo e o estoque médio são medidos na mesma unidade: em quantidade ou em valor.
Giro alto quer dizer estoque que se renova rápido e pouco capital parado. Cobertura alta quer dizer muito tempo de consumo guardado. Um é o inverso do outro: se o giro anual é 6, a cobertura é 12 meses ÷ 6 = 2 meses.
Exemplo resolvido: um item teve consumo anual de 12.000 unidades e estoque médio de 2.000 unidades.
- Giro: vezes por ano.
- Consumo médio mensal: unidades.
- Cobertura: meses.
Outros indicadores completam o controle. O nível de serviço é a razão entre os pedidos atendidos e os pedidos recebidos; se o almoxarifado atendeu 950 de 1.000 requisições, o nível de serviço é 95%. A acurácia do estoque compara o estoque do sistema com o estoque físico e é tratada na parte de inventário.
Na prática, a Secretaria de Obras de um município inventado usa o mesmo controle para cimento e para parafusos. A curva ABC mostra que o cimento é classe A e os parafusos são classe C. A teoria manda dar ao cimento previsão cuidadosa e compras mais frequentes, e aos parafusos compras maiores, com controle visual.
O erro comum é achar que giro alto é sempre bom. Giro alto demais, com estoque baixo, pode trazer ruptura e compras de emergência. O gestor busca o giro compatível com o nível de serviço desejado.
Em relação ao planejamento e controle de estoques, assinale a alternativa correta.
- A) Na curva ABC, os itens são classificados pelo preço unitário, e os itens mais caros formam a classe A.
- B) Na classificação XYZ, os itens da classe X são os vitais, cuja falta para a operação.
- C) O giro de estoque é a razão entre o estoque médio e o consumo do período, e quanto maior o giro, maior o capital parado.
- D) Um item de baixo valor de consumo pode ser classe C na curva ABC e, ao mesmo tempo, ser vital para a operação na classificação por criticidade.
- E) Se o giro anual de um item é 4, a cobertura desse item é de 4 meses.
Comentário:
A) Errada.
Regra: a curva ABC classifica pelo valor do consumo, que é a quantidade consumida vezes o preço unitário.
A alternativa erra em os itens são classificados pelo preço unitário, e os itens mais caros formam a classe A: um item caro consumido pouco pode ficar na classe C.
B) Errada.
Regra: na classificação XYZ, a classe Z reúne os itens vitais e a classe X os de baixa criticidade.
A alternativa erra em os itens da classe X são os vitais: os vitais são os da classe Z.
C) Errada.
Regra: o giro é o consumo do período dividido pelo estoque médio; giro alto indica pouco capital parado.
A alternativa erra em é a razão entre o estoque médio e o consumo do período, e quanto maior o giro, maior o capital parado: essa razão é a cobertura, e giro maior indica menos capital parado.
D) Certa.
Regra: a curva ABC mede o valor do consumo, e a classificação XYZ mede o efeito da falta; as duas classificações são independentes.
Um fusível barato pode ser classe C pelo valor e classe Z pela criticidade, porque a falta dele para uma máquina.
E) Errada.
Conta: cobertura = 12 meses ÷ 4 = 3 meses.
A alternativa erra em a cobertura desse item é de 4 meses: com giro anual de 4, a cobertura é de 3 meses.
Resultado: alternativa D.
Como a banca cobra: a banca pede a classe de itens numa tabela de consumo, a diferença entre a curva ABC e a classificação por criticidade e o cálculo do giro e da cobertura.
Inventário (materiais)
O sistema do almoxarifado diz que há 120 caixas de clipes, mas na prateleira há 112. A diferença pode vir de erro de registro, de perda, de furto ou de entrega sem baixa. O inventário é a contagem física dos materiais para conferir se o estoque real bate com o estoque registrado e para corrigir as diferenças.
O inventário tem três objetivos. O primeiro é dar ao balanço um valor de estoque confiável. O segundo é achar a causa das diferenças e corrigir o processo. O terceiro é dar ao gestor números certos para a previsão e para a reposição, porque um ponto de pedido calculado sobre um estoque errado gera falta ou excesso.
Os tipos de inventário mais cobrados são:
- Inventário geral (ou periódico, ou anual): conta todos os itens de uma vez, em geral no fim do exercício. Costuma exigir a parada das movimentações durante a contagem. Atende ao balanço, mas mobiliza muita gente e interrompe o atendimento.
- Inventário rotativo (ou cíclico, ou permanente): conta grupos de itens ao longo do ano, num calendário programado, sem parar o almoxarifado. Os itens classe A são contados com mais frequência que os B e os C. Permite achar e corrigir erros mais cedo.
- Inventário por amostragem: conta uma amostra de itens escolhida por critério estatístico ou por sorteio para estimar a acurácia do todo. Se a amostra mostra erro alto, a contagem se amplia.
No setor público, a gestão patrimonial usa também outros nomes, como inventário inicial (na criação de uma unidade), de transferência (na troca do responsável), de extinção e eventual. Esses nomes aparecem em provas de patrimônio. Neste tópico, o foco é a contagem do estoque de materiais.
As etapas de um inventário bem feito seguem uma ordem:
- Planejar: definir a data, os itens, as equipes, o horário e o corte de documentos, isto é, o momento a partir do qual nenhuma entrada ou saída entra na contagem.
- Preparar: arrumar o almoxarifado, identificar os itens e encerrar os documentos pendentes.
- Contar: fazer a primeira contagem e uma segunda contagem por outra equipe, de preferência contagem cega, em que o contador não vê a quantidade registrada no sistema.
- Conciliar: comparar as contagens com o registro; se as duas contagens divergem, fazer uma terceira.
- Ajustar: depois da análise e da aprovação, corrigir o registro e investigar a causa das diferenças.
- Faz a primeira contagem
- Faz a segunda contagem cega
- As duas contagens são iguais?SimCompara com o registro do sistemaNãoFaz a terceira contagem
- Aprova e registra o ajuste
A contagem cega existe para evitar o vício de confirmar o número do sistema. Se o contador vê o número esperado, ele tende a "achar" esse número.
O resultado do inventário se mede pela acurácia:
Nela, os itens com registro correto são os itens em que a quantidade física bate com a do sistema, e o total de itens contados é o número de itens verificados. A acurácia também pode ser calculada por valor: o valor dos itens corretos dividido pelo valor total.
Exemplo resolvido: o almoxarifado contou 500 itens no inventário rotativo do mês. Em 470 itens a quantidade física bateu com o sistema.
- Acurácia por item: .
- Em porcentagem: .
Na prática, o Tribunal de Contas de um estado inventado fazia só o inventário geral anual e passava três dias com o almoxarifado fechado. As diferenças só apareciam no fim do ano, quando a causa já era difícil de achar. A teoria indica o inventário rotativo, que conta todo mês um grupo de itens, com os itens classe A mais vezes, sem fechar o almoxarifado.
A banca troca a periodicidade dos tipos. O inventário geral conta tudo de uma vez, em geral uma vez ao ano. O inventário rotativo conta partes do estoque durante o ano inteiro.
O erro comum é ajustar o registro logo depois da primeira contagem. O ajuste só vem depois da recontagem, da análise da causa e da aprovação de quem tem competência para isso.
O inventário rotativo conta todos os itens do almoxarifado de uma só vez, em geral no encerramento do exercício, e exige a paralisação das movimentações, enquanto o inventário geral distribui as contagens ao longo do ano e dá prioridade aos itens da classe A.
Comentário:
Regra: o inventário geral conta todos os itens de uma vez, em geral no fim do exercício, com parada das movimentações; o inventário rotativo distribui as contagens ao longo do ano e conta mais vezes os itens da classe A.
A afirmação inverte os dois tipos. Ela erra em O inventário rotativo conta todos os itens do almoxarifado de uma só vez: essa é a descrição do inventário geral. Ela erra também em o inventário geral distribui as contagens ao longo do ano: essa é a descrição do inventário rotativo.
Resultado: errado.
Como a banca cobra: a banca pede a diferença entre inventário geral e rotativo, o motivo da contagem cega, o cálculo da acurácia e a ordem das etapas, com destaque para o ajuste só depois da recontagem.
Lote econômico de compras (LEC)
O gestor decidiu quando comprar com o ponto de pedido. Falta decidir quanto comprar de cada vez. Se ele compra lotes grandes, faz poucos pedidos e gasta pouco com pedidos, mas guarda muito material e gasta muito com armazenagem. Se compra lotes pequenos, guarda pouco, mas faz muitos pedidos.
O lote econômico de compras (LEC, ou EOQ, do inglês economic order quantity) é o tamanho do lote que torna mínimo o custo total de pedir e de armazenar no ano. O modelo clássico parte de hipóteses simples: demanda conhecida e constante, tempo de reposição constante, preço que não muda com a quantidade, entrega do lote inteiro de uma vez e nenhuma falta permitida.
O custo anual de pedir é o número de pedidos vezes o custo de cada pedido:
O custo anual de armazenar é o estoque médio vezes o custo de manter uma unidade por ano:
Nas fórmulas, D é a demanda anual em unidades, Q é o tamanho do lote, é o custo de cada pedido e é o custo anual de manter uma unidade em estoque. O pode vir pronto ou ser calculado como , a taxa de armazenagem vezes o preço unitário.
Quando Q cresce, o custo de pedir cai e o custo de armazenar sobe. O custo total é a soma dos dois, e o menor custo total acontece no lote em que os dois custos ficam iguais. Dessa igualdade sai a fórmula do LEC:
Nela, LEC é o lote econômico em unidades, D é a demanda anual, é o custo de cada pedido e é o custo anual de manter uma unidade.
Como a fórmula tem raiz quadrada, o LEC não cresce na mesma proporção das variáveis. Se a demanda quadruplica, o LEC dobra, e o mesmo vale para o custo de pedir. Se o custo de armazenar quadruplica, o LEC cai pela metade. O LEC cresce com a demanda e com o custo de pedir e cai com o custo de armazenar.
Exemplo resolvido: um órgão consome 2.400 unidades por ano de um item. Cada pedido custa R$ 100,00, e manter uma unidade em estoque custa R$ 12,00 por ano.
- Numerador: .
- Divisão: .
- Raiz: unidades.
- Número de pedidos no ano: pedidos.
- Custo anual de pedir: R$ 1.200,00.
- Custo anual de armazenar: R$ 1.200,00.
- Custo total de pedir e armazenar: R$ 2.400,00.
Os dois custos deram iguais, o que confirma o lote econômico. A tabela abaixo mostra o custo para outros lotes e deixa claro que o mínimo fica em 200.
| Lote | Custo de pedir | Custo de armazenar | Total |
|---|---|---|---|
| 100 | R$ 2.400,00 | R$ 600,00 | R$ 3.000,00 |
| 200 | R$ 1.200,00 | R$ 1.200,00 | R$ 2.400,00 |
| 400 | R$ 600,00 | R$ 2.400,00 | R$ 3.000,00 |
O LEC também define o intervalo entre os pedidos. No exemplo, 12 pedidos no ano dão um pedido por mês. O lote econômico é o Q das fórmulas de estoque máximo e de estoque médio da parte de sistemas de reposição.
O modelo tem limites. Ele não considera desconto por quantidade, falta de espaço, validade do produto nem demanda que varia. Quando há desconto por quantidade, o gestor compara o custo total do LEC com o custo total de cada faixa de desconto, somando o custo de compra do material.
Na prática, uma universidade inventada comprava papel toda semana, em lotes pequenos, e o setor de compras vivia sobrecarregado de processos. Com o LEC, ela descobriu que o lote de menor custo total era bem maior. Ela passou a fazer menos pedidos, e o custo total de pedir e de armazenar caiu.
A banca troca o LEC com o MRP. O LEC dimensiona o tamanho do lote de um item com demanda estável. O MRP programa quanto e quando cada componente precisa chegar, a partir do plano de produção.
O erro comum é achar que dobrar a demanda dobra o LEC. Por causa da raiz quadrada, dobrar a demanda multiplica o LEC por cerca de 1,41, e só quadruplicar a demanda dobra o lote.
Uma empresa usa o modelo clássico do lote econômico de compras. A demanda anual de um item passou de 1.000 para 4.000 unidades, e o custo de cada pedido e o custo anual de manter uma unidade não mudaram. Nessa situação, o lote econômico
- A) quadruplica, porque a demanda quadruplicou.
- B) dobra, porque a demanda entra na fórmula sob a raiz quadrada.
- C) cai pela metade, porque o estoque médio aumenta.
- D) não muda, porque o lote econômico depende só dos custos.
- E) dobra, e o número de pedidos por ano permanece igual.
Comentário:
A) Errada.
Regra: o LEC é a raiz quadrada de 2 vezes a demanda vezes o custo de pedir, dividido pelo custo de armazenar.
A alternativa erra em quadruplica, porque a demanda quadruplicou: a raiz quadrada de 4 é 2, e por isso o lote dobra.
B) Certa.
Conta: novo LEC = raiz de 4 vezes o termo antigo = 2 vezes o LEC antigo.
A demanda está dentro da raiz. Multiplicar a demanda por 4 multiplica o LEC por 2.
C) Errada.
Regra: o LEC cresce quando a demanda cresce e só cai quando o custo de armazenar cresce.
A alternativa erra em cai pela metade, porque o estoque médio aumenta: cair pela metade é o efeito de quadruplicar o custo de armazenar.
D) Errada.
Regra: a demanda anual é uma das variáveis da fórmula do LEC.
A alternativa erra em não muda, porque o lote econômico depende só dos custos: a demanda está no numerador da fórmula.
E) Errada.
Conta: pedidos = demanda ÷ LEC; com a demanda vezes 4 e o LEC vezes 2, o número de pedidos dobra.
O lote dobra, mas a alternativa erra em o número de pedidos por ano permanece igual: o número de pedidos também dobra.
Resultado: alternativa B.
No modelo clássico do lote econômico de compras, quando o lote adotado é o lote econômico, o custo anual de emitir pedidos é igual ao custo anual de manter o estoque, e o custo total dessas duas parcelas é o menor possível.
Comentário:
Regra: no modelo clássico, o custo total de pedir e de armazenar é mínimo no lote em que os dois custos são iguais.
A afirmação está certa. No exemplo do guia, com lote de 200 unidades, o custo de pedir e o de armazenar deram R$ 1.200,00 cada, e qualquer outro lote deu custo total maior.
Resultado: certo.
Como a banca cobra: a banca pede o cálculo do LEC, o número de pedidos no ano e o efeito de mudar a demanda ou um dos custos. Ela também pergunta as hipóteses do modelo e a diferença entre o LEC e o MRP.
Planejamento das necessidades de materiais (MRP)
Uma fábrica de bicicletas sabe que vai montar 100 bicicletas na semana 6. Ela não precisa prever o consumo de rodas pela média do passado: precisa de exatamente 200 rodas antes da montagem. A demanda das rodas depende da demanda das bicicletas, e por isso ela é calculada, e não prevista.
O MRP (planejamento das necessidades de materiais, do inglês material requirements planning) é o sistema que calcula quanto de cada componente a organização precisa e quando ele deve ser pedido ou fabricado. Ele serve para itens de demanda dependente e evita tanto a falta quanto o estoque parado de componentes.
O MRP usa três entradas:
- Plano mestre de produção (PMP): diz quanto de cada produto final será produzido e em que período.
- Lista de materiais (estrutura do produto, ou BOM, do inglês bill of materials): diz quais componentes formam cada produto e em que quantidade, em níveis. A bicicleta é o nível 0; o quadro e as rodas são o nível 1.
- Registro de estoques: diz quanto de cada item há em estoque, quanto já foi pedido e quando chega (recebimentos programados) e qual é o tempo de reposição de cada item.
Com essas entradas, o MRP faz o cálculo em quatro passos:
- Explosão: multiplica a quantidade do produto final pela quantidade de cada componente na estrutura e chega à necessidade bruta de cada componente.
- Líquido: desconta da necessidade bruta o estoque disponível e os recebimentos programados e chega à necessidade líquida.
- Defasagem (lead time offset): recua no tempo a data da ordem pelo tempo de reposição do componente.
- Liberação das ordens: emite as ordens de compra (para itens comprados) e as ordens de produção (para itens fabricados), com a quantidade e a data.
Nela, NL é a necessidade líquida, NB é a necessidade bruta, E é o estoque disponível e RP são os recebimentos programados até a data da necessidade. Se o resultado é negativo, a necessidade líquida é zero.
Exemplo resolvido: a fábrica vai entregar 100 bicicletas na semana 6. A montagem leva 1 semana, e cada bicicleta usa 1 quadro e 2 rodas.
Há 30 rodas e 40 quadros em estoque, e 20 quadros já pedidos chegam na semana 4. O tempo de reposição das rodas é de 2 semanas e o dos quadros é de 1 semana. Não há bicicleta pronta em estoque.
- Ordem de montagem: 100 bicicletas, liberada na semana .
- Necessidade bruta de rodas na semana 5: rodas.
- Necessidade líquida de rodas: rodas.
- Ordem de rodas: 170 rodas, liberada na semana .
- Necessidade bruta de quadros na semana 5: quadros.
- Necessidade líquida de quadros: quadros.
- Ordem de quadros: 40 quadros, liberada na semana .
O cálculo mostra a lógica do MRP: cada componente tem a sua data própria, ligada ao tempo de reposição dele. As rodas, com tempo de reposição maior, são pedidas antes dos quadros.
O MRP evoluiu em duas etapas. O MRP II (planejamento dos recursos de manufatura) acrescentou ao cálculo de materiais a capacidade produtiva, a mão de obra, as máquinas e a parte financeira. O ERP (planejamento dos recursos da empresa) integrou num só sistema todas as áreas da organização, como compras, finanças, vendas, pessoal e produção.
Na prática, uma oficina de manutenção de frota de um órgão inventado conhece a agenda das revisões dos veículos para o trimestre. Cada revisão usa um kit definido de filtros e óleo. A teoria manda calcular a necessidade dos kits pela agenda, como no MRP, em vez de usar a média de consumo do ano anterior.
A banca troca demanda dependente e independente e troca o MRP com o LEC. O MRP calcula a necessidade de componentes a partir do plano mestre. O LEC dimensiona o lote de um item com demanda estável. Um sistema MRP pode usar o LEC como regra de tamanho de lote, mas os dois respondem a perguntas diferentes.
O erro comum é usar o MRP para um item de demanda independente, como o material de escritório de um órgão. Esse item não tem plano mestre nem estrutura de produto, e a ferramenta indicada é a previsão com um sistema de reposição.
Uma indústria monta um produto final que usa 3 unidades do componente K. O plano mestre prevê 50 unidades do produto final no período 8. Há 40 unidades de K em estoque e um recebimento programado de 20 unidades de K antes do período 8. Sobre o cálculo do MRP para o componente K, é correto afirmar que
- A) a necessidade bruta de K é de 50 unidades.
- B) a necessidade líquida de K é de 150 unidades.
- C) a necessidade líquida de K é de 90 unidades.
- D) a necessidade de K deve ser estimada por média móvel, porque K tem demanda independente.
- E) o estoque disponível e o recebimento programado não entram no cálculo do MRP.
Comentário:
A) Errada.
Conta: necessidade bruta = 50 × 3 = 150 unidades.
A alternativa erra em a necessidade bruta de K é de 50 unidades: a explosão multiplica pela quantidade de K em cada produto.
B) Errada.
Conta: necessidade líquida = 150 - 40 - 20 = 90 unidades.
A alternativa erra em a necessidade líquida de K é de 150 unidades: 150 é a necessidade bruta, antes do desconto do estoque e do recebimento programado.
C) Certa.
Conta: 150 - 40 - 20 = 90 unidades.
A necessidade líquida desconta da necessidade bruta o estoque disponível e o recebimento programado.
D) Errada.
Regra: o componente de um produto final tem demanda dependente, calculada pela estrutura do produto.
A alternativa erra em deve ser estimada por média móvel, porque K tem demanda independente: K depende do produto final e é calculado pelo MRP.
E) Errada.
Regra: o MRP desconta da necessidade bruta o estoque disponível e os recebimentos programados.
A alternativa erra em o estoque disponível e o recebimento programado não entram no cálculo do MRP: eles são as parcelas que transformam a necessidade bruta em líquida.
Resultado: alternativa C.
Como a banca cobra: a banca pede as entradas do MRP, a diferença entre necessidade bruta e líquida e a data de liberação de uma ordem. Ela também pergunta o que o MRP II e o ERP acrescentaram.
- Gestão de estoques
- Noções
- Função reguladora
- Tipos de estoque
- Demanda dependente e independente
- Conflito entre áreas
- Previsão
- Técnicas qualitativas
- Média móvel simples e ponderada
- Suavização exponencial
- Mínimos quadrados
- Avaliação e custos
- PEPS, UEPS e custo médio
- Custo de pedir
- Custo de armazenar
- Custo de falta
- Sistemas de reposição
- Ponto de pedido
- Estoque de segurança
- Revisão contínua e periódica
- Duas gavetas
- Planejamento e controle
- Curva ABC
- Classificação XYZ
- Giro e cobertura
- Inventário
- Geral e rotativo
- Contagem cega
- Acurácia
- Lote econômico
- Custo total mínimo
- Efeito da raiz quadrada
- MRP
- Plano mestre e estrutura
- Necessidade bruta e líquida
- MRP II e ERP
- Noções
Quadros e comparações
A tabela abaixo compara os métodos de avaliação quando os preços de compra sobem.
| Método | Custo das saídas | Estoque final | Lucro |
|---|---|---|---|
| PEPS | Menor | Maior | Maior |
| Custo médio | Intermediário | Intermediário | Intermediário |
| UEPS | Maior | Menor | Menor |
A tabela abaixo compara o LEC e o MRP.
| Aspecto | LEC | MRP |
|---|---|---|
| Pergunta | Quanto comprar de cada vez | Quanto e quando cada componente precisa chegar |
| Tipo de demanda | Independente e constante | Dependente |
| Base do cálculo | Custo de pedir e de armazenar | Plano mestre e estrutura do produto |
| Resultado | Tamanho do lote | Ordens com quantidade e data |
A tabela abaixo compara os tipos de inventário.
| Tipo | Abrangência | Momento | Efeito na operação |
|---|---|---|---|
| Geral | Todos os itens | Uma vez, em geral no fim do exercício | Costuma parar as movimentações |
| Rotativo | Grupos de itens | Ao longo do ano, por calendário | Não para o almoxarifado |
| Por amostragem | Amostra de itens | Quando o gestor define | Estima a acurácia do todo |
A tabela abaixo reúne as fórmulas de níveis e de indicadores.
| Grandeza | Fórmula |
|---|---|
| Ponto de pedido | consumo × tempo de reposição + estoque de segurança |
| Estoque máximo | estoque de segurança + lote |
| Estoque médio | estoque de segurança + lote ÷ 2 |
| Giro | consumo ÷ estoque médio |
| Cobertura | estoque médio ÷ consumo por unidade de tempo |
Para decorar
- Ponto de pedido: .
- Estoque máximo: .
- Estoque médio: .
- Revisão periódica: .
- Suavização exponencial: ; alfa alto segue o consumo recente.
- Mínimos quadrados: , para série com tendência.
- LEC: ; demanda vezes 4 dá lote vezes 2.
- Custo de armazenar: .
- Giro: consumo ÷ estoque médio. Cobertura: estoque médio ÷ consumo por período.
- Acurácia: itens corretos ÷ itens contados × 100.
- Necessidade líquida: necessidade bruta menos estoque menos recebimentos programados.
- PEPS com preço subindo: maior estoque final, menor custo das saídas.
- Curva ABC: valor do consumo (quantidade × preço); classe A tem poucos itens e muito valor.
- XYZ: Z é vital, Y tem substituto, X tem baixa criticidade.
Pegadinhas
| # | Errado | Certo |
|---|---|---|
| 1 | Com preço subindo, o PEPS dá o maior custo das saídas. | Com preço subindo, o PEPS dá o menor custo das saídas e o maior estoque final. |
| 2 | O ponto de pedido é igual ao estoque de segurança. | O ponto de pedido é o consumo no tempo de reposição mais o estoque de segurança. |
| 3 | Na revisão periódica, o lote é fixo e o intervalo varia. | Na revisão periódica, o intervalo é fixo e o lote varia. |
| 4 | Se a demanda dobra, o LEC dobra. | O LEC só dobra quando a demanda quadruplica, por causa da raiz quadrada. |
| 5 | O LEC cresce quando o custo de armazenar cresce. | O LEC cai quando o custo de armazenar cresce. |
| 6 | Na suavização exponencial, alfa alto deixa a previsão mais estável. | Alfa alto faz a previsão seguir o consumo real recente. |
| 7 | A curva ABC classifica os itens pelo preço unitário. | A curva ABC classifica pelo valor do consumo, quantidade vezes preço. |
| 8 | Na classificação XYZ, a classe X reúne os itens vitais. | A classe Z reúne os itens vitais. |
| 9 | O inventário rotativo conta todos os itens de uma vez no fim do ano. | O inventário rotativo conta grupos de itens ao longo do ano. |
| 10 | O MRP serve para itens de demanda independente. | O MRP serve para itens de demanda dependente. |
| 11 | A necessidade líquida é a necessidade bruta do componente. | A necessidade líquida desconta o estoque e os recebimentos programados. |
| 12 | A área financeira prefere estoque alto. | A área financeira prefere estoque baixo, porque estoque é capital parado. |
Fontes e data
- [1] CPC 16 (R1), Estoques.
Texto conferido em 14/10/2026.