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Gestão de Pessoas

Gestão de Pessoas: Conceitos Gerais e Visão Geral da Disciplina

O que mais cai

Parte do tópico Importância O que a banca cobra
A área de gestão de pessoas Alta Conceito; pessoas como recursos ou parceiras; responsabilidade de linha e função de staff; papéis de Ulrich
Modelos básicos de gestão de pessoas Alta Os quatro modelos de Fischer; fatores internos e externos; modelo hard e modelo soft
Evolução e tendências da área no cenário mundial Média As três eras de Chiavenato; nome da área em cada era; tendências atuais
Evolução da área no contexto nacional Média As cinco fases de Marras; ordem das fases; chefe de pessoal, GRI, GRH e diretor de RH
Subsistemas de gestão de pessoas Alta Os seis processos de Chiavenato e as atividades de cada um; os cinco subsistemas antigos; interligação

Do que trata o tópico

Este tópico é a porta de entrada da disciplina Gestão de Pessoas. Ele explica o que é a área, como ela se organiza dentro da empresa e do órgão público, quais modelos de gestão de pessoas existem, como a área evoluiu no mundo e no Brasil e quais são os subsistemas, isto é, os grandes grupos de atividades que a área executa, do recrutamento ao controle das informações sobre as pessoas.

Conteúdo

A área de gestão de pessoas

Uma prefeitura compra computadores novos, reforma as salas e cria um sistema eletrônico de protocolo, mas o atendimento continua lento. Os servidores não sabem usar o sistema, ninguém mede o desempenho e os melhores técnicos pedem transferência. O problema não está no prédio nem na máquina: está na forma como a organização atrai, prepara, avalia, paga e mantém as pessoas, e é disso que trata a gestão de pessoas.

A gestão de pessoas é o conjunto de políticas e práticas que a organização usa para lidar com as pessoas que trabalham nela, desde a entrada até a saída. Na definição de Idalberto Chiavenato, a mais usada nos concursos, é a função que permite a colaboração eficaz das pessoas para alcançar os objetivos da organização e os objetivos individuais. A definição tem dois lados: a organização precisa de resultado, e a pessoa precisa de satisfação, crescimento e remuneração justa.

Organização e pessoas dependem uma da outra. A organização depende das pessoas para produzir, atender e inovar, e as pessoas dependem da organização para alcançar objetivos pessoais, como renda, carreira e reconhecimento. Chiavenato descreve essa relação como uma troca de interesses, em que cada lado oferece contribuições e espera incentivos. Se um lado percebe que entrega mais do que recebe, a relação se desgasta: a organização perde produtividade, ou a pessoa perde motivação e sai.

Pessoas como recursos ou como parceiras. A forma de ver as pessoas mudou ao longo do tempo. Na visão antiga, as pessoas são recursos, isto é, insumos de produção como o dinheiro e a máquina, que a organização planeja, controla e reduz quando o custo aperta. Na visão atual, as pessoas são parceiras, isto é, fornecedoras de conhecimento, habilidade e inteligência, que investem esforço na organização e esperam retorno desse investimento.

A tabela abaixo resume a troca de visão que Chiavenato apresenta e que as bancas transformam em itens de certo ou errado.

Pessoas como recursos Pessoas como parceiras
Empregados isolados nos cargos Colaboradores agrupados em equipes
Horário rígido e preocupação com normas Metas negociadas e preocupação com resultados
Subordinação ao chefe Atendimento e satisfação do cliente
Dependência da chefia Interdependência entre colegas e equipes
Ênfase na especialização Ênfase no conhecimento
Executoras de tarefas Fornecedoras de atividade e de talento

Aspectos da gestão de pessoas moderna. Chiavenato afirma que a gestão de pessoas atual se apoia em alguns aspectos. As pessoas são seres humanos, com personalidade, história e capacidades próprias, e não meros recursos. As pessoas são ativadoras inteligentes dos recursos da organização, porque são elas que dão vida às máquinas e aos processos. As pessoas são parceiras da organização e são talentos que fornecem competências, e por isso formam o capital humano, isto é, o conjunto de conhecimentos e habilidades que gera valor.

Objetivos da área. A gestão de pessoas existe para ajudar a organização a cumprir a missão e alcançar os objetivos, e não como um fim em si. Entre os objetivos que Chiavenato lista estão: dar competitividade à organização; fornecer pessoas bem treinadas e motivadas; aumentar a satisfação das pessoas no trabalho; desenvolver e manter a qualidade de vida no trabalho; administrar e impulsionar a mudança; e manter políticas éticas e comportamento socialmente responsável.

Responsabilidade de linha e função de staff. Gerir pessoas é responsabilidade de linha, isto é, de cada chefe, de cada gerente e de cada coordenador que tem uma equipe, porque é ele quem convive com as pessoas todos os dias. O órgão de recursos humanos exerce uma função de staff, isto é, de assessoria e consultoria: ele cria as políticas, oferece os instrumentos, orienta os gestores e executa as rotinas especializadas.

A frase que resume a regra é "administrar pessoas é responsabilidade de linha e função de staff". O gerente de linha decide quem contratar na equipe, avalia e orienta o subordinado. O órgão de RH monta o processo seletivo, desenha o formulário de avaliação e treina o gerente para usá-lo. Se o RH tenta decidir sozinho tudo sobre as pessoas, ele invade a autoridade de linha e cria conflito com os gerentes.

Centralização e descentralização. Nas organizações antigas, o órgão de RH concentrava as decisões sobre pessoas e os gerentes só recebiam o resultado. Hoje a tendência é descentralizar: as decisões sobre pessoas passam para os gerentes de linha, e o RH fica menor, mais estratégico e atua como consultoria interna. A centralização dá padrão e controle, mas deixa a decisão longe de quem conhece a equipe; a descentralização dá rapidez e proximidade, mas exige gerentes preparados.

Os quatro papéis de Ulrich. Dave Ulrich descreve os papéis que o RH precisa exercer ao mesmo tempo. Ele cruza dois eixos: o foco no futuro e na estratégia contra o foco no dia a dia e na operação; e o foco em processos contra o foco em pessoas. Do cruzamento saem quatro papéis:

  1. Parceiro estratégico (estratégia e processos): alinha as práticas de RH à estratégia da organização. O resultado esperado é a execução da estratégia.
  2. Agente de mudança (estratégia e pessoas): conduz a transformação e a mudança da cultura. O resultado esperado é uma organização renovada.
  3. Especialista administrativo (operação e processos): cuida da infraestrutura da área, com processos eficientes de folha, admissão e cadastro. O resultado esperado é uma infraestrutura eficiente.
  4. Defensor dos funcionários (operação e pessoas): ouve os empregados, responde às necessidades deles e aumenta o comprometimento. O resultado esperado é o envolvimento e a capacidade dos empregados.

Exemplo resolvido: classifique cada ação do órgão de RH de um tribunal pelo papel de Ulrich.

  1. O RH digitaliza a admissão e reduz de dez para três os formulários do novo servidor. A ação é operacional e trata de processo, e por isso é do especialista administrativo.
  2. O RH cria um canal de escuta e responde às queixas sobre carga de trabalho. A ação é do dia a dia e trata das pessoas, e por isso é do defensor dos funcionários.
  3. O RH participa do planejamento estratégico e define as competências que o tribunal vai precisar no plano de cinco anos. A ação é estratégica e trata de processo, e por isso é do parceiro estratégico.
  4. O RH conduz a mudança do trabalho presencial para o teletrabalho e prepara os gestores para a nova cultura. A ação é estratégica e trata de pessoas, e por isso é do agente de mudança.

Na prática, uma agência reguladora inventada, a Agência Delta, tem um RH que só processa folha e férias. O diretor quer que o RH ajude a cumprir a meta de digitalizar todos os serviços em dois anos. Pela teoria, o RH precisa somar o papel de parceiro estratégico (ligar o plano de capacitação à meta) e o de agente de mudança (preparar os servidores para a nova forma de trabalhar), sem abandonar o especialista administrativo, porque a folha continua a ser paga todo mês.

A diferença que a banca troca é entre parceiro estratégico e agente de mudança: os dois olham para o futuro, mas o parceiro trabalha com processos e estratégia, e o agente trabalha com pessoas e cultura. A outra troca é entre especialista administrativo e defensor dos funcionários: os dois olham para o dia a dia, mas o primeiro cuida da eficiência dos processos, e o segundo cuida das necessidades e do comprometimento das pessoas.

O erro comum é achar que a gestão de pessoas é tarefa exclusiva do departamento de RH. A responsabilidade é de todo gestor que tem equipe, e o RH apoia como staff.

Na concepção moderna de gestão de pessoas, a administração das pessoas é função de staff exercida com exclusividade pelo órgão de recursos humanos, cabendo aos gerentes de linha apenas executar as decisões tomadas por esse órgão.

Comentário:

Teoria: para Chiavenato, administrar pessoas é responsabilidade de linha, de cada gestor que tem equipe, e função de staff, do órgão de RH, que assessora e oferece os instrumentos.

A afirmação erra em é função de staff exercida com exclusividade pelo órgão de recursos humanos, cabendo aos gerentes de linha apenas executar as decisões tomadas por esse órgão: o gerente de linha é o responsável direto pelas pessoas da equipe, e o órgão de RH assessora. A tendência atual é descentralizar as decisões para os gerentes, e não concentrar no RH.

Resultado: errado.

O setor de RH de uma autarquia federal criou um fórum mensal para ouvir as queixas dos servidores sobre as condições de trabalho e passou a responder a cada demanda em até dez dias, com o objetivo de aumentar o comprometimento da equipe. Segundo o modelo de papéis de Dave Ulrich, essa iniciativa corresponde ao papel de

  1. A) parceiro estratégico, porque o fórum alinha as práticas de RH à estratégia de longo prazo da autarquia.
  2. B) agente de mudança, porque o fórum trata de pessoas e por isso pertence ao eixo voltado para o futuro.
  3. C) defensor dos funcionários, porque a ação cuida das necessidades dos servidores no dia a dia.
  4. D) especialista administrativo, porque o prazo de resposta torna o processo de atendimento mais eficiente.
  5. E) consultor interno de linha, porque o fórum transfere ao gerente de linha a decisão sobre as queixas.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: o parceiro estratégico liga as práticas de RH à estratégia da organização; o foco é o futuro e os processos.

A alternativa erra em o fórum alinha as práticas de RH à estratégia de longo prazo da autarquia: o fórum responde às demandas atuais dos servidores, sem ligação com um plano estratégico.

B) Errada.

Teoria: o agente de mudança atua no futuro e nas pessoas, conduzindo a transformação da cultura; o eixo das pessoas tem também um papel operacional.

A alternativa erra em o fórum trata de pessoas e por isso pertence ao eixo voltado para o futuro: tratar de pessoas não basta para ser agente de mudança. O fórum cuida de queixas do dia a dia, que é o foco operacional.

C) Certa.

Teoria: o defensor dos funcionários atua no dia a dia e nas pessoas, ouvindo os empregados e respondendo às necessidades deles para aumentar o comprometimento.

O fórum ouve os servidores, responde às queixas e busca comprometimento. Esses são os traços do defensor dos funcionários.

D) Errada.

Teoria: o especialista administrativo cuida da eficiência dos processos de RH, como folha, cadastro e admissão.

A alternativa erra em o prazo de resposta torna o processo de atendimento mais eficiente: o prazo é um meio, mas o objetivo declarado é o comprometimento dos servidores, que pertence ao eixo das pessoas.

E) Errada.

Teoria: Ulrich descreve quatro papéis: parceiro estratégico, agente de mudança, especialista administrativo e defensor dos funcionários.

A alternativa erra em consultor interno de linha, porque o fórum transfere ao gerente de linha a decisão sobre as queixas: esse papel não existe no modelo de Ulrich, e o enunciado diz que o próprio RH responde às demandas.

Resultado: alternativa C.

Como a banca cobra: a banca afirma que gerir pessoas é tarefa só do RH, troca as colunas da tabela de recursos e parceiros e descreve uma ação do RH para o candidato apontar o papel de Ulrich.

Modelos básicos de gestão de pessoas

Duas empresas do mesmo setor têm um setor de RH, mas uma delas só cuida da folha e do ponto, e a outra participa do plano estratégico e define as competências que o negócio vai exigir. As duas fazem "gestão de pessoas", mas seguem modelos diferentes. Um modelo de gestão de pessoas é a maneira como a organização se organiza para gerenciar e orientar o comportamento humano no trabalho, com princípios, políticas e práticas próprias.

André Fischer, autor brasileiro, explica que o modelo não nasce do nada. Ele depende de fatores internos, como o produto ou serviço, a tecnologia, a estratégia, a forma de organizar o trabalho, a cultura e a estrutura da organização. Ele depende também de fatores externos, como a cultura de trabalho da sociedade, a legislação trabalhista do país, o papel do Estado e as condições do mercado de trabalho.

Fischer descreve quatro modelos, que surgiram em sequência histórica. Um modelo novo não apaga o anterior: as organizações de hoje ainda podem seguir qualquer um deles, ou uma mistura.

  1. Modelo articulado como departamento de pessoal. Nasce no começo do século XX, sob a influência da administração científica de Taylor. O foco são as transações e os procedimentos: contratar, registrar, calcular a folha, controlar o ponto e cumprir a legislação. As pessoas são vistas como custo a controlar.
  2. Modelo de gestão do comportamento humano. Nasce com a Escola de Relações Humanas e com a psicologia aplicada ao trabalho, a partir dos estudos de Elton Mayo. O foco passa a ser o comportamento das pessoas: motivação, liderança, clima, treinamento e relações interpessoais. A área passa a se chamar administração de recursos humanos.
  3. Modelo de gestão estratégica de pessoas. Nasce quando a área passa a ser ligada à estratégia do negócio. As políticas de RH precisam ser coerentes com os objetivos da organização e com o ambiente externo, e o RH deixa de ser só executor. É a fase em que surgem os modelos acadêmicos de Michigan e de Harvard.
  4. Modelo competitivo, articulado por competências. Ganha força a partir dos anos 1990, com a competição global. A vantagem competitiva vem das competências das pessoas e da organização, e a gestão de pessoas passa a identificar, desenvolver e recompensar competências ligadas aos resultados.
  1. Departamento de pessoaltransações, folha e controle
  2. Gestão do comportamento humanomotivação, liderança e relações humanas
  3. Gestão estratégica de pessoasRH ligado à estratégia do negócio
  4. Gestão por competênciascompetências como vantagem competitiva
Os quatro modelos de Fischer

Modelo hard e modelo soft. Dentro da gestão estratégica, duas escolas americanas são cobradas. O modelo de Michigan, chamado de hard (duro), trata as pessoas como recurso que precisa ser alinhado à estratégia, com ênfase em controle, desempenho e eficiência, numa lógica de cálculo. O modelo de Harvard, chamado de soft (suave), dá ênfase ao compromisso das pessoas, à comunicação, à motivação e aos vários grupos interessados, como empregados, sindicatos, governo e acionistas.

A diferença central é a visão das pessoas. No hard, a pessoa é um recurso como qualquer outro, e a pergunta é como usá-la da forma mais eficiente para a estratégia. No soft, a pessoa é fonte de compromisso e de vantagem, e a pergunta é como obter o envolvimento dela.

Exemplo resolvido: identifique o modelo de Fischer em cada descrição.

  1. "O setor só registra admissões, calcula a folha e controla faltas, e a principal meta é reduzir o custo com pessoal." O foco é transação e custo, e por isso o modelo é o de departamento de pessoal.
  2. "O setor promove pesquisas de clima, programas de motivação e cursos de liderança para os chefes." O foco é o comportamento humano, e por isso o modelo é o de gestão do comportamento humano.
  3. "O diretor de RH participa do comitê de estratégia e ajusta o plano de pessoal ao novo plano de negócios." O foco é a coerência com a estratégia, e por isso o modelo é o de gestão estratégica de pessoas.
  4. "A empresa mapeia as competências críticas do negócio e liga a remuneração e o treinamento a essas competências." O foco são as competências como vantagem, e por isso o modelo é o competitivo, por competências.

Na prática, um banco público inventado, o Banco Sul, ainda paga a folha com controle rígido de ponto, mas lançou um programa de competências para os gerentes de agência. Pela teoria de Fischer, o banco convive com dois modelos ao mesmo tempo: departamento de pessoal na rotina e gestão por competências na estratégia. Essa convivência é normal, porque os modelos são marcos históricos e não etapas que se excluem.

A diferença que a banca troca é entre gestão estratégica e gestão por competências. As duas ligam o RH à estratégia, mas a gestão por competências escolhe a competência como eixo de todas as práticas (seleção, treinamento, avaliação e remuneração) e vê nela a fonte da vantagem competitiva. Outra troca frequente é entre os fatores internos e externos: legislação trabalhista e mercado de trabalho são externos; cultura organizacional, tecnologia e estrutura são internos.

O erro comum é achar que o surgimento de um modelo novo faz o anterior desaparecer. Os modelos se acumulam, e a organização pode seguir mais de um.

Segundo Fischer, a cultura organizacional e a tecnologia adotada pela empresa são fatores internos que condicionam o modelo de gestão de pessoas, enquanto a legislação trabalhista e as condições do mercado de trabalho são fatores externos.

Comentário:

Teoria: Fischer separa os fatores internos (produto ou serviço, tecnologia, estratégia, organização do trabalho, cultura e estrutura) dos externos (cultura de trabalho da sociedade, legislação trabalhista, papel do Estado e mercado de trabalho).

A afirmação põe cada fator no grupo certo. A cultura e a tecnologia nascem dentro da organização, e a legislação e o mercado vêm de fora dela.

Resultado: certo.

Uma empresa de energia reestruturou a área de pessoas. A seleção passou a buscar perfis definidos pelas competências críticas do negócio, o treinamento passou a fechar lacunas dessas competências e a remuneração variável passou a premiar as entregas ligadas a elas. Segundo a classificação de Fischer, essa reestruturação corresponde ao modelo

  1. A) de departamento de pessoal, porque a empresa passou a controlar com mais rigor a remuneração variável.
  2. B) de gestão do comportamento humano, porque a empresa passou a investir em treinamento para motivar as pessoas.
  3. C) hard de Michigan, porque a empresa passou a ver as pessoas como custo a ser reduzido.
  4. D) de gestão estratégica de pessoas, porque as competências substituem a estratégia como referência das práticas de RH.
  5. E) competitivo, articulado por competências, porque todas as práticas de RH passaram a girar em torno das competências do negócio.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: o modelo de departamento de pessoal tem foco nas transações, no controle e no custo.

A alternativa erra em de departamento de pessoal, porque a empresa passou a controlar com mais rigor a remuneração variável: a empresa não reforçou o controle, ela ligou a remuneração às competências do negócio.

B) Errada.

Teoria: o modelo de gestão do comportamento humano tem foco em motivação, clima, liderança e relações interpessoais.

A alternativa erra em porque a empresa passou a investir em treinamento para motivar as pessoas: o treinamento do caso fecha lacunas de competência, e não busca motivação como fim.

C) Errada.

Teoria: o modelo hard de Michigan é uma escola da gestão estratégica e vê as pessoas como recurso a alinhar à estratégia; ele não é um dos quatro modelos de Fischer.

A alternativa erra em hard de Michigan, porque a empresa passou a ver as pessoas como custo a ser reduzido: o caso não fala em reduzir custo, e Michigan não é uma das categorias de Fischer.

D) Errada.

Teoria: na gestão estratégica, o RH se alinha à estratégia; na gestão por competências, a competência vira o eixo de todas as práticas, a serviço da estratégia.

A alternativa erra em as competências substituem a estratégia como referência das práticas de RH: as competências não substituem a estratégia, elas traduzem a estratégia em exigências para as pessoas. O caso descreve o modelo por competências.

E) Certa.

Teoria: no modelo competitivo de Fischer, a vantagem vem das competências, e seleção, treinamento e remuneração giram em torno delas.

Seleção, treinamento e remuneração passaram a ter a competência como eixo. Esse é o traço do modelo articulado por competências.

Resultado: alternativa E.

Como a banca cobra: a banca descreve as práticas de uma organização e pede o modelo de Fischer, troca fatores internos e externos ou afirma que um modelo novo elimina o anterior.

Evolução e tendências da área no cenário mundial

A forma de gerir pessoas acompanha a forma de organizar o trabalho. Numa fábrica de 1920, com linha de montagem e tarefas repetitivas, a empresa precisava de gente que obedecesse e produzisse. Numa empresa de tecnologia de hoje, com mudança rápida e trabalho intelectual, a empresa precisa de gente que pense, aprenda e decida. Chiavenato organiza essa história em três eras, e cada era tem a própria estrutura, a própria visão das pessoas e o próprio nome para a área.

Era da Industrialização Clássica (do começo do século XX até cerca de 1950). A estrutura das organizações é funcional, burocrática, centralizada e piramidal, com regras rígidas e pouca mudança no ambiente. As pessoas são vistas como mão de obra, isto é, fatores de produção inertes, iguais às máquinas. A área se chama relações industriais e cuida de admissão, pagamento, disciplina e cumprimento da legislação, numa função de intermediação entre a empresa e os empregados.

Era da Industrialização Neoclássica (de cerca de 1950 a 1990). Depois da Segunda Guerra, o mundo muda mais depressa, a competição cresce e surgem estruturas mistas, como a estrutura matricial, que combina a divisão por funções com a divisão por produtos ou projetos. As pessoas passam a ser vistas como recursos, que precisam ser administrados. A área passa a se chamar administração de recursos humanos, com departamentos de recrutamento, seleção, treinamento, cargos e salários, benefícios, higiene e segurança.

Era da Informação (a partir de 1990). A tecnologia da informação, a globalização e a mudança constante exigem estruturas orgânicas, flexíveis e enxutas, com equipes multifuncionais e menos níveis hierárquicos. O conhecimento passa a ser o recurso mais importante, e as pessoas são vistas como parceiras, seres dotados de inteligência, conhecimento e habilidades. A área passa a se chamar gestão de pessoas e se torna estratégica, com as decisões descentralizadas para os gerentes.

  1. Até cerca de 1950Industrialização Clássica e relações industriais
  2. De 1950 a 1990Industrialização Neoclássica e recursos humanos
  3. A partir de 1990Era da Informação e gestão de pessoas
As três eras de Chiavenato

Raízes teóricas. A administração científica de Frederick Taylor, no começo do século XX, levou à seleção científica do trabalhador, ao treinamento no método certo e ao incentivo salarial por produção, com a ideia de que o homem é motivado pelo dinheiro. A Escola de Relações Humanas, com os estudos de Elton Mayo na fábrica de Hawthorne, mostrou que fatores sociais e o grupo de trabalho influenciam a produtividade, e abriu caminho para a visão comportamental. As teorias de motivação e de liderança das décadas seguintes alimentaram a administração de recursos humanos.

Tendências atuais. As tendências que as bancas cobram são a continuação da Era da Informação:

  • RH estratégico, que participa do planejamento e liga as práticas aos resultados;
  • descentralização das decisões sobre pessoas para os gerentes de linha;
  • enxugamento do órgão de RH, que passa a atuar como consultoria interna;
  • terceirização das atividades operacionais, como a folha de pagamento;
  • foco em competências, conhecimento e capital humano;
  • uso intensivo de tecnologia, com autoatendimento do empregado e análise de dados sobre pessoas;
  • atenção à qualidade de vida, ao bem-estar, à diversidade e à inclusão;
  • trabalho remoto e híbrido, com gestão por resultados no lugar do controle de horário;
  • aprendizagem contínua e gestão do conhecimento.

Exemplo resolvido: identifique a era de Chiavenato pela descrição.

  1. "A empresa tem estrutura matricial, um departamento de recursos humanos com setores de treinamento e de cargos e salários, e trata as pessoas como recursos." Estrutura matricial e recursos humanos marcam a Industrialização Neoclássica.
  2. "A empresa tem estrutura funcional rígida, um setor de relações industriais e vê o trabalhador como mão de obra." Esses traços marcam a Industrialização Clássica.
  3. "A empresa tem equipes multifuncionais, poucos níveis hierárquicos e trata as pessoas como parceiras com conhecimento." Esses traços marcam a Era da Informação.

Na prática, uma empresa inventada de aplicativos, a Rota Certa, extinguiu o departamento de pessoal de quarenta pessoas, terceirizou a folha e deixou no RH oito consultores que atendem os gerentes. Pela teoria, a empresa segue as tendências da Era da Informação: enxugamento, terceirização do operacional, consultoria interna e decisão no gerente de linha.

A diferença que a banca troca é a ligação entre era, estrutura e nome da área. A estrutura matricial é da Neoclássica, e não da Era da Informação, que tem estruturas orgânicas. O nome "recursos humanos" é da Neoclássica, e o nome "gestão de pessoas" é da Era da Informação.

O erro comum é pôr a visão das pessoas como recursos na Era da Informação. Nessa era, as pessoas são parceiras; recursos é a visão da Neoclássica.

Considerando a evolução da área de gestão de pessoas descrita por Chiavenato, assinale a alternativa correta.

  1. A) Na Era da Industrialização Neoclássica, a estrutura matricial combina funções e produtos, as pessoas são vistas como recursos e a área se chama administração de recursos humanos.
  2. B) Na Era da Industrialização Clássica, as estruturas orgânicas e flexíveis levam a área de relações industriais a tratar as pessoas como parceiras.
  3. C) Na Era da Informação, a área se chama relações industriais, porque cuida da intermediação entre a empresa e os sindicatos.
  4. D) Na Era da Industrialização Neoclássica, as decisões sobre pessoas são descentralizadas para os gerentes de linha e o RH atua como consultoria interna enxuta.
  5. E) Na Era da Informação, a tendência é ampliar o órgão de RH e concentrar nele as decisões sobre pessoas, para garantir padrão.

Comentário:

A) Certa.

Teoria: a Industrialização Neoclássica, de cerca de 1950 a 1990, tem estrutura matricial, vê as pessoas como recursos e chama a área de administração de recursos humanos.

Os três traços da alternativa pertencem à mesma era. Essa é a combinação correta de estrutura, visão e nome.

B) Errada.

Teoria: a Industrialização Clássica tem estrutura funcional, burocrática e centralizada, e vê as pessoas como mão de obra.

A alternativa erra em as estruturas orgânicas e flexíveis levam a área de relações industriais a tratar as pessoas como parceiras: estrutura orgânica e pessoas como parceiras são traços da Era da Informação.

C) Errada.

Teoria: na Era da Informação, a área se chama gestão de pessoas; relações industriais é o nome da Industrialização Clássica.

A alternativa erra em a área se chama relações industriais: o nome da Era da Informação é gestão de pessoas.

D) Errada.

Teoria: a descentralização para os gerentes de linha e o RH como consultoria interna são tendências da Era da Informação.

A alternativa erra em Na Era da Industrialização Neoclássica, as decisões sobre pessoas são descentralizadas: na Neoclássica, o departamento de recursos humanos ainda concentra as decisões e executa as atividades.

E) Errada.

Teoria: a tendência da Era da Informação é enxugar o órgão de RH e descentralizar as decisões para os gerentes.

A alternativa erra em ampliar o órgão de RH e concentrar nele as decisões sobre pessoas: a tendência é o contrário, com RH menor e decisão no gerente de linha.

Resultado: alternativa A.

Como a banca cobra: a banca mistura os traços de duas eras na mesma frase (estrutura de uma, nome da área de outra) e afirma tendências ao contrário, como centralizar o RH.

Evolução da área no contexto nacional

No Brasil, a área de pessoas seguiu um caminho próprio, porque a industrialização chegou mais tarde e o Estado teve peso grande na relação de trabalho. Até o começo do século XX, a economia era agrária, e não havia uma área especializada em pessoas. Jean Pierre Marras organiza essa evolução em cinco fases, e a ordem delas é o ponto mais cobrado.

  1. Fase contábil (antes de 1930). A preocupação é o custo da mão de obra. O trabalhador entra na conta como despesa, e a área se limita a registrar entradas, saídas e pagamentos.
  2. Fase legal (de 1930 a 1950). Com o governo de Getúlio Vargas, surgem a legislação trabalhista, o Ministério do Trabalho e, em 1943, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). A empresa cria o chefe de pessoal, cuja função é acompanhar e cumprir as novas regras trabalhistas.
  3. Fase tecnicista (de 1950 a 1965). No governo de Juscelino Kubitschek, chegam as multinacionais, em especial a indústria automobilística, e trazem o modelo americano de gestão. Surge o gerente de relações industriais (GRI), e a área passa a oferecer serviços como recrutamento, seleção, treinamento, cargos e salários, higiene e segurança e benefícios.
  4. Fase administrativa ou sindicalista (de 1965 a 1985). O movimento sindical ganha força, com o chamado novo sindicalismo no fim dos anos 1970. O GRI dá lugar ao gerente de recursos humanos (GRH), e o foco passa dos procedimentos burocráticos para as pessoas e as relações com os empregados.
  5. Fase estratégica (a partir de 1985). As empresas adotam o planejamento estratégico e ligam a gestão de pessoas a ele. A área sobe ao nível de diretoria, com o diretor de recursos humanos (DRH), e passa a participar das decisões do negócio.
  1. Antes de 1930fase contábil
  2. 1930 a 1950fase legal e chefe de pessoal
  3. 1950 a 1965fase tecnicista e GRI
  4. 1965 a 1985fase administrativa e GRH
  5. A partir de 1985fase estratégica e diretoria de RH
As cinco fases de Marras no Brasil

O setor público. No serviço público federal, a gestão de pessoas ganhou um órgão central no fim dos anos 1930, com o Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), criado em 1938 dentro do modelo burocrático. O DASP introduziu o concurso público e regras uniformes para o pessoal, com o objetivo de substituir o apadrinhamento por critérios de mérito. A modernização posterior seguiu as mesmas ideias do setor privado: gestão por competências, avaliação de desempenho e capacitação ligada aos objetivos do órgão.

Exemplo resolvido: ponha em ordem as descrições de fases brasileiras.

  1. "O gerente de recursos humanos substitui o GRI e o foco passa a ser as pessoas." É a fase administrativa, de 1965 a 1985.
  2. "O chefe de pessoal cuida do cumprimento das novas regras trabalhistas." É a fase legal, de 1930 a 1950.
  3. "As multinacionais trazem o modelo americano e surge o GRI." É a fase tecnicista, de 1950 a 1965.
  4. "A área vira diretoria e participa do planejamento estratégico." É a fase estratégica, a partir de 1985.
  5. "O trabalhador é visto só como custo a registrar." É a fase contábil, antes de 1930.

A ordem correta é 5, 2, 3, 1 e 4: contábil, legal, tecnicista, administrativa e estratégica.

Na prática, uma indústria têxtil inventada, a Fios do Vale, teve um "chefe de pessoal" nos anos 1940, um "gerente de relações industriais" nos anos 1950 e um "gerente de recursos humanos" nos anos 1970. Hoje tem uma "diretoria de gestão de pessoas" que senta no comitê executivo. Pela teoria de Marras, a empresa percorreu as fases legal, tecnicista, administrativa e estratégica.

A diferença que a banca troca é a ordem entre a fase tecnicista e a fase administrativa, e o cargo de cada uma. O GRI é da tecnicista, ligado à chegada das multinacionais; o GRH é da administrativa, ligado ao fortalecimento sindical. Outra troca é ligar a CLT à fase tecnicista, quando ela é da fase legal.

O erro comum é confundir as cinco fases brasileiras de Marras com as três eras mundiais de Chiavenato. São duas classificações diferentes, de autores diferentes, para contextos diferentes.

Na evolução da área de gestão de pessoas no Brasil descrita por Marras, a fase tecnicista, marcada pela chegada das multinacionais e pela criação do cargo de gerente de recursos humanos, sucede a fase administrativa, em que o movimento sindical ganhou força.

Comentário:

Teoria: para Marras, a ordem é contábil, legal, tecnicista, administrativa e estratégica; a tecnicista cria o gerente de relações industriais (GRI), e a administrativa troca o GRI pelo gerente de recursos humanos (GRH).

A afirmação erra em criação do cargo de gerente de recursos humanos, sucede a fase administrativa: a fase tecnicista cria o GRI e vem antes da administrativa. O gerente de recursos humanos é da fase administrativa.

Resultado: errado.

Como a banca cobra: a banca inverte a ordem das fases ou troca o cargo típico de cada fase, em especial o GRI e o GRH.

Subsistemas de gestão de pessoas

Um órgão público precisa de um analista novo. Primeiro, ele divulga a vaga e escolhe o candidato; depois, define o que o analista vai fazer e avalia o trabalho dele; paga o salário e os benefícios; oferece cursos; cuida da saúde e da segurança; e guarda todas essas informações num sistema. Cada um desses grupos de atividade é um subsistema (ou processo) de gestão de pessoas, e o conjunto forma o sistema de gestão de pessoas da organização.

O modelo atual de Chiavenato: seis processos. Chiavenato organiza a gestão de pessoas em seis processos, cada um respondendo a uma pergunta.

  1. Agregar pessoas (quem deve trabalhar na organização): incluir pessoas novas. Atividades: recrutamento e seleção.
  2. Aplicar pessoas (o que as pessoas devem fazer): desenhar as atividades e acompanhar o desempenho. Atividades: orientação e integração das pessoas novas (socialização), modelagem do trabalho, isto é, desenho de cargos, e avaliação do desempenho.
  3. Recompensar pessoas (como recompensar as pessoas): incentivar e satisfazer as necessidades individuais. Atividades: remuneração, benefícios e serviços sociais, e incentivos.
  4. Desenvolver pessoas (como preparar e desenvolver as pessoas): capacitar e permitir o crescimento profissional. Atividades: treinamento, desenvolvimento de pessoas e de carreira, programas de mudança, aprendizagem e gestão do conhecimento.
  5. Manter pessoas (como manter as pessoas no trabalho): criar condições ambientais e psicológicas satisfatórias. Atividades: higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho, e relações com os empregados e os sindicatos, incluindo disciplina.
  6. Monitorar pessoas (como saber o que fazem e o que são): acompanhar e controlar as atividades e verificar os resultados. Atividades: banco de dados e sistemas de informações gerenciais.
  1. Agregar: recrutamento e seleção
  2. Aplicar: orientação, desenho de cargos e avaliação do desempenho
  3. Recompensar: remuneração, benefícios e incentivos
  4. Desenvolver: treinamento, carreira e gestão do conhecimento
  5. Manter: higiene, segurança, qualidade de vida e relações sindicais
  6. Monitorar: banco de dados e sistemas de informação
Os seis processos de Chiavenato

Os processos não são uma linha reta: eles são interdependentes: um erro na seleção (agregar) aumenta a necessidade de treinamento (desenvolver), e uma remuneração ruim (recompensar) aumenta a saída de pessoas que a área de manter tenta segurar. Cada processo também sofre a influência de fatores externos, como a legislação e o mercado, e de fatores internos, como a cultura e a estrutura da organização.

Onde fica a avaliação do desempenho. No modelo de seis processos, Chiavenato põe a avaliação do desempenho em aplicar pessoas, ao lado do desenho de cargos, porque a avaliação acompanha se a pessoa faz bem aquilo que o cargo pede. A banca costuma pôr a avaliação em recompensar ou em monitorar para testar o candidato. Monitorar, nesse modelo, é só banco de dados e sistemas de informação.

O modelo antigo: cinco subsistemas. Edições mais antigas de Chiavenato usam cinco subsistemas, que ainda aparecem em provas:

  1. Provisão (ou suprimento): pesquisa de mercado de recursos humanos, recrutamento e seleção;
  2. Aplicação: integração, desenho e descrição de cargos, e avaliação do desempenho;
  3. Manutenção: remuneração, planos de benefícios, higiene e segurança, e relações sindicais;
  4. Desenvolvimento: treinamento e desenvolvimento organizacional;
  5. Monitoração (ou controle): banco de dados, sistemas de informação e auditoria de recursos humanos.

A diferença mais cobrada entre os dois modelos é a remuneração. No modelo antigo, a remuneração e os benefícios ficam em manutenção, junto com higiene e segurança. No modelo de seis processos, a remuneração ganha um processo próprio, recompensar, e manter fica com higiene, segurança, qualidade de vida e relações com os empregados.

O modelo de Joel Dutra. Dutra, autor brasileiro, agrupa as práticas em três processos: movimentação (captação, internalização, transferências, promoções, expatriação e recolocação), desenvolvimento (capacitação, carreira e desempenho) e valorização (remuneração, premiação e serviços e facilidades). No modelo de Dutra, a avaliação do desempenho fica em desenvolvimento, e a remuneração fica em valorização.

Exemplo resolvido: classifique cada atividade de um órgão nos seis processos de Chiavenato.

  1. Divulgar o edital e aplicar provas aos candidatos: agregar, porque é recrutamento e seleção.
  2. Fazer a semana de integração do servidor novo: aplicar, porque é orientação das pessoas.
  3. Aplicar a avaliação de desempenho semestral: aplicar, porque a avaliação do desempenho está nesse processo.
  4. Criar o auxílio-creche e a gratificação por produtividade: recompensar, porque são benefícios e incentivos.
  5. Oferecer o curso de redação oficial e o plano de carreira: desenvolver, porque são treinamento e carreira.
  6. Fazer a ginástica laboral e negociar com o sindicato: manter, porque são qualidade de vida e relações sindicais.
  7. Implantar o sistema eletrônico com o cadastro funcional: monitorar, porque é banco de dados e sistema de informação.

Na prática, um hospital inventado, o Hospital Aurora, tem alta saída de enfermeiros no primeiro ano. Pela teoria, o RH olha os processos em conjunto: revê a seleção (agregar), melhora a integração (aplicar), compara o salário com o mercado (recompensar), cria trilhas de treinamento (desenvolver), reduz as jornadas exaustivas (manter) e cria um painel com os dados de desligamento (monitorar). Atacar um processo só raramente resolve, porque os processos dependem uns dos outros.

A banca troca as atividades de fronteira. Treinamento é desenvolver, e não aplicar; higiene e segurança são manter, e não recompensar. Benefícios são recompensar no modelo de seis, e manutenção no modelo de cinco. A integração do recém-chegado é aplicar, e não agregar, porque agregar termina na seleção.

O erro comum é decorar só o nome dos processos e não as atividades de cada um. A banca quase sempre pergunta a atividade, e não o nome.

No modelo de seis processos de gestão de pessoas proposto por Chiavenato, a orientação das pessoas recém-admitidas e a avaliação do desempenho integram o processo de aplicar pessoas, enquanto a remuneração e os benefícios integram o processo de recompensar pessoas.

Comentário:

Teoria: no modelo de seis processos, aplicar pessoas reúne orientação, modelagem do trabalho e avaliação do desempenho; recompensar pessoas reúne remuneração, benefícios e incentivos.

A afirmação põe cada atividade no processo certo. A orientação e a avaliação são de aplicar, e a remuneração e os benefícios são de recompensar.

Resultado: certo.

No modelo de seis processos de gestão de pessoas de Chiavenato, a implantação de um programa de ginástica laboral, de uma comissão de prevenção de acidentes e de reuniões periódicas de negociação com o sindicato da categoria integra o processo de

  1. A) recompensar pessoas, porque a ginástica laboral e a prevenção de acidentes são benefícios oferecidos aos empregados.
  2. B) aplicar pessoas, porque a prevenção de acidentes faz parte do desenho do cargo.
  3. C) desenvolver pessoas, porque a negociação sindical é um programa de mudança organizacional.
  4. D) manter pessoas, porque reúne higiene, segurança, qualidade de vida e relações com os sindicatos.
  5. E) monitorar pessoas, porque a comissão de prevenção controla as atividades dos empregados.

Comentário:

A) Errada.

Regra: no modelo de seis processos, recompensar reúne remuneração, benefícios e incentivos; higiene, segurança e qualidade de vida ficam em manter.

A alternativa erra em recompensar pessoas, porque a ginástica laboral e a prevenção de acidentes são benefícios: essas ações são de qualidade de vida, higiene e segurança, que pertencem a manter.

B) Errada.

Regra: aplicar pessoas reúne orientação, modelagem do trabalho e avaliação do desempenho.

A alternativa erra em aplicar pessoas, porque a prevenção de acidentes faz parte do desenho do cargo: a prevenção de acidentes é segurança do trabalho, atividade de manter.

C) Errada.

Regra: desenvolver pessoas reúne treinamento, desenvolvimento, programas de mudança e gestão do conhecimento; relações sindicais ficam em manter.

A alternativa erra em desenvolver pessoas, porque a negociação sindical é um programa de mudança organizacional: a negociação com o sindicato é relação com os empregados, atividade de manter.

D) Certa.

Regra: manter pessoas reúne higiene, segurança e qualidade de vida no trabalho, e relações com os empregados e os sindicatos.

As três ações do enunciado (ginástica laboral, prevenção de acidentes e negociação sindical) estão no processo de manter.

E) Errada.

Regra: monitorar pessoas reúne banco de dados e sistemas de informações gerenciais.

A alternativa erra em monitorar pessoas, porque a comissão de prevenção controla as atividades dos empregados: a comissão de prevenção trata de segurança, que é manter, e não de banco de dados.

Resultado: alternativa D.

Um candidato estudou o modelo de cinco subsistemas de Chiavenato e depois o modelo de seis processos do mesmo autor. Sobre a comparação entre os dois modelos, assinale a alternativa correta.

  1. A) A avaliação do desempenho passa do subsistema de aplicação, no modelo antigo, para o processo de monitorar pessoas, no modelo de seis processos.
  2. B) A remuneração e os benefícios, que ficam no subsistema de manutenção no modelo antigo, passam a formar o processo de recompensar pessoas no modelo de seis processos.
  3. C) O recrutamento e a seleção, que ficam no subsistema de provisão no modelo antigo, passam ao processo de aplicar pessoas no modelo de seis processos.
  4. D) O treinamento, que fica no subsistema de desenvolvimento no modelo antigo, passa ao processo de manter pessoas no modelo de seis processos.
  5. E) O banco de dados, que fica no subsistema de monitoração no modelo antigo, passa ao processo de desenvolver pessoas no modelo de seis processos.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: nos dois modelos de Chiavenato, a avaliação do desempenho fica no grupo de aplicação; monitorar reúne banco de dados e sistemas de informação.

A alternativa erra em para o processo de monitorar pessoas: no modelo de seis processos, a avaliação do desempenho continua em aplicar pessoas.

B) Certa.

Teoria: no modelo de cinco subsistemas, a manutenção reúne remuneração, benefícios, higiene, segurança e relações sindicais; no de seis, a remuneração e os benefícios formam o processo de recompensar.

Essa é a principal diferença entre os dois modelos. A remuneração ganha um processo próprio, e manter fica com higiene, segurança, qualidade de vida e relações com os empregados.

C) Errada.

Teoria: o recrutamento e a seleção correspondem a provisão no modelo antigo e a agregar pessoas no modelo de seis processos.

A alternativa erra em passam ao processo de aplicar pessoas: recrutamento e seleção formam o processo de agregar pessoas.

D) Errada.

Teoria: o treinamento fica no grupo de desenvolvimento nos dois modelos.

A alternativa erra em passa ao processo de manter pessoas: o treinamento continua em desenvolver pessoas.

E) Errada.

Teoria: o banco de dados fica no grupo de monitoração nos dois modelos.

A alternativa erra em passa ao processo de desenvolver pessoas: o banco de dados continua em monitorar pessoas.

Resultado: alternativa B.

Como a banca cobra: a banca descreve uma atividade e pede o processo, troca a atividade de processo (avaliação em monitorar, benefícios em manter no modelo de seis) ou mistura os nomes dos dois modelos de Chiavenato.

  • Gestão de pessoas
    • A área
      • Pessoas como parceiras
      • Linha e staff
      • Descentralização para gerentes
      • Papéis de Ulrich
    • Modelos de Fischer
      • Departamento de pessoal
      • Comportamento humano
      • Gestão estratégica
      • Por competências
      • Fatores internos e externos
      • Hard de Michigan e soft de Harvard
    • Evolução mundial
      • Industrialização Clássica
      • Industrialização Neoclássica
      • Era da Informação
      • Tendências atuais
    • Evolução no Brasil
      • Fase contábil
      • Fase legal
      • Fase tecnicista
      • Fase administrativa
      • Fase estratégica
    • Seis processos de Chiavenato
      • Agregar
      • Aplicar
      • Recompensar
      • Desenvolver
      • Manter
      • Monitorar

Quadros e comparações

A primeira tabela liga cada era de Chiavenato à estrutura, à visão das pessoas e ao nome da área.

Era Estrutura Visão das pessoas Nome da área
Industrialização Clássica Funcional, burocrática e centralizada Mão de obra Relações industriais
Industrialização Neoclássica Matricial Recursos Administração de recursos humanos
Era da Informação Orgânica, flexível e em equipes Parceiras Gestão de pessoas

A segunda tabela compara os seis processos de Chiavenato com os cinco subsistemas antigos.

Processo (modelo de seis) Atividades principais Equivalente no modelo de cinco
Agregar Recrutamento e seleção Provisão
Aplicar Orientação, desenho de cargos e avaliação do desempenho Aplicação
Recompensar Remuneração, benefícios e incentivos Manutenção
Desenvolver Treinamento, carreira e gestão do conhecimento Desenvolvimento
Manter Higiene, segurança, qualidade de vida e relações sindicais Manutenção
Monitorar Banco de dados e sistemas de informação Monitoração

A terceira tabela põe lado a lado os quatro papéis de Ulrich.

Papel Foco Objeto Resultado esperado
Parceiro estratégico Futuro e estratégia Processos Execução da estratégia
Agente de mudança Futuro e estratégia Pessoas Organização renovada
Especialista administrativo Dia a dia e operação Processos Infraestrutura eficiente
Defensor dos funcionários Dia a dia e operação Pessoas Comprometimento dos empregados

A quarta tabela reúne os autores do tópico, a ideia e a palavra-chave que a banca usa.

Autor Ideia Palavra-chave
Chiavenato Seis processos e três eras da área Agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter, monitorar
Ulrich Quatro papéis do RH Parceiro estratégico e agente de mudança
Fischer Quatro modelos de gestão de pessoas Departamento de pessoal até competências
Marras Cinco fases da área no Brasil Contábil, legal, tecnicista, administrativa, estratégica
Dutra Três processos de gestão de pessoas Movimentação, desenvolvimento, valorização

A quinta tabela compara as fases brasileiras de Marras.

Fase Período Marca Cargo típico
Contábil Antes de 1930 Trabalhador como custo Não se aplica
Legal 1930 a 1950 Legislação trabalhista e CLT Chefe de pessoal
Tecnicista 1950 a 1965 Multinacionais e modelo americano Gerente de relações industriais
Administrativa 1965 a 1985 Força sindical e foco nas pessoas Gerente de recursos humanos
Estratégica A partir de 1985 Planejamento estratégico Diretor de recursos humanos

Para decorar

  • Gestão de pessoas: responsabilidade de linha (gestor) e função de staff (órgão de RH).
  • Pessoas como parceiras: fornecedoras de conhecimento, habilidade e talento.
  • Ulrich: parceiro estratégico, agente de mudança, especialista administrativo e defensor dos funcionários.
  • Fischer: departamento de pessoal, comportamento humano, gestão estratégica e competências.
  • Michigan: modelo hard; Harvard: modelo soft.
  • Chiavenato, três eras: Clássica (relações industriais), Neoclássica (recursos humanos), Informação (gestão de pessoas).
  • Marras, cinco fases: contábil, legal, tecnicista, administrativa e estratégica.
  • GRI: fase tecnicista; GRH: fase administrativa.
  • Seis processos: agregar, aplicar, recompensar, desenvolver, manter e monitorar.
  • Avaliação do desempenho: aplicar pessoas, no modelo de seis processos.
  • Monitorar: banco de dados e sistemas de informação.
  • Cinco subsistemas antigos: provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e monitoração.
  • Dutra: movimentação, desenvolvimento e valorização.

Pegadinhas

# Errado Certo
1 Gerir pessoas é tarefa exclusiva do órgão de RH. É responsabilidade de linha de cada gestor e função de staff do RH.
2 A tendência atual é centralizar as decisões sobre pessoas no RH. A tendência é descentralizar para os gerentes e enxugar o RH.
3 O agente de mudança de Ulrich cuida da eficiência da folha e da admissão. Isso é do especialista administrativo. O agente de mudança conduz a transformação da cultura.
4 O defensor dos funcionários é um papel estratégico de Ulrich. É um papel do dia a dia, focado nas pessoas.
5 Para Fischer, o modelo por competências elimina o modelo de departamento de pessoal. Os modelos se acumulam e podem conviver na mesma organização.
6 A legislação trabalhista é fator interno do modelo de gestão de pessoas. É fator externo, ao lado do mercado de trabalho e do papel do Estado.
7 Na Era da Informação, as pessoas são vistas como recursos. São vistas como parceiras. Recursos é a visão da Neoclássica.
8 A estrutura matricial é típica da Era da Informação. É típica da Industrialização Neoclássica.
9 O GRI surge na fase administrativa brasileira. O GRI é da fase tecnicista. O GRH é da administrativa.
10 No modelo de seis processos, a avaliação do desempenho fica em monitorar pessoas. Fica em aplicar pessoas. Monitorar é banco de dados e sistema de informação.
11 Treinamento pertence ao processo de aplicar pessoas. Treinamento pertence a desenvolver pessoas.
12 No modelo de seis processos, os benefícios ficam em manter pessoas. Ficam em recompensar. Manter reúne higiene, segurança, qualidade de vida e relações sindicais.

Fontes e data

  • [1] Conhecimento consolidado dos manuais de gestão de pessoas (Chiavenato: conceito, eras e processos; Ulrich: papéis do RH; Fischer: modelos de gestão de pessoas; Marras: evolução no Brasil; Dutra: processos de gestão de pessoas).

Texto conferido em 14/10/2026.

Conferido em 15/10/2026.

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