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Contabilidade de Custos

Introdução à Contabilidade de Custos: Terminologia e Classificações

Do que trata o tópico

Este tópico é a porta de entrada da Contabilidade de Custos. Ele ensina três coisas. A primeira é a diferença entre a Contabilidade Financeira, a Contabilidade de Custos e a Contabilidade Gerencial. A segunda é o vocabulário básico: gasto, investimento, custo, despesa, perda e desembolso. A terceira é a classificação dos custos: variável ou fixo, direto ou indireto, e os grupos custo primário e custo de transformação. A banca usa esses assuntos em questões de conceito, em afirmações para julgar e em questões que trazem uma lista de gastos de uma fábrica e pedem o custo de produção, o custo primário ou o custo de transformação.

Conteúdo

Contabilidade de Custos, Financeira e Gerencial

Pense em uma loja de roupas. A loja compra 10 camisas por R$ 20,00 cada uma. O estoque vale ., isto é, R$ 200,00.

Agora pense em uma pequena confecção, que fabrica as próprias camisas. A confecção compra tecido, paga a costureira e paga a energia das máquinas de costura. Quanto vale cada camisa pronta no estoque? Não existe uma nota fiscal com o preço da camisa. A confecção precisa juntar o tecido, o trabalho da costureira e a energia para achar o valor de cada camisa. Essa conta de juntar os gastos da produção é o trabalho da Contabilidade de Custos.

A Contabilidade Financeira é a contabilidade que registra todos os fatos da empresa e monta os relatórios para quem está fora da empresa. Quem está fora são os acionistas, os bancos e o governo. Esses relatórios são o balanço patrimonial e a demonstração do resultado. A Contabilidade Financeira segue as normas contábeis, como os pronunciamentos do CPC. Ela é obrigatória e olha principalmente para o que já aconteceu.

A Contabilidade de Custos nasceu dentro da Contabilidade Financeira. Ela surgiu quando as fábricas cresceram e a contabilidade precisou dar valor aos estoques de produtos fabricados. A primeira função dela é medir o custo dos produtos para avaliar o estoque. Com o tempo, ela ganhou mais duas funções. Ela ajuda no controle, porque compara o custo que a fábrica planejou com o custo que a fábrica teve. Ela ajuda na tomada de decisão, porque mostra quanto cada produto custa e quanto cada produto dá de lucro.

A Contabilidade Gerencial é a contabilidade feita para quem está dentro da empresa: o dono, os diretores e os gerentes. Ela organiza os dados das outras duas do jeito que ajuda a decidir. Ela não segue uma norma obrigatória. Cada empresa escolhe o formato do relatório. A Contabilidade Gerencial olha principalmente para o futuro: planejar, comparar opções e escolher.

A tabela põe as três lado a lado:

Ponto Financeira Custos Gerencial
Para quem usuários de fora da empresa quem avalia estoque e quem controla a fábrica gestores de dentro da empresa
Norma obrigatória sim sim, para avaliar o estoque não
Foco no tempo passado passado e presente futuro
Pergunta típica Qual é o lucro do ano? Quanto custa cada produto? Qual opção dá mais lucro?

A Contabilidade de Custos fica no meio. Uma parte dela serve à Contabilidade Financeira: o custo dos produtos vai para o estoque no balanço. Outra parte dela serve à Contabilidade Gerencial: o custo de cada produto ajuda o gestor a decidir o preço ou a fechar uma linha de produção.

  1. Reconheça o tipo da questão: o enunciado descreve um relatório, um usuário ou uma finalidade e pergunta qual contabilidade é essa.
  2. Ache quem usa a informação. Se é alguém de fora da empresa, pense na Contabilidade Financeira. Se é um gestor de dentro, pense na Contabilidade Gerencial.
  3. Confira se a informação é obrigatória e segue norma. Obrigatória e com norma aponta para a Financeira. Livre e sem formato fixo aponta para a Gerencial.
  4. Veja se o assunto é o valor do produto fabricado, do estoque ou do custo dos produtos vendidos. Se é, a resposta envolve a Contabilidade de Custos.
  5. Confira a resposta com a pergunta: a questão pede a contabilidade, a função ou o usuário?

Diga qual contabilidade produz cada informação. (a) O balanço patrimonial que uma empresa publica para os acionistas. (b) O valor de cada pote de sorvete que a fábrica guarda no estoque. (c) Um relatório interno que compara o lucro de duas lojas para o dono decidir qual fechar.

  1. Passo 1 do roteiro: cada item descreve uma informação e pede a contabilidade.
  2. Passo 2 do roteiro: no item (a), o usuário é o acionista, que está fora da administração. No item (c), o usuário é o dono, que decide dentro da empresa.
  3. Passo 3 do roteiro: o balanço do item (a) é obrigatório e segue norma. O relatório do item (c) não tem formato obrigatório.
  4. Passo 4 do roteiro: o item (b) trata do valor do produto fabricado no estoque. Esse é o trabalho da Contabilidade de Custos.
  5. Passo 5 do roteiro: a questão pede a contabilidade de cada item.

Resultado: (a) Contabilidade Financeira; (b) Contabilidade de Custos; (c) Contabilidade Gerencial.

Uma loja compra 50 bolas prontas por R$ 30,00 cada uma. Uma fábrica produz 50 bolas no mesmo mês. A tabela mostra os gastos da fábrica com a produção.

Gasto da fábrica Valor (R$)
Couro usado nas bolas 900,00
Salário dos costureiros da fábrica 400,00
Energia das máquinas da fábrica 200,00

Calcule o valor do estoque da loja e o valor de cada bola da fábrica. Diga qual das duas empresas precisa da Contabilidade de Custos para achar o valor do estoque.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão descreve duas empresas e pergunta o valor do estoque e a contabilidade que calcula esse valor.
  2. Passo 2 do roteiro: o valor do estoque vai para o balanço das duas empresas, usado por quem está fora.
  3. Passo 3 do roteiro: o valor do estoque segue norma nas duas empresas.
  4. Passo 4 do roteiro: na loja, o estoque é o preço de compra. A conta é . Na fábrica, nenhuma nota traz o preço da bola. A fábrica soma os gastos da produção: e . Depois, a fábrica divide pelo número de bolas: .
  5. Passo 5 do roteiro: a questão pede os valores e a empresa que precisa da Contabilidade de Custos. A fábrica precisa, porque ela só acha o valor da bola juntando os gastos da produção.

Resultado: o estoque da loja vale R$ 1.500,00; cada bola da fábrica vale R$ 30,00; a fábrica precisa da Contabilidade de Custos.

Uma empresa pública de saneamento contrata um analista para melhorar os relatórios internos. O analista monta um relatório mensal para a diretoria. O relatório compara o custo de tratar a água em duas estações e sugere qual estação deve receber mais investimento. Um colega afirma: "Esse relatório é produto da Contabilidade Financeira, porque segue obrigatoriamente as normas contábeis e se destina principalmente aos usuários externos." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão descreve um relatório e pede para julgar a contabilidade que o colega apontou.
  2. Passo 2 do roteiro: o usuário do relatório é a diretoria. A diretoria está dentro da empresa.
  3. Passo 3 do roteiro: um relatório mensal para comparar estações e sugerir investimento não tem formato obrigatório. Ele não segue norma contábil obrigatória.
  4. Passo 4 do roteiro: o relatório usa o custo de tratar a água. Esse dado vem da Contabilidade de Custos e serve à decisão da diretoria. Isso é Contabilidade Gerencial.
  5. Passo 5 do roteiro: a afirmação erra em dois pontos. O relatório não se destina a usuários externos e não segue norma obrigatória.

Resultado: errado. O relatório é gerencial: ele serve à diretoria, que está dentro da empresa, e não tem formato obrigatório.

A tabela mostra quatro características de um ramo da contabilidade.

Característica Descrição
Usuário gestores da própria empresa
Obrigatoriedade não há relatório obrigatório
Formato livre, decidido pela empresa
Foco decisões futuras

Essas características descrevem a contabilidade:

  1. A) Financeira, porque os gestores também leem o balanço.
  2. B) de Custos, porque ela só existe para decisões futuras.
  3. C) Gerencial.
  4. D) Tributária, porque o formato é livre.
  5. E) Financeira, porque toda contabilidade segue norma.
  1. Passo 1 do roteiro: a questão traz características e pede o nome da contabilidade.
  2. Passo 2 do roteiro: o usuário é o gestor da própria empresa. Isso aponta para a Contabilidade Gerencial.
  3. Passo 3 do roteiro: não há relatório obrigatório e o formato é livre. Isso confirma a Gerencial e afasta a Financeira.
  4. Passo 4 do roteiro: a tabela não fala de avaliar estoque nem de custo de produto. A Contabilidade de Custos não é a melhor resposta. A alternativa B também erra ao dizer que a Contabilidade de Custos só serve a decisões futuras, porque ela também avalia o estoque.
  5. Passo 5 do roteiro: a questão pede a contabilidade. A resposta é a Gerencial.

Resultado: alternativa C. A alternativa A é a armadilha mais tentadora: os gestores leem o balanço, mas o balanço é obrigatório e se destina aos usuários de fora.

O erro mais comum neste assunto é achar que a Contabilidade de Custos é a mesma coisa que a Contabilidade Gerencial. A Contabilidade de Custos também serve à Contabilidade Financeira, porque dá o valor do estoque no balanço. Outro erro comum é dizer que a Contabilidade Gerencial segue norma obrigatória. Pergunte sempre quem usa a informação.

Gastos, custos, despesas e perdas

Pense em uma família que faz bolos para vender. Em um mês, a família compra farinha, paga a energia do forno, paga um anúncio no jornal do bairro e perde um saco de farinha em uma inundação na cozinha. Todos esses valores saem do bolso da família. Mas eles não são iguais. A farinha e a energia do forno entram no bolo. O anúncio ajuda a vender o bolo, mas não entra no bolo. A farinha da inundação não foi para bolo nenhum e não ajudou a vender nada. A Contabilidade de Custos dá um nome para cada caso.

Gasto é todo sacrifício que a empresa faz para obter um bem ou um serviço. Na prática, o gasto acontece quando a empresa entrega dinheiro ou promete entregar dinheiro em troca de algo. Todo custo, toda despesa, todo investimento e toda perda começam como gasto.

Desembolso é o pagamento. Desembolso é a saída do dinheiro do caixa. O gasto e o desembolso podem acontecer em datas diferentes. Se a empresa compra a prazo, o gasto acontece na compra e o desembolso acontece no dia do pagamento.

Investimento é o gasto que fica guardado no ativo, porque vai trazer benefício no futuro. A compra de uma máquina é um investimento, porque a máquina vai trabalhar por vários anos. A compra de matéria-prima que fica no almoxarifado também é um investimento enquanto a matéria-prima está guardada. Almoxarifado é o depósito onde a fábrica guarda os materiais.

Custo é o gasto com um bem ou serviço usado para produzir outros bens ou serviços. O custo está ligado à fábrica. A matéria-prima que sai do almoxarifado e entra no produto é custo. O salário do operário que monta o produto é custo. A energia das máquinas da fábrica é custo. O custo vai para o estoque de produtos e fica lá até a venda.

Despesa é o bem ou serviço consumido para obter receita, sem passar pela produção. A despesa está ligada à administração e às vendas. O salário do pessoal do escritório é despesa. A comissão do vendedor é despesa. A propaganda é despesa. A despesa vai direto para o resultado do período em que acontece.

Existe uma ligação entre custo e despesa. O custo do produto fica no estoque enquanto o produto não é vendido. Quando a empresa vende o produto, o custo desse produto sai do estoque e vai para o resultado. Nesse momento, ele recebe o nome de custo dos produtos vendidos. Na linguagem do resultado, o custo dos produtos vendidos funciona como uma despesa daquele período. A conta é esta:

Nessa fórmula, o custo por unidade é o custo de produção dividido pela quantidade produzida, e a quantidade vendida é o número de unidades que saíram para o cliente no período.

Perda é o bem ou serviço consumido de forma anormal e involuntária. A empresa não quer a perda e não ganha nada com ela. Um incêndio no depósito e uma enchente que estraga o estoque geram perda. A perda vai direto para o resultado. Ela não entra no custo do produto.

Há um cuidado aqui. Nem toda perda de material é perda no sentido contábil. Na fabricação de suco, uma parte da água evapora sempre que a fruta é cozida. Na fabricação de móveis, sobram aparas de madeira em todo corte. Essas perdas são normais e fazem parte do processo de produzir. A perda normal do processo é custo e entra no produto. Só a perda anormal e involuntária vai direto para o resultado.

A soma dos custos do período é o custo de produção:

Nessa fórmula, a matéria-prima consumida é o material que entrou nos produtos no período. A mão de obra direta é o salário de quem trabalha no produto. Os custos indiretos de fabricação são os outros custos da fábrica, como aluguel do galpão, energia e salário do supervisor. O próximo assunto explica esses três grupos com detalhe.

  1. A empresa faz um gasto
  2. O gasto traz benefício por vários períodos ou fica guardado?
    SimInvestimento no ativo
    NãoSegue para a próxima pergunta
  3. O consumo foi anormal e involuntário?
    SimPerda, direto para o resultado
    NãoSegue para a próxima pergunta
  4. O gasto foi usado na produção?
    SimCusto, vai para o estoque
    NãoDespesa, direto para o resultado
Como classificar um gasto
  1. Reconheça o tipo da questão: o enunciado traz uma lista de gastos e pede para classificar ou para somar o custo, a despesa ou a perda.
  2. Ache primeiro os investimentos: compra de máquina, compra de material que fica guardado no almoxarifado.
  3. Ache as perdas: fato anormal e involuntário, como incêndio, enchente ou greve. Perda normal do processo produtivo fica no custo.
  4. Separe o resto entre custo e despesa. Pergunte onde o gasto acontece: na fábrica é custo; no escritório ou nas vendas é despesa.
  5. Monte uma tabela auxiliar com uma coluna para cada classe e some cada coluna.
  6. Confira o que a questão pede: o custo de produção, o custo dos produtos vendidos, a despesa ou a perda. Confira também se o total das colunas bate com o total dos gastos.

A tabela auxiliar do passo 5 tem esta forma:

Gasto Investimento Custo Despesa Perda
(cada gasto do enunciado) valor ou vazio valor ou vazio valor ou vazio valor ou vazio
Total soma soma soma soma

Classifique cada fato de uma fábrica de camisetas como investimento, custo, despesa, perda ou desembolso. (a) Compra de uma máquina de estampar. (b) Tecido retirado do almoxarifado e cortado para fazer camisetas. (c) Salário da vendedora da loja da fábrica. (d) Rolos de tecido queimados em um incêndio no depósito. (e) Pagamento de uma conta de fornecedor que venceu hoje.

  1. Passo 1 do roteiro: o enunciado traz uma lista de fatos e pede a classe de cada um.
  2. Passo 2 do roteiro: a máquina do item (a) vai trabalhar por vários anos. Ela é investimento.
  3. Passo 3 do roteiro: o incêndio do item (d) é anormal e involuntário. O tecido queimado é perda.
  4. Passo 4 do roteiro: o tecido do item (b) entra no produto. Ele é custo. O salário do item (c) é da área de vendas. Ele é despesa.
  5. Passo 5 do roteiro: o item (e) é a saída de dinheiro do caixa para pagar uma conta. Ele é desembolso. O gasto dessa conta aconteceu antes, na data da compra.
  6. Passo 6 do roteiro: a questão pede a classe de cada fato. Cada item tem uma classe só.

Resultado: (a) investimento; (b) custo; (c) despesa; (d) perda; (e) desembolso.

Uma padaria pequena anota os gastos de um mês na tabela abaixo. Calcule o total de custos, o total de despesas, o total de perdas e o total de investimentos.

Gasto do mês Valor (R$)
Farinha, ovos e fermento usados nos pães 1.800,00
Salário do padeiro 1.200,00
Gás do forno 500,00
Salário da atendente do balcão 900,00
Anúncio na rádio do bairro 300,00
Massa estragada por falta de energia de dois dias 400,00
Compra de uma batedeira nova 2.000,00
  1. Passo 1 do roteiro: a padaria traz uma lista de gastos e pede o total de cada classe.
  2. Passo 2 do roteiro: a batedeira vai trabalhar por anos. Ela é investimento de R$ 2.000,00.
  3. Passo 3 do roteiro: a falta de energia por dois dias é anormal e involuntária. A massa estragada é perda de R$ 400,00.
  4. Passo 4 do roteiro: a farinha, o padeiro e o gás do forno estão na produção do pão. Eles são custo. A atendente vende o pão, e o anúncio ajuda a vender. Eles são despesa.
  5. Passo 5 do roteiro: monte a tabela auxiliar com uma coluna para cada classe. Cada gasto vai para uma coluna só.
Gasto Investimento Custo Despesa Perda
Farinha, ovos e fermento 1.800
Salário do padeiro 1.200
Gás do forno 500
Atendente do balcão 900
Anúncio na rádio 300
Massa estragada 400
Batedeira 2.000
Total 2.000 3.500 1.200 400
  1. Passo 6 do roteiro: os custos somam e . As despesas somam . A soma das colunas é , igual à soma da lista.

Resultado: custos de R$ 3.500,00; despesas de R$ 1.200,00; perdas de R$ 400,00; investimentos de R$ 2.000,00.

Uma indústria de laticínios produz 2.000 caixas de queijo em um mês. A tabela mostra os gastos do mês. No cozimento do leite, uma parte da água evapora sempre, e esse valor já está dentro da matéria-prima consumida. Uma enchente atingiu o almoxarifado e estragou leite que ainda não tinha ido para a produção.

Gasto do mês Valor (R$)
Matéria-prima consumida (com a evaporação normal) 30.000,00
Mão de obra direta 20.000,00
Custos indiretos de fabricação 10.000,00
Leite estragado na enchente 6.000,00

Um auditor afirma: "O leite estragado na enchente entra no custo de produção, e o custo de cada caixa de queijo é de R$ 33,00." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão traz gastos de uma fábrica e pede para julgar o custo por unidade.
  2. Passo 2 do roteiro: nenhum gasto da lista é compra de máquina ou material guardado. Não há investimento.
  3. Passo 3 do roteiro: a enchente é anormal e involuntária. O leite estragado é perda de R$ 6.000,00 e vai direto para o resultado. A evaporação no cozimento é normal e fica no custo. Aqui está a pegadinha: a banca mistura perda normal e perda anormal.
  4. Passo 4 do roteiro: a matéria-prima, a mão de obra direta e os custos indiretos estão na fábrica. Eles são custo.
  5. Passo 5 do roteiro: monte a tabela auxiliar com as colunas custo e perda.
Gasto Custo Perda
Matéria-prima consumida 30.000
Mão de obra direta 20.000
Custos indiretos de fabricação 10.000
Leite estragado na enchente 6.000
Total 60.000 6.000
  1. Passo 6 do roteiro: o custo de produção é e . O custo por caixa é . O auditor somou a perda: e . Essa conta põe a perda dentro do produto, e isso está errado.

Resultado: errado. A perda da enchente vai direto para o resultado; o custo de cada caixa é de R$ 30,00, e não de R$ 33,00.

Uma fábrica de mesas começa o mês sem estoque. No mês, ela produz 400 mesas e vende 300 mesas. A tabela mostra os gastos do mês.

Gasto do mês Valor (R$)
Madeira consumida na produção 20.000,00
Salário dos marceneiros 15.000,00
Aluguel do galpão da fábrica 5.000,00
Salário do pessoal do escritório 6.000,00
Comissão dos vendedores 2.000,00
Madeira destruída por incêndio no depósito 4.000,00

O custo dos produtos vendidos no mês é de:

  1. A) R$ 40.000,00
  2. B) R$ 34.500,00
  3. C) R$ 30.000,00
  4. D) R$ 36.000,00
  5. E) R$ 46.000,00
  1. Passo 1 do roteiro: a questão traz gastos de uma fábrica e pede o custo dos produtos vendidos.
  2. Passo 2 do roteiro: não há compra de máquina nem material guardado na lista. Não há investimento.
  3. Passo 3 do roteiro: o incêndio é anormal e involuntário. A madeira queimada é perda de R$ 4.000,00 e fica fora do custo.
  4. Passo 4 do roteiro: a madeira consumida, os marceneiros e o aluguel do galpão estão na fábrica. Eles são custo. O escritório e a comissão são despesa.
  5. Passo 5 do roteiro: monte a tabela auxiliar.
Gasto Custo Despesa Perda
Madeira consumida 20.000
Marceneiros 15.000
Aluguel do galpão 5.000
Pessoal do escritório 6.000
Comissão dos vendedores 2.000
Madeira do incêndio 4.000
Total 40.000 8.000 4.000
  1. Passo 6 do roteiro: o custo de produção é e . O custo por mesa é . A questão pede o custo dos produtos vendidos, e não o custo de produção. A conta é .

Resultado: alternativa C. A alternativa A é a armadilha mais tentadora: R$ 40.000,00 é o custo de produção das 400 mesas, mas só 300 mesas foram vendidas.

O erro mais comum neste assunto é chamar de custo um gasto do escritório ou das vendas. A pergunta certa é: o gasto aconteceu na fábrica? Outro erro comum é pôr toda perda de material no resultado. A perda normal do processo, como a evaporação e as aparas, é custo.

Classificação dos custos

A Contabilidade de Custos olha cada custo por dois lados diferentes. Um lado pergunta como o custo se comporta quando a fábrica produz mais ou menos. Esse lado separa o custo em variável e fixo. O outro lado pergunta se dá para saber, com uma medida clara, quanto do custo foi para cada produto. Esse lado separa o custo em direto e indireto. Os dois lados não dependem um do outro. Um custo pode ser variável e direto, variável e indireto, fixo e direto ou fixo e indireto.

Variável e fixo

Pense em uma sorveteria que fabrica picolés. Cada picolé usa R$ 2,00 de polpa de fruta. Se a sorveteria faz 100 picolés, gasta reais de polpa. Se faz 200 picolés, gasta reais de polpa. O gasto com polpa sobe junto com a produção. Agora pense no aluguel da sorveteria, de R$ 1.000,00 por mês. Com 100 picolés ou com 200 picolés, o aluguel continua R$ 1.000,00.

Custo variável é o custo cujo total muda na mesma direção da quantidade produzida. Se a produção dobra, o custo variável total dobra. A matéria-prima é o exemplo mais comum. Custo fixo é o custo cujo total não muda com a quantidade produzida, dentro de uma faixa de produção. O aluguel do galpão, o salário do supervisor e a depreciação das máquinas pelo tempo são exemplos comuns. Depreciação é a parte do valor da máquina que a empresa lança como custo a cada mês, porque a máquina perde valor com o tempo.

A pegadinha está no valor por unidade. O custo variável por unidade fica igual: cada picolé usa R$ 2,00 de polpa, com 100 ou com 200 picolés. O custo fixo por unidade muda: o aluguel se divide por mais picolés quando a produção sobe.

Nessa fórmula, o custo fixo total é a soma dos custos fixos do período, e a quantidade produzida é o número de unidades feitas no mesmo período. Com 100 picolés, o aluguel por picolé é . Com 200 picolés, ele é .

Nessa fórmula, o custo variável por unidade é o valor que cada unidade consome, e a quantidade produzida é o número de unidades feitas.

Tipo de custo Valor total quando a produção sobe Valor por unidade quando a produção sobe
Variável sobe fica igual
Fixo fica igual cai

Alguns custos têm uma parte fixa e uma parte variável. A conta de energia da fábrica pode ter uma taxa mínima e uma parte que cresce com o uso das máquinas. Esse custo se chama semivariável.

Direto e indireto

Pense em uma marcenaria que faz mesas e cadeiras. A madeira de cada mesa é pesada e anotada na ficha da mesa. A marcenaria sabe exatamente quanto de madeira foi para cada mesa. Esse custo é direto. O aluguel da marcenaria serve para as mesas e para as cadeiras ao mesmo tempo. Ninguém consegue medir quanto do aluguel foi para cada mesa. Para pôr o aluguel nos produtos, a marcenaria precisa dividir o valor por um critério, como as horas de máquina ou a área usada. Esse custo é indireto.

Custo direto é o custo que a empresa consegue ligar ao produto com uma medida objetiva: quilos de material, horas de trabalho anotadas, peças contadas. Custo indireto é o custo que a empresa só consegue ligar ao produto com um critério de divisão, chamado de rateio. Rateio é a divisão de um custo comum entre os produtos, por um critério escolhido pela empresa.

Os três grupos de custo da fábrica usam essa ideia:

  • Matéria-prima: o material principal do produto. Em geral, é custo direto.
  • Mão de obra direta: o salário de quem trabalha no produto e tem o tempo medido por produto, como o marceneiro que anota as horas em cada mesa.
  • Custos indiretos de fabricação: todos os outros custos da fábrica. Entram aqui o aluguel do galpão, a energia, a depreciação das máquinas, os materiais pequenos de uso geral e a mão de obra indireta. Mão de obra indireta é o salário de quem trabalha na fábrica sem trabalhar em um produto específico, como o supervisor, o vigia da fábrica e o pessoal da manutenção.

Custo primário e custo de transformação

Dois grupos juntam os custos de outra maneira. O custo primário é a soma da matéria-prima com a mão de obra direta. Ele mostra o custo dos dois itens que mais se ligam ao produto.

O custo de transformação é a soma da mão de obra direta com os custos indiretos de fabricação. Ele mostra quanto a fábrica gasta para transformar a matéria-prima no produto pronto. Por isso a matéria-prima fica de fora.

Nas duas fórmulas, a matéria-prima é o material consumido na produção, a mão de obra direta é o salário de quem trabalha no produto com tempo medido, e os custos indiretos de fabricação são os outros custos da fábrica. Repare que a mão de obra direta aparece nas duas fórmulas.

A tabela modelo que você monta na questão tem esta forma:

Item da fábrica Matéria-prima Mão de obra direta Custos indiretos Fora do custo
(cada gasto do enunciado) valor ou vazio valor ou vazio valor ou vazio valor ou vazio
Total soma soma soma soma
  1. Reconheça o tipo da questão: o enunciado pede para classificar custos, para calcular custo fixo ou variável por unidade, ou para achar o custo primário ou o custo de transformação.
  2. Tire da lista o que não é custo: despesas do escritório e das vendas, perdas anormais e investimentos.
  3. Para cada custo que sobrou, responda as duas perguntas separadas: o total muda com a produção? Dá para medir quanto foi para cada produto?
  4. Monte a tabela auxiliar com as colunas matéria-prima, mão de obra direta e custos indiretos, e some cada coluna.
  5. Use a fórmula que a questão pede: custo primário, custo de transformação, custo fixo por unidade ou custo variável total.
  6. Confira a resposta: o custo primário não tem custos indiretos; o custo de transformação não tem matéria-prima; o custo variável por unidade não muda com a produção.

Uma fábrica paga R$ 12.000,00 de aluguel por mês. Cada unidade produzida usa R$ 8,00 de matéria-prima. Calcule o custo fixo por unidade, o custo variável total e o custo total por unidade com 1.000 unidades e com 2.000 unidades.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede custo fixo por unidade e custo variável total em duas quantidades.
  2. Passo 2 do roteiro: os dois valores são da fábrica. Os dois são custo.
  3. Passo 3 do roteiro: o aluguel não muda com a produção. Ele é fixo. A matéria-prima cresce com a produção. Ela é variável.
  4. Passo 4 do roteiro: com 1.000 unidades, o custo fixo por unidade é . O custo variável total é . O custo total é . O custo total por unidade é .
  5. Passo 5 do roteiro: com 2.000 unidades, o custo fixo por unidade é . O custo variável total é . O custo total é . O custo total por unidade é .
  6. Passo 6 do roteiro: o custo variável por unidade ficou em R$ 8,00 nas duas quantidades. O custo fixo por unidade caiu pela metade, porque a produção dobrou.

Resultado: com 1.000 unidades, R$ 12,00 de fixo por unidade, R$ 8.000,00 de variável total e R$ 20,00 por unidade; com 2.000 unidades, R$ 6,00, R$ 16.000,00 e R$ 14,00.

Uma fábrica de cadeiras anota os custos de um mês na tabela abaixo. Calcule os custos indiretos de fabricação, o custo primário, o custo de transformação e o custo de produção.

Custo do mês Valor (R$)
Madeira usada nas cadeiras 18.000,00
Salário dos montadores, com horas anotadas por cadeira 12.000,00
Aluguel do galpão da fábrica 4.000,00
Salário do supervisor da fábrica 5.000,00
Energia da fábrica 3.000,00
Depreciação das máquinas 2.000,00
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede custos indiretos, custo primário, custo de transformação e custo de produção.
  2. Passo 2 do roteiro: todos os itens são da fábrica. Nada sai da lista.
  3. Passo 3 do roteiro: a madeira é medida por cadeira. Ela é matéria-prima direta. Os montadores têm horas anotadas por cadeira. Eles são mão de obra direta. O aluguel, o supervisor, a energia e a depreciação servem a toda a fábrica. Eles são custos indiretos.
  4. Passo 4 do roteiro: monte a tabela auxiliar com as três colunas de custo.
Custo Matéria-prima Mão de obra direta Custos indiretos
Madeira 18.000
Montadores 12.000
Aluguel do galpão 4.000
Supervisor 5.000
Energia 3.000
Depreciação 2.000
Total 18.000 12.000 14.000
  1. Passo 5 do roteiro: os custos indiretos somam , e . O custo primário é . O custo de transformação é . O custo de produção é .
  2. Passo 6 do roteiro: o custo primário não tem custos indiretos. O custo de transformação não tem a madeira.

Resultado: custos indiretos de R$ 14.000,00; custo primário de R$ 30.000,00; custo de transformação de R$ 26.000,00; custo de produção de R$ 44.000,00.

Uma empresa estatal fabrica uniformes para órgãos públicos. Os custos fixos da fábrica somam R$ 10.000,00 por mês. Cada uniforme usa R$ 6,00 de custo variável. A tabela mostra a produção de dois meses.

Mês Quantidade produzida
Março 1.000
Abril 1.250

Um analista afirma: "De março para abril, o custo fixo por uniforme cai de R$ 10,00 para R$ 8,00, o custo variável por uniforme continua em R$ 6,00, e o custo total da fábrica cresce 25%, a mesma variação da produção." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede para julgar o custo fixo por unidade, o custo variável por unidade e o custo total.
  2. Passo 2 do roteiro: todos os valores são custos da fábrica.
  3. Passo 3 do roteiro: os R$ 10.000,00 são fixos. Os R$ 6,00 por uniforme são variáveis.
  4. Passo 4 do roteiro: monte a tabela auxiliar com as colunas custo fixo total, custo variável total, custo total e custo fixo por unidade.
Mês Custo fixo total Custo variável total Custo total Custo fixo por unidade
Março 10.000 6.000 16.000 10,00
Abril 10.000 7.500 17.500 8,00
  1. Passo 5 do roteiro: em março, o custo fixo por unidade é e o custo variável total é . O custo total é . Em abril, o custo fixo por unidade é e o custo variável total é . O custo total é .
  2. Passo 6 do roteiro: as duas primeiras partes da afirmação estão certas. A produção cresce , isto é, 25%. O custo total cresce , isto é, cerca de 9,38%. O custo total cresce menos que a produção, porque a parte fixa não cresce.

Resultado: errado. O custo total cresce cerca de 9,38%, e não 25%, porque o custo fixo de R$ 10.000,00 fica igual nos dois meses.

Uma indústria de calçados apresenta os gastos de um mês na tabela abaixo.

Gasto do mês Valor (R$)
Couro consumido na produção 50.000,00
Mão de obra direta 30.000,00
Salário do supervisor da fábrica 8.000,00
Energia da fábrica 7.000,00
Depreciação das máquinas da fábrica 5.000,00
Comissão dos vendedores 6.000,00
Propaganda 4.000,00

O custo de transformação do mês é de:

  1. A) R$ 70.000,00
  2. B) R$ 80.000,00
  3. C) R$ 50.000,00
  4. D) R$ 60.000,00
  5. E) R$ 100.000,00
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede o custo de transformação.
  2. Passo 2 do roteiro: a comissão dos vendedores e a propaganda são despesas de venda. Elas saem da conta.
  3. Passo 3 do roteiro: o couro é matéria-prima. A mão de obra direta é direta. O supervisor, a energia e a depreciação servem a toda a fábrica. Eles são custos indiretos.
  4. Passo 4 do roteiro: monte a tabela auxiliar.
Gasto Matéria-prima Mão de obra direta Custos indiretos Fora do custo
Couro 50.000
Mão de obra direta 30.000
Supervisor 8.000
Energia 7.000
Depreciação 5.000
Comissão 6.000
Propaganda 4.000
Total 50.000 30.000 20.000 10.000
  1. Passo 5 do roteiro: os custos indiretos somam e . O custo de transformação é .
  2. Passo 6 do roteiro: o custo de transformação não tem o couro. A alternativa E, de R$ 100.000,00, é o custo de produção inteiro.

Resultado: alternativa C. A alternativa B é a armadilha mais tentadora: R$ 80.000,00 é o custo primário, que soma a matéria-prima com a mão de obra direta.

O erro mais comum neste assunto é misturar os dois lados da classificação. Variável e fixo falam do comportamento do total quando a produção muda. Direto e indireto falam da forma de ligar o custo ao produto. Por isso, "fixo" não quer dizer "indireto", e "variável" não quer dizer "direto". Outro erro comum é dizer que o custo variável por unidade sobe com a produção: quem muda por unidade é o custo fixo.

  • Introdução à Contabilidade de Custos
    • Ramos da contabilidade
      • Financeira: usuários de fora, com norma
      • Custos: valor do estoque, controle e decisão
      • Gerencial: gestores, formato livre
    • Vocabulário
      • Gasto e desembolso
      • Investimento: fica no ativo
      • Custo: usado na produção
      • Despesa: administração e vendas
      • Perda: anormal e involuntária
    • Classificação dos custos
      • Variável e fixo: comportamento com a produção
      • Direto e indireto: ligação com o produto
      • Custo primário: matéria-prima e mão de obra direta
      • Custo de transformação: mão de obra direta e custos indiretos

Quadros e comparações

Assunto Pergunta que resolve O que entra
Ramos da contabilidade Quem usa a informação e se ela é obrigatória usuário, norma, foco no tempo
Gastos, custos, despesas e perdas Onde o gasto acontece e se ele é normal fábrica, escritório, vendas, fato anormal
Variável e fixo O total muda com a produção? comportamento do total
Direto e indireto Dá para medir quanto foi para cada produto? medida objetiva ou rateio
Custo primário Quanto custam os itens que mais se ligam ao produto matéria-prima e mão de obra direta
Custo de transformação Quanto custa transformar o material mão de obra direta e custos indiretos

Para decorar

  • Gasto: todo sacrifício para obter um bem ou serviço. Desembolso: a saída do dinheiro.
  • Investimento: gasto que fica no ativo. Custo: gasto usado na produção. Despesa: gasto da administração e das vendas. Perda: consumo anormal e involuntário.
  • Perda normal do processo (evaporação, aparas): é custo.
  • Custo de produção: .
  • Custo primário: .
  • Custo de transformação: .
  • Custo fixo por unidade: . Ele cai quando a produção sobe.
  • Custo dos produtos vendidos: .

Pegadinhas

# Errado Certo
1 Todo custo fixo é indireto, e todo custo variável é direto. Fixo e variável falam do comportamento com a produção. Direto e indireto falam da ligação com o produto. Os dois lados não dependem um do outro.
2 O custo variável por unidade sobe quando a produção sobe. O custo variável por unidade fica igual. O custo fixo por unidade é que cai.
3 O custo primário soma a matéria-prima e os custos indiretos de fabricação. O custo primário soma a matéria-prima e a mão de obra direta.
4 O custo de transformação inclui a matéria-prima. O custo de transformação soma a mão de obra direta e os custos indiretos de fabricação, sem a matéria-prima.
5 A matéria-prima destruída em uma enchente entra no custo do produto. O consumo anormal e involuntário é perda e vai direto para o resultado.
6 A Contabilidade Gerencial segue norma obrigatória e atende usuários de fora. A Contabilidade Gerencial atende os gestores de dentro e tem formato livre.

Fontes e data

Este guia não usa norma. Os conceitos e as classificações são os da Contabilidade de Custos básica. Todas as contas dos exemplos foram conferidas em 13/10/2026.

Conferido em 13/10/2026.

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