O que mais cai
| Parte do tópico | Importância | O que a banca cobra |
|---|---|---|
| Demanda | Alta | Lei da demanda, movimento ao longo da curva e deslocamento da curva |
| Oferta | Alta | Lei da oferta e os fatores que deslocam a curva de oferta |
| Equilíbrio de mercado | Alta | Excesso de oferta e de demanda, efeito dos deslocamentos e casos simultâneos |
| Preços máximos e mínimos | Média | Escassez com preço máximo, excedente com preço mínimo e o preço que não tem efeito |
Do que trata o tópico
Este tópico trata da demanda e da oferta, o modelo que a microeconomia usa para explicar como o preço de um bem se forma num mercado. A microeconomia é a parte da economia que estuda as decisões de consumidores e empresas e o mercado de cada bem. O tópico mostra o que leva o consumidor a comprar mais ou menos, o que leva a empresa a vender mais ou menos, como o mercado chega a um preço de equilíbrio e o que acontece quando o governo fixa um preço máximo ou mínimo. Os temas seguintes da microeconomia, como elasticidade, tributação e estruturas de mercado, partem deste modelo.
Conteúdo
Demanda
Uma padaria vende pão francês a R$ 1,00 a unidade e percebe que, numa semana de promoção a R$ 0,50, os clientes levam muito mais pães. Quando o preço volta ao normal, as compras caem. Essa relação entre o preço e a quantidade que os consumidores querem comprar é o centro da teoria da demanda.
A demanda de um bem é a relação entre cada preço possível e a quantidade que os consumidores desejam e podem comprar a esse preço, num período, mantidos constantes os demais fatores. A expressão "desejam e podem" importa: a demanda exige vontade de comprar e poder de compra. Quem quer um carro e não tem renda para pagar por ele não faz parte da demanda de carros.
A quantidade demandada é um número só: quanto os consumidores querem comprar a um preço determinado. A demanda é a relação inteira, isto é, a lista de quantidades para todos os preços. Essa diferença de nome parece pequena, mas é a base da pegadinha mais frequente do tópico.
A análise usa a condição ceteris paribus, expressão latina que quer dizer "tudo o mais constante". O economista muda só o preço do bem e mantém fixos a renda, os gostos, os preços dos outros bens e os demais fatores. Assim ele isola o efeito do preço sobre a quantidade. O economista inglês Alfred Marshall popularizou essa forma de análise com as curvas de oferta e demanda.
A lei da demanda diz que, ceteris paribus, quando o preço de um bem sobe, a quantidade demandada cai, e quando o preço cai, a quantidade demandada sobe. Preço e quantidade demandada andam em sentidos opostos. Por isso a curva de demanda, desenhada com o preço no eixo vertical e a quantidade no eixo horizontal, é inclinada para baixo (negativamente inclinada).
A lei da demanda tem duas explicações. O efeito substituição diz que, quando o preço do bem sobe, ele fica caro em relação aos outros bens, e o consumidor troca parte dele por bens que ficaram relativamente mais baratos. O efeito renda diz que, quando o preço sobe, a mesma renda compra menos, e o consumidor fica como se estivesse mais pobre.
Nos bens normais, isto é, os bens que o consumidor compra mais quando a renda sobe, os dois efeitos reduzem a quantidade comprada quando o preço sobe. No bem inferior, que o consumidor compra menos quando a renda sobe, o efeito renda vai no sentido contrário, mas em geral é menor que o efeito substituição, e a lei da demanda continua valendo.
A forma mais simples de escrever a demanda é uma função linear:
Nessa fórmula, é a quantidade demandada, é o preço do bem, é a quantidade que seria demandada com preço zero e é quanto a quantidade demandada cai a cada real de aumento no preço. O sinal de menos antes de é a lei da demanda escrita em fórmula. O termo resume todos os fatores que não são o preço do próprio bem, como a renda e os gostos.
A mesma demanda pode vir escrita na forma inversa, com o preço isolado de um lado: , em que e são outros números. Para passar de uma forma para a outra, isola-se a outra letra. Com , soma-se e subtrai-se dos dois lados, o que dá ; depois, dividem-se os dois lados por 0,5, e o resultado é .
Na forma inversa, o número sozinho (50) é o preço em que a quantidade demandada chega a zero, e não a quantidade com preço zero. O erro comum é igualar uma demanda na forma inversa a uma oferta na forma direta: antes de igualar, as duas funções precisam estar na mesma forma.
Exemplo resolvido: a demanda semanal de marmitas num bairro é , com o preço em reais. Calcule a quantidade demandada aos preços de R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 30,00.
- Com preço de R$ 10,00: marmitas.
- Com preço de R$ 20,00: marmitas.
- Com preço de R$ 30,00: marmitas.
- A cada R$ 10,00 de aumento no preço, a quantidade demandada cai 20 marmitas, porque e .
A tabela abaixo é a tabela de demanda desse exemplo. Cada linha é um ponto da mesma curva de demanda.
| Preço da marmita | Quantidade demandada |
|---|---|
| R$ 10,00 | 80 |
| R$ 20,00 | 60 |
| R$ 30,00 | 40 |
Movimento ao longo da curva e deslocamento da curva.
Quando muda só o preço do próprio bem, o consumidor passa de um ponto para outro da mesma curva. Esse caso é a variação da quantidade demandada, também chamada de movimento ao longo da curva. No exemplo das marmitas, a passagem do preço de R$ 10,00 para R$ 20,00 reduz a quantidade demandada de 80 para 60, mas a curva continua a mesma.
Quando muda um fator diferente do preço do próprio bem, a curva inteira muda de lugar. Esse caso é a variação da demanda, também chamada de deslocamento da curva. Se a curva se desloca para a direita, a demanda aumenta: a cada preço, a quantidade demandada sobe. Se a curva se desloca para a esquerda, a demanda diminui: a cada preço, a quantidade demandada cai.
Os fatores que deslocam a curva de demanda são estes:
- Renda do consumidor. Num bem normal, a demanda aumenta quando a renda sobe. Num bem inferior, a demanda diminui quando a renda sobe, porque o consumidor troca esse bem por outro de melhor qualidade. Uma marca de café muito barata pode ser bem inferior: quando a renda da família sobe, ela passa a comprar uma marca melhor.
- Preço de um bem substituto. Bens substitutos atendem à mesma necessidade, como manteiga e margarina. Se o preço da margarina sobe, a demanda de manteiga aumenta.
- Preço de um bem complementar. Bens complementares são usados juntos, como carro e gasolina, ou impressora e cartucho. Se o preço da gasolina sobe, a demanda de carros diminui.
- Gostos e preferências. Uma campanha que mostra os benefícios de um alimento aumenta a demanda desse alimento.
- Expectativas. Se o consumidor espera que o preço suba no mês seguinte, ele antecipa a compra, e a demanda de hoje aumenta.
- Número de consumidores. Um bairro que recebe novos moradores tem demanda maior de pães e de marmitas.
No exemplo das marmitas, a abertura de uma fábrica no bairro aumenta o número de consumidores. A demanda passa de para . Ao preço de R$ 20,00, a quantidade demandada sobe de 60 para marmitas, e o mesmo acontece em todos os outros preços: a curva se desloca para a direita.
O efeito do preço de um bem relacionado precisa de cuidado. A alta do preço da gasolina reduz a quantidade demandada de gasolina, que é movimento ao longo da curva da gasolina. A mesma alta reduz a demanda de carros, que é deslocamento da curva dos carros. O mesmo fato provoca movimento numa curva e deslocamento em outra.
Exceções à lei da demanda.
O bem de Giffen é um bem inferior em que a quantidade demandada sobe quando o preço sobe. O nome vem do economista Robert Giffen. O caso típico é o de uma família muito pobre que gasta quase toda a renda num alimento básico. Quando o preço desse alimento sobe, a família fica tão mais pobre que deixa de comprar alimentos mais caros e passa a comprar ainda mais do alimento básico, porque o efeito renda é maior que o efeito substituição.
O bem de Veblen, nome que vem do economista Thorstein Veblen, é o bem de ostentação, como joias e relógios de luxo. Para parte dos consumidores, o preço alto é o próprio motivo da compra, porque mostra status. Nesse caso, a alta do preço pode aumentar a quantidade demandada.
Todo bem de Giffen é inferior, mas nem todo bem inferior é de Giffen. No bem inferior comum, a renda maior reduz a demanda, mas a lei da demanda continua valendo: preço maior, quantidade demandada menor. O bem de Giffen é um caso raro dentro dos bens inferiores.
Na prática, a gerente de uma rede de supermercados vê as vendas de margarina subirem no mês em que o preço da manteiga aumenta, sem nenhuma mudança no preço da margarina. A teoria classifica o fato assim: manteiga e margarina são substitutos, e a alta do preço da manteiga desloca a curva de demanda de margarina para a direita. A margarina não teve movimento ao longo da curva, porque o preço dela não mudou.
A diferença para o conceito vizinho está entre quantidade demandada e demanda. A quantidade demandada muda só com o preço do próprio bem. A demanda muda com todos os outros fatores da lista. Uma frase como "o preço caiu e a demanda aumentou" usa o termo errado: o certo é "a quantidade demandada aumentou".
O erro comum é dizer que a queda do preço desloca a curva de demanda para a direita. O preço do próprio bem nunca desloca a curva dele, só provoca movimento ao longo dela.
Julgue o item a seguir.
Em um mercado de bicicletas, a prefeitura reduz o preço das passagens de ônibus, e ao mesmo tempo o preço das bicicletas cai por causa de uma promoção nas lojas. Nesse cenário, a queda do preço das bicicletas desloca a curva de demanda de bicicletas para a direita, e a queda do preço da passagem de ônibus, bem substituto, desloca essa curva para a esquerda.
Comentário:
Regra: a variação do preço do próprio bem provoca movimento ao longo da curva de demanda; a variação do preço de um bem substituto desloca a curva.
A segunda parte está correta: ônibus e bicicleta são substitutos, e a passagem mais barata reduz a demanda de bicicletas. O erro está em a queda do preço das bicicletas desloca a curva de demanda de bicicletas para a direita: a queda do preço da própria bicicleta aumenta a quantidade demandada por movimento ao longo da curva, sem deslocá-la.
Resultado: errado.
Uma família de renda média compra, todo mês, arroz de uma marca simples. A renda da família sobe 30%, e ela reduz a compra dessa marca e passa a comprar uma marca mais cara, sem que nenhum preço tenha mudado. Assinale a alternativa que descreve corretamente o caso.
- A) A marca simples é um bem normal, e a curva de demanda dela se desloca para a esquerda.
- B) A marca simples é um bem inferior, e a curva de demanda dela se desloca para a esquerda.
- C) A marca simples é um bem de Giffen, porque a quantidade comprada caiu sem mudança de preço.
- D) A marca simples é um bem inferior, e a família se move ao longo da curva de demanda dela.
- E) A marca simples é um bem complementar da marca cara, porque a compra de uma reduziu a compra da outra.
Comentário:
A) Errada.
Regra: no bem normal, a demanda aumenta quando a renda sobe.
A alternativa erra em A marca simples é um bem normal: a demanda dela caiu com a alta da renda, e isso define o bem inferior.
B) Certa.
Regra: no bem inferior, a demanda diminui quando a renda sobe, e a mudança de renda desloca a curva.
A renda subiu, a demanda da marca simples caiu e nenhum preço mudou. O bem é inferior, e a curva de demanda dele se desloca para a esquerda.
C) Errada.
Regra: o bem de Giffen é o bem inferior em que a quantidade demandada sobe quando o preço do próprio bem sobe.
A alternativa erra em é um bem de Giffen: o caso de Giffen exige mudança no preço do próprio bem, e aqui só a renda mudou.
D) Errada.
Regra: a mudança da renda desloca a curva de demanda; só o preço do próprio bem provoca movimento ao longo dela.
A alternativa erra em a família se move ao longo da curva de demanda dela: como o preço não mudou, a curva inteira se deslocou para a esquerda.
E) Errada.
Regra: bens complementares são usados juntos, e a alta do preço de um reduz a demanda do outro.
A alternativa erra em é um bem complementar da marca cara: as duas marcas atendem à mesma necessidade, por isso são substitutas.
Resultado: alternativa B.
Como a banca cobra: a banca troca "quantidade demandada" por "demanda" e pede o sentido do deslocamento quando muda a renda, o preço de um substituto ou o de um complementar. Ela também mistura bem inferior com bem de Giffen.
Oferta
Um produtor de tomates vende a caixa a R$ 40,00. Se o preço sobe para R$ 80,00, ele passa a colher até os tomates das plantas mais distantes e a alugar mais um pedaço de terra, porque agora vale a pena. Do lado do vendedor, preço maior estimula a produção.
A oferta de um bem é a relação entre cada preço possível e a quantidade que os produtores desejam e podem vender a esse preço, num período, ceteris paribus. A quantidade ofertada é a quantidade a um preço determinado. A diferença entre oferta e quantidade ofertada segue a mesma lógica da demanda.
A lei da oferta diz que, ceteris paribus, quando o preço de um bem sobe, a quantidade ofertada sobe, e quando o preço cai, a quantidade ofertada cai. Preço e quantidade ofertada andam no mesmo sentido. Por isso a curva de oferta é inclinada para cima (positivamente inclinada).
A lei da oferta tem uma explicação de custo. Para produzir mais, a empresa usa máquinas mais velhas, paga horas extras ou usa terra menos fértil, e o custo de cada unidade adicional sobe. A empresa só aceita produzir essas unidades mais caras se o preço de venda cobre esse custo. Por isso, quanto maior o preço, mais unidades valem a pena.
A oferta linear tem a forma:
Nessa fórmula, é a quantidade ofertada, é o preço do bem, é quanto a quantidade ofertada sobe a cada real de aumento no preço e resume os fatores que não são o preço, como o custo dos insumos e a tecnologia. O sinal de mais antes de é a lei da oferta escrita em fórmula. O termo pode ser negativo: nesse caso, abaixo de certo preço a empresa não oferta nada.
Exemplo resolvido: a oferta semanal de marmitas no bairro é . Calcule a quantidade ofertada a R$ 10,00, R$ 20,00 e R$ 30,00 e o preço abaixo do qual ninguém oferta.
- Com preço de R$ 10,00: marmitas.
- Com preço de R$ 20,00: marmitas.
- Com preço de R$ 30,00: marmitas.
- A oferta é zero quando , ou seja, e . Abaixo de R$ 5,00, ninguém vende marmitas.
Fatores que deslocam a curva de oferta.
Quando muda o preço do próprio bem, o produtor se move ao longo da curva de oferta, e isso é variação da quantidade ofertada. Quando muda outro fator, a curva inteira se desloca, e isso é variação da oferta. Se a oferta aumenta, a curva vai para a direita: a cada preço, a quantidade ofertada sobe. Se a oferta diminui, a curva vai para a esquerda.
Os fatores que deslocam a curva de oferta são estes:
- Preço dos insumos. Insumo é o que a empresa usa para produzir, como matéria-prima, energia e mão de obra. Se o preço do arroz e do gás sobe, produzir marmitas fica mais caro, e a oferta de marmitas diminui.
- Tecnologia. Uma técnica que produz mais com o mesmo custo aumenta a oferta. Uma semente mais produtiva aumenta a oferta de soja.
- Preço de outro bem que a empresa pode produzir. Um agricultor que pode plantar milho ou soja na mesma terra muda a plantação para o bem que ficou mais caro. Se o preço da soja sobe, a oferta de milho diminui, porque parte da terra passa para a soja.
- Expectativas dos produtores. Se o produtor espera preço maior no futuro, ele pode guardar parte do estoque, e a oferta de hoje diminui.
- Número de vendedores. A abertura de novos restaurantes no bairro aumenta a oferta de marmitas.
- Impostos e subsídios. Um imposto sobre a produção funciona como um custo a mais e reduz a oferta. Um subsídio, isto é, um pagamento do governo ao produtor, reduz o custo e aumenta a oferta.
- Condições naturais. Nos produtos agrícolas, uma geada ou uma seca reduz a oferta, e um clima favorável a aumenta.
No exemplo das marmitas, se o preço do gás sobe, a oferta pode passar de para . Ao preço de R$ 20,00, a quantidade ofertada cai de 60 para marmitas. A curva de oferta se desloca para a esquerda.
Na prática, uma cooperativa de leite de uma região passa a usar ordenhadeiras automáticas e produz mais leite com o mesmo número de funcionários. A teoria manda classificar o fato como aumento da oferta: a curva de oferta de leite da região se desloca para a direita, e a cada preço a cooperativa oferece mais leite. O preço do leite não precisou mudar para que isso acontecesse.
A diferença para o conceito vizinho é a direção do efeito do custo. Custo maior reduz a oferta e desloca a curva para a esquerda, que no gráfico também aparece como uma curva mais alta, porque a cada quantidade o produtor pede um preço maior. A banca usa essa dupla leitura: "para a esquerda" e "para cima" descrevem a mesma redução da oferta.
O erro comum é tratar o aumento da demanda como causa de aumento da oferta. Quando a demanda sobe e o preço sobe, a quantidade ofertada aumenta por movimento ao longo da curva de oferta, mas a oferta, que é a curva, continua a mesma.
Julgue o item a seguir.
Um produtor rural pode cultivar milho ou soja na mesma área. Se o preço da soja sobe e nada mais muda, a curva de oferta de milho desse produtor se desloca para a esquerda, e a curva de oferta de soja não se desloca.
Comentário:
Regra: a alta do preço de outro bem que usa os mesmos recursos desloca a oferta do bem original para a esquerda; a alta do preço do próprio bem provoca movimento ao longo da curva dele.
O produtor tira terra do milho e a usa na soja, por isso a oferta de milho diminui. No mercado de soja, a alta do preço da própria soja aumenta a quantidade ofertada por movimento ao longo da curva, e a curva de oferta de soja fica no mesmo lugar.
Resultado: certo.
Uma analista estuda o mercado de soja de uma região, em que todos os demais fatores ficam constantes salvo o citado em cada alternativa. Assinale a alternativa que provoca o deslocamento da curva de oferta de soja para a esquerda.
- A) A queda do preço da soja no mercado da região.
- B) O aumento da renda dos consumidores de óleo de soja.
- C) O lançamento de uma semente de soja mais produtiva.
- D) O aumento do preço dos fertilizantes usados na soja.
- E) A criação de um subsídio do governo aos produtores de soja.
Comentário:
A) Errada.
Regra: a mudança do preço do próprio bem provoca movimento ao longo da curva de oferta.
A alternativa erra em A queda do preço da soja: ela reduz a quantidade ofertada, mas não desloca a curva de oferta.
B) Errada.
Regra: a renda do consumidor é fator da demanda, não da oferta.
A alternativa erra em O aumento da renda dos consumidores: a renda maior desloca a demanda; a curva de oferta fica onde está.
C) Errada.
Regra: a melhora da tecnologia aumenta a oferta e desloca a curva para a direita.
A alternativa erra em uma semente de soja mais produtiva: a semente melhor aumenta a oferta, e o deslocamento é para a direita.
D) Certa.
Regra: a alta do preço de um insumo aumenta o custo e reduz a oferta.
O fertilizante é insumo da soja. Com o custo maior, a cada preço o produtor quer vender menos, e a curva de oferta se desloca para a esquerda.
E) Errada.
Regra: o subsídio reduz o custo do produtor e aumenta a oferta.
A alternativa erra em A criação de um subsídio: o subsídio desloca a curva de oferta para a direita.
Resultado: alternativa D.
Como a banca cobra: a banca lista fatores e pede quais deslocam a oferta e em que sentido, misturando fatores de demanda no meio. Ela também cobra o caso do produtor que troca um cultivo por outro.
Equilíbrio de mercado
Num mercado, consumidores e vendedores se encontram ao mesmo tempo. O consumidor quer pagar pouco e o vendedor quer receber muito, mas existe um preço em que a quantidade que um quer comprar é igual à quantidade que o outro quer vender. Esse preço é o centro do modelo.
O equilíbrio de mercado é a situação em que a quantidade demandada é igual à quantidade ofertada. O preço que produz essa igualdade é o preço de equilíbrio, e a quantidade negociada nele é a quantidade de equilíbrio. No gráfico, o equilíbrio é o ponto em que a curva de demanda cruza a curva de oferta.
Nessa condição, é a quantidade demandada e é a quantidade ofertada. Para achar o preço de equilíbrio, iguala-se a função de demanda à função de oferta e resolve-se a equação em . Depois, o preço achado entra em qualquer das duas funções e dá a quantidade de equilíbrio.
Exemplo resolvido: no bairro, a demanda de marmitas é e a oferta é . Calcule o preço e a quantidade de equilíbrio.
- Iguala-se a demanda à oferta: .
- Passam-se os termos com para um lado e os números para o outro: .
- Resolve-se: , então .
- Calcula-se a quantidade na demanda: .
- Confere-se na oferta: .
- O preço de equilíbrio é R$ 20,00 e a quantidade de equilíbrio é 60 marmitas por semana.
O gráfico mostra o equilíbrio: a demanda desce da esquerda para a direita, a oferta sobe, e as linhas tracejadas levam o ponto de cruzamento aos eixos do preço e da quantidade.
Excedente do consumidor e excedente do produtor. No equilíbrio, muitos consumidores pagariam mais que o preço de mercado, e muitos vendedores aceitariam receber menos. O excedente do consumidor é a soma do que os consumidores ganham por pagar menos do que aceitariam pagar. No gráfico, ele é o triângulo entre a curva de demanda e a linha do preço de equilíbrio. O excedente do produtor é a soma do que os vendedores ganham por receber mais do que aceitariam receber, e no gráfico é o triângulo entre a linha do preço de equilíbrio e a curva de oferta.
Com retas, cada excedente é a área de um triângulo, e a área do triângulo é a base vezes a altura dividida por 2. A base é a quantidade de equilíbrio. A altura do excedente do consumidor é a distância entre o preço em que a demanda chega a zero e o preço de equilíbrio. A altura do excedente do produtor é a distância entre o preço de equilíbrio e o preço em que a oferta chega a zero.
Exemplo resolvido: no mercado das marmitas, com , e equilíbrio a R$ 20,00 com 60 marmitas, calcule o excedente do consumidor e o excedente do produtor por semana.
- Passa-se a demanda para a forma inversa: , então . Com , o preço é R$ 50,00.
- Passa-se a oferta para a forma inversa: , então . Com , o preço é R$ 5,00.
- Altura do triângulo do consumidor: reais.
- Excedente do consumidor: , ou seja, R$ 900,00.
- Altura do triângulo do produtor: reais.
- Excedente do produtor: , ou seja, R$ 450,00.
- O excedente total do mercado é , ou seja, R$ 1.350,00.
O excedente do consumidor e o excedente do produtor são áreas de ganho medidas em reais. Eles não são o excedente de mercadoria que sobra quando o preço fica acima do equilíbrio, que é uma quantidade. A banca usa a mesma palavra nos dois casos, e o contexto diz qual é: área em reais ou sobra em unidades.
Excesso de oferta e excesso de demanda.
Se o preço está acima do equilíbrio, os vendedores querem vender mais do que os consumidores querem comprar. Essa diferença é o excesso de oferta, também chamado de excedente. Os estoques se acumulam, e os vendedores baixam o preço para escoar a mercadoria. O preço cai até o equilíbrio.
Se o preço está abaixo do equilíbrio, os consumidores querem comprar mais do que os vendedores querem vender. Essa diferença é o excesso de demanda, também chamado de escassez. Aparecem filas e falta de produto, e os vendedores percebem que podem cobrar mais. O preço sobe até o equilíbrio.
A tabela usa as funções das marmitas e mostra o que acontece em cada preço.
| Preço | Quantidade demandada | Quantidade ofertada | Situação |
|---|---|---|---|
| R$ 10,00 | 80 | 20 | Excesso de demanda de 60 |
| R$ 15,00 | 70 | 40 | Excesso de demanda de 30 |
| R$ 20,00 | 60 | 60 | Equilíbrio |
| R$ 25,00 | 50 | 80 | Excesso de oferta de 30 |
| R$ 30,00 | 40 | 100 | Excesso de oferta de 60 |
O ajuste do preço segue estes passos quando o preço começa acima do equilíbrio:
- Preço acima do equilíbrio
- Quantidade ofertada maior que a demandada
- Estoques se acumulam
- Vendedores baixam o preço
- Quantidade demandada igual à ofertada?SimMercado em equilíbrioNãoPreço continua a cair
Efeito de um deslocamento.
Quando uma das curvas se desloca, o equilíbrio muda. Há quatro casos simples, com uma curva só se deslocando:
| Mudança | Preço de equilíbrio | Quantidade de equilíbrio |
|---|---|---|
| Demanda aumenta | Sobe | Sobe |
| Demanda diminui | Cai | Cai |
| Oferta aumenta | Cai | Sobe |
| Oferta diminui | Sobe | Cai |
A regra para lembrar: quando a demanda se desloca, preço e quantidade andam no mesmo sentido; quando a oferta se desloca, preço e quantidade andam em sentidos opostos.
Exemplo resolvido: a fábrica nova aumenta a demanda de marmitas para , com a oferta . Depois, num outro cenário, o gás encarece e a oferta passa a , com a demanda original . Calcule o novo equilíbrio de cada cenário.
- Cenário da fábrica: , então e .
- Quantidade: . Preço e quantidade sobem em relação a R$ 20,00 e 60.
- Cenário do gás: , então e .
- Quantidade: . O preço sobe para R$ 25,00 e a quantidade cai de 60 para 50.
Nos dois cenários o preço novo é o mesmo, R$ 25,00, mas a quantidade vai em sentidos diferentes. Isso mostra por que o preço sozinho não diz qual curva se deslocou: a direção da quantidade é que separa o choque de demanda do choque de oferta.
Deslocamentos simultâneos.
Quando as duas curvas se deslocam ao mesmo tempo, uma das variáveis tem sentido certo e a outra fica indeterminada, isto é, depende do tamanho de cada deslocamento. Se demanda e oferta aumentam juntas, a quantidade sobe com certeza, porque os dois deslocamentos a empurram para cima. O preço, porém, sobe pela demanda e cai pela oferta, e o resultado depende de qual deslocamento é maior.
O raciocínio é sempre o mesmo. Cada deslocamento é analisado sozinho, com a tabela dos quatro casos. A variável em que os dois efeitos vão no mesmo sentido tem sentido certo. A variável em que os efeitos se opõem fica indeterminada.
Na prática, uma geada destrói parte da safra de café de uma região e, no mesmo mês, uma pesquisa divulga que o café faz bem à saúde. A geada reduz a oferta, o que sobe o preço e reduz a quantidade. A pesquisa aumenta a demanda, o que sobe o preço e aumenta a quantidade. O preço sobe com certeza, e a quantidade fica indeterminada.
A diferença para o conceito vizinho está entre o deslocamento da curva e a mudança do equilíbrio. O aumento da demanda desloca a curva de demanda e, por causa disso, a quantidade ofertada sobe por movimento ao longo da oferta. A oferta não aumentou: só a quantidade ofertada aumentou.
O erro comum, nos deslocamentos simultâneos, é dar sentido certo às duas variáveis. Num deslocamento duplo, só uma das variáveis tem sentido certo, salvo quando o enunciado dá o tamanho de cada deslocamento.
Julgue o item a seguir.
Em um mercado de café em equilíbrio, uma geada destrói parte da safra e, ao mesmo tempo, os consumidores passam a preferir o café por causa de uma pesquisa sobre saúde. Nesse caso, o preço de equilíbrio sobe e a quantidade de equilíbrio cai.
Comentário:
Regra: a redução da oferta e o aumento da demanda sobem o preço; a quantidade cai pela oferta e sobe pela demanda, por isso fica indeterminada.
A primeira parte está correta, porque os dois deslocamentos sobem o preço. O erro está em a quantidade de equilíbrio cai: a quantidade depende do tamanho de cada deslocamento, e sem esse dado o resultado é indeterminado.
Resultado: errado.
No mercado de pão de uma cidade, a renda das famílias sobe, e o pão é um bem normal. No mesmo período, as padarias passam a usar fornos mais eficientes. Sem informação sobre o tamanho de cada mudança, assinale a alternativa correta sobre o novo equilíbrio.
- A) A quantidade de equilíbrio sobe, e o efeito sobre o preço de equilíbrio é indeterminado.
- B) O preço de equilíbrio sobe, e o efeito sobre a quantidade de equilíbrio é indeterminado.
- C) O preço e a quantidade de equilíbrio sobem.
- D) O preço de equilíbrio cai e a quantidade de equilíbrio sobe.
- E) O preço e a quantidade de equilíbrio ficam iguais, porque os dois efeitos se anulam.
Comentário:
A) Certa.
Regra: o aumento da demanda e o aumento da oferta sobem a quantidade; o preço sobe pela demanda e cai pela oferta.
A renda maior aumenta a demanda de um bem normal, e o forno mais eficiente aumenta a oferta. Os dois efeitos sobem a quantidade. No preço, os efeitos se opõem, e sem o tamanho de cada mudança o resultado é indeterminado.
B) Errada.
Regra: só fica com sentido certo a variável em que os dois efeitos vão no mesmo sentido.
A alternativa erra em O preço de equilíbrio sobe: o preço sobe pela demanda e cai pela oferta, por isso é ele que fica indeterminado. A quantidade é que sobe com certeza.
C) Errada.
Regra: o aumento da oferta reduz o preço de equilíbrio.
A alternativa erra em O preço e a quantidade de equilíbrio sobem: a quantidade sobe, mas a alta do preço só aconteceria se a demanda crescesse mais que a oferta, e o enunciado não dá essa informação.
D) Errada.
Regra: o aumento da demanda sobe o preço de equilíbrio.
A alternativa erra em O preço de equilíbrio cai: a queda só aconteceria se a oferta crescesse mais que a demanda, e o enunciado não dá essa informação.
E) Errada.
Regra: na quantidade, os dois deslocamentos vão no mesmo sentido e não se anulam.
A alternativa erra em ficam iguais, porque os dois efeitos se anulam: a quantidade sobe com certeza. Os efeitos só se opõem no preço.
Resultado: alternativa A.
Como a banca cobra: a banca descreve um caso com dois fatos ao mesmo tempo e pede o que acontece com preço e quantidade. Ela também troca o deslocamento da curva pela variação da quantidade ofertada ou demandada.
Preços máximos e mínimos
Às vezes o governo decide que o preço de mercado não serve, porque acha o preço alto demais para o consumidor ou baixo demais para o produtor. Ele então fixa por norma um limite para o preço. O modelo de demanda e oferta mostra o efeito desse limite sobre as quantidades.
O preço máximo, também chamado de preço teto, é o maior preço que o vendedor pode cobrar. Ele só tem efeito quando fica abaixo do preço de equilíbrio. Nesse caso, a quantidade demandada fica maior que a ofertada, e surge escassez permanente, porque o preço não pode subir para corrigir o desequilíbrio. As consequências típicas são filas, falta de produto, queda da qualidade, venda casada e mercado paralelo, isto é, venda ilegal acima do preço máximo.
O preço mínimo, também chamado de preço piso, é o menor preço que pode ser praticado. Ele só tem efeito quando fica acima do preço de equilíbrio. Nesse caso, a quantidade ofertada fica maior que a demandada, e surge excedente permanente. Nos produtos agrícolas com preço mínimo garantido, o governo muitas vezes compra o excedente e forma estoques; no mercado de trabalho, um salário mínimo acima do equilíbrio pode gerar mais pessoas procurando emprego do que vagas.
O preço máximo acima do equilíbrio e o preço mínimo abaixo do equilíbrio não têm efeito. O mercado já negocia no preço de equilíbrio, que respeita o limite, e nada muda. A banca usa esse caso para testar se o aluno lembra que o limite só age quando impede o preço de equilíbrio.
Exemplo resolvido: no mercado das marmitas, com e e equilíbrio a R$ 20,00, calcule o efeito de um preço máximo de R$ 15,00, de um preço mínimo de R$ 25,00 e de um preço máximo de R$ 24,00.
- Preço máximo de R$ 15,00: e .
- Escassez: marmitas. A quantidade negociada é a menor das duas, 40, porque ninguém compra o que não é ofertado.
- Preço mínimo de R$ 25,00: e .
- Excedente: marmitas. A quantidade comprada pelos consumidores é 50.
- Preço máximo de R$ 24,00: o equilíbrio de R$ 20,00 já está abaixo do teto, por isso o mercado continua com preço de R$ 20,00 e 60 marmitas.
Nos casos 1 e 3, a quantidade negociada cai em relação às 60 marmitas do equilíbrio. Com o preço máximo, o lado curto é o dos vendedores; com o preço mínimo, o lado curto é o dos consumidores.
Na prática, uma prefeitura fixa o preço máximo do botijão de gás abaixo do preço de equilíbrio. A teoria prevê que as revendas ofertam menos botijões, que as famílias querem comprar mais e que surgem filas e venda ilegal acima do teto. Se a prefeitura quer que todos tenham gás, a teoria mostra que o teto sozinho não resolve, porque reduz a quantidade vendida.
A diferença para o conceito vizinho é a posição do limite em relação ao equilíbrio, resumida na tabela a seguir.
| Limite | Posição que tem efeito | Resultado |
|---|---|---|
| Preço máximo | Abaixo do equilíbrio | Escassez, filas e mercado paralelo |
| Preço máximo | Acima do equilíbrio | Nenhum efeito |
| Preço mínimo | Acima do equilíbrio | Excedente e estoques |
| Preço mínimo | Abaixo do equilíbrio | Nenhum efeito |
O erro comum é associar o preço máximo ao excedente e o preço mínimo à escassez. O teto abaixo do equilíbrio segura o preço baixo e faz faltar produto; o piso acima do equilíbrio segura o preço alto e faz sobrar produto.
Em um mercado, a demanda é e a oferta é . O governo fixa um preço máximo de R$ 25,00. Assinale a alternativa correta.
- A) O preço máximo não tem efeito, porque está acima do preço de equilíbrio.
- B) Surge excedente de 40 unidades, e o governo precisa comprar a sobra.
- C) Surge escassez de 40 unidades, e a quantidade negociada passa a ser 35.
- D) Surge escassez de 40 unidades, e a quantidade negociada passa a ser 75.
- E) Surge escassez de 25 unidades, e a quantidade negociada continua em 50.
Comentário:
A) Errada.
Conta: dá , então o preço de equilíbrio é R$ 30,00.
A alternativa erra em está acima do preço de equilíbrio: R$ 25,00 está abaixo de R$ 30,00, por isso o preço máximo tem efeito.
B) Errada.
Regra: o preço máximo abaixo do equilíbrio gera escassez, não excedente.
A alternativa erra em Surge excedente de 40 unidades: a R$ 25,00 a quantidade demandada passa a ofertada, e o resultado é escassez.
C) Certa.
Conta: e ; a escassez é .
A quantidade negociada é a menor das duas, 35, porque os consumidores só compram o que os vendedores ofertam.
D) Errada.
Regra: com escassez, a quantidade negociada é a quantidade ofertada.
A alternativa erra em a quantidade negociada passa a ser 75: 75 é o que os consumidores querem comprar, mas só 35 unidades são ofertadas.
E) Errada.
Conta: a escassez é , e a quantidade de equilíbrio de 50 deixa de valer com o teto.
A alternativa erra em Surge escassez de 25 unidades, e a quantidade negociada continua em 50: a escassez é de 40 unidades e a quantidade negociada cai para 35.
Resultado: alternativa C.
Julgue o item a seguir.
Se o governo fixa um preço máximo acima do preço de equilíbrio de um bem, o mercado continua a negociar no preço e na quantidade de equilíbrio, sem escassez e sem excedente.
Comentário:
Regra: o preço máximo só tem efeito quando fica abaixo do preço de equilíbrio.
Com o teto acima do equilíbrio, o preço de equilíbrio já respeita o limite. O mercado não muda, e não surge escassez nem excedente.
Resultado: certo.
Como a banca cobra: a banca dá as funções de demanda e oferta e um preço máximo ou mínimo e pede a escassez, o excedente ou a quantidade negociada. Ela também pergunta o efeito de um limite colocado do lado em que não age.
- Demanda e oferta
- Demanda
- Lei da demanda
- Efeito substituição
- Efeito renda
- Fatores que deslocam a curva
- Renda e tipo de bem
- Substitutos e complementares
- Gostos e expectativas
- Bem de Giffen
- Bem de Veblen
- Oferta
- Lei da oferta
- Custo crescente da produção
- Fatores que deslocam a curva
- Insumos e tecnologia
- Impostos e subsídios
- Número de vendedores
- Equilíbrio de mercado
- Demanda igual à oferta
- Excesso de oferta
- Excesso de demanda
- Deslocamento de uma curva
- Deslocamentos simultâneos
- Preços máximos e mínimos
- Teto abaixo do equilíbrio
- Piso acima do equilíbrio
- Limite sem efeito
- Demanda
Quadros e comparações
A primeira tabela compara a variação da quantidade com a variação da curva, que é a distinção central do tópico.
| Situação | Causa | No gráfico | Nome certo |
|---|---|---|---|
| Muda o preço do próprio bem, lado do consumidor | Preço do bem | Movimento ao longo da curva de demanda | Variação da quantidade demandada |
| Muda renda, gosto ou preço de outro bem | Fator diferente do preço | Curva de demanda se desloca | Variação da demanda |
| Muda o preço do próprio bem, lado do produtor | Preço do bem | Movimento ao longo da curva de oferta | Variação da quantidade ofertada |
| Muda custo, tecnologia ou imposto | Fator diferente do preço | Curva de oferta se desloca | Variação da oferta |
A segunda tabela mostra o sentido do deslocamento para os fatores mais cobrados.
| Fato | Curva afetada | Sentido |
|---|---|---|
| Renda sobe, bem normal | Demanda | Direita |
| Renda sobe, bem inferior | Demanda | Esquerda |
| Preço do substituto sobe | Demanda | Direita |
| Preço do complementar sobe | Demanda | Esquerda |
| Preço do insumo sobe | Oferta | Esquerda |
| Tecnologia melhora | Oferta | Direita |
| Imposto sobre a produção | Oferta | Esquerda |
| Subsídio ao produtor | Oferta | Direita |
A terceira tabela resume os deslocamentos simultâneos.
| Demanda | Oferta | Preço | Quantidade |
|---|---|---|---|
| Aumenta | Aumenta | Indeterminado | Sobe |
| Diminui | Diminui | Indeterminado | Cai |
| Aumenta | Diminui | Sobe | Indeterminada |
| Diminui | Aumenta | Cai | Indeterminada |
A quarta tabela separa os tipos de bem que a banca troca entre si.
| Tipo de bem | O que acontece | Exemplo |
|---|---|---|
| Normal | Renda maior aumenta a demanda | Carne de boa qualidade |
| Inferior | Renda maior reduz a demanda | Marca de café muito barata |
| Giffen | Preço maior aumenta a quantidade demandada; é sempre inferior | Alimento básico de família muito pobre |
| Veblen | Preço alto atrai parte dos consumidores pelo status | Joias e relógios de luxo |
| Substitutos | Preço de um sobe, demanda do outro aumenta | Manteiga e margarina |
| Complementares | Preço de um sobe, demanda do outro diminui | Carro e gasolina |
Para decorar
- Demanda linear: . O sinal de menos é a lei da demanda.
- Oferta linear: . O sinal de mais é a lei da oferta.
- Equilíbrio: . Iguale as funções, ache e leve a uma das funções.
- Ceteris paribus: tudo o mais constante; só o preço do próprio bem muda.
- Quantidade demandada: muda só com o preço do próprio bem (movimento ao longo da curva).
- Demanda: muda com renda, gostos, preços de outros bens, expectativas e número de consumidores (deslocamento).
- Preço acima do equilíbrio: excesso de oferta, e o preço tende a cair.
- Preço abaixo do equilíbrio: excesso de demanda, e o preço tende a subir.
- Choque de demanda: preço e quantidade no mesmo sentido.
- Choque de oferta: preço e quantidade em sentidos opostos.
- Preço máximo: só age abaixo do equilíbrio e gera escassez.
- Preço mínimo: só age acima do equilíbrio e gera excedente.
Pegadinhas
| # | Errado | Certo |
|---|---|---|
| 1 | A queda do preço do bem aumenta a demanda dele. | A queda do preço aumenta a quantidade demandada, por movimento ao longo da curva. |
| 2 | Renda maior sempre aumenta a demanda. | Renda maior aumenta a demanda do bem normal e reduz a do bem inferior. |
| 3 | Todo bem inferior é um bem de Giffen. | Todo bem de Giffen é inferior, mas o bem inferior comum segue a lei da demanda. |
| 4 | A alta do preço do complementar aumenta a demanda do bem. | A alta do preço do complementar reduz a demanda do bem. |
| 5 | O aumento da demanda aumenta a oferta. | O aumento da demanda aumenta a quantidade ofertada, sem deslocar a oferta. |
| 6 | O aumento do custo dos insumos desloca a oferta para a direita. | O custo maior reduz a oferta e desloca a curva para a esquerda, ou para cima. |
| 7 | Preço acima do equilíbrio gera escassez. | Preço acima do equilíbrio gera excesso de oferta, e o preço tende a cair. |
| 8 | Se a oferta aumenta, preço e quantidade de equilíbrio sobem. | Se a oferta aumenta, o preço cai e a quantidade sobe. |
| 9 | Se demanda e oferta aumentam juntas, o preço sobe. | O preço fica indeterminado; só a quantidade sobe com certeza. |
| 10 | O preço máximo gera excedente. | O preço máximo abaixo do equilíbrio gera escassez. |
| 11 | O preço mínimo sempre altera o mercado. | O preço mínimo só tem efeito quando fica acima do equilíbrio. |
| 12 | Com escassez, a quantidade negociada é a quantidade demandada. | Com escassez, a quantidade negociada é a quantidade ofertada, que é a menor. |
Fontes e data
- [1] Conteúdo de teoria econômica consolidada nos manuais de introdução à microeconomia, sem norma técnica citada.
Texto conferido em 14/10/2026.