Ir para o conteúdo
Raciocínio Lógico

Proposições Lógicas

Do que trata o tópico

Este tópico ensina a base do Raciocínio Lógico. Você aprende o que é uma proposição, como ligar proposições com conectivos e como achar o valor lógico de uma frase composta. Depois, você usa a tabela-verdade, a ordem dos conectivos, a condição necessária e a suficiente, a tautologia e a negação das frases compostas. A banca usa esses assuntos em questões de certo ou errado sobre frases do serviço público e em questões de múltipla escolha que pedem a negação ou a frase equivalente.

Conteúdo

Proposições, reconhecimento e princípios lógicos

Um colega diz: "O relatório está pronto." Você pode conferir se isso é verdade ou mentira. Agora ele pergunta: "O relatório está pronto?" Uma pergunta não é verdade nem mentira.

Essa é a ideia de proposição. Proposição é uma frase que afirma alguma coisa e que pode ser julgada como verdadeira ou falsa. O resultado do julgamento se chama valor lógico. O valor lógico é V (verdadeiro) ou F (falso). Uma frase falsa continua sendo proposição: "2 + 2 = 5" é falsa, mas tem valor lógico.

Estas frases não são proposições:

  • pergunta: "Você estudou hoje?";
  • ordem: "Feche a porta.";
  • exclamação: "Que prova difícil!";
  • sentença aberta, com um termo sem valor definido: "x + 3 = 10" ou "Ele é auditor.";
  • paradoxo, que não aceita nenhum valor: "Esta frase é falsa."

Na frase "x + 3 = 10", você não sabe quanto vale . Por isso, não dá para julgar. Mas a frase "Para todo número x, x + 0 = x" é proposição, porque o "para todo" fecha o valor de .

A lógica das proposições segue três princípios. Princípio é uma regra básica que vale sempre.

  • Identidade: uma proposição V é V, e uma proposição F é F.
  • Não contradição: uma proposição não é V e F ao mesmo tempo.
  • Terceiro excluído: uma proposição é V ou é F. Não existe terceiro valor.

O paradoxo quebra esses princípios. Por isso, ele não é proposição.

  1. Reconheça o tipo: a questão traz frases e pede quais são proposições, ou quantas.
  2. Tire a pergunta, a ordem, a exclamação, o desejo e a frase sem verbo.
  3. Tire a sentença aberta (com livre ou "ele" sem dono) e o paradoxo.
  4. Conte as frases que sobram e confira se a questão pede as que são ou as que não são.

Diga quais frases são proposições: (I) O Sol é uma estrela. (II) Que horas são? (III) Estude a matéria. (IV) 3 + 4 = 8.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede quais frases são proposições.
  2. Passo 2 do roteiro: a frase II é pergunta e sai. A frase III é ordem e sai.
  3. Passo 3 do roteiro: as frases I e IV não têm termo livre. A frase I é V. A frase IV é F, porque .
  4. Passo 4 do roteiro: sobram I e IV. A frase falsa também conta.

Resultado: as frases I e IV são proposições.

Um professor escreve cinco frases: "x + 3 = 10", "Que dia lindo!", "Brasília é a capital do Brasil", "Feche a janela" e "2 + 2 = 5". Quantas são proposições?

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede quantas frases são proposições.
  2. Passo 2 do roteiro: "Que dia lindo!" é exclamação e sai. "Feche a janela" é ordem e sai.
  3. Passo 3 do roteiro: "x + 3 = 10" tem livre e sai.
  4. Passo 4 do roteiro: sobram "Brasília é a capital do Brasil" (V) e "2 + 2 = 5" (F).

Resultado: duas frases são proposições.

Em uma prova de um tribunal, o enunciado traz a frase "Esta frase é falsa". Depois, ele afirma: "A frase apresentada é uma proposição de valor lógico falso." Julgue a afirmação como certa ou errada.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede se a frase é proposição e qual é o valor.
  2. Passo 2 do roteiro: a frase afirma algo. Ela fica por enquanto.
  3. Passo 3 do roteiro: teste os dois valores. Se a frase é V, o que ela diz vale, e ela é F. Se ela é F, o que ela diz não vale, e ela é V. A frase é um paradoxo e sai.
  4. Passo 4 do roteiro: o paradoxo não é proposição e não tem valor lógico.

Resultado: errado. A frase é um paradoxo, não é proposição e não tem o valor falso.

Um órgão de controle usa seis frases num treinamento. (I) O Tribunal de Contas fiscaliza contas públicas. (II) Quantos servidores trabalham no órgão? (III) Entregue o relatório até sexta-feira. (IV) Para todo número inteiro x, x + 0 = x. (V) Ele foi aprovado no concurso. (VI) 7 é um número par. Quantas são proposições?

  1. A) 1
  2. B) 2
  3. C) 3
  4. D) 4
  5. E) 5
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede quantas frases são proposições.
  2. Passo 2 do roteiro: a frase II é pergunta e sai. A frase III é ordem e sai.
  3. Passo 3 do roteiro: a frase V tem "ele" sem dono e sai. A frase IV tem , mas o "para todo" fecha o valor. Ela fica.
  4. Passo 4 do roteiro: sobram I (V), IV (V) e VI (F). São 3 frases.

Resultado: alternativa C.

A armadilha mais tentadora é a alternativa B: quem vê o na frase IV tira a frase sem notar o "para todo".

O erro comum é tirar da lista a frase falsa, que é proposição. Outro erro é aceitar a sentença aberta. Antes de contar, pergunte: "Eu consigo dizer V ou F agora?"

Operadores lógicos, proposição simples e proposição composta

Uma proposição simples traz uma ideia só: "Ana estuda." Uma proposição composta junta duas ou mais simples: "Ana estuda e Bia trabalha." A palavra que faz a ligação se chama conectivo, ou operador lógico.

Cada proposição simples ganha uma letra: , , . Cada conectivo ganha um símbolo.

Conectivo Nome Símbolo
não negação
e conjunção
ou disjunção
ou ... ou disjunção exclusiva
se ... então condicional
se e somente se bicondicional

No condicional , a parte se chama antecedente e fica antes da seta. A parte se chama consequente e fica depois da seta.

A banca troca as palavras do conectivo para testar você:

  • "mas", "porém" e "embora" valem como "e";
  • "nem ... nem" vale como "não ... e não": ;
  • "quando", "caso" e "sempre que" valem como "se";
  • em "q, se p" e em "q sempre que p", a frase é . A ideia que vem depois do "se" é sempre o antecedente.
  1. Reconheça o tipo: a questão pede a forma simbólica de uma frase, ou a frase de uma fórmula.
  2. Dê uma letra para cada ideia completa (sujeito e verbo).
  3. Troque cada palavra de ligação pelo símbolo e ponha os parênteses conforme as vírgulas.
  4. Confira: leia a fórmula de volta em português e compare com a frase.

Considere : "Ana estuda" e : "Ana passa". Escreva em símbolos "Se Ana estuda, então Ana passa" e "Ana estuda e não passa".

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma simbólica.
  2. Passo 2 do roteiro: as letras já vêm no enunciado.
  3. Passo 3 do roteiro: "se ... então" vira . Na segunda frase, "e" vira e "não passa" vira .
  4. Passo 4 do roteiro: se lê "Ana estuda e Ana não passa". Bate.

Resultado: e .

Considere : "Carlos viaja" e : "Bia trabalha". Escreva em símbolos: "Carlos não viaja, mas Bia trabalha", "Nem Carlos viaja nem Bia trabalha" e "Bia trabalha sempre que Carlos viaja".

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma simbólica de três frases.
  2. Passo 2 do roteiro: as letras já vêm no enunciado.
  3. Passo 3 do roteiro: "mas" vale "e", e a primeira frase é . A segunda é . Na terceira, "sempre que" vale "se" e vem antes de "Carlos viaja". Então ela é .
  4. Passo 4 do roteiro: se lê "Se Carlos viaja, então Bia trabalha". Esse é o sentido da frase.

Resultado: , e .

Uma questão define : "O auditor revisa o contrato" e : "O diretor assina o contrato". Ela traz a frase "O auditor revisa o contrato se o diretor assina o contrato". Em seguida, afirma: "A frase pode ser escrita como ." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede para conferir a forma simbólica.
  2. Passo 2 do roteiro: as letras já vêm no enunciado.
  3. Passo 3 do roteiro: a ideia depois do "se" é "o diretor assina". Ela é o antecedente. A frase é .
  4. Passo 4 do roteiro: se lê "Se o diretor assina, então o auditor revisa". Bate. A forma inverte a seta.

Resultado: errado. O antecedente é a ideia depois do "se", e a forma certa é .

Um manual interno diz: "Se o servidor protocola o pedido e o chefe aprova, então o processo segue ou volta para correção." Use : "o servidor protocola o pedido", : "o chefe aprova", : "o processo segue" e : "o processo volta para correção". Qual é a forma simbólica?

  1. A)
  2. B)
  3. C)
  4. D)
  5. E)
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma simbólica.
  2. Passo 2 do roteiro: as quatro letras já vêm no enunciado.
  3. Passo 3 do roteiro: "e" liga e . "ou" liga e . A vírgula antes de "então" separa os blocos e , ligados pela seta.
  4. Passo 4 do roteiro: se lê "Se protocola e aprova, então segue ou volta". Bate.

Resultado: alternativa C.

A armadilha mais tentadora é a alternativa D, que tem os blocos certos com a seta invertida.

O erro comum é ler "q se p" como . A ideia depois do "se" é sempre o antecedente. Outro erro é esquecer que "mas" é "e".

Tabela-verdade das proposições compostas

A tabela-verdade mostra o valor lógico de uma proposição composta em todos os casos possíveis. Cada linha é um caso. Com uma proposição simples, há 2 casos. Com duas, há 4 casos. A regra geral é esta:

Nessa fórmula, é o número de proposições simples diferentes. Com 3 proposições, linhas.

Cada conectivo tem uma regra. Pense na promessa de um pai: "Se você passar, eu dou uma bicicleta." O pai só mente num caso: você passa e não ganha a bicicleta. Se você não passa, a promessa não foi quebrada. Por isso, o condicional só é F na linha V e F.

Esta é a tabela modelo que você vai montar:

V V V V F V V
V F F V V F F
F V F V V V F
F F F F F V V

As regras de cada coluna:

  • o "e" só é V quando as duas partes são V;
  • o "ou" só é F quando as duas partes são F;
  • o "ou ... ou" é V quando as partes são diferentes;
  • o "se ... então" só é F com antecedente V e consequente F;
  • o "se e somente se" é V quando as partes são iguais.

A negação troca o valor: se é V, é F.

  1. Reconheça o tipo: a questão pede o número de linhas, uma coluna, o valor numa linha ou quantas linhas dão V.
  2. Conte as proposições simples e calcule . Na primeira coluna, ponha metade V e metade F. Na última, alterne V e F.
  3. Crie uma coluna para cada parte da fórmula, de dentro para fora, e aplique a regra de cada conectivo.
  4. Confira: a última coluna é a da proposição inteira. Leia de novo o que a questão pede.

Monte a tabela-verdade de .

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a coluna inteira.
  2. Passo 2 do roteiro: há 2 proposições, então linhas. A coluna é V, V, F, F. A coluna é V, F, V, F.
  3. Passo 3 do roteiro: crie e depois .
V V F F
V F V V
F V F F
F F V F
  1. Passo 4 do roteiro: o "e" só é V na linha 2, em que e são V.

Resultado: a coluna de é F, V, F, F.

Uma apostila traz a tabela abaixo. A coluna X é uma proposição formada só por , e um conectivo. Qual é o conectivo?

X
V V V
V F F
F V V
F F V
  1. Passo 1 do roteiro: a questão traz a coluna e pede o conectivo.
  2. Passo 2 do roteiro: há 4 linhas, na ordem padrão.
  3. Passo 3 do roteiro: compare X com a tabela modelo. X só é F na linha em que é V e é F. Essa é a regra do condicional.
  4. Passo 4 do roteiro: confira a ordem. A linha falsa tem V, então é o antecedente.

Resultado: o conectivo é o condicional, e X é .

Um servidor monta a tabela abaixo para a proposição . Uma questão afirma: "A coluna montada pelo servidor está correta." Julgue a afirmação.

V V F
V F V
F V V
F F F
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede para conferir uma coluna.
  2. Passo 2 do roteiro: há 4 linhas, na ordem padrão.
  3. Passo 3 do roteiro: crie a coluna e aplique o condicional.
certo
V F F
V V V
F F V
F V V
  1. Passo 4 do roteiro: a coluna certa é F, V, V, V. O servidor escreveu F na linha 4.

Resultado: errado. Na linha 4, o antecedente é F, e o condicional com antecedente F é sempre V.

Na tabela-verdade da proposição , quantas linhas têm valor lógico V?

  1. A) 3
  2. B) 4
  3. C) 5
  4. D) 6
  5. E) 7
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede quantas linhas dão V.
  2. Passo 2 do roteiro: há 3 proposições, então linhas.
  3. Passo 3 do roteiro: crie as colunas , e a coluna final.
final
V V V V F F
V V F V V V
V F V V F F
V F F V V V
F V V V F F
F V F V V V
F F V F F V
F F F F V V
Total de V 5
  1. Passo 4 do roteiro: o condicional é F nas linhas 1, 3 e 5. Então linhas dão V.

Resultado: alternativa C.

A armadilha mais tentadora é a alternativa A, que traz o número de linhas F.

O erro comum é achar que o condicional com antecedente F é F. Com antecedente F, o condicional é sempre V. Outro erro é montar as colunas das simples fora da ordem e repetir uma linha.

Ordem de precedência entre os conectivos

Na conta , você multiplica primeiro: e . Na lógica é igual. Sem parênteses, existe uma ordem fixa para os conectivos:

Nessa ordem, a negação vem primeiro e o bicondicional vem por último. Os parênteses mandam mais que a ordem.

O conectivo resolvido por último se chama conectivo principal. Ele dá o nome da proposição.

  1. Reconheça o tipo: a fórmula tem vários conectivos, e a questão pede o valor lógico ou o conectivo principal.
  2. Resolva primeiro o que está dentro dos parênteses.
  3. Aplique a ordem , , , , , com um parêntese imaginário em volta de cada parte pronta.
  4. Confira: o último conectivo é o principal. Leia de novo o que a questão pede.

Considere V, F e F. Ache o valor lógico de .

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede o valor lógico.
  2. Passo 2 do roteiro: a fórmula não tem parênteses.
  3. Passo 3 do roteiro: o "e" vem antes. é F e F, que dá F. A fórmula fica : V ou F dá V.
  4. Passo 4 do roteiro: o principal é o "ou". Quem faz acha F e erra.

Resultado: o valor lógico é V.

Uma questão define : "O pregão é aberto", : "A empresa envia a proposta" e : "O fiscal aprova". O pregão é aberto, a empresa envia a proposta e o fiscal não aprova. Ache o valor lógico de .

  1. Passo 1 do roteiro: os dados dão V, V e F.
  2. Passo 2 do roteiro: a fórmula não tem parênteses.
  3. Passo 3 do roteiro: é F. Depois, é V e F, que dá F. A fórmula fica : F e F no condicional dá V.
  4. Passo 4 do roteiro: o principal é o condicional, e o antecedente F garante o V.

Resultado: o valor lógico é V.

Uma questão traz a proposição e afirma: "O conectivo principal é o condicional, e a proposição é verdadeira sempre que é falsa." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede o conectivo principal.
  2. Passo 2 do roteiro: a fórmula não tem parênteses.
  3. Passo 3 do roteiro: o condicional vem antes do bicondicional. A fórmula fica .
  4. Passo 4 do roteiro: o principal é o bicondicional. Teste F e F: é V, e V com F no bicondicional dá F.

Resultado: errado. O conectivo principal é o bicondicional, e a proposição é F com F e F.

Considere V, F, V e F. Assinale a alternativa que põe os parênteses de pela ordem de precedência e dá o valor lógico certo.

  1. A) , com valor F
  2. B) , com valor V
  3. C) , com valor F
  4. D) , com valor F
  5. E) , com valor F
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede os parênteses e o valor.
  2. Passo 2 do roteiro: a fórmula não tem parênteses.
  3. Passo 3 do roteiro: é V e F, que dá F. Depois, F ou V dá V. Por último, V e F no condicional dá F.
  4. Passo 4 do roteiro: os parênteses ficam , e o valor é F.

Resultado: alternativa A.

A armadilha mais tentadora é a alternativa D: ela dá o mesmo valor F, mas resolve o condicional antes do "ou".

O erro comum é resolver da esquerda para a direita, como se lê a frase. A ordem dos conectivos não segue a leitura. Ponha os parênteses um a um, e o principal aparece sozinho no fim.

Condição necessária e condição suficiente

Pense na frase: "Se chove, então a rua fica molhada." A chuva basta para molhar a rua. Por isso, chover é condição suficiente para a rua ficar molhada. Suficiente quer dizer "basta acontecer".

Agora olhe pelo outro lado. Se a rua não está molhada, não choveu. A rua molhada não pode faltar quando chove. Por isso, a rua molhada é condição necessária para a chuva. Necessária quer dizer "não pode faltar".

Nessa fórmula, é condição suficiente para , e é condição necessária para . O antecedente é suficiente. O consequente é necessário. No bicondicional , cada parte é condição necessária e suficiente para a outra.

Duas expressões confundem muito. "p somente se q" vira . "p se q" vira .

  1. Reconheça o tipo: a frase traz "necessária", "suficiente", "basta" ou "somente se", ou a questão pede para reescrever um "se ... então".
  2. Dê uma letra para cada ideia. Traduza "p somente se q" como e "p se q" como .
  3. Ponha a condição suficiente antes da seta e a necessária depois da seta.
  4. Confira: leia o condicional pronto de volta e veja se ele diz o mesmo que a frase.

Na frase "Se Paulo é juiz, então Paulo é formado em Direito", diga qual parte é suficiente e qual é necessária.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a classificação das partes.
  2. Passo 2 do roteiro: : "Paulo é juiz" e : "Paulo é formado". A frase é .
  3. Passo 3 do roteiro: o antecedente é suficiente. O consequente é necessário.
  4. Passo 4 do roteiro: ser juiz basta para ser formado. Ser formado não pode faltar a um juiz.

Resultado: ser juiz é condição suficiente para ser formado em Direito, e ser formado é condição necessária para ser juiz.

O manual de um órgão diz: "Ter a carteira de habilitação é condição necessária para dirigir um carro oficial." Escreva a frase com "se ... então".

  1. Passo 1 do roteiro: a frase traz "condição necessária".
  2. Passo 2 do roteiro: : "o servidor tem a carteira" e : "o servidor dirige um carro oficial".
  3. Passo 3 do roteiro: a condição necessária vai depois da seta. A frase é .
  4. Passo 4 do roteiro: "Se o servidor dirige um carro oficial, então ele tem a carteira." Quem dirige precisa ter a carteira. Bate.

Resultado: Se o servidor dirige um carro oficial, então ele tem a carteira de habilitação.

Um regimento interno diz: "Se o processo está concluso, então o relator pode votar." Uma questão afirma: "Pela frase, o relator poder votar é condição suficiente para o processo estar concluso." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a classificação de um condicional.
  2. Passo 2 do roteiro: : "o processo está concluso" e : "o relator pode votar". A frase é .
  3. Passo 3 do roteiro: é suficiente para , e é necessária para .
  4. Passo 4 do roteiro: a afirmação diz que é suficiente para . Isso seria , outra frase.

Resultado: errado. O relator poder votar é condição necessária, e não suficiente, para o processo estar concluso.

Uma norma interna diz: "O servidor recebe o adicional somente se trabalha à noite." Assinale a alternativa que diz o mesmo.

  1. A) Trabalhar à noite é condição suficiente para receber o adicional.
  2. B) Receber o adicional é condição necessária para trabalhar à noite.
  3. C) Trabalhar à noite é condição necessária para receber o adicional.
  4. D) Se o servidor trabalha à noite, então ele recebe o adicional.
  5. E) Receber o adicional é condição necessária e suficiente para trabalhar à noite.
  1. Passo 1 do roteiro: a frase traz "somente se".
  2. Passo 2 do roteiro: : "recebe o adicional" e : "trabalha à noite". "p somente se q" vira .
  3. Passo 3 do roteiro: é suficiente para , e é necessária para .
  4. Passo 4 do roteiro: trabalhar à noite é necessário para receber o adicional. As alternativas A, B e D dizem . A alternativa E diz o bicondicional.

Resultado: alternativa C.

A armadilha mais tentadora é a alternativa D, que lê o "somente se" como um "se" e inverte a seta.

O erro comum é trocar necessária por suficiente. Lembre a frase da chuva: a chuva basta, e a rua molhada não pode faltar. Outro erro é tratar "somente se" igual a "se".

Tautologia, contradição e contingência

Algumas proposições compostas têm sempre o mesmo valor. A frase "Amanhã chove ou amanhã não chove" é sempre V. A frase "Amanhã chove e amanhã não chove" é sempre F.

Esses casos têm nome:

  • tautologia: a proposição é V em todas as linhas da tabela-verdade;
  • contradição: a proposição é F em todas as linhas;
  • contingência: a proposição tem V em algumas linhas e F em outras.
V F V F
F V V F

Nessa tabela, é tautologia e é contradição. Já é contingência, porque a coluna dela é V, F, V, V.

Atalho: o condicional só é F com antecedente V e consequente F. Se essa linha não pode existir, ele é tautologia.

  1. Reconheça o tipo: a questão pergunta se a proposição é tautologia, contradição ou contingência.
  2. Monte as linhas e as colunas de dentro para fora até a coluna final.
  3. Olhe a coluna final: só V é tautologia, só F é contradição, e V com F é contingência. No condicional, use o atalho.
  4. Confira o nome que a questão pede e se ela pergunta "é" ou "não é".

Classifique e .

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a classificação.
  2. Passo 2 do roteiro: há 1 proposição, então linhas. A coluna é V, V. A coluna é F, F.
  3. Passo 3 do roteiro: a primeira só tem V. A segunda só tem F.
  4. Passo 4 do roteiro: a questão pede o nome das duas.

Resultado: é tautologia, e é contradição.

A tabela abaixo traz a coluna final de três proposições, A, B e C, formadas com e . Classifique cada uma.

A B C
V V V F V
V F V F F
F V V F F
F F V F V
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a classificação de três proposições.
  2. Passo 2 do roteiro: as colunas finais já estão prontas.
  3. Passo 3 do roteiro: A só tem V. B só tem F. C tem V e F.
  4. Passo 4 do roteiro: a questão pede o nome de cada uma.

Resultado: A é tautologia, B é contradição e C é contingência.

Uma questão afirma: "A proposição é uma tautologia." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pergunta se é tautologia.
  2. Passo 2 do roteiro: há 2 proposições, então 4 linhas.
V V V V
V F F V
F V F V
F F F V
  1. Passo 3 do roteiro: a coluna final só tem V. Pelo atalho, o condicional seria F com V e F. Mas só é V com V. Essa linha não existe.
  2. Passo 4 do roteiro: a questão pergunta se é tautologia. É.

Resultado: certo. O antecedente V obriga a ser V, e o condicional nunca fica F.

Assinale a alternativa que traz uma contradição.

  1. A)
  2. B)
  3. C)
  4. D)
  5. E)
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a contradição.
  2. Passo 2 do roteiro: todas usam 2 proposições, então 4 linhas. Monte a coluna final de cada uma.
A B C D E
V V V F V F V
V F V F V V V
F V V F F V V
F F V F F F V
  1. Passo 3 do roteiro: A e E são tautologias. C e D são contingências. B só tem F, porque é F justo quando é V.
  2. Passo 4 do roteiro: a questão pede a contradição. É a B.

Resultado: alternativa B.

A armadilha mais tentadora é a alternativa C: o pedaço é contradição, mas o "ou" com deixa a fórmula inteira como contingência.

O erro comum é classificar a fórmula inteira por um pedaço dela. Outro erro é chamar de contradição a proposição com um só F. A contradição precisa de F em todas as linhas.

Equivalências lógicas e negação de proposições compostas

Duas proposições são equivalentes quando têm a mesma coluna final na tabela-verdade. Elas dizem a mesma coisa com palavras diferentes. O símbolo quer dizer "é equivalente a".

A equivalência mais cobrada é a do condicional. "Se chove, a rua molha" diz o mesmo que "Se a rua não molhou, não choveu". Ela também diz o mesmo que "Não chove ou a rua molha".

Nessa linha, se chama contrapositiva: você troca a ordem e nega as duas partes. As formas e não são equivalentes a .

Negar é escrever uma proposição com o valor oposto em todas as linhas. Para "Ana estuda e Bia trabalha" ser falsa, basta uma das duas falhar. Então a negação é "Ana não estuda ou Bia não trabalha". Esse é o centro das regras de De Morgan: negue as partes e troque "e" por "ou".

Proposição Negação

A negação do condicional não é outro condicional: mantenha a primeira parte, troque a seta por "e" e negue a segunda.

  1. Reconheça o tipo: a questão pede a negação, uma frase equivalente, ou diz que duas frases são equivalentes.
  2. Traduza para símbolos e ache o conectivo principal.
  3. Aplique a regra de negação ou de equivalência e traduza de volta, com cuidado com cada "não".
  4. Confira com uma linha de valores: a negação dá o valor oposto, e a equivalente dá o mesmo valor.

Negue a frase "Ana estuda e Bia trabalha".

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a negação.
  2. Passo 2 do roteiro: : "Ana estuda" e : "Bia trabalha". A frase é , com o "e" como principal.
  3. Passo 3 do roteiro: a negação é : "Ana não estuda ou Bia não trabalha".
  4. Passo 4 do roteiro: com V e V, a frase é V. A negação é F ou F, que dá F. Os valores são opostos.

Resultado: Ana não estuda ou Bia não trabalha.

Escreva duas frases equivalentes a "Se o servidor falta, então ele perde o bônus", uma com "se ... então" e outra com "ou".

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede frases equivalentes.
  2. Passo 2 do roteiro: : "o servidor falta" e : "o servidor perde o bônus". A frase é .
  3. Passo 3 do roteiro: a contrapositiva é : "Se o servidor não perde o bônus, então ele não falta". A forma é "O servidor não falta ou perde o bônus".
  4. Passo 4 do roteiro: com V e F, as três formas dão F. Os valores batem.

Resultado: "Se o servidor não perde o bônus, então ele não falta" e "O servidor não falta ou perde o bônus".

Uma questão traz a frase "Se o contrato é assinado, então a obra começa". Ela afirma: "A negação dessa frase é: Se o contrato não é assinado, então a obra não começa." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede para conferir uma negação.
  2. Passo 2 do roteiro: : "o contrato é assinado" e : "a obra começa". A frase é .
  3. Passo 3 do roteiro: a negação é : "O contrato é assinado e a obra não começa".
  4. Passo 4 do roteiro: teste a frase da questão com F e F. A original dá V. A frase é V e V, que dá V. Os valores são iguais, então ela não é a negação.

Resultado: errado. A negação de um condicional usa "e": "O contrato é assinado e a obra não começa".

Assinale a negação da frase "O fiscal vistoria a obra ou o engenheiro não assina o laudo".

  1. A) O fiscal não vistoria a obra ou o engenheiro assina o laudo.
  2. B) O fiscal não vistoria a obra e o engenheiro assina o laudo.
  3. C) O fiscal não vistoria a obra e o engenheiro não assina o laudo.
  4. D) Se o fiscal vistoria a obra, então o engenheiro assina o laudo.
  5. E) O fiscal vistoria a obra e o engenheiro assina o laudo.
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a negação.
  2. Passo 2 do roteiro: : "o fiscal vistoria a obra" e : "o engenheiro assina o laudo". A frase é , com o "ou" como principal.
  3. Passo 3 do roteiro: De Morgan dá . Duas negações seguidas se anulam: . Em português: "O fiscal não vistoria a obra e o engenheiro assina o laudo".
  4. Passo 4 do roteiro: com F e V, a original é F ou F, que dá F. A alternativa B é V e V, que dá V. Os valores são opostos.

Resultado: alternativa B.

A armadilha mais tentadora é a alternativa A, que nega as duas partes, mas não troca o "ou" por "e".

O erro comum é negar o condicional com outro condicional. A negação de "se ... então" sempre usa "e". Outro erro é negar o "e" ou o "ou" sem trocar um pelo outro.

Álgebra das proposições

Na escola, você simplifica para . Com proposições, você faz o mesmo: troca um pedaço da fórmula por outro equivalente até ela ficar simples. Esse conjunto de trocas se chama álgebra das proposições.

Na lista abaixo, V é uma proposição sempre verdadeira e F é uma proposição sempre falsa.

Regra Com "e" Com "ou"
Idempotência
Identidade
Dominação
Complemento
Absorção
Distributiva

Valem também a comutativa (), a dupla negação (), De Morgan e a troca do condicional ().

A absorção parece difícil, mas a ideia é simples. Em , se é V, o "ou" já é V e tudo dá V. Se é F, o "e" já dá F. O valor final é sempre o de .

  1. Reconheça o tipo: a questão pede a forma mais simples ou diz que duas fórmulas são equivalentes.
  2. Troque cada condicional por , leve as negações para dentro com De Morgan e corte a negação dupla.
  3. Use a distributiva quando a mesma letra aparece em dois blocos. Depois corte com complemento, absorção, identidade e dominação.
  4. Confira: teste uma linha de valores na fórmula original e na final. Os valores têm de ser iguais.

Simplifique .

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma mais simples.
  2. Passo 2 do roteiro: não há condicional nem negação.
  3. Passo 3 do roteiro: a fórmula tem a forma da absorção: .
  4. Passo 4 do roteiro: com F e V, a original é F e V, que dá F. A final é F. Bate.

Resultado: a forma mais simples é .

Uma questão define : "O sistema está no ar" e : "O backup terminou". Ela pede a forma mais simples de e a frase em português.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma mais simples e a frase.
  2. Passo 2 do roteiro: De Morgan nega as partes e troca o "ou" por "e": . A negação dupla some: .
  3. Passo 3 do roteiro: não há mais o que cortar.
  4. Passo 4 do roteiro: com V e F, é F ou V, que dá V, e a negação dá F. A final é F. Bate.

Resultado: , isto é, "O sistema está no ar e o backup terminou".

Uma questão afirma: "A proposição é equivalente à proposição ." Julgue a afirmação.

  1. Passo 1 do roteiro: a questão diz que duas fórmulas são equivalentes.
  2. Passo 2 do roteiro: não há condicional nem negação de parênteses.
  3. Passo 3 do roteiro: aparece nos dois blocos. A distributiva dá . O complemento dá . A identidade dá .
  4. Passo 4 do roteiro: com F, os dois blocos são F, e é F. Bate.

Resultado: certo. Pela distributiva e pelo complemento, a fórmula se reduz a .

Assinale a forma mais simples da proposição .

  1. A)
  2. B)
  3. C)
  4. D)
  5. E)
  1. Passo 1 do roteiro: a questão pede a forma mais simples.
  2. Passo 2 do roteiro: troque o condicional: .
  3. Passo 3 do roteiro: a distributiva dá . O complemento dá . A identidade dá , que é .
  4. Passo 4 do roteiro: com F e V, a original é V e F, que dá F, e é F. Bate.

Resultado: alternativa C.

A armadilha mais tentadora é a alternativa B: quem pensa "tenho e , então tenho " esquece que a fórmula também exige .

O erro comum é usar De Morgan sem trocar o conectivo. Outro erro é parar antes de cortar o pedaço sempre V ou sempre F. No fim, teste uma linha de valores.

  • Proposições lógicas
    • Proposição e conectivos
    • Tabela-verdade e ordem dos conectivos
    • Condições, tautologia e contradição
    • Negação, equivalência e álgebra

Quadros e comparações

Conectivo É V quando É F quando
e as duas partes são V pelo menos uma parte é F
ou pelo menos uma parte é V as duas partes são F
ou ... ou as partes são diferentes as partes são iguais
se ... então não há antecedente V com consequente F o antecedente é V e o consequente é F
se e somente se as partes são iguais as partes são diferentes

Para decorar

  • Número de linhas: . Com 3 proposições, 8 linhas. Com 4, 16 linhas.
  • Condicional: só é F com antecedente V e consequente F.
  • Ordem dos conectivos: , , , , .
  • Condições: em , é suficiente e é necessária. "p somente se q" é .
  • Equivalentes do condicional: .
  • De Morgan: e .
  • Negação do condicional: .

Pegadinhas

# Errado Certo
1 Uma frase falsa não é proposição. A frase falsa é proposição, porque tem valor lógico F.
2 "q se p" é . A ideia depois do "se" é o antecedente: "q se p" é .
3 O condicional com antecedente F é F. Com antecedente F, o condicional é sempre V.
4 Em , é condição necessária para . é condição suficiente, e é condição necessária.
5 A negação de "Se p, então q" é "Se não p, então não q". A negação é "p e não q".

Fontes e data

Este guia não usa norma. As regras são da lógica das proposições básica. Todas as tabelas e todos os valores lógicos dos exemplos foram conferidos em 13/10/2026.

Conferido em 13/10/2026.

Estude todos os tópicos do seu edital assim.

A assinatura custa R$ 50 por mês ou R$ 500 por ano. Você tem garantia de 7 dias.