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Comunicação Social

Teorias da Comunicação, Sociologia, Psicologia e Expressão Verbal

O que mais cai

Parte do tópico Importância O que a banca cobra
Teorias e Conceitos da Comunicação Alta Elementos do processo, modelos de Lasswell e de Shannon e Weaver, teoria hipodérmica, funcionalismo e McLuhan
Sociologia da Comunicação Alta Efeitos limitados, indústria cultural, Estudos Culturais, agenda-setting, espiral do silêncio e gatekeeper
Psicologia da Comunicação Média Persuasão, seletividade, dissonância cognitiva, axiomas de Palo Alto e janela de Johari
Comunicação, Expressão Verbal e Recursos Linguísticos Média Funções da linguagem de Jakobson, signo, denotação e conotação, figuras de linguagem e comunicação não verbal

Do que trata o tópico

Este tópico reúne a base teórica da Comunicação Social. Ele mostra como a comunicação funciona como processo, como as teorias explicam o efeito dos meios de comunicação de massa sobre a sociedade, como a mente do receptor filtra e aceita as mensagens e como a linguagem verbal e a não verbal produzem sentido. O conteúdo cai em provas de analista de comunicação, de jornalista e de relações públicas.

Conteúdo

Teorias e Conceitos da Comunicação

A palavra comunicação vem do latim communicare, que quer dizer tornar comum, partilhar. Quando um servidor manda um aviso a toda a equipe e metade da equipe entende outra coisa, a comunicação falhou, mesmo com a mensagem enviada. Por isso a teoria trata a comunicação como um processo em que um emissor e um receptor partilham um significado, e não como o simples envio de um recado.

Todo processo de comunicação tem os mesmos elementos. O emissor (ou fonte) cria a mensagem e a codifica, isto é, põe a ideia em sinais de um código, como palavras, imagens ou gestos. O canal é o meio físico que leva a mensagem, como o ar na fala, o papel, a onda de rádio ou a rede de dados. O receptor recebe a mensagem e a decodifica, isto é, transforma os sinais de volta em ideia.

O código é o sistema de sinais que emissor e receptor precisam partilhar, como a língua portuguesa ou o código Morse. O referente (ou contexto) é o assunto de que a mensagem trata. O ruído é toda interferência que distorce a mensagem entre a codificação e a decodificação. O feedback (ou retroalimentação) é a resposta do receptor, que mostra ao emissor se a mensagem chegou como ele queria.

O ruído não é só barulho. Há ruído físico, como o chiado do rádio e a sala barulhenta, e ruído semântico, como a palavra técnica que o receptor não conhece. Há também ruído psicológico, como o preconceito do receptor contra o emissor.

O modelo de Lasswell. Harold Lasswell, cientista político norte-americano, resumiu o ato de comunicação em cinco perguntas: quem diz, o quê, em que canal, a quem e com que efeito. Cada pergunta abre um campo de estudo: a análise de controle (quem diz), a análise de conteúdo (o quê), a análise dos meios (o canal), a análise da audiência (a quem) e a análise dos efeitos. O modelo é linear, porque a mensagem vai só do emissor ao receptor, e não tem retorno. A última pergunta mostra a preocupação central da época: o efeito da mensagem sobre o público.

O modelo de Shannon e Weaver. Claude Shannon e Warren Weaver eram engenheiros e matemáticos ligados à telefonia. O modelo deles, chamado teoria matemática da comunicação ou teoria da informação, quer resolver um problema técnico: como transmitir o máximo de sinal com o mínimo de perda num canal. O modelo tem seis partes, que vão em sequência.

  1. Fonte de informação escolhe a mensagem
  2. Transmissor codifica a mensagem em sinal
  3. Canal leva o sinal
  4. Fonte de ruído interfere no canal
  5. Receptor decodifica o sinal
  6. Destino recebe a mensagem
Modelo de Shannon e Weaver

Nesse modelo, a informação é uma medida de incerteza: quanto menos previsível é a mensagem, mais informação ela traz. A redundância é a parte previsível da mensagem, que não traz informação nova mas protege a mensagem contra o ruído. Repetir um número de telefone ao ditá-lo é redundância útil. O modelo também é linear e não trata do significado: ele mede sinais, não sentidos.

Weaver separou três níveis de problema. O nível técnico pergunta se os sinais chegam com precisão. O nível semântico pergunta se os sinais transmitem o sentido desejado. O nível da eficácia pergunta se o sentido recebido muda o comportamento do receptor como o emissor queria.

Os modelos circulares. Wilbur Schramm criticou a linha reta dos modelos anteriores. No modelo dele, cada participante codifica, interpreta e decodifica, e a comunicação vira um círculo com feedback. Schramm também mostrou que só há entendimento na área em que os campos de experiência do emissor e do receptor se cruzam: quem nunca viu neve entende mal uma descrição de neve.

David Berlo propôs o modelo SMCR, sigla em inglês de fonte, mensagem, canal e receptor. Berlo destacou que a fidelidade da comunicação depende de fatores da fonte e do receptor, como habilidade de comunicação, atitudes, nível de conhecimento, sistema social e cultura. Ele também deu ênfase ao feedback.

A teoria hipodérmica. A primeira teoria sobre os efeitos dos meios, chamada teoria hipodérmica ou teoria da bala mágica, surgiu no período entre as duas guerras mundiais, com a força da propaganda política. Ela supõe uma sociedade de massa, formada por indivíduos isolados, sem laços sociais fortes e sem defesa diante da mensagem. A base psicológica é o behaviorismo: a mensagem é um estímulo e o comportamento é a resposta direta. Por isso a mensagem age como uma injeção, que entra igual em todos e produz o mesmo efeito.

A teoria funcionalista. O funcionalismo muda a pergunta. Em vez de perguntar o que os meios fazem com as pessoas, ele pergunta que função os meios cumprem para a sociedade funcionar. Lasswell apontou três funções: a vigilância do ambiente (informar sobre ameaças e oportunidades), a correlação das partes da sociedade (interpretar os fatos e organizar a resposta) e a transmissão da herança social de uma geração para outra. Charles Wright acrescentou a quarta função, o entretenimento.

Paul Lazarsfeld e Robert Merton mostraram que os meios também têm disfunções. A principal é a disfunção narcotizante: o cidadão recebe tanta informação que confunde estar informado com agir, e por isso fica passivo. Os mesmos autores apontaram duas funções sociais dos meios: a atribuição de status (a pessoa que aparece na mídia ganha prestígio) e o reforço das normas sociais (o desvio exposto em público pressiona pela punição).

A teoria dos usos e gratificações. Elihu Katz e outros autores inverteram o olhar: a pergunta é o que as pessoas fazem com os meios. O público é ativo e escolhe o meio que satisfaz uma necessidade, como informação, distração, companhia ou identidade. Quem liga a televisão para ter companhia busca outra gratificação que quem lê o jornal para votar.

McLuhan. Marshall McLuhan, teórico canadense, afirmou que o meio é a mensagem: o meio muda a percepção e a vida social mais que o conteúdo que ele leva. Para McLuhan, os meios são extensões do homem (a roda estende o pé, o livro estende o olho) e a eletricidade transforma o mundo numa aldeia global. Ele separou os meios quentes e os meios frios.

Um meio quente prolonga um só sentido em alta definição, traz muita informação pronta e por isso pede pouca participação do público, como o rádio e o cinema. Um meio frio tem baixa definição, traz pouca informação e por isso pede muita participação do público para completar a mensagem, como o telefone e a televisão da época de McLuhan. A banca troca os dois grupos e troca a relação entre definição e participação.

Exemplo resolvido: classifique cada situação pelo elemento do processo de comunicação que ela mostra.

  1. Um pregoeiro explica o edital com termos jurídicos a um fornecedor leigo, e o fornecedor não entende. A barreira está no sentido das palavras, por isso é ruído semântico.
  2. O fornecedor responde: "Não entendi o que é habilitação." A resposta volta ao emissor e mostra o resultado, por isso é feedback.
  3. O pregoeiro troca o termo técnico por "a fase em que conferimos os seus documentos". Ele ajusta a codificação ao repertório do receptor, o que amplia o campo de experiência comum de Schramm.
  4. O pregoeiro manda depois o mesmo texto por e-mail. Ele usa um segundo canal e repete a mensagem, o que é redundância no sentido de Shannon e Weaver.

Na prática, a assessoria de uma prefeitura inventada lança uma campanha de vacinação só com cartazes técnicos e a adesão fica baixa. Pelo modelo de Lasswell, a assessoria precisa olhar a audiência (a quem) e o efeito; pelo modelo de Schramm, precisa usar o repertório do público; pelo funcionalismo, a campanha cumpre a função de vigilância do ambiente. A resposta é mudar o código e o canal, e medir o feedback.

A diferença que a banca mais troca é entre os modelos lineares e os circulares. Lasswell e Shannon e Weaver são lineares e não têm retorno; Schramm e Berlo dão peso ao feedback. Outra troca comum põe a disfunção narcotizante na teoria hipodérmica, mas ela é do funcionalismo de Lazarsfeld e Merton.

O erro comum é achar que o modelo de Shannon e Weaver trata do significado da mensagem. Ele trata da transmissão técnica do sinal, e o ruído dele é antes de tudo físico.

No modelo de Shannon e Weaver, a informação cresce com a previsibilidade da mensagem, e a redundância, por não trazer informação nova, é sempre um defeito a eliminar da transmissão.

Comentário:

Regra: na teoria matemática da comunicação, a informação mede a incerteza, e a redundância protege a mensagem contra o ruído.

A afirmação erra em a informação cresce com a previsibilidade da mensagem: a informação cresce com a imprevisibilidade. Erra também em é sempre um defeito a eliminar da transmissão: a redundância é útil num canal com ruído, porque permite reconstruir a parte perdida.

Resultado: errado.

Um analista de comunicação estuda quem controla uma rede de rádio, que notícias ela escolhe e que mudança de opinião as notícias causam nos ouvintes. Pelo modelo de Lasswell, esses três estudos correspondem, nesta ordem, à análise:

  1. A) de conteúdo, de audiência e de meios.
  2. B) de meios, de conteúdo e de audiência.
  3. C) de controle, de conteúdo e de efeitos.
  4. D) de controle, de audiência e de efeitos.
  5. E) de audiência, de meios e de conteúdo.

Comentário:

A) Errada.

Regra: no modelo de Lasswell, quem controla o emissor é objeto da análise de controle.

A alternativa erra em de conteúdo, de audiência e de meios: as três análises estão fora de ordem e nenhuma trata do efeito.

B) Errada.

Regra: a análise dos meios estuda o canal, e não quem controla a emissora.

A alternativa erra em de meios: quem controla a rádio é a análise de controle. Erra também em de audiência: a mudança de opinião é efeito.

C) Certa.

Regra: as cinco perguntas de Lasswell geram as análises de controle, conteúdo, meios, audiência e efeitos.

Quem controla é a análise de controle, as notícias escolhidas são o conteúdo e a mudança de opinião é o efeito.

D) Errada.

Regra: a análise de conteúdo estuda o que a mensagem diz.

A alternativa erra em de audiência: as notícias que a rádio escolhe são conteúdo, e não audiência.

E) Errada.

Regra: a análise da audiência estuda quem recebe a mensagem.

A alternativa erra em de audiência, de meios e de conteúdo: nenhum dos três estudos olha para quem recebe, e a mudança de opinião é efeito.

Resultado: alternativa C.

Para McLuhan, o meio frio tem baixa definição e por isso exige do público maior participação para completar a mensagem.

Comentário:

Teoria: McLuhan chama de frio o meio de baixa definição, que dá pouca informação e pede muita participação de quem recebe.

A afirmação descreve o meio frio como McLuhan o define. O meio quente é o inverso: alta definição e pouca participação.

Resultado: certo.

Como a banca cobra: a banca dá uma situação e pede o elemento do processo, o modelo ou a função; ou troca o autor de um conceito, como a disfunção narcotizante e o meio quente.

Sociologia da Comunicação

A sociologia da comunicação estuda a relação entre os meios de comunicação de massa e a sociedade: quem produz a mensagem, em que condições, e que efeito ela tem sobre grupos, culturas e a opinião pública. A comunicação de massa é a que vai de um emissor organizado, como uma emissora ou um jornal, a um público grande, disperso e anônimo, por meios técnicos. As teorias desta parte respondem de modos diferentes à mesma pergunta: os meios têm muito poder, pouco poder ou um poder de outro tipo?

  1. Anos 1920 e 1930Escola de Chicago e teoria hipodérmica
  2. Anos 1930 e 1940Escola de Frankfurt e indústria cultural
  3. Anos 1940 e 1950Efeitos limitados e fluxo em duas etapas
  4. Anos 1960Estudos Culturais em Birmingham
  5. Anos 1970Agenda-setting e espiral do silêncio
  6. Anos 1980Mediações na América Latina
As correntes no tempo

A Escola de Chicago. Os sociólogos da Universidade de Chicago, como Robert Park, estudaram a cidade como laboratório social. Eles viram a comunicação como o que cria e mantém a comunidade, e estudaram o papel da imprensa na integração dos imigrantes. Dessa escola sai o interacionismo simbólico, de George Herbert Mead e Herbert Blumer: a pessoa constrói o sentido das coisas na interação com os outros, por meio de símbolos.

A teoria dos efeitos limitados. Pesquisas empíricas de campo, lideradas por Paul Lazarsfeld, acompanharam a decisão de voto dos eleitores numa campanha presidencial dos Estados Unidos. O resultado contrariou a teoria hipodérmica: a mídia mudou pouco o voto e, na maior parte dos casos, reforçou a opinião que o eleitor já tinha. O que mais pesou foi a conversa com pessoas próximas.

Daí nasce o fluxo comunicacional em duas etapas (two-step flow). Na primeira etapa, a mensagem da mídia chega aos líderes de opinião, pessoas mais atentas aos meios e mais ouvidas no seu grupo. Na segunda etapa, os líderes de opinião passam a mensagem, já interpretada, às pessoas do seu círculo. Elihu Katz e Lazarsfeld desenvolveram a ideia da influência pessoal: o grupo social filtra a mensagem dos meios.

Os efeitos limitados não querem dizer ausência de efeito. Eles querem dizer que o efeito passa por fatores sociais (grupo, líder de opinião) e psicológicos (seletividade, que a parte de Psicologia explica). A banca troca o líder de opinião por um jornalista ou por uma celebridade, mas o líder de opinião é uma pessoa comum, influente no seu grupo.

A Escola de Frankfurt. Os pensadores do Instituto de Pesquisa Social de Frankfurt fizeram a teoria crítica, de base marxista. Theodor Adorno e Max Horkheimer criaram o conceito de indústria cultural: a produção de filmes, música e programas de rádio segue a lógica da fábrica, com padronização, produção em série e busca de lucro. A expressão substitui "cultura de massa" de propósito, para não sugerir que essa cultura nasce da própria massa: ela é feita de cima para baixo e vendida ao público.

Para Adorno e Horkheimer, a indústria cultural transforma o consumidor em objeto, oferece a pseudoindividualidade (pequenas diferenças que parecem escolhas livres em produtos iguais) e reforça a ordem social. O entretenimento ocupa o tempo livre com a mesma lógica do trabalho e reduz a capacidade crítica. Herbert Marcuse falou do homem unidimensional, que perde a capacidade de pensar uma alternativa à sociedade de consumo.

Walter Benjamin, ligado ao mesmo grupo, tem uma visão diferente. Para ele, a reprodutibilidade técnica (fotografia, cinema) faz a obra de arte perder a aura, isto é, o caráter único e distante do original. Mas Benjamin vê nisso também um potencial político: a arte reproduzida chega às massas e pode servir à emancipação. A banca cobra essa diferença: Adorno é pessimista sobre a cultura de massa, e Benjamin é ambivalente.

Jürgen Habermas, da segunda geração de Frankfurt, estudou a esfera pública: o espaço em que cidadãos privados debatem assuntos de interesse comum e formam a opinião pública pela razão. Para Habermas, a mídia comercial e a publicidade transformaram esse espaço, e o debate racional cedeu lugar ao consumo e à encenação.

Os Estudos Culturais. No Centro de Estudos Culturais Contemporâneos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, autores como Richard Hoggart, Raymond Williams, Edward Thompson e Stuart Hall estudaram a cultura das classes populares e o modo como o público usa e interpreta a mídia. Eles rejeitam a visão do público passivo da Escola de Frankfurt. Para os Estudos Culturais, a cultura é um campo de disputa de sentidos, e não só de dominação.

Stuart Hall propôs o modelo codificação e decodificação. O emissor codifica a mensagem com um sentido preferido, mas o receptor pode decodificá-la de três modos.

Na leitura dominante (ou hegemônica), ele aceita o sentido preferido. Na leitura negociada, aceita parte e adapta parte à sua realidade. Na leitura de oposição, entende o sentido preferido e o rejeita, lendo a mensagem por outra moldura.

As mediações latino-americanas. Jesús Martín-Barbero propôs passar dos meios às mediações: o sentido da mensagem se forma no cotidiano, na família, no bairro, na cultura popular, e não só no meio técnico. Néstor García Canclini estudou as culturas híbridas, a mistura entre o erudito, o popular e o massivo.

Os efeitos a longo prazo. A partir dos anos 1970, as pesquisas voltaram a ver efeitos fortes da mídia, mas de outro tipo: cumulativos, lentos e sobre o conhecimento, e não sobre a opinião imediata. Três hipóteses são as mais cobradas.

A hipótese do agenda-setting (agendamento), de Maxwell McCombs e Donald Shaw, afirma que a mídia não determina o que o público pensa, mas determina sobre quais assuntos ele pensa. Os temas que a mídia destaca com frequência passam a ser os temas que o público considera mais importantes. Se os jornais falam de segurança pública todos os dias, a segurança sobe na lista de preocupações do eleitor, mesmo sem mudar a opinião dele sobre a solução.

A espiral do silêncio, de Elisabeth Noelle-Neumann, parte do medo do isolamento. A pessoa observa o ambiente, inclusive a mídia, para saber qual opinião é a da maioria. Quem acha que está em minoria se cala para não ficar isolado, e o silêncio faz essa opinião parecer ainda menor. A espiral se fecha quando a opinião vista como dominante ocupa todo o espaço público.

A hipótese do distanciamento social do conhecimento (knowledge gap), de Tichenor, Donohue e Olien, afirma que, quando a informação da mídia aumenta, os grupos de maior escolaridade e renda absorvem essa informação mais rápido. Por isso a diferença de conhecimento entre os grupos tende a crescer, e não a diminuir.

Gatekeeper e newsmaking. O conceito de gatekeeper (porteiro) vem de Kurt Lewin e foi aplicado ao jornalismo por David Manning White: o editor decide que notícia passa pelo portão e que notícia fica de fora. O newsmaking amplia a ideia: a notícia é uma construção da rotina produtiva da redação, com prazos, fontes oficiais e critérios de noticiabilidade (os valores-notícia, como proximidade, novidade, importância das pessoas envolvidas e impacto).

Exemplo resolvido: identifique a teoria em cada situação.

  1. Um telejornal mostra a crise hídrica todos os dias por um mês, e uma pesquisa indica que a água virou a maior preocupação dos moradores. O efeito é sobre o tema que o público considera importante, por isso é agenda-setting.
  2. Num grupo de servidores, quem é contra a nova escala fica calado porque acha que todos são a favor. O silêncio vem do medo do isolamento, por isso é espiral do silêncio.
  3. Uma mãe só vacina o filho depois de ouvir a agente de saúde do bairro, que tinha visto a campanha na televisão. A mensagem passou por uma pessoa influente no grupo, por isso é o fluxo em duas etapas.
  4. Um morador entende o noticiário sobre a reforma urbana, mas lê a notícia pela experiência de despejo da família e rejeita o sentido proposto. Ele faz a leitura de oposição de Stuart Hall.

Na prática, a assessoria de um tribunal inventado quer que a população conheça a conciliação. Pela hipótese do agenda-setting, a assessoria precisa manter o tema na pauta por um tempo longo; pelo fluxo em duas etapas, precisa alcançar líderes de opinião, como associações de bairro; pelo knowledge gap, precisa de material simples para o público de menor escolaridade.

A banca troca muito a agenda-setting e a espiral do silêncio. A agenda-setting fala do tema (sobre o que pensar); a espiral do silêncio fala da opinião que a pessoa manifesta ou cala. Outra troca põe a indústria cultural nos Estudos Culturais, mas ela é da Escola de Frankfurt.

O erro comum é ler a agenda-setting como poder de impor opinião. A hipótese diz o contrário: a mídia escolhe o assunto, e não a posição do público sobre o assunto.

Sobre as correntes da sociologia da comunicação, assinale a afirmação correta.

  1. A) Para Stuart Hall, o receptor que entende o sentido preferido da mensagem e o rejeita faz a leitura de oposição.
  2. B) Para Adorno e Horkheimer, a indústria cultural nasce da própria massa, que cria a cultura que consome.
  3. C) Para a espiral do silêncio, a mídia define sobre quais temas o público pensa, mas não a opinião do público.
  4. D) Para o fluxo em duas etapas, os líderes de opinião são os jornalistas que selecionam as notícias.
  5. E) Para Walter Benjamin, a reprodutibilidade técnica reforça a aura da obra de arte.

Comentário:

A) Certa.

Teoria: Stuart Hall separa as leituras dominante, negociada e de oposição.

Na leitura de oposição, o receptor reconhece o sentido proposto e lê a mensagem por outra moldura, rejeitando esse sentido.

B) Errada.

Teoria: para Adorno e Horkheimer, a indústria cultural é produzida de cima para baixo, com padronização e busca de lucro.

A alternativa erra em nasce da própria massa, que cria a cultura que consome: os autores trocaram "cultura de massa" por "indústria cultural" para negar essa ideia.

C) Errada.

Teoria: a espiral do silêncio trata do medo do isolamento e da opinião que a pessoa cala.

A alternativa erra em Para a espiral do silêncio: a ideia de definir sobre quais temas o público pensa é da agenda-setting.

D) Errada.

Teoria: no fluxo em duas etapas, o líder de opinião é uma pessoa do grupo, mais atenta à mídia e mais ouvida pelos outros.

A alternativa erra em são os jornalistas que selecionam as notícias: quem seleciona as notícias é o gatekeeper.

E) Errada.

Teoria: para Benjamin, a reprodução técnica faz a obra perder a aura.

A alternativa erra em reforça a aura da obra de arte: a reprodutibilidade técnica destrói a aura, o caráter único do original.

Resultado: alternativa A.

A pesquisa de Lazarsfeld sobre a decisão de voto confirmou a teoria hipodérmica, porque mostrou que a mensagem da mídia muda o voto do eleitor de forma direta e uniforme.

Comentário:

Teoria: a pesquisa de Lazarsfeld mostrou que a mídia mais reforça do que muda a opinião, e que a influência pessoal pesa mais.

A afirmação erra em confirmou a teoria hipodérmica: a pesquisa contrariou a teoria hipodérmica e deu origem à teoria dos efeitos limitados. Erra também em muda o voto do eleitor de forma direta e uniforme: o efeito passa pelos líderes de opinião e pelo grupo.

Resultado: errado.

Um estudo mostra que, depois de uma campanha intensa sobre alimentação saudável, os moradores com curso superior passaram a saber muito mais sobre o tema, e os moradores com menos escolaridade aprenderam pouco, o que aumentou a diferença entre os dois grupos. O estudo confirma a hipótese:

  1. A) da espiral do silêncio.
  2. B) do agenda-setting.
  3. C) dos usos e gratificações.
  4. D) do gatekeeper.
  5. E) do distanciamento social do conhecimento.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: a espiral do silêncio trata do medo do isolamento e da opinião que a pessoa cala.

A alternativa erra em da espiral do silêncio: o estudo mede conhecimento, e não opinião manifestada ou calada.

B) Errada.

Teoria: a agenda-setting trata da importância que o público dá aos temas que a mídia destaca.

A alternativa erra em do agenda-setting: o estudo não mede a importância do tema, mas a diferença de conhecimento entre grupos.

C) Errada.

Teoria: os usos e gratificações estudam o que o público faz com os meios para satisfazer necessidades.

A alternativa erra em dos usos e gratificações: o estudo não trata das necessidades que levam o público ao meio.

D) Errada.

Teoria: o gatekeeper é quem decide que notícia passa e que notícia fica de fora.

A alternativa erra em do gatekeeper: o estudo trata do público, e não da seleção das notícias.

E) Certa.

Teoria: para o knowledge gap, o aumento da informação beneficia mais os grupos de maior escolaridade e renda, e a diferença cresce.

O estudo mostra justamente o grupo mais escolarizado aprendendo mais e a diferença aumentando.

Resultado: alternativa E.

Como a banca cobra: a banca descreve um caso e pede a hipótese, ou junta o nome de um autor ao conceito de outra corrente, como Benjamin com a visão pessimista de Adorno ou a indústria cultural com Birmingham.

Psicologia da Comunicação

A psicologia da comunicação estuda o que acontece na mente do receptor e na relação entre as pessoas: como o receptor escolhe, percebe e guarda a mensagem, e o que torna uma mensagem persuasiva. Ela surgiu como correção da teoria hipodérmica. Se a mesma mensagem produz efeitos diferentes em pessoas diferentes, a diferença está nas características psicológicas de cada receptor.

A teoria da persuasão. Carl Hovland e o grupo da Universidade de Yale fizeram experimentos em laboratório para descobrir que fatores aumentam o poder de convencer de uma mensagem. A teoria também se chama abordagem empírico-experimental. Ela divide os fatores em dois grupos: os fatores ligados ao público e os fatores ligados à mensagem.

Os fatores ligados ao público incluem o interesse em obter informação e a seletividade, que tem três formas. Na exposição seletiva, a pessoa procura as mensagens que concordam com o que ela já pensa e evita as outras. Na percepção seletiva, ela interpreta a mensagem de modo a encaixá-la nas suas opiniões. Na memorização seletiva, ela lembra melhor o que confirma suas opiniões e esquece o resto.

Os fatores ligados à mensagem são quatro. O primeiro é a credibilidade da fonte: a fonte vista como competente e confiável convence mais no curto prazo. O segundo é a ordem dos argumentos: o efeito de primazia dá mais força ao argumento que vem primeiro, e o efeito de recência dá mais força ao que vem por último; os experimentos não deram uma regra única. O terceiro é a integralidade das argumentações: a mensagem bilateral, que apresenta também o lado contrário, convence mais o público instruído e o que discorda de início, e a mensagem unilateral convence mais quem já concorda.

O quarto fator é a explicitação das conclusões: dizer a conclusão de forma clara ajuda o público menos instruído ou pouco envolvido com o tema, e deixar a conclusão implícita funciona melhor com o público mais instruído. Hovland também observou o efeito latente (sleeper effect): a mensagem de uma fonte pouco confiável convence pouco no início, mas convence mais com o tempo, porque o público esquece a fonte e guarda o conteúdo.

  1. Mensagem é emitida
  2. Exposição seletiva filtra quem recebe
  3. Percepção seletiva filtra o sentido
  4. Memorização seletiva filtra o que fica
  5. Efeito depende da fonte e da mensagem
Do estímulo ao efeito na teoria da persuasão

A dissonância cognitiva. Leon Festinger chamou de dissonância cognitiva o desconforto que a pessoa sente quando tem duas ideias, ou uma ideia e uma ação, em conflito. A pessoa tenta reduzir esse desconforto: muda uma das ideias, busca informação que confirme a escolha feita ou desvaloriza a informação contrária. Quem acabou de comprar um carro caro presta mais atenção aos anúncios desse carro, porque eles confirmam a compra. A dissonância ajuda a explicar a exposição seletiva.

A Gestalt. A psicologia da Gestalt (palavra alemã para forma) estuda a percepção. A ideia central é que a pessoa percebe o todo antes das partes, e o todo é diferente da soma das partes. As leis da Gestalt explicam como o olho agrupa elementos: a proximidade (elementos próximos parecem um grupo), a semelhança (elementos parecidos parecem um grupo), o fechamento (a mente completa a figura incompleta), a continuidade e a relação de figura e fundo. A lei da pregnância resume as outras: a mente prefere a forma mais simples e estável.

A Escola de Palo Alto. Pesquisadores como Gregory Bateson e Paul Watzlawick estudaram a comunicação entre pessoas como um sistema de interação, chamado de pragmática da comunicação humana. Watzlawick e colegas propuseram cinco axiomas, que a banca cobra com frequência.

  1. É impossível não comunicar: o silêncio, a ausência e a postura também comunicam.
  2. Toda comunicação tem um nível de conteúdo e um nível de relação, e o nível de relação classifica o de conteúdo. A mesma frase dita com carinho ou com ironia muda de sentido.
  3. A natureza da relação depende da pontuação da sequência: cada parte entende a troca a partir de um ponto de partida diferente, e por isso cada uma acha que só reage ao outro.
  4. As pessoas comunicam de forma digital (as palavras, com regras e sentido preciso) e de forma analógica (gestos, tom, expressão).
  5. As trocas são simétricas, quando as pessoas se comportam como iguais, ou complementares, quando uma ocupa uma posição de cima e a outra uma posição de baixo, como chefe e subordinado.

A janela de Johari. Joseph Luft e Harrington Ingham criaram a janela de Johari para mostrar o que uma pessoa sabe e o que os outros sabem sobre ela. A janela tem quatro áreas.

A área aberta é o que a pessoa sabe e os outros também sabem. A área cega é o que os outros sabem e a pessoa não sabe sobre si. A área oculta é o que a pessoa sabe e esconde dos outros. A área desconhecida é o que ninguém sabe.

A comunicação melhora quando a área aberta cresce. O feedback recebido dos outros reduz a área cega, e a autoexposição (contar algo de si) reduz a área oculta. A banca troca as duas relações: feedback diminui a área cega, e não a oculta.

Exemplo resolvido: classifique cada caso.

  1. Um eleitor só assiste ao canal que apoia o seu candidato. Ele procura mensagens que concordam com o que ele já pensa: exposição seletiva.
  2. Uma servidora fica em silêncio na reunião, e a chefe entende que ela discorda da proposta. O silêncio comunicou: primeiro axioma de Palo Alto.
  3. Um colega diz a um gestor que ele interrompe todo mundo, e o gestor não sabia disso. O feedback diminuiu a área cega da janela de Johari.
  4. Uma pessoa lembra que leu uma notícia de um site sem credibilidade, esquece o site e passa a acreditar na notícia semanas depois. É o efeito latente.

Na prática, um órgão público inventado quer convencer servidores resistentes a usar o novo sistema eletrônico. Pela teoria da persuasão, a mensagem deve vir de fonte competente e confiável, como um colega que já usa o sistema, e deve ser bilateral, porque o público começa contra e é instruído. Pela dissonância cognitiva, mostrar ao servidor que ele já usa outros sistemas digitais cria um conflito que pede mudança de atitude.

A diferença que a banca troca é entre a teoria da persuasão e os efeitos limitados. A persuasão estuda fatores psicológicos individuais em laboratório; os efeitos limitados estudam fatores sociais, como o grupo e o líder de opinião, em pesquisa de campo.

O erro comum é achar que a fonte de alta credibilidade convence sempre mais, em qualquer prazo. Com o tempo, o efeito latente faz a mensagem da fonte pouco confiável ganhar força.

Segundo a pragmática da comunicação de Palo Alto, a comunicação analógica, que inclui gestos e tom de voz, tende a expressar o nível de relação, enquanto a comunicação digital, feita de palavras, tende a expressar o nível de conteúdo.

Comentário:

Teoria: para Watzlawick, a linguagem digital tem regras e sentido preciso e serve bem ao conteúdo, e a linguagem analógica serve bem à relação.

A afirmação junta corretamente o quarto axioma (digital e analógica) e o segundo axioma (conteúdo e relação). O tom de voz mostra como a pessoa vê a relação, e as palavras levam a informação.

Resultado: certo.

Uma campanha usa como fonte um especialista reconhecido e apresenta só os argumentos a favor da proposta. Pela teoria da persuasão de Hovland, essa mensagem tende a ser mais eficaz quando o público:

  1. A) é instruído e discorda da proposta no início.
  2. B) já concorda com a proposta e tem menor nível de instrução.
  3. C) é instruído e já esqueceu quem é a fonte da mensagem.
  4. D) discorda da proposta e evita mensagens que confirmem a opinião contrária.
  5. E) recebe a conclusão implícita e tem baixo envolvimento com o tema.

Comentário:

A) Errada.

Teoria: a mensagem bilateral convence mais o público instruído e o que discorda no início.

A alternativa erra em é instruído e discorda da proposta no início: esse público pede a mensagem bilateral, e a campanha é unilateral.

B) Certa.

Teoria: a mensagem unilateral convence mais quem já concorda e o público menos instruído.

A campanha só dá argumentos a favor, e esse formato funciona melhor com quem já concorda e tem menos instrução.

C) Errada.

Teoria: o esquecimento da fonte é a base do efeito latente, que favorece a fonte pouco confiável.

A alternativa erra em já esqueceu quem é a fonte da mensagem: a fonte da campanha é confiável, e esquecer a fonte tira dela a vantagem da credibilidade.

D) Errada.

Teoria: na exposição seletiva, a pessoa evita mensagens contrárias ao que ela já pensa.

A alternativa erra em discorda da proposta: o público contrário à proposta é o menos atingido por uma mensagem unilateral a favor dela.

E) Errada.

Teoria: para o público pouco envolvido, a conclusão explícita funciona melhor que a implícita.

A alternativa erra em recebe a conclusão implícita: o público de baixo envolvimento precisa da conclusão dita de forma clara.

Resultado: alternativa B.

Como a banca cobra: a banca cobra os fatores da persuasão com a combinação de público e mensagem, os cinco axiomas de Palo Alto e as áreas da janela de Johari com o que reduz cada uma.

Comunicação, Expressão Verbal e Recursos Linguísticos

Toda mensagem precisa de um código, e o código mais usado é a língua. Esta parte trata dos recursos que a pessoa usa para produzir sentido: a palavra, os signos não verbais, as funções da linguagem e as figuras. Um comunicador escolhe esses recursos conforme o objetivo, o público e o canal.

Linguagem verbal e não verbal. A linguagem verbal usa palavras, faladas ou escritas. A linguagem não verbal usa outros sinais: imagens, cores, gestos, expressão do rosto, postura e distância. A linguagem mista junta as duas, como na história em quadrinhos e no cartaz com texto e imagem. A placa de trânsito com o desenho de uma criança é não verbal; o aviso "Escola" escrito é verbal.

A comunicação não verbal tem campos próprios: a paralinguagem estuda os aspectos da voz que não são palavras: tom, volume, ritmo, pausas. A cinésica estuda os gestos, a postura e a expressão do rosto. A proxêmica, de Edward Hall, estuda o uso do espaço e da distância entre as pessoas, que ele dividiu em distância íntima, pessoal, social e pública. Na fala em público, a paralinguagem e a cinésica podem confirmar ou contradizer as palavras.

Língua, fala e signo. Ferdinand de Saussure separou a língua (langue), o sistema social de signos e regras partilhado por uma comunidade, da fala (parole), o uso individual e concreto da língua por cada pessoa. O signo linguístico une um significante (a imagem acústica, a forma, como a sequência de sons "casa") e um significado (o conceito de casa). Para Saussure, a ligação entre significante e significado é arbitrária: nada na forma "casa" lembra a coisa casa, e por isso cada língua usa uma forma diferente.

Charles Peirce classificou os signos pela relação com o objeto. O ícone se parece com o objeto, como a foto e o desenho. O índice tem uma ligação física ou de causa com o objeto, como a fumaça que indica fogo e a pegada que indica a passagem de alguém. O símbolo se liga ao objeto por convenção, como as palavras e a pomba branca que representa a paz.

Denotação e conotação. A denotação é o sentido literal e de dicionário da palavra. A conotação é o sentido figurado, que depende do contexto e acrescenta valores ou emoções. Em "o servidor quebrou a perna", "quebrou" é denotativo; em "o candidato quebrou a cara", "quebrou a cara" é conotativo e quer dizer fracassou. Texto técnico, jornalístico e oficial prefere a denotação, porque ela reduz a ambiguidade.

As funções da linguagem de Jakobson. Roman Jakobson, linguista russo, ligou cada elemento do processo de comunicação a uma função da linguagem. A função que predomina num texto é a que se volta para um elemento em destaque. Um texto pode ter várias funções, mas uma delas costuma dominar.

  1. Referencial (ou denotativa): foco no referente, isto é, no assunto. Informa de modo objetivo, como a notícia e o relatório.
  2. Emotiva (ou expressiva): foco no emissor. Mostra as emoções e opiniões de quem fala, com primeira pessoa e interjeições, como o diário e o desabafo.
  3. Conativa (ou apelativa): foco no receptor. Tenta convencer ou levar o receptor a agir, com verbos no imperativo e vocativos, como a propaganda.
  4. Fática: foco no canal. Abre, mantém ou testa o contato, como "alô", "está me ouvindo?" e "tudo bem?".
  5. Metalinguística: foco no código. Usa a língua para falar da própria língua, como o verbete de dicionário e a aula de gramática.
  6. Poética: foco na mensagem. Trabalha a forma da mensagem, com ritmo, rima, sonoridade e figuras, como o poema e o slogan com trocadilho.

A banca troca a função fática e a metalinguística, e troca a emotiva e a conativa. A fática testa o canal ("Alô, alô, som"), e a metalinguística explica o código ("Desapropriar significa..."). A emotiva olha para quem fala; a conativa olha para quem ouve.

Figuras de linguagem. As figuras são recursos que fogem do sentido literal ou da construção comum para dar expressividade. As mais cobradas estão na lista abaixo.

  • Metáfora: comparação sem conectivo, por semelhança. "Aquele chefe é uma muralha."
  • Comparação: semelhança com conectivo ("como", "tal qual"). "Aquele chefe é firme como uma muralha."
  • Metonímia: troca de uma palavra por outra com relação de proximidade, como autor pela obra ou continente pelo conteúdo. "Li Machado de Assis." "Bebeu um copo."
  • Catacrese: metáfora já gasta, usada por falta de palavra própria. "Pé da mesa", "braço da cadeira".
  • Eufemismo: suavização de uma ideia desagradável. "Ele partiu desta para melhor."
  • Hipérbole: exagero intencional. "Já falei isso um milhão de vezes."
  • Ironia: dizer o contrário do que se pensa, com intenção crítica. "Que pontualidade: chegou só duas horas atrasado."
  • Antítese: aproximação de ideias opostas, sem contradição lógica. "Os bons sofrem, e os maus prosperam."
  • Paradoxo (ou oxímoro): ideias que se excluem, unidas numa afirmação que parece absurda. "Ele é um mentiroso sincero." "Um silêncio ensurdecedor."
  • Prosopopeia (ou personificação): ações ou sentimentos humanos dados a seres não humanos. "O mar chorava na praia."
  • Sinestesia: mistura de sensações de sentidos diferentes. "Uma voz doce e áspera."

Qualidades e vícios da expressão. A boa expressão verbal busca clareza, concisão, correção, coesão (a ligação entre as partes do texto, com conectivos e retomadas) e coerência (a lógica do sentido). Os vícios mais cobrados são a ambiguidade (duplo sentido sem intenção, como "o diretor falou com o servidor em sua sala"), o pleonasmo vicioso (repetição inútil, como "subir para cima"), a cacofonia (som feio ou ridículo da junção de palavras, como "ela tinha") e o eco (repetição de sons finais iguais, como "a solução da questão da educação"). O pleonasmo usado de propósito, para dar ênfase, é figura de linguagem e não vício.

Exemplo resolvido: diga a função da linguagem que predomina em cada frase.

  1. "Vacine seu filho até sexta-feira." O texto se volta ao receptor e usa o imperativo: função conativa.
  2. "A palavra edital quer dizer ato escrito oficial com aviso ou determinação." O texto explica o próprio código: função metalinguística.
  3. "Pessoal do fundo, vocês estão me ouvindo?" O texto testa o contato pelo canal: função fática.
  4. "A campanha vacinou dez mil crianças no primeiro mês." O texto informa sobre o assunto, sem marca do emissor: função referencial.
  5. "Que alegria imensa ver a fila de crianças!" O texto mostra a emoção de quem fala: função emotiva.

Na prática, a assessoria de uma secretaria inventada escreve o texto de uma campanha. O cartaz principal usa a função conativa ("Doe sangue"), o slogan usa a função poética ("Doe sangue, doe vida"), e o site traz a parte referencial com locais e horários. No vídeo, o porta-voz cuida da paralinguagem e da cinésica, para que o tom e o gesto não contradigam o apelo.

A diferença mais trocada nesta parte é entre metáfora e metonímia. A metáfora se apoia na semelhança ("o chefe é uma muralha"); a metonímia se apoia numa relação real de proximidade, como o autor pela obra ("li Machado"). Outra troca é entre antítese e paradoxo: na antítese, as ideias opostas ficam lado a lado, sem contradição lógica ("os bons sofrem, e os maus prosperam"); no paradoxo, elas se juntam numa afirmação que parece absurda ("mentiroso sincero", "silêncio ensurdecedor").

O erro comum é marcar a função poética só em poema. Ela aparece em qualquer texto que trabalha a forma da mensagem, como slogans e títulos de notícia com trocadilho.

Leia a frase de uma campanha: "Água: cada gota conta, cada gota canta." Sobre a frase, assinale a opção correta.

  1. A) A função que predomina é a fática, porque a frase testa o contato com o leitor.
  2. B) A frase tem uma antítese entre "conta" e "canta", porque as duas palavras têm sentidos opostos.
  3. C) A frase usa só a denotação, porque fala da água em sentido literal.
  4. D) A função poética aparece no jogo de sons entre "conta" e "canta", e "canta" dá à gota uma ação humana.
  5. E) A função metalinguística predomina, porque a frase explica o sentido da palavra "água".

Comentário:

A) Errada.

Regra: a função fática se volta ao canal e serve para abrir, manter ou testar o contato.

A alternativa erra em A função que predomina é a fática: a frase não testa o canal, ela trabalha a forma da mensagem.

B) Errada.

Regra: a antítese aproxima ideias opostas.

A alternativa erra em as duas palavras têm sentidos opostos: contar e cantar não são ideias opostas; a aproximação das duas é um jogo de som.

C) Errada.

Regra: a conotação é o sentido figurado, que vai além do literal.

A alternativa erra em A frase usa só a denotação: a gota que canta é uma imagem figurada.

D) Certa.

Regra: a função poética trabalha a forma da mensagem, e a prosopopeia dá ação humana a um ser não humano.

A troca de uma só letra entre "conta" e "canta" é trabalho com a forma, e cantar é ação humana dada à gota.

E) Errada.

Regra: a função metalinguística usa o código para falar do próprio código.

A alternativa erra em A função metalinguística predomina: a frase não define a palavra "água".

Resultado: alternativa D.

Na frase "O Planalto anunciou o novo pacote de medidas", ocorre metáfora, porque o nome do lugar substitui o governo por semelhança entre os dois.

Comentário:

Regra: a metonímia troca uma palavra por outra com relação real de proximidade, como o lugar pela instituição que funciona nele.

A afirmação erra em ocorre metáfora: a figura é a metonímia. Erra também em por semelhança entre os dois: o Planalto não se parece com o governo; o governo funciona no Planalto, e a relação é de proximidade.

Resultado: errado.

Como a banca cobra: a banca dá uma frase de campanha ou de notícia e pede a função da linguagem ou a figura; ou troca os pares fática e metalinguística, emotiva e conativa, metáfora e metonímia.

  • Teorias da comunicação
    • Elementos do processo
      • Emissor e receptor
      • Código e canal
      • Ruído e feedback
    • Modelos
      • Lasswell, cinco perguntas
      • Shannon e Weaver, informação
      • Schramm e Berlo, feedback
    • Teorias de efeito
      • Hipodérmica
      • Funcionalista e disfunção narcotizante
      • Usos e gratificações
      • McLuhan, meio quente e frio
  • Sociologia da comunicação
    • Escola de Chicago
    • Efeitos limitados e líderes de opinião
    • Frankfurt e indústria cultural
    • Estudos Culturais e leituras de Hall
    • Mediações latino-americanas
    • Agenda-setting e espiral do silêncio
    • Knowledge gap e gatekeeper
  • Psicologia da comunicação
    • Persuasão e seletividade
    • Dissonância cognitiva
    • Gestalt
    • Axiomas de Palo Alto
    • Janela de Johari
  • Expressão verbal
    • Verbal e não verbal
    • Signo, denotação e conotação
    • Funções de Jakobson
    • Figuras e vícios de linguagem

Quadros e comparações

A tabela abaixo compara os modelos do processo de comunicação.

Modelo Autor Forma Ideia central
Cinco perguntas Lasswell Linear Efeito da mensagem sobre o público
Teoria matemática Shannon e Weaver Linear Transmissão do sinal com o mínimo de ruído
Modelo circular Schramm Circular Campo de experiência comum e feedback
SMCR Berlo Com feedback Fidelidade depende da fonte e do receptor

A tabela abaixo compara as teorias sobre o efeito dos meios.

Teoria Autor Força do efeito Palavra-chave
Hipodérmica Sem autor único Forte e direto Estímulo e resposta
Persuasão Hovland Depende da psicologia do receptor Seletividade
Efeitos limitados Lazarsfeld e Katz Fraco, passa pelo grupo Líder de opinião
Usos e gratificações Katz O público escolhe o meio Necessidade do público
Agenda-setting McCombs e Shaw Forte sobre os temas Sobre o que pensar
Espiral do silêncio Noelle-Neumann Forte sobre a opinião manifestada Medo do isolamento
Knowledge gap Tichenor, Donohue e Olien Desigual entre grupos Diferença de conhecimento

A tabela abaixo compara as correntes críticas e culturais.

Corrente Autores Visão do público Conceito
Escola de Frankfurt Adorno, Horkheimer, Marcuse Passivo, manipulado Indústria cultural
Benjamin Walter Benjamin Pode se emancipar Perda da aura
Habermas Jürgen Habermas Cidadão que debate Esfera pública
Estudos Culturais Hoggart, Williams, Hall Ativo, interpreta Codificação e decodificação
Mediações Martín-Barbero, Canclini Ativo, no cotidiano Mediações e hibridismo

A tabela abaixo liga cada função de Jakobson ao elemento do processo.

Função Elemento em foco Marca típica
Referencial Referente (assunto) Terceira pessoa, informação objetiva
Emotiva Emissor Primeira pessoa, interjeição
Conativa Receptor Imperativo, vocativo
Fática Canal Teste de contato
Metalinguística Código Língua explicando a língua
Poética Mensagem Ritmo, rima, figuras

Para decorar

  • Lasswell: quem diz, o quê, em que canal, a quem, com que efeito.
  • Shannon e Weaver: informação é medida de incerteza; redundância protege contra o ruído.
  • Funções dos meios: vigilância, correlação, transmissão da herança social (Lasswell) e entretenimento (Wright).
  • Disfunção narcotizante: Lazarsfeld e Merton; informar-se no lugar de agir.
  • Meio quente: alta definição, pouca participação. Meio frio: baixa definição, muita participação.
  • Fluxo em duas etapas: mídia, líder de opinião, grupo.
  • Indústria cultural: Adorno e Horkheimer, produção padronizada de cima para baixo.
  • Leituras de Hall: dominante, negociada, de oposição.
  • Agenda-setting: a mídia define sobre o que pensar.
  • Espiral do silêncio: medo do isolamento cala a opinião vista como minoria.
  • Seletividade: exposição, percepção e memorização.
  • Efeito latente: a fonte pouco confiável ganha força com o tempo.
  • Axiomas de Palo Alto: não comunicar é impossível; conteúdo e relação; pontuação; digital e analógica; simétrica e complementar.
  • Johari: feedback reduz a área cega; autoexposição reduz a área oculta.
  • Jakobson: referencial (referente), emotiva (emissor), conativa (receptor), fática (canal), metalinguística (código), poética (mensagem).
  • Signo de Saussure: significante mais significado, ligação arbitrária.
  • Peirce: ícone (semelhança), índice (ligação física), símbolo (convenção).

Pegadinhas

# Errado Certo
1 O modelo de Lasswell é circular e dá ênfase ao feedback. O modelo de Lasswell é linear; o feedback ganha peso em Schramm e Berlo.
2 Na teoria de Shannon e Weaver, a informação é a parte previsível da mensagem. A informação mede a incerteza. A parte previsível é a redundância.
3 A disfunção narcotizante é um conceito da teoria hipodérmica. Ela é do funcionalismo de Lazarsfeld e Merton.
4 Para McLuhan, o meio quente exige muita participação do público. O meio quente tem alta definição e pede pouca participação.
5 A agenda-setting afirma que a mídia define o que o público pensa sobre cada tema. A mídia define sobre quais temas o público pensa, e não a opinião dele.
6 O conceito de indústria cultural vem dos Estudos Culturais de Birmingham. O conceito é de Adorno e Horkheimer, da Escola de Frankfurt.
7 Walter Benjamin vê a reprodução técnica só como perda e dominação. Benjamin vê a perda da aura e também um potencial político de emancipação.
8 O líder de opinião do fluxo em duas etapas é o jornalista que seleciona as notícias. O líder de opinião é uma pessoa do grupo; quem seleciona as notícias é o gatekeeper.
9 Na janela de Johari, o feedback dos outros reduz a área oculta. O feedback reduz a área cega. A autoexposição reduz a área oculta.
10 A função fática explica o sentido das palavras do código. A função fática testa o canal. Explicar o código é a função metalinguística.
11 "Li Machado de Assis" é metáfora. É metonímia: o autor substitui a obra por relação de proximidade.
12 Para Saussure, a ligação entre significante e significado é natural. Para Saussure, essa ligação é arbitrária.

Fontes e data

Este tópico não tem norma pública de referência. O texto segue o conteúdo consolidado dos manuais de teoria da comunicação, de sociologia da comunicação e de linguística.

Texto conferido em 15/10/2026.

Conferido em 14/10/2026.

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